Consumo Mundial de Resinas aponta Crescimento e Anima o Setor: Siresp Perspectivas 2007

Fabricantes de Resinas

A indústria petroquímica brasileira respirou mais aliviada em 2006, fechado com demanda em crescimento e margens recuperadas, e inicia 2007 embalada nesse ritmo positivo. Além de chegar ao final do ano passado em bases bem melhores do que foi o seu início, os fabricantes de resinas ainda contam com outros aspectos favoráveis neste ano que principia, prenunciando tempos de vacas gordas.

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Roriz prevê este ano expansão de 8 % no consumo aparente brasileiro de resinas termoplásticas

Os sinais de que a colheita será farta começam pelos preços do petróleo em declínio em plena época típica de picos de alta, por conta do inverno nos Estados Unidos e na Europa, que empregam o óleo como fonte de aquecimento.

Os preços caíram influenciados pelo inverno fraco, comemora José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato da Indústria de Resinas Plásticas (Siresp).

No início do ano, os preços estavam cotados na faixa de US$ 61 e não param de cair desde então, situando-se atualmente em torno de US$53.

O petróleo em queda afrouxa a pressão exercida sobre os custos dos insumos petroquímicos básicos, que representam mais de 70% dos custos na cadeia de produção.

A notícia traz alento à indústria do plástico, castigada, em todos os seus elos, com as sucessivas altas nas cotações do óleo ao longo do ano passado.

Não é de hoje que a indústria brasileira em todos os seus segmentos clama por ações governamentais que rompam com o marasmo econômico e gerem crescimento ao País.

O movimento de reivindicações persiste neste ano com ânimo redobrado. “O Brasil precisa crescer mais. Acreditamos que em 2007 teremos ações governamentais para acelerar o ritmo de crescimento e, como conseqüência, aumentar o consumo de plástico”, vaticina.

As condições básicas para que isso aconteça foram estampadas em todos os veículos de comunicação ao longo do ano passado.

O País ainda mantém um custo de capital elevado, convive com taxas de câmbio que tiram a competitividade da indústria nacional e tornam inviáveis as exportações, e carrega o peso de uma sobrecarga tributária.

Por conseqüência, o nível de investimento no País no ano passado rastejou pelo chão sem conseguir decolar e resultou em um crescimento pífio. “Olhando para 2007, o lado positivo é a identificação de que o Brasil precisa crescer mais.

O mundo está crescendo e os países que concorrem com o Brasil avançam a taxas muito maiores e estamos ficando para trás. Dificilmente vamos conseguir acelerar nosso ritmo se os problemas não forem atacados”, pondera Roriz.

Olhando para fora, o contexto internacional de oferta e demanda deve favorecer os negócios da indústria petroquímica em 2007.

O consumo mundial de resinas plásticas prenuncia aquecimento, sem a contrapartida de novos investimentos para aumentar a capacidade instalada de produção.

Os projetos previstos para o Oriente Médio foram postergados e não há programação de que outras expansões significativas entrem em operação neste ano.

Resultado: abastecimento no gargalo, caso as projeções de alto consumo se concretizem. “Pelo lado da balança oferta/demanda vai ser muito positivo para nós”, prevê Roriz.

Voltando o foco de investimentos para o mercado brasileiro, o transformador poderá contar com novas expansões neste e nos próximos anos.

Projetos da Suzano contemplam a adição de 100 mil toneladas à capacidade de produção de polipropileno ainda neste ano, e mais 90 mil t previstas para o segundo semestre de 2008 (em 2006, concluiu expansão de 60 mil t), totalizando expansão de 250 mil t.

Em parceria com a Petrobrás, a Braskem empreende nova fábrica de R$ 750 milhões e capacidade de 300 mil t, também de polipropileno, com operação inicial prevista para o começo de 2008.

Além disso, a Braskem toca projeto de internacionalização, com meta de construir fábrica, igualmente de polipropileno, na Venezuela, considerada estratégica pela empresa, para abastecimento de todo o mercado sul-americano e ainda pelo fácil acesso ao México e Estados Unidos.

