Perspectivas 2014 – Automação: Novos projetos industriais e modernizações são a aposta para aquecer as vendas

Plástico Moderno, Perspectivas 2014 - Automação: Novos projetos industriais e modernizações são a aposta para aquecer as vendas
Embora venham associadas a alguma dose de otimismo, são de maneira geral bem contidas as análises de quem busca antecipar o cenário no qual trabalhará a indústria de automação e de controle em 2014. Há, por um lado, a expectativa de retomada de projetos já anunciados, mas que permanecem em compasso de espera ou são tocados em marcha lenta. Mas existe também quem trabalhe com a possibilidade de um ritmo de realização de negócios no máximo similar ao registrado em 2013, quando, apesar da estimativa de um crescimento de aproximadamente 9% sobre o ano anterior (ver tabela), esse setor registrou um desempenho qualificado como pouco satisfatório.

Plástico Moderno, Ninin: a indústria não pode ficar muito tempo sem investir
Ninin: a indústria não pode ficar muito tempo sem investir

As perspectivas de um período comercialmente mais favorável parecem pouco calcadas em razões objetivas e mais fundamentadas em sentimentos e anseios, como se percebe nas palavras de Nelson Ninin, diretor executivo de automação industrial da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “A economia não pode ficar parada muito tempo e a indústria não pode ficar muito mais estagnada, senão as empresas começarão a ter problemas sérios”, diz Ninin, para justificar sua crença no aquecimento do mercado.

Ele comentou que devem surgir negócios em decorrência de novos projetos em setores como papel e celulose e na produção de etanol. Além deles, a indústria petroquímica investirá mais em automação e controle, pois “precisa de alguma modernização”. É preciso ainda, destaca, considerar a expansão da produção dos plásticos obtidos com base no etanol. “Haverá mais investimentos nessa área”, prevê Ninin.

Também a Petrobras, na sua avaliação, deverá se movimentar mais no decorrer de 2014. “Atualmente, o foco da Petrobras é a exploração, que demanda automação, mas na indústria de óleo e gás as refinarias constituem os principais usuários dessa tecnologia”, ressalta o diretor da área de automação da Abinee.

Ninin prevê para 2014 um crescimento inferior aos 9% registrados em 2013. Afinal, ele pondera, a expansão do ano passado deve em grande parte ser creditada a projetos maiores – cuja implementação vem sendo executada há algum tempo –, que geram faturamento para as empresas de automação durante prazos maiores, na medida em que elas entregam as encomendas destinadas às suas diversas etapas. “Mas muitos desses projetos já não gerarão faturamento em 2014, ano no qual também não devem surgir novos projetos relevantes”, pondera.

Plástico Moderno, Figueira: instrumentos sem fio devem gerar negócios
Figueira: instrumentos sem fio devem gerar negócios

Por sua vez, Marco Figueira, diretor comercial na América do Sul da Yokogawa, uma provedora global de diversas soluções e equipamentos para automação e controle, afirma ter “boas perspectivas” para este ano. Assim como Ninin, ele também vê na indústria de papel e celulose um dos setores com maior potencial de geração de negócios no decorrer deste ano, ao menos para a sua empresa, que em 2013 atendeu, nesse segmento, clientes como Suzano e CMPC (respectivamente, no Maranhão e no Rio Grande do Sul). “Em 2014 deveremos ter, nesse mercado, novos projetos da Eldorado e da Fibria, ambos em Três Lagoas-MS, e a reformulação da planta da Jari Celulose”, complementa Figueira.

Na indústria do etanol, ele destaca, os negócios serão fortalecidos com a entrada da produção do etanol de segunda geração, segmento para o qual a Yokogawa fornece soluções para a empresa Granbio, que iniciará neste ano sua unidade pioneira no país, no estado de Alagoas. “Devem surgir mais projetos desse gênero”, prevê Figueira. “Também creio em mais negócios com os setores químico e petroquímico, que nos últimos dois anos não realizaram grandes investimentos, e com a mineração”, ele conclui.

Outros mercados – Os agroquímicos, os fertilizantes e as especialidades químicas são qualificados por Carlos Fernando Albuquerque Junior, gerente de desenvolvimento de mercado vertical da Siemens, como alguns dos setores potencialmente mais capazes de gerar negócios para a indústria da automação e do controle no decorrer de 2014.

