Perspectivas 2014 – Distribuição: Ano com menos dias úteis na indústria desperta incerteza com as vendas

Plástico Moderno, Perspectivas 2014 - Distribuição: Ano com menos dias úteis na indústria desperta incerteza com as vendas
Depois de obter resultados positivos, porém pouco animadores em 2013, a distribuição química nacional começa 2014 prestando muita atenção no comportamento dos mercados por ela atendidos. Há um conjunto de incertezas no cenário capazes de distorcer as previsões para o ano.

Plástico Moderno, Medrano: players internacionais continuarão a entrar no mercado
Medrano: players internacionais continuarão a entrar no mercado

Ainda que se esforce para manter sua visão “otimista moderada” quanto ao desempenho setorial, Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira da Distribuição Química (Associquim), aponta um amplo conjunto de incógnitas que podem ajudar ou prejudicar o andamento dos negócios durante o ano. “Teremos os feriados do Carnaval em março, uma copa do mundo de futebol e eleições nacionais e estaduais no mesmo ano”, apontou. “Não sabemos qual será o efeito da redução tão grande de dias úteis na atividade industrial, que é a maior consumidora dos nossos produtos.”

Ele mencionou um estudo elaborado pela Federação do Comércio (Fecomercio) que prevê uma alta significativa no faturamento de hotéis, restaurantes e atividades de transporte, justificada pelo aumento do fluxo de turistas. Mas o estudo não é conclusivo para as demais atividades econômicas. “Sempre nos adaptamos às condições de mercado, sejam elas quais forem”, salientou.

Da mesma forma, períodos eleitorais, em geral, coincidem com fortes desembolsos dos governos federal e estaduais em obras de grande porte. Neste ano, porém, com os índices de inflação apontando para cima, há uma pressão considerável para contenção de gastos e investimentos. “Percebemos que o governo federal, principalmente, está em um dilema: ou abre o cofre para ganhar a eleição, ou se concentra no combate à inflação. Como não há uma orientação de longo prazo para a economia brasileira, não se sabe ainda que caminho será escolhido”, explicou Medrano.

As dificuldades macroeconômicas já prejudicaram o desempenho da distribuição em 2013, ficando abaixo das expectativas iniciais. Segundo Medrano, embora os dados finais para o ano ainda não estejam computados, o setor registrou aumento de faturamento em moeda nacional entre 8% e 10%. Em dólares, a moeda histórica do ramo, o resultado foi zero, sem crescimento nem redução de vendas. “Isso reflete o impacto da desvalorização do real durante o ano”, justificou.

O dirigente setorial considera inadequado avaliar o setor por um período tão curto de tempo. “Ao longo dos últimos dez anos, o setor manteve um crescimento constante, além de ter se consolidado como elo fundamental nas cadeias produtivas”, considerou.

Ele apontou que o setor amadureceu muito nesse período, passando por uma fase de investimentos maciços em instalações, muitas das quais ainda subutilizadas. “O setor assumiu mais responsabilidades com fornecedores e clientes, oferecendo serviços de qualidade, como assistência técnica, laboratórios e outros, que agregam valor aos produtos comercializados”, disse.

Embora mostre a evolução contínua do setor, Medrano comenta que a remuneração das empresas não está ocorrendo adequadamente. “O setor vive das margens de lucro, que estão muito apertadas atualmente, por causa da concorrência e da elevação dos custos operacionais”, explicou.

Mesmo assim, o setor atraiu novos players internacionais. Em 2013, a gigante mundial Univar comprou a Arinos Química e a holandesa IMDG adquiriu parte do capital da Makeni Chemicals, do próprio Medrano. “Acredito que outros players virão para cá, somos um país com mais de 200 milhões de habitantes, com uma das dez maiores economias do mundo, um potencial imenso no agronegócio, uma visão ocidentalizada, com democracia estável e instituições permanentes”, considerou. Para ele, os distribuidores que pretendem ter atuação global precisam atuar no Brasil.

Ao mesmo tempo, ele considera que os distribuidores locais não podem se acomodar. “O ritmo das fusões e aquisições entre players locais caiu; e isso precisa ser revisto”, apontou. Como não há mais barreiras geográficas dentro do Brasil (como existiam nos antigos contratos de distribuição), a tendência marcante de mercado é a concentração de negócios visando ganho de escala. “Os pequenos distribuidores ou se concentram em nichos ou precisam crescer mediante fusões e aquisições”, recomendou.

Na fase atual, Medrano defende que a abertura de filiais espalhadas pelo território nacional é uma alternativa cara. “Os custos de manutenção de filiais são muito elevados, por isso ainda é melhor contar com um centro de distribuição eficiente e uma operação logística bem planejada para entregar produtos em todo o país”, defendeu.