A Petrobrás também colocou à mesa de discussão um projeto de US$ 6,5 bilhões, envolvendo a construção de um novo mega complexo petroquímico no Rio de Janeiro, batizado de Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), para produção de polietileno e polipropileno.

Com modelo verticalizado (como da Braskem e da Rio Polímeros), o empreendimento começará a operar gradativamente, a partir de 2012, com conclusão prevista para 2013.

Os estudos apontam como localização do Comperj os municípios de Itaboraí e São Gonçalo. O complexo promete atrair cerca de 200 indústrias de transformação em seu entorno.

Os planos de expansão também contemplam o PVC.

A Solvay anunciou investimentos da ordem de US$ 150 milhões para ampliar a capacidade produtiva e modernizar as unidades produtoras de resina e de cloro-soda em Santo André-SP.

Com conclusão prevista para 2008, o projeto eleva para 300 mil t/ano a capacidade instalada de PVC e 170 mil t/ano de soda cáustica.

Consumo de Resinas Plásticas em Alta: O polietileno linear de baixa densidade promete segurar o fôlego e conservar a posição privilegiada de crescimento 

O polietileno linear de baixa densidade promete segurar o fôlego e conservar a posição privilegiada de crescimento em 2007, até por conta da maior capacidade produtiva propiciada pela entrada em operação da Rio Polímeros em 2006. “Só o fato de haver mais oferta já cria muito consumo”, avalia Roriz. A resina mantém crescimento acentuado na substituição do polietileno de baixa densidade e nos mercados de embalagens de alimentos (cesta básica, entre outros).

Embora seja usado na forma de mistura com o PEBD, o PEBDL tem a maior proporção na blenda.

Outra resina promissora é o polipropileno, tradicionalmente de maior crescimento entre as commodities, graças à sua versatilidade.

Roriz acredita em um melhor desempenho para o PP no segmento de agricultura em 2007, o que deve puxar sua demanda nas embalagens (fertilizantes, entre outros).

O mercado de tampas para cosméticos, refrigerantes e bebidas em geral também aquece a demanda do polímero.

Outras áreas usuárias da commodity que prometem avanço em ritmo acelerado são o polipropileno biorientado (BOPP), os não-tecidos e as chapas para termoformagem.

A construção civil atraiu fortes investimentos no ano passado e reaqueceu o consumo de PVC. A tendência é manter o ritmo acelerado, acredita Roriz, situando a resina entre as demandas mais promissoras para este ano.

A agenda de 2007 ainda é privilegiada pelo acontecimento conjunto da Brasilplast (7 a 11 de maio), em São Paulo, maior vitrine da indústria na América do Sul, e da K (24 a 31 de outubro), palco das maiores tendências mundiais do plástico, em Düsseldorf, na Alemanha, fomentando um ano próspero a todos os elos da cadeia. “Como o investimento no setor foi muito baixo em 2005 e 2006, a Brasilplast vai ser um marco, porque todo mundo estará falando em investir, uma vez que o crescimento em 2006 foi bom e as empresas precisam se modernizar e aumentar a escala de produção”, acredita o presidente do Siresp.

Roriz prevê expansão de 8% em volume no consumo aparente de resinas em 2007. A expectativa é bastante positiva, considerando como base de comparação o ano de 2006, que, ao contrário, teve como parâmetro o ano de 2005, marcado pela estagnação.

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Em termos de tecnologia, o mundo infinitesimal dos nanos assumiu o centro das atenções e pesquisas em todo o mundo e não deve arrefecer neste e nos próximos anos.

Hoje presente em apenas alguns nichos de mercado, a nanotecnologia despertou o interesse de toda a indústria e promove uma revolução. “Terá papel fundamental no consumo dos plásticos nos próximos cinco anos”, prenuncia Roriz.

São diversas as vantagens dessas partículas microscópicas: ajudam a tornar as embalagens mais “amigáveis” (só para citar um exemplo, quando o conteúdo perde a validade, a embalagem muda de cor), permitem produzir utilidades domésticas autolimpantes e embalagens que prolongam a vida útil dos produtos armazenados. “No caso do produto autolimpante, além de conter agente bactericida, uma camada de nanomoléculas na superfície do polímero atua como repelente da sujeira”, explica Roriz.

