Periféricos – Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes

O aquecimento da economia em 2007 e as perspectivas traçadas daqui por diante estão mais propícios aos investimentos no mercado de periféricos. A lei da oferta e da procura mais equilibrada permitiu a vários setores da transformação pôr em prática o lema de que nada se perde no setor plástico e tudo pode ser transformado, basta conhecer um pouco mais as eficientes tecnologias disponíveis para moagem, dosagem e trituração.

As vendas de moinhos dedicados a injetoras e sopradoras, principalmente os modelos de baixa rotação, ajudaram a manter em boa forma a saúde financeira das empresas e acaloraram o ânimo dos fabricantes de equipamentos para prosseguirem rumo à concretização de novos projetos em máquinas, além de investimentos em fábricas e nacionalizações.

Plástico Moderno, Ricardo Prado, diretor-comercial da Piovan do Brasil, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Prado planeja cortar custos e prazos com nacionalização

A Piovan do Brasil, filial da matriz com sede na Itália, anunciou a continuidade dos investimentos em nacionalizações, uma de suas prioridades no país, e sua intenção de dar início, em breve, a uma nova etapa de fabricação local de várias linhas de periféricos, incluindo dosadores, sistemas para refrigeração, extrusão e sistemas para processamento do PET.

Além de aumentar a oferta local com tecnologias européias mais avançadas, a nacionalização gradualmente irá propiciar, segundo observou Ricardo Prado, diretor-comercial da Piovan do Brasil, custos mais acessíveis e menores prazos de entrega às encomendas feitas na região.

Atualmente, não são apenas as taxas de importação, em torno de 14%, que oneram a compra de equipamentos vindos do exterior. Custos relativos ao transporte, seguro e locação de contêineres podem elevar em até 30% o preço dos equipamentos, sem contar com as despesas obrigatórias de ICMS e IPI.

A indústria nacional de periféricos também se prepara para colher no futuro o que vem semeando ano após ano. Um dos melhores exemplos vem da Rone. A empresa acaba de concluir um investimento no valor de R$ 2 milhões, destinado à compra de terreno e à construção já concluída da nova fábrica de 4mil m², em Carapicuíba-SP, totalmente voltada à produção de moinhos, especialidade que abraçou há 26 anos. “A capacidade de produção na nova unidade pode chegar a setenta unidades/mês, ou seja, o dobro da demanda atual atendida pela Rone, mas estamos nos preparando para alcançar níveis mais elevados de crescimento não só no mercado interno, como também planejando aumentar nossas exportações”, informou o diretor Ronaldo Cerri.

Outra empresa que revela a preocupação de ampliar a oferta com tecnologias avançadas e a custos mais acessíveis ao mercado local é a Automaq, de Diadema-SP. Além de parceira nas vendas de moinhos de baixa rotação fabricados pela alemã Zerma em território chinês, a Automaq atualmente busca novas parcerias com fornecedores internacionais para trazer ao país centrais de moagem de alta rotação (entre 550 r.p.m. até 1.300 r.p.m.), a preços bem mais convidativos.

Unanimidade – O desempenho alcançado nas vendas no último ano, segundo todos os executivos e empresários ouvidos, foi realmente muito positivo e surgiu de todas as frentes de comercialização de periféricos. “As vendas de moinhos e dosadores foram muito boas em 2007, 35% maiores em comparação com o ano anterior, principalmente após a Brasilplast, onde pudemos fazer muitos contatos, cotações e atender a inúmeros pedidos”, comemorou Caio Prado, diretor-comercial da Automaq.

Os maiores volumes de vendas se concretizaram entre os transformadores do setor automotivo, principalmente para atender às necessidades do setor de injeção de peças técnicas. “A instalação de moinhos ao lado das máquinas em circuito fechado no setor de injeção de peças técnicas para a indústria automotiva está se consagrando por gerar significativa economia, pois muitos materiais empregados são higroscópicos, como é o caso de náilons, policarbonatos, ABS, poliacetais e PMMA, que necessitariam de secagem caso não pudessem contar com as funcionalidades dos moinhos. Além disso, os transformadores também conseguem evitar perdas e desperdícios gerados pelas pilhas de galhos formadas no chão das fábricas, sem contar com a provável contaminação desses materiais antes do seu reaproveitamento”, considerou Caio Prado.

