Economia

Perspectivas 2013 – Abipet – Produtividade, tecnologia e reciclagem sustentam o crescimento da indústria do pet

Auri Marcom
20 de janeiro de 2013
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    A produtividade e a tecnologia estão fortemente empregadas também num dos campos em que o PET mais evoluiu: a reciclagem. Com forte crescimento, a reciclagem de PET passou bravamente pela crise mundial e em 2012 se consagrou como uma atividade estruturada e em pleno amadurecimento. Este é um mercado que exige investimentos consistentes e que apresenta excelentes perspectivas para os próximos anos. O índice de reciclagem no Brasil, de 57,1%, no ano passado, como mostra o gráfico, é considerado um dos maiores do mundo, muito à frente de países como EUA (22%) e até da média europeia, em torno de 40%. Aqui também a estrutura da indústria é impressionante, pois detectamos por meio de nosso censo anual que quase 500 empresas atuam no setor de reciclagem em todo o Brasil, registrando um faturamento anual de mais de R$ 1,2 bilhão.

    Plástico, Perspectivas 2013 - Abipet - Produtividade, tecnologia e reciclagem sustentam o crescimento da indústria do pet

    Fato interessante é que, se antes, no passado não muito distante, a indústria recicladora de PET batia à porta de empresas na tentativa de desenvolver aplicações para o PET reciclado, hoje, várias dessas empresas, dos mais diversos segmentos, procuram os recicladores de PET com o propósito de desenvolver produtos ainda mais sustentáveis. Empresas como Unnafibras, Ecofabril, Recyclean, Cleanpet, Clodam e M&G Fibras vêm garantindo o desenvolvimento das aplicações com investimentos próprios há mais de 15 anos. O campo de aplicação para o PET reciclado é hoje imenso e o seu bom desempenho é resultado desses anos de dedicação no desenvolvimento dos diferentes usos, cujo objetivo sempre foi o de garantir uma demanda consistente.

    Mas se por um lado a demanda por PET reciclado vai bem, por outro a coleta de garrafas tem deixado os recicladoresem desespero. Estácada vez mais difícil encontrar garrafas para serem recicladas. As cerca de 500 empresas espalhadas pelo país chegam a operar com uma ociosidade de quase 30% em alguns meses do ano, em especial no inverno, por falta de garrafa para reciclar.

    Há alguns anos, a Abipet decidiu apoiar os sistemas de coleta seletiva mais robustos, capazes de ampliar a oferta de material para as indústrias recicladoras. Acreditamos que um reforço adicional poderá ocorrer com a evolução da Política Nacional de Resíduos Sólidos, segundo a qual não só o setor empresarial tem responsabilidades, mas também o consumidor, o governo e, naturalmente, as prefeituras, com a viabilização de processos de coleta seletiva nas cidades, disponibilizando, assim, materiais recicláveis para abastecer as indústrias desse setor.

    Nem tudo é boa notícia, entretanto. Se o mercado de PET virgem e reciclado tem boas perspectivas, existe uma preocupação de curto prazo que deve ser tema para grandes discussões nos próximos meses. As margens de contribuição, tanto das pré-formas como da resina PET, têm deixado os empresários bastante insatisfeitos, principalmente quando se vê a prosperidade de setores mais próximos do consumidor, como os detentores de marcas e o varejo, que publicam lucros extremamente superiores aos da cadeia industrial.

    Fica fácil explicar isso quando se tem o respaldo dos números do IBGE, que mostram ampliação na concessão de crédito de 16%, que impulsionam o crescimento do comércio, de 8,5%. Ao mesmo tempo, assistimos à deterioração da produção industrial, com queda de 3%. Para conhecer o resultado, basta darmos uma voltinha entre as prateleiras dos supermercados para vermos grande quantidade de produtos importados, que podem até fazer a alegria de alguns consumidores num primeiro momento, mas, por outro lado, o excesso na importação pode tirar o emprego de forma muitas vezes definitiva.

    De modo geral, acreditamos que os resultados ao final deste novo ano serão melhores para a indústria do PET. Mas a vigilância será mantida para que seja garantido tratamento isonômico entre a indústria nacional e os produtos importados, quer seja nos incentivos tributários (Regra de Origem do Mercosul, guerra dos portos etc.) ou mesmo no cumprimento obrigatório da Política Nacional de Resíduos Sólidos.



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