Na opinião dele, a nanotecnologia deve provocar um forte impacto positivo nos segmentos de impressão e de tintas.

Além disso, a nanotecnologia assegura maior resistência ao impacto às peças, o que faz dela um curinga na indústria automobilística e de eletroeletrônicos. “Ainda vamos melhorar bastante na condutividade térmica e elétrica em plásticos”, declara.

Entre as resinas que mais se beneficiam dessa tecnologia, o principal destaque é o polipropileno, por sua facilidade de ser usado na forma de composto, pois a nanotecnologia consiste na incorporação de nanomoléculas (de argilas ou outras partículas) no polímero para lhe conferir as propriedades desejadas.

Mas o polietileno, bem como outras resinas, também podem usufruir as vantagens da tecnologia.

Retrospectiva: A petroquímica brasileira começou muito mal o ano de 2006, mas terminou bem, com bom crescimento e margens melhores.

O primeiro semestre se caracterizou por uma demanda superior à da segunda metade do ano, porém com margens achatadas e rentabilidade ruim, porque os custos dos insumos petroquímicos básicos dispararam com as altas nos preços do petróleo, e não houve tempo hábil, nem condições de mercado, para repasse nos preços das resinas ainda no primeiro semestre.

O contexto foi outro no segundo semestre, graças à melhora nos preços internacionais das resinas, abrindo brechas para que as petroquímicas recompusessem os seus preços e melhorassem as margens. “Os fabricantes de resinas terminaram o ano em condições de margens muito melhores do que no seu início”, comemora Roriz.

O crescimento na demanda do setor beirou os 10% em 2006. O único senão é o termo comparativo: 2005 foi um ano de crescimento zero. Sobre esta mesma base, a produção brasileira de resinas deve aumentar da ordem de 12% em 2006. Com a melhora dos preços no mercado internacional, também as exportações subiram.

Entre os destaques positivos do ano, Roriz lembra a retomada da indústria de construção civil e seu impulso direto no mercado de PVC. O segmento de plástico se beneficiou, ainda, de recorde na produção de automóveis e do maior consumo de embalagens para alimentos, de produtos de limpeza e de cosméticos. Os negativos devem ser creditados à agricultura, com queda significativa de consumo de fertilizantes, embalados em sacos de ráfia, e também nas embalagens para defensivos agrícolas. Caíram, ainda, os mercados de fibras para a indústria têxtil e os solados para calçados.

Novos rumos – Os investimentos de mais longo prazo, como o projeto Comperj, dependem do custo da matéria-prima e de fatores que extrapolam as fronteiras do País, acredita Roriz.

“Os novos projetos estão acontecendo na região do Oriente Médio, então, nós não vamos mais, no futuro, disputar mercado com o americano ou com o europeu, nós vamos disputar mercado com o Oriente Médio fazendo resina e vendendo na China”, diagnostica.

Com o custo da matéria-prima favorecido, o Oriente Médio tende a concentrar a produção de resinas, assim como a mão-de-obra barata e a produção de escala beneficiam a China como centro produtivo de transformados plásticos.

“Então, a nossa situação de competitividade nos projetos futuros terá de olhar essa nova realidade internacional, porque é com eles que nós vamos disputar mercado; devemos lembrar que nosso espelho para olhar nossa competitividade não será mais Europa ou Estados Unidos”, diz.

Berço da indústria química, a Europa – onde a maioria dos polímeros nasceu – tende a manter seu foco nas especialidades, produtos de alto valor agregado, por seu perfil em tecnologia.

Aos Estados Unidos caberão também produtos de alto valor agregado, porém, no segmento da transformação, visto que o país não tem matéria-prima a custos competitivos para brigar com o Oriente Médio, assim como seu custo de fabricação de transformados fica muito além do chinês. “Nossa realidade para disputar o mercado de plásticos vai ser diferente do que foi até agora”, conclui Roriz.

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