Perspectivas 2013 – PVC – As oportunidades para o pvc

Plástico, Perspectivas 2013 - PVC - As oportunidades para o pvc

O ano de 2013 se inicia como um momento decisivo para o Brasil se firmar como um país inovador e competitivo. O Brasil é hoje a sexta economia e está no foco do mundo como sendo a bola da vez no que diz respeito às possibilidades de investimento e desenvolvimento de negócios. A proximidade dos eventos esportivos que o país vai sediar (Copa do Mundo, em 2014 e Olimpíada, em 2016), assim como a descoberta do pré-sal, e as grandes obras de infraestrutura, tudo isso coloca o país sob os holofotes do mercado global.

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Miguel Bahiense Neto é presidente da Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos

Quando se fala em inovação, para o aumento da competitividade, nos dias de hoje também se fala em sustentabilidade. O equilíbrio do benefício econômico, social e ambiental deve ser contemplado em todas as atividades, produções e desenvolvimentos.

No Brasil, 80% da população vive nas cidades. O crescimento demográfico e o aumento do consumo pessoal originaram problemas ambientais e o grande desafio é conciliar toda essa crescença: maior poder econômico, maior capacidade de consumo, descarte e tratamento adequado de resíduos.

Por esse motivo, um dos pontos mais enfatizados pela ministra do Meio Ambiente (MMA), IzabellaTeixeira, desde sua posse, era o das questões urbanas, com foco prioritário na problemática do lixo e do saneamento básico. Os dois pontos estão diretamente ligados ao desenvolvimento sustentável, ou seja, o bem-estar da sociedade e a preservação ambiental, baseados na economia.

A questão do lixo, que esbarra no consumo e no descarte responsável, assim como na destinação adequada dos resíduos (o que inclui reutilização e reciclagem), terá sustentação com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que entraem vigor. Trata-sede um trabalho calçado na responsabilidade compartilhada entre a população, a indústria e o poder público para que a questão do lixo deixe de ser um problema.

Já o saneamento básico é uma lacuna à espera de solução. A proposta do MMA de universalização deste serviço, em especial da coleta e do tratamento de esgoto, é urgente para poder alterar o panorama da saúde no país. Segundo dados do Instituto Trata Brasil, 67,3 mil crianças menores de cinco anos foram internadas por diarreias nos 81 municípios analisados. Mais de 50% desses casos acontecem em virtude de doenças relacionadas à falta de saneamento básico adequado.

Ações de saneamento são consideradas preventivas para a saúde, quando garantem a qualidade da água de abastecimento, a coleta, o tratamento e a disposição adequada de dejetos humanos. Além disso, o saneamento básico promove redução de custos: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada 1 real investido em saneamento básico, 4 reais são economizados em tratamentos de saúde.

A cadeia produtiva do PVC contribui com o tripé do desenvolvimento sustentável, promovendo a qualidade de vida da população, a preservação ambiental e a economia. Trata-se do principal material utilizado nos processos de saneamento, tratamento de esgoto, reutilização de água e revitalização de municípios, já que é o plástico de maior vocação social por atender a estas carências imediatas da sociedade. O PVC é o principal produto utilizado no saneamento básico, na construção e na área médica. Isso porque o custo-benefício que ele proporciona é vantajoso: oferece resistência e eficiência técnica na aplicação e, ainda, economia perante outros materiais, como menor custo de manutenção.

O PVC, apesar de estar entre os três plásticos mais produzidos no mundo, é o plástico que menos aparece no lixo urbano. Isso ocorre porque 64% dos produtos de PVC são usados em aplicações de longa duração, com vida útil superior a 15 anos, como tubos e conexões, pisos, esquadrias, janelas, entre outras – e muitos dos produtos ultrapassam os 50 anos de uso. Apenas 12% do PVC é destinado às aplicações de curta vida útil, ou seja, de0 a2 anos. O restante, 24%, é aplicado em produtos de vida útil entre 2 e 15 anos.

Ainda assim, o produto é 100% reciclável e é reciclado. Pesquisa encomendada pelo Instituto do PVC mostra que o índice de reciclagem de PVC pós-consumo no Brasil passou de 15,1% em 2010 para 19,0% em 2011, maior taxa registrada desde 2005, quando a pesquisa começou a ser realizada. O volume reciclado foi de 29.857 toneladas ante as 25.302 toneladas recicladas no ano anterior, ou seja, um aumento de 18,0%.

O estudo mostrou que a indústria brasileira de reciclagem de PVC empregou, em 2011, 1.456 pessoas e faturou por volta de R$ 138 milhões. Sua capacidade instalada, que era de 73.282 toneladas em 2010, teve aumento de 9,7%, atingindo 80.391 toneladas. Aliado a isso, a ociosidade, que era de 59,1% no ano anterior, diminuiu para 46,7% em 2011, o que mostra que o setor está se desenvolvendo e ainda tem grande potencial de crescimento.

A atividade poderia ser ainda mais representativa com a intensificação de sistemas de coleta seletiva de resíduos pós-consumo. O Brasil tem 5.565 municípios, dos quais apenas 443, ou seja, 8%, contam com algum tipo de coleta seletiva – e, invariavelmente, deficiente. Ainda assim, a reciclagem de plásticos no Brasil é uma realidade e gera empregos e renda, e estamos empenhados em ser parte da solução, na medida em que integramos o grupo de associações de classe que discutem a logística reversa de embalagem com o Ministério do Meio Ambiente, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS.