“Em 2007, contamos com um mercado aquecido e com muita procura por moinhos para injeção e sopro, especialmente envolvendo modelos de baixa rotação, dispostos ao lado das máquinas, e que operam em ciclo fechado, sem gerar desperdícios ou contaminações”, observou Ricardo Prado, da Piovan do Brasil.

Um dos equipamentos mais bem-sucedidos em vendas no ano passado em todos os países da América Latina, considerado o carro-chefe em seu segmento, foi o moinho de baixa rotação (424 r.p.m.), com rotor aberto e sistema de corte em tesoura. Nacionalizado desde 2005 pela Piovan do Brasil, esse equipamento possui bocal de alimentação com largura de 20 cm e comprimento de 30 cm, e oferece como diferencial um volante de inércia de 48 quilos, o que permite aplicações ao lado das máquinas de transformação, sem gerar picos de amperagem, apresentando, portanto, reduzido consumo de energia. “Vale lembrar que o volante de inércia já vem acoplado ao moinho e não se trata de sistema opcional”, explicou o diretor.

Mas não foram apenas os moinhos de baixa rotação as grandes vedetes de 2007, que adentraram em 2008 encontrando à frente um novo ano de mercado provavelmente dos mais aquecidos, a considerar pelos volumes de vendas dos dois primeiros meses. Isso porque também aumenta a procura por moinhos de alto desempenho, principalmente para a moagem de peças de grandes dimensões e borras. Só a Piovan nesse setor dispõe de mais de dez diferentes séries especiais de moinhos para chapas, filmes e filamentos de extrusão, acompanhando a velocidade das extrusoras.

Plástico Moderno, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
PET aumenta procura por dosador da Automaq

As séries especiais ainda incluem modelos voltados à recuperação de cabos elétricos, abrangendo moinhos com bocal de alimentação em larguras até 1 metro e sistema que separa os revestimentos plásticos dos fios de cobre e/ou alumínio. “Esses moinhos são integrados a sistemas de separação, ciclones e esteiras, equipamentos também distribuídos na América Latina pela Piovan do Brasil”, acrescentou Ricardo Prado.

Outras especialidades da Piovan muito bem-aceitas no mercado latino-americano são os moinhos para recuperar CDs e DVDs feitos de policarbonato e que apresentam algum tipo de defeito. “Nossos moinhos permitem recuperar 100% os CDs e os DVDs defeituosos antes do processo de metalização”, informou Ricardo Prado. Trata-se de moinho provido de revestimento interno especial para suportar alto grau de abrasividade e evitar contaminações e que opera com sistemas de ar filtrado e de separação de pós e de partículas metálicas.

Setor do PET investe mais – Os transformadores de PET, dedicados à fabricação de pré-formas ou às embalagens sopradas, também engrossaram as fileiras voltadas à compra de moinhos em 2007.

“A preocupação com a reutilização dos materiais soprados e com a reciclagem do PET vem aumentando a cada dia e vários projetos prevendo a instalação de moinhos fabricados pela Zerma e dosadores produzidos pela Automaq foram recentemente realizados”, observou Caio Prado.

No caso do PET, em especial, os benefícios gerados pela instalação de dosadores asseguram ao transformador que as porcentagens de moídos a serem adicionadas ao processo serão colocadas nas proporções previstas, evitando-se com isso variações de cor e de dosagem de aditivos nas pré-formas sopradas.

Sua instalação sobre a máquina ainda garante a homogeneidade dos materiais, permitindo que as operações mantenham a velocidade constante do parison, sem o risco de incorrer em oscilações e variações no processo.

Na transformação por sopro, o maior número de moinhos, segundo constatou a Automaq, foi requisitado no último ano para operações ao lado das máquinas, uma vez que o volume de rebarbas costuma ser grande, acarretando vários prejuízos de perda de materiais às indústrias.