Tais setores, ele justifica, estão diretamente relacionados à expansão do consumo e à necessidade de redução do déficit da balança do comércio de produtos químicos do país. “As indústrias de bebidas, farmacêutica e de vidro também anunciam novos projetos para 2014, porém em escala menor em comparação aos dois últimos anos”, complementa Albuquerque.

Na opinião do profissional da Siemens, em 2014 a indústria da automação apresentará um crescimento “moderado, similar ao de 2013”. Esse crescimento será fundamentado especialmente na demanda dos clientes dotados de estratégias de longo prazo, especialmente os do setor químico. As demais empresas têm seus projetos mais afetados pela deterioração dos indicadores da macroeconomia nacional e pela ausência de uma política de desenvolvimento industrial capaz de sustentar a evolução desses segmentos de mercado.

Plástico Moderno, Tabela: Evolução do faturamento do setor de automação industrial (R$ milhões, a preços correntes)Para Marcos Hillal, gerente de produto automação LBU Industrial Solutions da ABB, além das indústrias química e de papel e celulose, também os setores de óleo e gás e de mineração provavelmente ampliarão sua demanda por soluções de automação durante este ano. “Infelizmente, mercados como a metalurgia não vêm apresentando crescimento nos últimos anos, principalmente em razão das pressões sobre o preço de seus produtos, sujeitos à pesada concorrência dos mercados asiáticos”, menciona.

Cintia Sanches, gerente de vendas da Honeywell Process Solutions, também crê em ampliação da demanda nos segmentos de papel e celulose e de mineração. Neste último, ela projeta expansão da demanda por produtos incluídos no conceito das ‘soluções avançadas’, capazes de colaborar em tarefas como aumento de produção e redução de custos. “Em época de mercado mais retraído, investimentos desse gênero são muito importantes”, observa.

Além disso, estão sendo retomados os investimentos da indústria de óleo e gás, impulsionados por fatores como a exploração do pré-sal. “Temos boas perspectivas para este ano”, resume Cintia.

Sem fio e universal – Se por um lado a conjuntura na qual atuarão no decorrer deste ano ainda não se mostra muito definida, no exame das soluções mais aptas a incrementar seus negócios os integrantes da indústria de automação e controle apresentam algumas certezas: crescerão, eles preveem, as demandas relacionadas a equipamentos de comunicação sem fio (wireless), integração de sistemas e controles avançados, entre outras tecnologias.

As soluções wireless, salienta Nelson Ninin, por enquanto são usadas mais intensamente em atividades de monitoramento, mas esse emprego inicial em tarefas de menor risco é próprio de qualquer tecnologia em fase de maturação. “Isso aconteceu com as próprias redes de campo, como Fieldbus e Profibus. No início, ninguém queria colocá-las no coração do processo, mas hoje elas são amplamente usadas, sem discussões”, compara.

Segundo Figueira, da Yokogawa, já se expande o uso de equipamentos sem fio mesmo em atividades de controle, até porque eles são hoje suportados por protocolos de comunicação estabelecidos e confiáveis, a exemplo do ISA 100, com o qual trabalha sua empresa, e isso deixa os clientes mais seguros para utilizá-los nessas tarefas. “Apostamos bastante no crescimento dos instrumentos wireless”, afirma Figueira.

Plástico Moderno, Cintia: cartão de dados aceita sinais digitais e analógicos
Cintia: cartão de dados aceita sinais digitais e analógicos

Paralelamente à maior demanda por equipamentos sem fio, destaca Cintia, da Honeywell, consolidam-se movimentos como o aumento do uso do cartão universal de entrada e saída de dados (universal I/O), que aceita qualquer gênero de sinal proveniente de sensores tanto digitais quanto analógicos. “Isso otimiza a quantidade de cartões necessários para trabalhar e facilita a configuração do sistema, pensando em futuros investimentos em equipamentos”, argumenta.

