Perspectivas 2009 – Plastivida – Atitudes que já dão o que falar

Plástico Moderno, Francisco de Assis Esmeraldo, presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, Perspectivas 2009 - Plastivida - Atitudes que já dão o que falarA indústria dos plásticos e os supermercados lideraram, durante o ano de 2008, uma iniciativa inovadora para promover o consumo responsável no país: um programa para reduzir em 30% a quantidade de sacolinhas plásticas distribuídas no varejo. O projeto está na contramão do que muitos ambientalistas defendem: o fim das sacolinhas; mas ousamos afirmar ser esta a melhor maneira de combater o desperdício e o descarte irresponsável dessas embalagens no meio ambiente.

Campanhas surgiram pró-banimento de sacolinhas plásticas e para a utilização de sacolas retornáveis – ou ecobags – em seu lugar. A Plastivida acredita que cada qual tem sua finalidade. Até lançou em 2008 a sua ecobag de plástico para unir o conceito de uma sacola retornável às principais qualidades do plástico: durabilidade, resistência, impermeabilidade, atóxico, baixo custo e 100% de reciclabilidade. Ainda assim, as sacolinhas plásticas são indispensáveis.

Uma pesquisa encomendada no final do ano passado ao Ibope descobriu que 71% dos brasileiros consideram as sacolinhas de supermercados a forma ideal de transportar as compras. Dezenas de tipos de reúso foram mencionados, e o resultado mais importante indicou que 100% das famílias ouvidas (classes B, C e D na Grande São Paulo) reutilizam essas embalagens para descarte do lixo doméstico, dispensando a compra de sacos plásticos para esse fim.

Esse reaproveitamento jamais havia sido estimulado, mas há muito os consumidores perceberam sua vantagem. E uma das consequências mais extraordinárias desse comportamento foi a adoção, como regra, da orientação do Ministério da Saúde para que o lixo doméstico seja embalado em plástico. Distribuídas gratuitamente, as sacolinhas permitiram que até as famílias mais humildes passassem a ter condições de seguir a prescrição sanitária. É preciso acondicionar o lixo em plástico, nas sacolinhas ou em sacos plásticos, para dar-lhe destinação adequada. Essa realidade, no entanto, leva a algum desperdício.

O programa que construímos leva esses fatores em consideração. A Plastivida, o Instituto Nacional do Plástico (INP) e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief) se uniram à Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e à Associação Paulista de Supermercados (Apas) para pôr de pé a ideia que começa agora a se tornar realidade.

Compartilhar responsabilidades foi a solução encontrada. A pesquisa mostrou que era preciso melhorar a qualidade das sacolinhas para dar a segurança ao consumidor de que ele não precisaria colocar uma dentro da outra para aumentar sua resistência. A cadeia produtiva se encarregou disso. Para reduzir o consumo das embalagens em cerca de 5,5 bilhões de unidades (equivalente a 30% do total de 18 bilhões) no período de um ano, a indústria e o varejo começaram a fabricar e distribuir embalagens de melhor qualidade.

As sacolinhas mais resistentes permitem o acondicionamento de mais produtos sem utilizar sacolinhas sobrepostas (pesquisa de observação realizada pela SP Trade, em 12 supermercados na capital paulista, revelou que 13% dos consumidores utilizam as sacolinhas em duplicidade e, em 61% dos casos, ocupam menos da metade da sua capacidade).

Nos supermercados, os operadores de caixa e os empacotadores estão recebendo treinamento específico, tornando-os aptos a conscientizar a população contra o desperdício e em favor do consumo responsável das sacolinhas plásticas, estimulando-a a usar apenas o necessário para carregar as compras e, depois, em casa, reutilizar a embalagem para lixo e outras aplicações.

Um projeto piloto foi realizado com grande sucesso em 16 lojas de supermercados da Grande São Paulo, treinando 1.328 operadores de caixa e promotoras, no primeiro semestre. Ao cabo de um mês, o Programa de Qualificação e Consumo Responsável das Sacolas Plásticas obteve redução de 12% no uso dessas embalagens em 12 supermercados pesquisados pela SP Trade na capital paulista. É uma marca importante: representa 40% de nosso objetivo; queda de 13% para 6,3% do percentual de consumidores que utilizam as sacolinhas em duplicidade; redução de 61% para 32,9% do percentual dos que usam menos da metade da capacidade das sacolinhas; aumento de 26% para 60,8% do percentual dos clientes que saem das lojas com as sacolinhas cheias.

