Perspectivas 2009 – Abief – Como a indústria de embalagens plásticas flexíveis se comportará em 2009?

Plástico Moderno, Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), Perspectivas 2009 - Abief - Como a indústria de embalagens plásticas flexíveis se comportará em 2009?Sem dúvida, esta é a pergunta mais recorrente na cabeça dos empresários do setor. A resposta, contudo, é totalmente incerta. Os acontecimentos econômicos ocorridos em 2008, especialmente em nível internacional, desencadearam uma reação de queda de consumo no Brasil já no último trimestre do ano, especialmente em outubro e novembro.

E o ano já vinha arrastando consigo alguns problemas. O primeiro deles, mais fortemente sentido na primeira metade, foi a alta do preço do barril do petróleo com efeito direto sobre o preço de insumos petroquímicos fundamentais para a cadeia do plástico – nafta, eteno e propeno. No final de fevereiro de 2008, o barril já tinha batido o recorde e superado os US$ 100.

Outras ameaças pertinentes a 2008 foram o possível racionamento de energia e a consequente elevação de seu preço – que felizmente não aconteceram. Em contrapartida, uma fiscalização mais acirrada foi sentida e os impostos mantiveram seu ritmo galopante, com aumentos, até mesmo, nos dissídios coletivos.

Alia-se a isso o fato de 2008 ter sido um ano de parada das centrais petroquímicas para manutenção, desgargalamento e aumento de produção. Também foi o ano de consolidação do setor petroquímico, um processo que culminou em apenas dois grandes players. E a concentração, como sempre, acaba sendo uma ameaça para os convertedores ao limitar seu poder de barganha.

Em meio a este cenário, as previsões do início do ano definitivamente não se concretizaram. Em vez de um crescimento superior ao do PIB, a indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis estima ter aumentado suas vendas, em valor, em cerca de 3,5% (sobre os US$ 3 bilhões faturados em 2007).

Em resumo: a história não se repetiu. Ou seja, o segundo semestre que é sempre melhor, não foi, e a primeira metade do ano foi, digamos, “razoável”. Podemos dizer que a demanda ficou bastante aquém do previsto durante todo o ano, com picos bastante pontuais de aquecimento. Em volume, o setor deve ter fechado 2008 com uma produção bastante próxima à de 2007, cerca de 680 mil toneladas de materiais transformados.

Do ponto de vista de mercado, a estagnação da indústria de alimentos teve uma participação significativa na performance da indústria de embalagem, e não apenas da plástica flexível. Trata-se de um setor maduro, com crescimento contido. Nos últimos anos, a Fundação Getúlio Vargas registrou que o setor cresceu timidamente: 1,8% em 2006 e 2,51% em 2007. Mas não resta dúvidas de que esta indústria, juntamente com a de bebidas, continua sendo nosso principal cliente, consumindo entre 50% e 60% de todas as embalagens produzidas no país.

Mas a simples análise dos números pouco otimistas não leva a nada. Certamente 2009 será um ano de dificuldades, como tantos outros que os empresários brasileiros já viveram. E, por isso mesmo, precisamos buscar no passado os ensinamentos para garantir o futuro.

Contamos com um perfil bastante positivo em relação aos empresários de países desenvolvidos: sabemos lidar com crises desde sempre. Somos flexíveis em nossas decisões. O que precisamos é manter nossas empresas com uma contabilidade enxuta e rever os processos de negociação em andamento e futuros.

Também precisamos passar para o mercado a importância da embalagem. Fazer nossos clientes perceberem que sem embalagens não há produtos e que um desabastecimento do mercado por falta de embalagem ou um abastecimento com embalagens de má qualidade e mal dimensionadas pode agravar a crise da economia brasileira.

Com relação às tendências tecnológicas para o próximo ano, posso informar que, apesar de todo o cenário ruim que temos pela frente, faz-se necessário o investimento em tecnologias mais avançadas e embalagens mais integradas à vida moderna.

Por este motivo é que estamos assistindo no Brasil a um crescimento muito rápido das embalagens barreira, coextrudadas e laminadas (stand-up pouche, retort). Existe uma intenção natural, principalmente nas transformadoras de grande porte, de acompanhar as evoluções.

Estamos seguindo esta evolução e cada vez mais nossa indústria tem se preparado para poder atender a essas demandas. Não é à toa que estamos trabalhando fortemente nas questões ambientais, embalagens sustentáveis (maior durabilidade e conservação dos produtos) e inovação.

Os empresários do nosso setor, assim como todos os outros, estão em compasso de espera, ou seja, aguardando os mercados se acalmarem para poder voltar a investir, porém aquelas empresas que já haviam planejado investimentos estão dando continuidade.

Acredito que a Brasilplast, que acontece no primeiro semestre de 2009, independentemente do cenário atual, será uma das melhores edições, por conta do amadurecimento da cadeia petroquímica. Enfim, apesar de termos muito trabalho ainda pela frente, o Brasil precisa continuar crescendo e a indústria plástica como um todo tem sua grande parcela de contribuição.

Se tivermos uma postura proativa diante da crise, certamente recolocaremos o Brasil e nossa indústria na rota do crescimento sustentável. Temos chance de, em meio à crise, nos tornarmos um player mundial de peso no cenário das embalagens plásticas flexíveis, dividindo espaço com fornecedores como a China, que hoje sofre fortes pressões por conta da incerteza sobre a qualidade de seus produtos.

Ao explorarmos novas regiões de consumo, automaticamente exploraremos novos mercados. Mesmo com investimentos curtos, pela falta de dinheiro circulando no mercado, nossas indústrias estão capacitadas para atender aos pedidos mais exigentes. Temos tecnologia e competência para participar do cenário global. É uma questão de arregaçar as mangas e manter-se focado no fazer e não no lamentar.

*Rogério Mani é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief).

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