“Uma das fortes tendências reveladas no setor da transformação é substituir moinhos centralizados por moinhos instalados ao lado das máquinas e com circuitos fechados, a fim de recuperar todas as rebarbas e refugos gerados, e economizar no uso de matérias-primas virgens”, considerou Caio Prado.

Outro grande diferencial dos moinhos fabricados pela Zerma em relação aos equipamentos congêneres importados é o fato de a sua produção ser realizada na China, com matérias-primas e mão-de-obra bem mais acessíveis, o que oferece ao fabricante a possibilidade de implementar projetos até mais sofisticados, contando com recursos de última geração nas áreas de usinagem e de corte a laser, mas que terão custos finais mais acessíveis, segundo analisou o diretor.

No setor de periféricos, é bem provável que a Zerma tenha sido uma das pioneiras a tomar a decisão de instalar fábrica na China em 1999, em área de 55 mil m², construída em Xangai. A principal vantagem de manter a fábrica em território chinês é poder oferecer projetos de engenharia alemães a preços extremamente competitivos, tendo como canais de distribuição dos equipamentos centros instalados na Alemanha, Reino Unido, Tailândia e Brasil.

“Atualmente, representando os moinhos Zerma, conseguimos praticar no mercado brasileiro preços 40% mais acessíveis em comparação com os preços de equipamentos que antes importávamos dos Estados Unidos. Em muitos casos, nossos preços também chegam a equivaler aos preços dos equipamentos nacionais”, afirmou Caio Prado.

De acordo com ele, os moinhos que têm encontrado maior aceitação no mercado brasileiro pertencem à série GSL. Constituída de equipamentos que possuem rotores fechados, e apresentam baixa rotação, baixo nível de ruído e baixa geração de pós, a série GSL abrange modelos com diferentes capacidades de moagem, entre 40 quilos/hora até 120 quilos/hora.

“Os moinhos da série GSL têm projeto alemão e são considerados top no mercado internacional graças ao nível de aprimoramento tecnológico alcançado pelos equipamentos que possuem motorredutor SEW, acoplado diretamente no eixo do rotor onde estão posicionadas as facas, e que conseguem conciliar o alto torque à baixa rotação (150 r.p.m.)”, informou.

Outra linha muito requisitada é a de moinhos micronizadores para a fabricação de peças rotomoldadas e produção de masterbatches. Produzida em três modelos: PM 300, PM 500 e PM 800, é capaz de micronizar desde 50 quilos/hora até 500 quilos/hora, no primeiro exemplo; entre 100 quilos/hora até 1.000 quilos/hora, no segundo; e operar na faixa desde 200 quilos/hora até l.500 quilos/hora, no terceiro.

Atualmente, segundo Caio Prado, novas práticas caracterizam as condutas técnicas adotadas pelos transformadores brasileiros. Ou seja, muitos também investem na compra de trituradores para a pré-moagem de peças de grandes dimensões.

“As peças após serem trituradas ficam com um dimensional bem menor e mais fácil para se trabalhar. Esse processo de trituração pré-moagem já é muito utilizado na Europa, Ásia e Estados Unidos, principalmente para triturar tubos de PEAD de grandes dimensões, com 1,20 m de diâmetro, 6 metros de comprimento e espessuras entre 30 mm e 40 mm, além de peças automotivas de grande volume como pára-choques, painéis e portas, bem como garrafas PET pós-consumo e borras”, informou o diretor.

Na área de trituradores, a empresa dispõe de modelos com bocais de alimentação projetados em diferentes dimensões. Ou seja, desde 1.700 mm por l.180 mm, podendo medir até 2.540 mm por 2.820 mm, além de trituradores específicos para tubos com bocal de alimentação de 6.500 mm por 1.300 mm.
“Nosso interesse atual é também oferecer ao mercado brasileiro projetos completos voltados à automação, incluindo desde alimentadores automáticos instalados no funil das injetoras e sopradoras. De fabricação própria, contam com o diferencial de ter acoplada ao alimentador uma válvula proporcional que irá realizar as operações de mistura das resinas virgens com os materiais moídos, até dosadores, esteiras, sistemas separadores de galhos, entre outros, destinados a completar todo o ciclo de produção”, revelou Caio Prado.

