Economia

Perspectivas 2014 – Química: Alívio tributário melhorou resultados, mas importações continuam a bater recordes

Marcelo Fairbanks
21 de fevereiro de 2014
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    Química e Derivados, Tabela---FATURAMENTO-QUIMICO-POR-SEGMENTO-2013De forma geral, como evidenciam os números apresentados pelas associações dos mercados a jusante, o déficit comercial é homogêneo, indicando ser necessário investir na recuperação da competitividade do setor químico. Como explicou o dirigente da Abiquim, a indústria química apresenta um efeito multiplicador de seis vezes nas cadeias produtivas dela derivadas. Ou seja, cada dólar faturado com produtos químicos se converte em seis dólares de faturamento nas indústrias de transformação subsequentes. “É um setor muito relevante, vamos levar ao ministro Guido Mantega [Fazenda], com as cadeias produtivas coligadas, vários pleitos que ajudem o setor a avançar”, considerou.

    Figueiredo comentou que o Brasil possui plenas condições para assumir maior relevância mundial no setor. “Temos fontes de matérias-primas, a exemplo do pré-sal, pessoal qualificado e estruturas empresariais aptas para nos tornarmos exportadores químicos, mas nos falta uma política industrial adequada”, lamentou.

    A indústria de produtos químicos de uso industrial realizou investimentos de US$ 3,4 bilhões em 2013, valor idêntico ao apresentado em 2012. Segundo levantamento da Abiquim, estão programados até 2017 investimentos no total de US$ 21,7 bilhões . Esse ritmo é insuficiente para atender à demanda nacional.

    Química e Derivados,De Marchi: eletricidade ainda custa caro demais no Brasil

    De Marchi: eletricidade ainda custa caro demais no Brasil

    Perdas e ganhos – O setor químico, embora ainda tenha muito a pedir, tem menos itens a reclamar do governo federal em 2013. Depois de vários anos de tratativas, o setor conseguiu a desoneração da incidência de PIS/Cofins sobre a primeira e a segunda geração petroquímica. Isso significou, em média, uma redução de custos entre 6% e 7%. Além disso, o setor aproveitou até outubro a majoração da alíquota do imposto de importação sobre uma lista de cem itens. Essas medidas permitiram ao setor químico garantir lucro no exercício, em escala bem superior à de 2012.

    “Para nós, o preço das matérias-primas, como nafta e gás natural, é fundamental, mas não acredito que consigamos avançar nessa questão, pelo menos nas circunstâncias atuais”, comentou Pedro Wongtschowski, membro do conselho de administração da Ultrapar. Ele informou que o setor possui uma agenda ampla para desoneração dos investimentos, mas ainda é preciso convencer o governo a adotá-la.

    Apesar disso, Wongtschowski prevê uma evolução da indústria química, especialmente mediante a aplicação da agenda tecnológica setorial, que pretende apoiar empresas de médio porte a inovar e a diversificar as suas atividades.

    Marcos De Marchi, presidente da Elekeiroz e 3º vice-presidente da Abiquim, da qual também coordena a comissão de economia, confirmou a relevância da desoneração de PIS/Cofins sobre a primeira e a segunda geração petroquímica para combater as crescentes importações brasileiras. “Os benefícios obtidos foram repassados para as cadeias a jusante; podemos dizer que isso salvou o nosso ano”, comentou.

    No entanto, ele criticou o fato de a agenda de reformas que restabeleceria a competitividade da indústria nacional “não ter andado”. Essas propostas vêm sendo contínua e exaustivamente apresentadas ao governo federal desde dezembro de 2009, reunidas no Pacto Nacional da Indústria Química, criado com vistas a gerar resultados até 2020.

    Química e Derivados, Tabela---EVOLUCAO-DO-FATURAMENTO-liquido-POR-SEGMENTONa avaliação de De Marchi, as mudanças introduzidas no sistema elétrico nacional, em 2013, não resultaram em uma redução sensível nos preços da eletricidade para consumo industrial. “O Brasil continua pagando uma das mais altas tarifas de eletricidade industrial do mundo, fato inexplicável quando se sabe que nossa matriz geradora é essencialmente hidráulica, de baixo custo”, considerou. Com isso, as indústrias eletrointensivas devem sofrer mais em 2014, a exemplo do setor de soda/cloro.

    “A sociedade brasileira precisa definir se a atividade industrial é ou não é relevante para o país; nos países mais avançados, a tarifa industrial é bem mais baixa do que a residencial”, destacou De Marchi.



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