Perspectivas 2013 – Abipet – Produtividade, tecnologia e reciclagem sustentam o crescimento da indústria do pet

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2012 foi difícil. Mesmo assim, os planos de investimentos foram mantidos para que a indústria do PET pudesse manter seu nível de crescimento. Dessa forma, 2013 será marcado pela consolidação dos investimentos que vêm sendo realizados nos últimos anos. Os grandes projetos, tanto em resina PET como os de sua transformação em pré-formas, tiveram um ciclo de investimentos que se iniciou há cerca de oito anos, quando a M&G decidiu implantar a maior fábrica do mundo em Suape (Pernambuco), com capacidade para 450 mil toneladas/ano, com ampliação posterior para 550 mil toneladas /ano.

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Auri Marçon é presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET (ABIPET)

Em continuidade ao movimento, entrará em operação o megainvestimento de mais de R$ 5 bilhões da Petroquímica Suape, do grupo Petrobras, que garante à região o título de polo do poliéster. O projeto compreende uma fábrica de PTA (matéria-prima para a resina PET), uma fábrica de poliéster têxtil e uma nova planta de PET grau garrafa – o que torna o Brasil autossuficiente nesse material, com uma capacidade de produção de cerca de um milhão de toneladas anuais.

Confirmando a importância da região, grandes empresas brasileiras de transformação acompanharam a evolução dos fabricantes da matéria-prima e investiram fortemente na ampliação de suas capacidades na fabricação de pré-formas. Plastipak, Brasalpla, Amcor, Preformax e Cristalpet construíram novas plantas também em Suape. Paralelamente, outros transformadores de peso, como Engepack e Lorenpet, investiram em suas plantas distribuídas pelo Brasil, tornando o país uma potência do setor.

Esses investimentos foram significativos para a modernização do setor e, consequentemente, para o crescimento da oferta de embalagens de PET. Desde então, algumas evoluções tecnológicas, observadas inicialmente na Europa e nos EUA, chegaram rapidamente ao Brasil. Os projetos de “light weight” e “hot fill” tiveram forte avanço em 2012 e deverão manter o ritmo em 2013.

As tecnologias para “light weight” vêm mostrando que a redução no peso da pré-forma é possível graças à resistência mecânica do PET, que permite embalagens seguras com paredes bem mais finas que os demais materiais. O “hot fill”, por sua vez, vem permitindo forte avanço do PET em segmentos como sucos, concentrados, pasteurizados e outros que fazem uso de envase asséptico e de outras tecnologias de ponta.

Com tantos progressos tecnológicos, produtivos e com uma cadeia de reciclagem estabelecida, alguns setores passaram a avaliar com mais interesse os benefícios das embalagens de PET.

Visando ganhos de produtividade e também para melhorar a apresentação de seus produtos aos consumidores na prateleira dos supermercados, alguns segmentos reestilizaram suas embalagens, aproveitando tanto a transparência e o brilho do PET como a robusta capacidade produtiva de embalagens com dimensões e formas personalizadas e adequadas aos seus produtos.

Há setores que definiram a embalagem de PET nos seus portfólios por conta do atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, que exige a reciclagem das embalagens como garantia da destinação adequada para os resíduos representados pelas mesmas.

Em consulta direta a alguns brand owners, foi possível notar – pela satisfação dessas empresas – que os objetivos planejados para as novas embalagens de PET foram plenamente atingidos.

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Para garantir essa evolução mercadológica, a Abipet criou um núcleo de tecnologia que abrange todas as etapas do processo, desde a produção de uma embalagem até a sua reciclagem. Fazem parte desse grupo empresas reconhecidas em todo o mundo pelo domínio tecnológico e pela liderança em seus segmentos. Husky, Piovan, Krones, Buhler e Gneuss estão nesse time de alta performance. A informação gerada pelo Núcleo de Tecnologia é utilizada para que as empresas – e setores – possam empregar as melhores soluções em cada caso.

Os ganhos de produtividade, amparados pela tecnologia de ponta, vêm garantindo vigoroso crescimento para o mercado das embalagens de PET, próximo a 7,5% ao ano. O número se torna ainda mais importante se comparado ao de outros materiais. É certo, entretanto, que, para manter esse crescimento de forma estruturada e organizada, alguns segmentos nos quais o PET tem baixa penetração continuarão a ser alvo dos novos projetos. Os casos mais recentes e de sucesso são os de bebidas lácteas. Hoje, os achocolatados e os leites longa vida apresentam um ótimo desempenho na prateleira dos supermercados graças principalmente às novas embalagens de PET.