A segunda capital que implantou o projeto piloto foi Porto Alegre-RS, por meio dos supermercados Zaffari e UnidaSul. Também obtivemos sucesso. A redução média das duas redes no primeiro mês de treinamento foi de 10%.

A Região Nordeste não deixou de dar sua contribuição. As redes HiperIdeal, G.Barbosa e Rede Mix em Salvador-BA também implementaram o projeto piloto em novembro e dezembro de 2008, mas os valores de redução ainda não foram apurados. Nossas expectativas são de que superem os 10%.

No estado de São Paulo, a Rede Pão de Açúcar já está adotando as sacolas mais resistentes, com o selo do programa. Alguns bilhões de sacolinhas deixarão de ser produzidas, mas todos poderão continuar a usufruir dos benefícios e da comodidade das sacolinhas plásticas.

É oportuno lembrar que as sacolinhas são 100% recicláveis e, se misturadas ao lixo doméstico, seu poder calorífico contribui para a recuperação energética, em processos controlados. Essa é uma alternativa limpa e viável para o lixo urbano que já é realidade em todo o mundo. Atualmente, esse processo responde pela destinação final de cerca de 150 milhões de toneladas/ano de lixo urbano dirigidas a 750 usinas instaladas em 35 nações da Europa, EUA, Japão e vários países emergentes da Ásia. Lamentavelmente, no Brasil não existe nenhuma unidade industrial dessas. Além de tratar-se de uma destinação ambientalmente correta, a alternativa é vista como uma das soluções para o problema da substituição dos combustíveis fósseis por diferentes fontes de energia.

Enquanto essa realidade não chega ao Brasil, trabalhamos para ampliar a responsabilidade sobre a destinação do lixo, além da fomentação do aumento da coleta seletiva e, consequentemente, da reciclagem. Por essa razão é que em 2008 a Plastivida estabeleceu parceria inédita com a prefeitura da cidade de São Paulo, e o fez por meio da instalação de três PEV’s-M (Pontos de Entrega Voluntária Monitorado), os quais foram instalados no bairro da Lapa (Pelezão), na Vila Brasilândia (junto ao Projeto Criança Esperança) e o terceiro no Parque do Ibirapuera. O PEV-M é um contêiner que recebe cinco tipos de recicláveis (plástico, papel, metal, vidro e óleo de cozinha). Um agente ambiental permanece no local, em horário comercial, para informar, monitorar e conscientizar os moradores das regiões sobre a importância da coleta seletiva. Essa iniciativa facilita o trabalho dos coletadores e educa a população.

Em 2008 consolidamos o Projeto Repensar para coleta e reciclagem de poliestireno expandido (conhecido pela marca Isopor). Com a parceria da Plastivida e redes como Carrefour, Pão de Açúcar, Wal-Mart, Magazine Luiza, Casas Bahia, Sociedade Alphaville/Tamboré (Avemare), Laboratório Roche e a Brasbar, a iniciativa rendeu em 2008 um total de 114.588 kg de material coletado e reciclado.

Pesquisa da Plastivida aponta que a reciclagem de plásticos no Brasil deu um importante salto nos últimos anos. Desenvolvida com base em 2007, de acordo com metodologia do IBGE, a pesquisa mostra que, em cinco anos, a atividade no país tem crescido a uma taxa de 13,7% ao ano. Se em 2003 eram recicladas 702.997 toneladas de plásticos, em 2007, esse montante passou para 962.566 toneladas. Mostra também que essa taxa pode crescer se a coleta seletiva – que hoje ocorre em somente 10% dos municípios brasileiros – for ampliada.

Muito trabalho ainda há para ser feito e a realidade tem mostrado que a defesa do meio ambiente requer ações que contemplem as responsabilidades de todos os agentes envolvidos e as necessidades da vida real. A Plastivida tem trabalhado para que os avanços obtidos sejam sustentáveis e não efêmeros modismos ambientais.

*Francisco de Assis Esmeraldo é presidente da Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos.

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