Plástico Moderno, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Alta precisão caracteriza o dosador volumétrico pneumático da Piovan, que traz novo painel de cristal líquido (detalhe)

No segmento de dosadores, a empresa fornece equipamentos volumétricos de fabricação própria e com dosadores gravimétricos importados da AEC, considerada uma das maiores fabricantes de periféricos dos Estados Unidos.

Automação favorece sustentabilidade – A demanda crescente por moinhos e dosadores reflete a maior preocupação das indústrias com a automação dos processos. O interesse por esses equipamentos, que evitam perdas desnecessárias e a baixa eficiência operacional, também traz à tona aspectos positivos, como a maior consciência e disposição dos empresários em oferecer maior sustentabilidade à produção, evitando comprometer-se com passivos ambientais que serão legados às futuras gerações.

As facilidades de uso de dosadores de última geração, segundo Ricardo Prado, diretor da Piovan do Brasil, constituem outro ponto forte que vem servindo de estímulo à instalação de dosadores. “Na última edição da Brasilplast, realizada em 2007, lançamos um dosador volumétrico pneumático de alta precisão e com custo mais acessível aos mercados da América Latina. Trata-se basicamente de tecnologia semelhante à do dosador gravimétrico, mas sem a célula de carga. Nossa longa experiência em dosagens gravimétricas, somada com o diferencial que faz história, de nossos equipamentos também funcionarem em ciclo volumétrico, nos permitiu revisar o software e colocar um novo painel de cristal líquido extremamente fácil de utilizar, o que resultou em um novo dosador volumétrico, provido de misturador programável de alta precisão, capaz de conferir alto grau de homogeneização aos materiais. Além da tecnologia avançada, a grande vantagem sob o ponto de vista dos usuários é a facilidade de uso do dosador volumétrico. Contando com até 299 receitas, esse equipamento permite ao usuário ter grande flexibilidade nas aplicações. Pode instalar estações à guilhotina pneumática, rosca com motorredutor ou microcélula de dosagem, resultando, portanto, em processo sobre o qual se terá alto controle, e que irá oferecer grande economia no emprego demasterbatches e aditivos”, explicou Ricardo Prado.

Fabricados em vários modelos, os novos dosadores volumétricos tanto podem operar sobre as máquinas como ao lado delas. Ainda oferecem a opção de instalação em sistemas centralizados, e podem aspirar os moídos provenientes dos moinhos quando instalados ao lado das máquinas ou junto às centrais de moagem.

Expansão de capacidade – O preço mais elevado de algumas resinas de maior valor agregado, como é o caso dos policarbonatos e das poliamidas, favorece a preocupação dos empresários com as perdas de processo, daí decorrendo a maior compra de moinhos para recuperar todas as sobras dos materiais transformados, e cuja tecnologia permita operar de acordo com o ciclo das máquinas, sejam injetoras, sopradoras, termoformadoras entre outras. A observação parte de Ronaldo Cerri, diretor da Rone.

Ao analisar o crescimento das vendas em 2007, 10% superiores às de 2006, o empresário constatou maior procura por duas versões de baixa rotação (200 r.p.m. e 400 r.p.m.), ambas pertencentes à linha W, com desde dois até vinte cavalos de potência de motor, mas também incluiu na lista dos mais vendidos os moinhos de alta rotação da linha C. Lançada há três anos, essa linha, cujos modelos apresentam variações de rotor entre 700 r.p.m. e 900 r.p.m., conta com cabine para atenuar os ruídos gerados pelos equipamentos, diferencial entre vários modelos disponíveis no mercado.

“Os moinhos de alta rotação da linha C representam o futuro dos moinhos no Brasil”, afirmou Cerri, revelando sua participação como convidado em várias reuniões que estão sendo promovidas pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), com vistas a adequar a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) relativa a moinhos, a NBR 15107, às convenções coletivas sobre segurança de máquinas para plásticos, que obrigariam no futuro os fabricantes a cumprir todas as exigências de segurança para a utilização desse tipo de equipamento.

