Economia

Perspectivas 2014 – Química: Alívio tributário melhorou resultados, mas importações continuam a bater recordes

Marcelo Fairbanks
21 de fevereiro de 2014
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    Além da eletricidade, há muitos entraves a prejudicar a competitividade nacional. De Marchi cita o índice criado pela Escola de Negócios IMD, da Suíça, uma referência global, para comprovar que o Brasil está ficando para trás. “Em 1997, data da criação do IMD, estávamos na 34ª posição, em 2013, caímos para a 51ª”, apontou. O Brasil perdeu espaço nos itens relativos à infraestrutura, eficiência de negócios e eficiência governamental, segundo o relatório do IMD.

    Os cinco países que superam o Brasil no ranking químico global têm posições muito melhores na avaliação do IMD. “Até 2010, México e Rússia ficavam atrás do Brasil, hoje eles estão na nossa frente na lista do IMD”, lamentou. Na sua análise, isso se reflete na balança comercial brasileira, em especial nos produtos químicos. “O estímulo à demanda não está sendo capturado pelo setor, por isso o saldo negativo cresce a cada ano”, afirmou. A indústria química parou de aumentar sua capacidade produtiva total em 2007, segundo informou. De lá para cá, percebe-se que a curva de consumo se descolou totalmente da curva de produção nacional.

    Química e Derivados, Cabral: no futuro, gás terá preço próximo ao dos EUA

    Cabral: no futuro, gás terá preço próximo ao dos EUA

    Planos de apoio – Os órgãos oficiais que mantêm relacionamento mais próximo com a indústria química são o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e seu braço financeiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Do diálogo entre eles, as empresas do setor e as universidades, espera-se que surja uma agenda comum, capaz de reverter o déficit comercial químico ou, ao menos, reduzi-lo.

    “O governo federal entende como desafio manter a produção química local, diversificando-a para produzir produtos de maior valor, mediante o incentivo à pesquisa e desenvolvimento e a internacionalização das companhias brasileiras”, afirmou Alexandre Cabral, diretor do departamento de Indústrias de Base Tecnológica do Mdic. Segundo informou, de 1991 a 2010, deixaram de ser fabricados no país 533 produtos químicos, muitos dos quais não voltarão a ser fabricados por aqui. Mas outros ainda podem voltar a ser atrativos.

    Segundo Cabral, a indústria química brasileira já promoveu, na década passada, fortes movimentos de concentração empresarial e de modernização de sua estrutura acionária. Isso permitiu formar companhias de escala mundial de produção, que já investem no exterior. “O mercado interno está crescendo, se pudermos atender o mercado com produtos feitos no Brasil, ainda que sejam mais caros, vale a pena, por manter empregos e distribuir renda”, avaliou.

    A avaliação de Cabral sobre o mercado global químico aponta para a formação de excedentes globais de produção, oriundos de unidades fabris de elevadíssima escala, dotadas de matérias-primas de custo muito reduzido, a exemplo do Oriente Médio e do shale gas dos Estados Unidos.

    A visão oficial sobre a diferença entre os preços do gás natural nos EUA e no Brasil aponta para tempos menos difíceis de concorrer. Cabral salienta que a demanda pelo gás norte-americano está crescendo aceleradamente, com tendência a elevar seus preços. No Brasil, a entrada em operação dos campos do pré-sal deverá aumentar muito a oferta do gás. “Acreditamos que, em cerca de cinco a dez anos, o preço do gás nos EUA deixará o patamar atual dos US$ 4/milhão de BTU e chegará a US$ 6 até US$ 7. Enquanto isso, o gás brasileiro ficará abundante e cairá dos atuais US$ 14/milhão de BTU para um valor mais próximo de US$ 8, equilibrando o jogo”, prognosticou.

    Química e Derivados, Tabela---CRESCE-O-DEFICIT-COMERCIAL-QUIMICO-DO-BRASILCabral salientou que o governo federal incluiu uma agenda para o setor químico dentro do Plano Brasil Maior, com medidas de curto e de médio prazos. As decisões de alcance imediato – todas elas cumpridas total ou parcialmente – incluem a desoneração de matérias-primas e incentivos aos investimentos e à inovação. Apenas o estabelecimento de uma política de uso do gás natural como insumo industrial ainda está em discussão. “Isso poderá ter efeitos estruturantes, mas é preciso lembrar que ainda falta ampliar a malha de dutos de distribuição e criar marcos legais para tanto”, considerou. Também é preciso verificar se o aproveitamento industrial não colocará sob risco a operação das termelétricas.



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