Atuação internacional – O déficit recorde na balança comercial do setor químico, verificado em 2013, evidencia que a produção local de insumos químicos não consegue acompanhar a evolução da demanda. Para a distribuição, a importação de produtos químicos é fundamental para atender a clientela.

“O déficit químico é grande, mas é preciso tirar dele os fertilizantes e agroquímicos, que se referem a uma outra cadeia produtiva. A indústria química em si também está importando mais ingredientes, a parcela referente às compras diretas dos distribuidores lá fora não é tão grande, embora esteja crescendo”, comentou. “É fundamental perceber que os distribuidores não fazem importações predatórias, para nós é importante ter fontes de suprimento estáveis no país.”

Ao mesmo tempo, Medrano comenta que os consumidores finais se tornaram mais sofisticados nos últimos anos. Depois de terem contato com artigos importados das melhores origens, eles passaram a exigir qualidade idêntica dos similares nacionais. “Essa qualidade maior exige insumos mais modernos, mas a indústria química nacional nem sempre consegue produzi-los, então somos forçados a buscá-los no exterior”, comentou. A maior exigência dos clientes também inibiu as importações de produtos de origem duvidosa, que causavam transtornos aos clientes.

O aumento das importações ainda tropeça nos entraves burocráticos nacionais. Embora tenham sido promovidas melhorias, o tempo de desembaraço de mercadorias ainda é elevado. “Percebemos esforços da parte do governo, a implantação do Porto 24 Horas, por exemplo, ajudou, a Receita Federal está consciente dos problemas e já há uma separação dos importadores usuais dos ocasionais, estes precisam de mais atenção”, salientou.

Olho nos custos – Com margens apertadas, a distribuição nacional precisou reforçar o controle dos seus custos. Segundo Medrano, os custos com pessoal e com os transportes foram os que mais pesaram no ano passado sobre o setor.

“As negociações salariais levaram a um aumento muito superior à elevação da produtividade do trabalho, ou seja, esse custo aumentou significativamente”, explicou. As empresas do setor investiram pesadamente em sistemas de tecnologia da informação como alternativa para reduzir a quantidade de funcionários na parte administrativa. Além disso, esses sistemas facilitam a troca de informações com o departamento comercial, emitem rapidamente as documentações necessárias e mantêm os gestores mais bem informados para a tomada de decisões. Esses sistemas também ajudam a planejar melhor as operações logísticas, uma forma de conter os custos de transportes.

“A saúde financeira dos distribuidores não apresenta problemas, os empresários já sabem lidar com essas dificuldades, a inadimplência dos clientes está em patamares aceitáveis”, avaliou. O aumento das importações representa um risco para as distribuidoras quando se considera a volatilidade das cotações do dólar. “Existe uma pressão muito forte pela desvalorização do real em 2014 e 2015, os importadores devem estar atentos para não tomar uma pancada muito forte com as mudanças na taxa cambial”, recomendou.

EBDQuim – O encontro bienal dos distribuidores químicos está marcado para os dias 17 e 18 de março, na sede da Fecomercio, na Bela Vista, em São Paulo. “Estávamos procurando locais no Nordeste, como de costume, mas a proximidade da copa do mundo elevou demais o preço dos hotéis e das passagens aéreas, além dos transtornos previstos para os deslocamentos. Por isso, resolvemos realizar o EBDQuim em São Paulo, onde está localizada a maioria das empresas do ramo” explicou.

Além dos distribuidores locais, a Associquim já obteve a confirmação da presença de empresários e representantes de entidades do setor na Europa e nos Estados Unidos, entre outros. Neste ano, o foco das palestras deve enfatizar a missão e os valores da distribuição. “Vamos nos concentrar no papel do distribuidor para o fortalecimento das cadeias produtivas”, comentou.

Medrano considera importante dialogar com empresários do exterior para verificar o bom trabalho feito, por exemplo, na adaptação ao sistema Reach europeu. Além disso, a recuperação da economia norte-americana teve por base a descoberta de fontes não convencionais de óleo e gás, modalidades que exigem mais insumos químicos, como surfactantes. “Essa oportunidade está sendo aproveitada pelos distribuidores americanos e nós podemos aprender com eles”, disse.

Em âmbito global, a distribuição química vai muito bem. A Europa começa a sair do vermelho e o setor por lá registra aumento de vendas e de margens. Nos Estados Unidos, a distribuição química registrou crescimento de quase dois dígitos em 2013.

Enquanto isso, a América Latina derrapou. A maior economia regional, o Brasil, cresceu por volta de 2%. O México não obteve resultados brilhantes, mas poderá ter uma onda de crescimento com a abertura do mercado de óleo e gás para investidores estrangeiros. Argentina e Venezuela insistem em modelos fracassados. Chile, Colômbia e Peru apresentam os melhores indicadores econômicos da região, mas com volumes ainda pequenos para a distribuição química.

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