Plástico Moderno, Ronaldo Cerri, diretor da Rone, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Cerri pretende dobrar a capacidade produtiva

A maior preocupação de Cerri nos últimos anos, segundo ele mesmo reiterou, foi direcionada a implementar maior segurança aos moinhos fabricados pela Rone. “Com a adequação à norma NBR 15107, os moinhos nacionais certamente estarão equiparados a qualquer moinho importado de qualidade, visto que em termos de tecnologia de moagem não deixamos nada a desejar, ao contrário, os compradores têm de avaliar muito bem antes de adquirir equipamentos, pois estão sendo oferecidos ao mercado brasileiro muitos moinhos importados, com qualidade bem inferior aos equipamentos nacionais. Em geral, esses equipamentos são produzidos na Ásia, sem apresentar qualquer preocupação quanto à segurança dos usuários”, afirmou Cerri.

Além dos moinhos tradicionais de linha, a Rone tem em seu portfólio de desenvolvimentos mais de 300 versões diferentes de moinhos, por levar em consideração as necessidades específicas de cada cliente. “Nem sempre o modelo constante do catálogo é o ideal e, quando esse for o caso, não temos dúvida: não poupamos esforços para desenvolver um projeto específico que garanta a melhor capacidade produtiva e o menor consumo de energia para o cliente. Para realizar esses projetos, precisam ser definidas as velocidades de trabalho, as capacidades e as dimensões dos equipamentos, condições técnicas que só poderão contar com alta precisão baseada em uma estreita parceria e troca de informações com o cliente, pois cada tipo de resina, cada tipo de peça a ser produzida, entre outras variáveis, determinará especificidades próprias a cada equipamento”, informou o diretor.

Essa disponibilidade para executar novos projetos, segundo Cerri, ajuda muito a Rone a ganhar mercado. “Não são raros os casos em que projetamos e construímos novidades em termos de moagem, mas que somente são conhecidas por um pequeno grupo de clientes, uma vez que nos pedem sigilo sobre os detalhes tecnológicos envolvidos na sua concepção.”

Plástico Moderno, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Moinhos da Rone de baixa rotação tiveram a preferência do usuário

Um dos projetos que já pertenceu ao rol dos segredos industriais, mas que hoje está acessível a todos os interessados, é o do moinho de alta rotação, desenvolvido especialmente para a moagem de bombonas sopradas de 200 litros, colocadas por inteiro nos moinhos, sem qualquer tipo de corte ou trituração prévios.

Entre os vários projetos especiais desenvolvidos pela Rone também podem ser acrescentados aqueles realizados para os transformadores de componentes automotivos, como pára-choques e tanques de combustíveis.

Segundo Cerri, o que existe de mais animador na atividade de fabricar moinhos são os desafios. “Traga-me a peça, ou o projeto do que pretende transformar e deixe por minha conta a construção do moinho”, costuma afirmar aos clientes.

Além de preparar terreno para avançar nas exportações, Cerri prevê lançar ainda neste ano um moinho de baixíssima rotação, conhecido no mercado como moinho de fresas. “O novo modelo irá trabalhar na faixa de 30 r.p.m. e será desenvolvido especificamente para a moagem de ‘galhos’ de injeção, apresentando o menor nível possível de geração de ruídos.”

A expectativa de crescimento das vendas em 2008, segundo revelou o empresário, gira em torno de 15% até 20%. “Nesse ano, estaremos focados não só no atendimento das demandas de mercado, como também esperamos expandir nossas vendas com a participação em vários eventos importantes do setor, como as próximas edições da Brasilpack, em São Paulo, e da Interplast, em Joinville-SC”, comentou o empresário.

2008 começa aquecido – Parcialmente nacionalizados, os moinhos da Tria do Brasil, produzidos com tecnologia italiana, alcançaram em 2007 um dos melhores faturamentos em vendas de todos os tempos no mercado brasileiro. As encomendas mais numerosas partiram de transformadores do setor automotivo e de indústrias que atendem o setor químico, abrangendo principalmente equipamentos para aplicações em injeção e sopro.