A pesquisa mostra que a relação entre o descarte e a reciclagem tem mudado. Em 2010, o país descartou 167 mil toneladas e reciclou 15,1%. Já em 2011, foram descartadas 157 mil toneladas, 10 mil toneladas a menos, e recicladas 19%, ou seja, mesmo com a diminuição no total de resíduo pós-consumo gerado, a taxa de reciclagem aumentou, o que é extremante positivo.

Tanto a taxa de reciclagem de PVC flexível quanto a de PVC rígido aumentaram, de 18,7% em 2010 para 20,50%, e de 11,4% para 17,40%, respectivamente. A reciclagem de PVC flexível é maior, pois é mais relacionada a produtos de vida útil curta e média, enquanto o PVC rígido está mais associado a aplicações da construção civil, ou seja, de longa vida útil.

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Algumas características regionais da indústria de reciclagem do PVC também foram apuradas. Do total de resíduos de PVC reciclados em 2011, a Região Centro-Oeste, que em 2010 não registrou atividade, respondeu por 4,3% da reciclagem. O Sudeste respondeu por 57,7%; seguido pela Região Nordeste, com 27,6%, que também cresceu significativamente; e o Sul, com 6,9%; e Norte, 3,6%.

Por ser um plástico versátil, o PVC está presente também em aplicações de alto valor agregado, como equipamentos para a área médica (bolsas de sangue e soro, cateteres), produtos para indústria automotiva, aplicações na agricultura, embalagens, construção civil etc.

O futuro é de oportunidades e desafios. Os adventos da Copa do Mundo do Brasil e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e das grandes obras de infraestrutura necessárias para os eventos esportivos, assim como à sociedade brasileira, contam com uma cadeia produtiva preparada para atender a essas demandas, para que o legado, após esses eventos, seja benéfico à sociedade.

Grandes obras terão que ser realizadas não só nos estádios, mas também na parte de infraestrutura, para que as cidades que sediarão os jogos possam atender os milhares de turistas que virão ao país. Construção de hotéis, melhorias no saneamento básico, redes viárias e aeroportuárias são apenas alguns exemplos. Além disso, a demanda por materiais que atendam aos conceitos do desenvolvimento sustentável será um fator primordial em qualquer projeto e/ou atividade. O PVC será, seguramente, utilizado em diversos momentos.

Entretanto, uma aplicação há de se destacar na parte das instalações hidráulicas, por exemplo, seja para o saneamento básico, distribuição de água dos estádios, irrigação de gramados etc. O uso do PVC nestas aplicações está consolidado seja qual for o tipo de construção e é impossível pensar nestas obras sem seu uso.

O produto irá figurar também em outras áreas como as coberturas de estádios e de outras grandes construções como aeroportos e hotéis. As coberturas de PVC são indicadas para esta aplicação e há exemplos de sucesso. Na Copa da África do Sul, o PVC foi utilizado para a cobertura do estádio Green Point,em Cape Town. NaCopa da Alemanha, cinco dos sete estádios construídos ou reformados utilizaram as coberturas de PVC. No centro de convenções do Anhembi,em São Paulo, o produto foi utilizado e ajudou a sanar problemas que incomodavam quem passava pelos pavilhões, propiciando isolamento térmico e acústico. Foram mais de70.000 metros quadradosde cobertura tensionada.

Além dos estádios, outras construções terão que ser reformadas ou construídas para a realização de um evento deste porte, como hotéis, centros de exposições, aeroportos, metrô, entre outros, e o PVC é uma solução para todas elas. Pisos de PVC são indicados para uso, tanto em áreas de baixo tráfego (quartos de hotéis, por exemplo), como de alto tráfego (aeroportos e estações de metrô). Janelas de PVC já são utilizadas com sucesso em hotéis e residências e podem ser aplicadas em diversos outros locais. Esses são apenas alguns exemplos da diversidade de produtos de PVC que podem ser utilizados nessas obras. Levando isso em conta, o setor do PVC está pronto para atender às demandas que virão para que tenhamos uma copa do mundo de sucesso.

Mesmo com um longo caminho para se desenvolver, o Brasil vem se mostrando capaz de inovar, ou seja, de implementar o novo na melhoria de seus processos e produtos, embora ainda em escala menor do que nosso potencial. A cadeia produtiva do PVC vem fazendo a sua parte no que diz respeito a promover ações e tecnologias sustentáveis e que atendam às necessidades do Brasil atual. Obviamente, os benefícios da inovação não se limitam às empresas. Para os países e regiões, as inovações possibilitam melhorias econômicas, assim como na qualidade de vida da sociedade e na preservação ambiental.

O Instituto do PVC representa a união de todos os segmentos da cadeia produtiva do PVC, desde os fabricantes de matéria-prima até os recicladores. Seu compromisso é o de orientar as empresas associadas a adotar posturas socialmente responsáveis, promovendo o crescimento do mercado de PVC e difundindo suas características técnico-científicas, ambientais e de reciclabilidade para a sociedade, sempre adotando posturas éticas. Os desafios estão presentes, devemos encará-los como parte do esforço para que o país possa crescer de forma responsável e se firmar cada dia mais como um país de ponta no mundo global.

Um Comentário

  1. Adorei essa publicação, comentários satisfatórios para quem esta envolvido neste setor de pvc, e para quem quiser obter conhecimento.
    gostaria se possível receber mais informações sobre tudo que envolve esta área do pvc em meu e-mail.

    Obrigado.

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