Plástico

Perspectivas 2007 – Abiplast – Economia estável enseja melhores negócios este ano

Jose Paulo Sant Anna
13 de janeiro de 2007
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    A expectativa do setor é por um 2007 melhor do que foi 2006. Afinal, o País apresenta melhores condições no campo da economia. Entre os índices positivos, se encontram inflação sob controle e a taxa Selic de juros em patamar bastante inferior ao dos últimos tempos.

    Plástico Moderno, Perspectivas 2007 - Abiplast - Economia estável enseja melhores negócios este ano

    Cachum “Seria necessário crescemos 5%”

    Mas, como gato escaldado tem medo de água fria, o otimismo dos transformadores de plástico é bastante moderado. Afinal, a torcida por um bom ano só dará certo se o crescimento for mais vigoroso do que o alcançado no passado recente e, quando o assunto é desenvolvimento, o histórico do País nas últimas décadas tem sido desanimador.

    O setor tem peso significativo na economia do País e apresenta grande potencial de negócios. Conta com 8,5 mil empresas, muitas delas dotadas com tecnologia de ponta comparável à das melhores do ramo no mundo. Ao todo, produz cerca de 4,5 milhões de toneladas de plástico por ano e gera 258 mil empregos. O lado positivo desse segmento se apóia no constante avanço da tecnologia. A busca incessante por matérias-primas com propriedades diferenciadas e o desenvolvimento de equipamentos sofisticados, que permitem índices elevados de repetibilidade das linhas de produção, são fatores que tornam o plástico competitivo perante outros materiais em inúmeras aplicações.

    O fenômeno vem ocorrendo há décadas em todo o mundo e promete se repetir nos próximos anos se considerarmos os elevados investimentos feitos por representantes de todos os elos ligados ao setor. A tendência aponta que o consumo per capita de plástico no Brasil deve continuar a crescer. Para se ter uma idéia desse crescimento, basta lembrar que em 1970, esse número se encontrava na casa dos 2 kg por habitante por ano. O salto para os atuais 25 kg por habitante por ano ainda é pouco, considerando que o consumo per capita apresentado pelos países avançados é quatro vezes superior ao do Brasil.

    Os motivos que atrapalham o crescimento mais vigoroso da transformação por aqui são bastante conhecidos: juros altos, carga tributária excessiva, real exageradamente valorizado, além dos problemas estruturais que há tempos dificultam o planejamento dos empresários, caso das vias de transporte precárias e das condições desfavoráveis dos portos. Por causa desses fatores, estimativas feitas pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) indicam desempenho decepcionante em 2006, com queda do faturamento do setor em torno de 1,3% em comparação ao do exercício anterior.

    “Para o setor apresentar bom desempenho, seria necessário que crescêssemos algo em torno de 5% ao ano, o que não parece ser viável dentro das condições atuais”, lamenta Merheg Cachum, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Mesmo se alcançasse tal índice, o Brasil ainda estaria distante dos patamares atingidos pelos países asiáticos, que têm obtido crescimentos da ordem de 9% a 10% ao ano.

    Queixas – Os problemas enfrentados pelas empresas do setor são avaliados pelo presidente da Abiplast. “Os transformadores brasileiros não querem privilégios para produzir no Brasil. O que queremos é poder competir de igual para igual com os transformadores de outros países, para que possamos demonstrar a capacidade criativa do empresário nacional”, resume.

    Para Cachum, a concorrência desleal com os produtos importados, problema grave em um ambiente econômico a cada dia mais globalizado, se deve a alguns fatores. “Nossa carga tributária é a mais elevada do mundo”, queixa-se. O pior, para o dirigente, é que a questão está longe de ser solucionada. Mesmo com tributos que se aproximam de 40% do Produto Interno Bruto, o governo apresenta problemas de caixa. Os gastos para o pagamento da dívida pública são assombrosos e fazem com que sobrem verbas irrisórias para os investimentos públicos.

    Em termos de recordes mundiais, o País apresenta outro dado que não é motivo de orgulho. “Nossos juros são os mais elevados do mundo”, acusa o presidente do Abiplast. É verdade que em 2006 a taxa Selic, índice sob responsabilidade do Banco Central, sofreu considerável redução. Mas ainda está distante da praticada em outros países. “Os juros cobrados pelas instituições financeiras são proibitivos e inibem os investimentos em atividades produtivas”, lamenta.

    Para agravar a situação, o real vem apresentando forte valorização. O fenômeno se deve em grande parte às elevadas taxas de juros, que atraem capital de caráter especulativo para o País. Para o setor produtivo o fenômeno é negativo, uma vez que inibe as exportações. Mais do que isso, favorece a entrada de artefatos plásticos importados, em especial dos fabricados no continente asiático. “Os chineses são competentes e agressivos, existem setores da indústria brasileira que já foram duramente atingidos por eles e o de transformação de plástico corre sérios riscos”, destaca o presidente da Abiplast.

    Para justificar seu raciocínio, Cachum lembra que os transformadores que atendem a indústria automobilística estiveram entre os que conseguiram bom desempenho no ano passado. Isso porque as montadoras conseguiram exportar um número de veículos bastante significativo. Com a desvalorização do dólar, no entanto, existe forte risco do setor automotivo perder mercado no exterior, o que afetaria também seus fornecedores. Sem falar que a importação dos componentes plásticos que equipam os carros se torna mais viável.



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