“Realizamos vendas em quantidades significativas principalmente para empresas instaladas em São Paulo e Manaus. Os modelos mais procurados foram os da linha JM, formada por equipamentos que trabalham ao lado das máquinas, e também da linha BM, moinhos destinados à moagem de peças sopradas e injetadas com espessuras mais finas”, ilustrou Mario Tonetti Jr., gerente-comercial da Tria do Brasil.

Os resultados alcançados só nos dois primeiros meses deste ano também superaram as expectativas. Em janeiro e fevereiro, as vendas cresceram 50% em relação ao mesmo período do ano passado. Tonetti encontra algumas explicações para esse nível de aquecimento. “Os transformadores do setor plástico estão mais preocupados com a segurança, com o nível de ruído, com o consumo de energia e com a qualidade da moagem e depositam grande confiabilidade em nossos equipamentos que atendem a todas as normas da Comunidade Européia e, conseqüentemente, as normas da ABNT”, acredita Tonetti.

“Nosso objetivo estratégico no Brasil é ser cada vez mais reconhecido como empresa com tecnologia de ponta na área de moinhos granuladores. Além da matriz, na Itália, e da filial brasileira, a empresa conta com mais duas outras filiais nos Estados Unidos e na Alemanha. Como diferenciais técnicos dos equipamentos, a empresa destaca o sistema de corte dos materiais por meio de lâminas paralelas em formato de tesoura, as quais possuem gabarito de regulagem externa para garantir maior agilidade e precisão e maiores áreas de escoamento para os materiais moídos. Além desses aspectos, as câmaras de moagem são refrigeradas a água e o conjunto formado pelo rotor e sistema de transmissão foi projetado para trabalhar com força de inércia, balanceada para executar o menor esforço possível”, explicou Tonetti.

Plástico Moderno, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Níveis de ruídos do moinho da Tria do Brasil alcançam até 80 decibéis

Outro detalhe importante dos moinhos da Tria está no material com o qual são fabricados a câmara de moagem, o rotor e os discos laterais, extrudados com manganês, evitando, assim, desgastes precoces. Quanto aos padrões de segurança, o sistema de isolamento sonoro da coifa de carga é duplo, e confeccionado com EVA e poliuretano, o que possibilita gerar baixos níveis de ruído, entre 75 decibéis até 80 decibéis. Outro aspecto destacado por Tonetti é o baixo consumo de energia dos equipamentos, alcançado graças a vários estudos e aprimoramentos feitos pela engenharia. Os curtos prazos de entrega dos equipamentos também constituem outro ponto forte da empresa. “Desenvolvemos vários fornecedores locais e hoje trazemos somente a câmara de moagem da nossa matriz, na Itália, fabricando os demais componentes localmente”, informou Tonetti.

Para 2008, as perspectivas não poderiam ser melhores. “Com o nosso mercado aquecido e certa estabilidade na economia, a Tria do Brasil tem tudo para atingir novos recordes em vendas, alcançando crescimento em torno de 30% em relação a 2007”, considerou.

Outro fato também marcante para a companhia registrado em 2007 foi firmar parceria com a empresa alemã Weima. O fabricante de trituradores de grande porte para plásticos, com capacidades desde 400 quilos/hora até 10.000 quilos/hora, delegou à Tria do Brasil a distribuição dessa linha de equipamentos no mercado brasileiro.

Dosadores batem recorde – A venda de dosadores bateu recordes em 2007, segundo depoimento de Daniel Ebel, diretor da Plast Equip – Rax Service, de São Paulo: “Houve aumento de 60% no número de unidades vendidas, reiterando o sucesso da tecnologia patenteada RDV no mercado brasileiro, e os modelos de três e quatro componentes, que além de automatizar também propiciam economia de matérias-primas, dispararam em vendas.”

“Nossos dosadores são únicos e patenteados, promovem a dosagem volumétrica com a mesma precisão dos dosadores gravimétricos, dosando aditivos, reciclados e matérias-primas principais e também possuem misturador mecânico de acionamento pneumático, dispensando cálculos para calibrações e ajustes”, acrescentou.

