Cosméticos – Burocracia prejudicou os cosméticos – Perspectivas

Revista Química e Derivados

Um dos segmentos mais brilhantes da cadeia química, a produção de cosméticos e artigos de higiene pessoal interrompeu no ano passado uma série de mais de dez anos de aumento de faturamento dolarizado.

O setor encerrou 2013 com a expectativa de faturamento de US$ 14,7 bilhões, uma queda de 1,4% em relação aos US$ 14,9 bilhões do ano anterior.

Em moeda nacional, o faturamento líquido de R$ 31,7 bilhões representou aumento de 8,7% sobre 2012, mas ficou abaixo dos dois dígitos que o setor se acostumou a crescer nos últimos anos.

“Houve aumento de volume de vendas, mas percebe-se claramente que os preços caíram para se adaptar à perda de poder aquisitivo da população”, explicou João Carlos Basílio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

As indústrias do setor precisaram fazer promoções, com descontos nos preços, para sustentar vendas e combater o avanço das importações de produtos acabados.

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Silva: empresas deram descontos elevados para compensar perda de poder aquisitivo dos consumidores

“Isso está começando a preocupar, já temos notícias de empresas nacionais que estão contratando produção por tolling na China”, ressaltou.

Essa alternativa é mais frequente nas linhas de maquiagem, nas quais os produtores chineses têm vantagens no preço dos pigmentos e em outros insumos de produção, bem como nas embalagens e em custos diversos, entre eles os tributos.

Cosméticos – Obstáculos

Além da competição internacional, os obstáculos burocráticos pesaram contra o desempenho setorial. “Em 2013, os atrasos da Anvisa na liberação de mercadorias nos causaram um prejuízo de R$ 1 bilhão”, informou.

As liberações de produtos nos portos brasileiros chegaram a demorar cinco meses. Por isso, o anúncio oficial de uma reformulação na estrutura e nos procedimentos da Anvisa foi saudado pela entidade.

“Essas mudanças são bem-vindas, mas precisam ser mais rápidas”, avaliou Basílio da Silva.

O presidente da Abihpec também relatou problemas operacionais em algumas das empresas do setor, ligadas a produtos descartáveis (não considerados nas estatísticas informadas à Abiquim), que causaram perdas no faturamento dessa indústria nacional.

“Essas dificuldades já foram superadas, mas representaram uns R$ 180 milhões de redução de vendas”, disse.

Mesmo com o soluço dos resultados de 2013, o setor reafirma sua confiança no mercado nacional, pois seus investimentos produtivos aumentaram 8%, chegando a US$ 2,6 bilhões. Até 2018, o setor pretende investir mais US$ 14 bilhões no Brasil.

 

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