A produtividade e a tecnologia estão fortemente empregadas também num dos campos em que o PET mais evoluiu: a reciclagem. Com forte crescimento, a reciclagem de PET passou bravamente pela crise mundial e em 2012 se consagrou como uma atividade estruturada e em pleno amadurecimento. Este é um mercado que exige investimentos consistentes e que apresenta excelentes perspectivas para os próximos anos. O índice de reciclagem no Brasil, de 57,1%, no ano passado, como mostra o gráfico, é considerado um dos maiores do mundo, muito à frente de países como EUA (22%) e até da média europeia, em torno de 40%. Aqui também a estrutura da indústria é impressionante, pois detectamos por meio de nosso censo anual que quase 500 empresas atuam no setor de reciclagem em todo o Brasil, registrando um faturamento anual de mais de R$ 1,2 bilhão.

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Fato interessante é que, se antes, no passado não muito distante, a indústria recicladora de PET batia à porta de empresas na tentativa de desenvolver aplicações para o PET reciclado, hoje, várias dessas empresas, dos mais diversos segmentos, procuram os recicladores de PET com o propósito de desenvolver produtos ainda mais sustentáveis. Empresas como Unnafibras, Ecofabril, Recyclean, Cleanpet, Clodam e M&G Fibras vêm garantindo o desenvolvimento das aplicações com investimentos próprios há mais de 15 anos. O campo de aplicação para o PET reciclado é hoje imenso e o seu bom desempenho é resultado desses anos de dedicação no desenvolvimento dos diferentes usos, cujo objetivo sempre foi o de garantir uma demanda consistente.

Mas se por um lado a demanda por PET reciclado vai bem, por outro a coleta de garrafas tem deixado os recicladoresem desespero. Estácada vez mais difícil encontrar garrafas para serem recicladas. As cerca de 500 empresas espalhadas pelo país chegam a operar com uma ociosidade de quase 30% em alguns meses do ano, em especial no inverno, por falta de garrafa para reciclar.

Há alguns anos, a Abipet decidiu apoiar os sistemas de coleta seletiva mais robustos, capazes de ampliar a oferta de material para as indústrias recicladoras. Acreditamos que um reforço adicional poderá ocorrer com a evolução da Política Nacional de Resíduos Sólidos, segundo a qual não só o setor empresarial tem responsabilidades, mas também o consumidor, o governo e, naturalmente, as prefeituras, com a viabilização de processos de coleta seletiva nas cidades, disponibilizando, assim, materiais recicláveis para abastecer as indústrias desse setor.

Nem tudo é boa notícia, entretanto. Se o mercado de PET virgem e reciclado tem boas perspectivas, existe uma preocupação de curto prazo que deve ser tema para grandes discussões nos próximos meses. As margens de contribuição, tanto das pré-formas como da resina PET, têm deixado os empresários bastante insatisfeitos, principalmente quando se vê a prosperidade de setores mais próximos do consumidor, como os detentores de marcas e o varejo, que publicam lucros extremamente superiores aos da cadeia industrial.

Fica fácil explicar isso quando se tem o respaldo dos números do IBGE, que mostram ampliação na concessão de crédito de 16%, que impulsionam o crescimento do comércio, de 8,5%. Ao mesmo tempo, assistimos à deterioração da produção industrial, com queda de 3%. Para conhecer o resultado, basta darmos uma voltinha entre as prateleiras dos supermercados para vermos grande quantidade de produtos importados, que podem até fazer a alegria de alguns consumidores num primeiro momento, mas, por outro lado, o excesso na importação pode tirar o emprego de forma muitas vezes definitiva.

De modo geral, acreditamos que os resultados ao final deste novo ano serão melhores para a indústria do PET. Mas a vigilância será mantida para que seja garantido tratamento isonômico entre a indústria nacional e os produtos importados, quer seja nos incentivos tributários (Regra de Origem do Mercosul, guerra dos portos etc.) ou mesmo no cumprimento obrigatório da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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