Já as vendas de moinhos da sueca Rapid, parcialmente fabricados no Brasil, com taxa de nacionalização de 50% de seus componentes, mantiveram-se em níveis satisfatórios, distribuindo-se de forma bastante homogênea por todos os setores da transformação e abrangendo empresas de todos os portes. “Até pequenas indústrias, contando com o apoio do BNDES e das linhas de financiamento Finame e Modemaq, puderam comprar periféricos em 2007”, observou Ebel.

Entre os destaques da tecnologia Rapid, composta por mais de 2 mil modelos e versões de moinhos, estão o baixo nível de ruído, a baixa geração de pós e as facas de longa durabilidade descartáveis, que podem ser substituídas em poucos minutos, sem que para isso seja necessário promover algum tipo de ajuste.

Plástico Moderno, Daniel Ebel, diretor da Plast Equip – Rax Service, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Ebel: mercado das embalagens puxou as vendas de 2007

Segundo constatou Ebel, o setor de embalagens foi o campeão dos investimentos em 2007 e as aquisições em sua maior parte envolveram moinhos de baixa rotação.

“As reciclagens internas nas indústrias da transformação por meio de células fechadas com reaproveitamento imediato das aparas também tiveram crescimento expressivo e representaram 40% das vendas no ano passado, com células integrando alimentadores, válvulas proporcionais, dosadores e moinhos”, comentou. Atendendo também a esse segmento, os equipamentos de desumidificação de pequeno porte oferecidos pela empresa, assim como os dosadores com até quatro componentes foram os mais requisitados.

Segundo Ebel, as perspectivas para 2008 apontam para a continuidade dos níveis de crescimento das vendas de periféricos. Porém, dentro dos próximos doze meses, a empresa deverá anunciar novidades para o setor, estando previsto o lançamento de cinco equipamentos, atualmente em fase de finalização dos projetos.

Automóveis e utilidades puxam demanda – Há mais de uma década representando a Moretto no Brasil, a Tecnos considerou satisfatórios os resultados das vendas em 2007. A maior demanda por sistemas de dosagem volumétricos e gravimétricos e também por moinhos fabricados pela Moretto, com sede na Itália, ocorreu entre os setores automotivo e de utilidades domésticas, segundo informou o departamento técnico da Tecnos.

A linha de dosadores gravimétricos para injeção, extrusão e sopro tem como características a precisão (+/- 0,02%) e opera com sistema de dosagem por meio de balança com masterbatches, aditivos, moídos e compostos. Já os sistemas de dosagem volumétricos realizam as operações por meio de rosca. A série IDM, por exemplo, adequada às dosagens de masterbatches e aditivos em grânulos, tem controles em posições de rosca sem-fim, relacionadas com a velocidade, tempo e posição para o alcance de alto nível de precisão. Misturadores estáticos integrados aos dosadores protegem a entrada dos masterbatches e aditivos, favorecendo misturas homogêneas. Outra opção ao mercado está na série STC, composta de separadores magnéticos, montados na base do funil com ou sem válvula de interceptação, é capaz de capturar as partículas metálicas dispersas no moído em tratamento.

No setor de moinhos, os modelos com facas são os mais requisitados para alcançar produções mais elevadas de peças e galhos, enquanto os moinhos de fresa, de mais baixa produção, encontram grande procura para a moagem de galhos, oferecendo tecnologia de baixa geração de ruídos e de pós.

As vendas de moinhos em 2007 também foram consideradas satisfatórias pela Primotécnica, de Mauá-SP. “Na realidade, o aumento real das vendas só teve início após o mês de setembro, quando iniciamos um ciclo de aceleração na produção que tem continuidade até hoje, em resposta ao mercado que permanece aquecido nesse início de ano”, avaliou Dante Casarotti, diretor da divisão Plásticos da Primotécnica.

Plástico Moderno, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Moinho com rotor fechado facilita moagem de borras

Segundo calculou Casarotti, 2007 registrou aumento de 15% nas vendas em relação a 2006 e os moinhos de maior vendagem foram os de baixa rotação, instalados ao lado de injetoras e sopradoras e destinados à moagem de galhos, sobras de injeção, rebarbas entre outros.