Cintia também vê bom potencial de geração de negócios no segmento das soluções de virtualização dos PCs, mediante as quais as informações são centralizadas em equipamentos mais robustos, em detrimento do uso de máquinas menores dispersas nas plantas, bem como nas soluções avançadas. Nesta última área, a Honeywell atua em duas frentes: uma delas é composta pelos controles customizados para as necessidades específicas dos usuários, com os quais é possível, por exemplo, otimizar custos e melhorar a eficácia de processo; enquanto a outra está relacionada à tecnologia de tratamento de operadores – conhecida como OTS (Operator Training Simulators) –, que permite aprimorar a capacitação dos responsáveis pela operação das plantas e, simultaneamente, evitar a perda de informações importantes no caso de substituição desses profissionais. “Fechamos em 2013 alguns grandes projetos de OTS, com clientes como Petrobras e Senai”, relata Cintia.

Foco na integração – A integração de processos distintos é apontada por Hillal, da ABB, como uma das premissas fundamentais do atual processo de desenvolvimento das tecnologias de automação e controle industrial. Ele cita, especificamente, a integração dos sistemas de controle de processos SDCD com os sistemas de controle elétricos do gênero SCADA. “A maioria das plantas ainda mantém controles separados para processos e energia, mas essa integração está se tornando mais comum, e já é habitual nas plantas novas de setores como papel e celulose, petroquímica e mineração”, comenta.

Segundo o profissional da ABB, também é cada vez mais buscada a integração dos diversos dispositivos de campo: instrumentos, válvulas, relés de proteção, entre outros. Um grande número desses dispositivos carrega uma parte eletrônica e, com isso, cresce de maneira contínua e acentuada a quantidade de informações passíveis de serem tratadas a fim de permitir, entre outras coisas, avanços na manutenção.

Principal sistema de controle do atual portfólio da ABB, o 800xA foi desenhado com foco nessa crescente necessidade de integração de processos e dispositivos. “Esse sistema vai além do escopo tradicional de um sistema SDCD, integrando, em uma plataforma única de controle, dados do sistema de informação, históricos de processo, sistema de controle de bateladas, sistema de segurança (SIL), sistemas de gerenciamento de ativos, gerenciamento de alarmes, sistemas de otimização de processo, sistemas de controle de manutenção, controle de sistemas elétricos, dentre outros”, diz. “E é uma plataforma aberta, que permite a integração dos principais protocolos e sistemas com os quais trabalha o mercado”, acrescenta.

Albuquerque, da Siemens, aposta na integração também entre os sistemas de controle de processo e os softwares de engenharia básica e de detalhamento de projeto. Segundo ele, esse conceito, conhecido como ‘engenharia integrada’, permite que os softwares dos sistemas de controle dos processos sejam automaticamente integrados à plataforma de controle, sem a necessidade de digitação das informações contidas em material impresso. Além de agilizar o trabalho, essa funcionalidade minimiza a possibilidade de erros. Além disso, caso seja introduzida alguma modificação em um software de aplicação de controle, ela é automaticamente integrada à plataforma.

De acordo com Albuquerque, “a engenharia integrada traz ganhos significativos na redução do tempo de execução de projetos de automação de processos, com maior consistência e confiabilidade tanto no software de aplicação quanto na documentação final atualizada”. A Siemens lançará em 2014 novas versões de seu sistema de controle de processo (SDCD) e de seu software de desenvolvimento de engenharia básica e detalhada (CAE) – denominadas, respectivamente, SIMATIC PCS 7 e COMOS –, ambas concebidas para se associarem mais decididamente a esse conceito da engenharia integrada.

Mas o profissional da Siemens nota haver hoje também uma significativa expansão dos projetos envolvendo sistemas de controle de processo de batelada conforme a norma ISA 88 (processos de bateladas são processos conduzidos por lotes, utilizados principalmente pelas indústrias química, farmacêutica, alimentícia e de bebidas). “A norma ISA 88 é muito usada em outros países, e começa a ser difundida também no Brasil: ela permite processos mais eficientes, e também aumento da produção”, afirma.

Além disso, finaliza Albuquerque, “o uso de sistemas instrumentados de segurança (SIS), compatíveis com a norma IEC 61508/61511, e a integração da automação de processos com a automação de energia via protocolo IEC 61850 são demandas cada vez mais presentes nos novos projetos”.

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