Plástico

Perspectivas 2007 – PET – Setor prevê para este ano apenas 3% de crescimento

Marcio Azevedo
13 de janeiro de 2007
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    O PET não desfrutou dos impulsos que moveram o consumo de algumas resinas em 2006, como o polipropileno, que se beneficiou do crescimento da indústria automotiva, ou do PVC, embalado pelo rastro de incentivos oficiais. No caso do poliéster, o mercado não foi afetado por notícias especialmente boas, e o crescimento, tanto no ano recém-terminado quanto neste, deverá ser baixo.

    Plástico Moderno, Alfredo Sette, presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET, Perspectivas 2007 - PET - Setor prevê para este ano apenas 3% de crescimento

    Sette: mercado sofre pressão com pré-formas importadas

    Há duas fábricas de PET para aplicação em embalagens no Brasil, uma da Braskem, apta a produzir 80 mil t/ano, e outra, de 192 mil t/ano, da M&G, que inaugurará em 2007 uma nova planta. O investimento será responsável pela adição de 450 mil t/ano à capacidade instalada nacional, porém não se sabe quanto da produção será direcionado ao mercado de fibras, nem a fração destinada às exportações. Essa capacidade de produção é muito inferior à demanda brasileira, cujo suprimento depende de importações.

    Perguntado sobre o desempenho da indústria do tereftalato, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do PET, Alfredo Sette, disse ainda ser cedo para definir o consumo de PET em 2006, mas confirmou que ele não deve ter crescido. Cerca de 90% do material transformado no País se direciona a embalagens, e a maior parte desse volume é transformada em garrafas para bebidas carbonatadas. O restante é direcionado a nichos muito menores, com destaque para os mercados de óleo comestível e água mineral, este último com altas taxas de crescimento e a participação crescente do poliéster. Também começam a surgir nichos promissores, como o de maionese, e frascos de produtos de consumo (higiene pessoal e fármacos), mas todos ainda sem grande escala. Como as bebidas carbonatadas, a maior aplicação, já com seus dez anos, não apresentam mais grandes taxas de crescimento, a expansão do mercado como um todo tem sido pequena. Além disso, nas palavras de Sette, essa dependência com o desempenho dos refrigerantes implica outra, a dependência com o clima, que torna o mercado sazonal.

    Os grandes pedidos começam em outubro, preparando a produção para o verão. “E se o verão é chuvoso, há uma frustração geral. Em 2006, o clima foi muito ruim”, lamentou Sette – por ironia de São Pedro, tendo ao fundo o som das trovoadas de um fim de tarde em São Paulo.

    Diferentemente de outros plásticos, o consumo de PET não tem uma ligação com a renda per capita nacional tão profunda. Nas classes mais altas, um eventual aumento dos rendimentos não provoca maior consumo de refrigerante, e entre os menos favorecidos, pelo contrário, um saldo melhor na conta não pode ser gasto com esse tipo de produto supérfluo. É uma relação com a renda quase inelástica, que somada ao panorama econômico brasileiro morno, em 2006, resultou em estagnação.

    O polietileno tereftalato, no entanto, possui um apelo ambiental que ainda pode ser melhor explorado. Sob a ótica verde, é indesejável o transporte de embalagens vazias, e sendo um dos plásticos mais leves, o PET permite que menos óleo combustível seja consumido em seu transporte e distribuição entre os elos da cadeia. Segundo Sette, um estudo de análise de ciclo de vida do Centro de Tecnologia de Alimentos (Cetea) mostrou que a resina é imbatível nesse quesito, quando ocorre o transporte entre grandes distâncias, algo comum em um país-continente como o Brasil. Do total da carga transportada por um caminhão, a resina representa apenas 2%, e esse dado estimula algumas empresas a substituírem materiais sucedâneos, essencialmente o vidro, pelo plástico. Outro fator a dar competitividade ao PET se relaciona ao consumo de água necessário para o tratamento de embalagens retornáveis, de 6,5 l por garrafa. Embalagens descartáveis, como as feitas com essa resina, não enfrentam esse problema, e a água tende a escassear e se tornar mais cara em todo o planeta.

    Reciclagem – Por ser 100% reciclável, e por ser o plástico mais reciclado no País, o poliéster representa uma opção interessante face ao crescimento das preocupações ecológicas e às iniciativas empresariais para aderirem a essa tendência.

    A indústria de reciclagem, no entanto, também não apresentou grande crescimento em 2006 (5% em volume), como mostra o segundo Censo da Reciclagem de PET no Brasil, encomendado pela Abipet. Essa atividade, porém, ainda não chegou à maturação, e a pequena expansão em 2006 está sendo interpretada como um movimento de ajuste do mercado. Uma das conclusões do estudo que Sette apontou como interessante foi o envelhecimento das recicladoras do plástico, denotando a concentração do mercado.

    Apesar de algumas boas notícias, o crescimento do PIB em 2006 criou certo baixo-astral na indústria, que não anda lá muito otimista para 2007. As exceções ficam por conta dos segmentos exportadores, que ainda poderiam se beneficiar de eventuais apreciações do dólar ante o real, e dos relacionados aos setores de infra-estrutura, que poderiam continuar se beneficiando da sanha desenvolvimentista do governo reeleito. Não é o caso do PET, que sofre, até mesmo, com a pressão de pré-formas importadas, a maior parte oriunda do Uruguai, graças a problemas estruturais do Mercosul em relação a operações de drawback (importações especiais, destinadas à fabricação de produtos para exportação).

    “Mas o que acontece no Mercosul é que os transformadores uruguaios compram resina asiática e vendem pré-formas para o Brasil. A importação está aumentando bastante”, avaliou Sette. Além de alocarem fatias do mercado nacional, essas importações, baseadas em



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