“Um dos campeões de vendas foi o P2-003, moinho de médio porte, destinado à moagem de peças defeituosas provenientes de injeção, sopro e extrusão”, considerou Casarotti. Projetado com três facas rotativas e duas facas fixas, esse modelo possui bocal de alimentação de 500 mm, tendo capacidade para produzir cerca de 500 quilos/hora.

As vendas de moinhos especiais para tubos de PVC, como os equipamentos da linha PTR, também cresceram. Projetados para a moagem de tubos com espessuras de 20 mm até 30 mm, esses modelos também costumam ser muito requisitados para a moagem de borras, tarefa que, segundo Casarotti, costuma ser facilitada pela existência no equipamento de rotor fechado, que permite “descascar” as peças nele introduzidas.

As operações nas máquinas de injeção e sopro também são facilitadas pelos moinhos de baixa rotação da série FDR. Tais modelos, segundo o fabricante, são particularmente indicados para a recuperação imediata das sobras, apresentando tecnologia silenciosa, provida de sistema de rotor de baixa velocidade com multifacas de corte angular, proporcionando cortes sem atritos, e baixo consumo de energia, podendo ser alimentado por sistema manual, robô ou esteira.

As aquisições de moinhos também têm aumentado no setor de reciclagem perante as dificuldades enfrentadas no país, que acabam gerando hábitos positivos advindos da necessidade de se recuperar praticamente tudo. Na opinião de Cassarotti, comum, aliás, à dos demais executivos e empresários desse setor, São Paulo continua firme na liderança das compras de máquinas e equipamentos para a transformação de plásticos, mas é inegável o crescimento das vendas na Região Sul do país, especialmente no estado de Santa Catarina, onde os investimentos na compra de periféricos são crescentes.

Dosador gravimétrico na mira dos lançamentos – As vendas de moinhos e dosadores em 2007 na Ineal, de Santo André-SP, apresentaram crescimento de 20% em relação a 2006 e os maiores compradores de equipamentos foram os setores de autopeças, materiais descartáveis e garrafas PET, que operam por injeção e sopro. “Em 2008, prevemos um salto de 10% a 15% sobre a receita das vendas do ano anterior, considerando os investimentos feitos na nova estrutura fabril, hoje contando com cerca de 2 mil m², e a qualificação da equipe técnica para desenvolver novos produtos e tecnologias”, afirmou Wilber dos Santos Farias, responsável pelo marketing da Ineal.

Uma das grandes novidades em desenvolvimento, porém, sem data prevista para lançamento, é a apresentação ao mercado da linha de dosadores gravimétricos.

Plástico Moderno, Periféricos - Uso crescente de moinhos e dosadores deslancha novos projetos de nacionalização e expansão dos fabricantes
Ineal destaca os desadores volumétricos e os moinhos

Com comando microprocessado de fácil operação, que não requer cálculos para calibração, a linha de dosadores volumétricos fabricada pela empresa memoriza até vinte receitas. “Seu funcionamento com acionamento por motorredutor e inversor de freqüência de precisão se baseia na dosagem de um ou mais materiais por meio de volumes constantes e de forma contínua, atuando com um simples sinal (contato seco) ou com sincronismo. Projetado em sistema modular com construção em monobloco de alumínio de fácil montagem, tem sistema operacional e de manutenção aos quais podem ser empregados diversos tipos de rosca para compor a mistura ideal, permitindo montagens sobre a máquina ou em centrais de dosagem para a preparação de material contendo até quatro elementos”, informou Farias.

Apresentando diversas soluções para diferentes aplicações na indústria do plástico, a Ineal também encontrou forte demanda no ano passado por moinhos de baixa e de alta rotações.

A linha de moinhos de baixa rotação é construída com aço carbono com pintura epóxi, e tem rotor apoiado sobre mancais bipartidos com rolamentos autocompensadores, peneira intercambiável, cuba de parede dupla, dispositivo de segurança, gaveta para captação com alimentador ou exaustor e facas rotativas de fácil limpeza. “O revestimento interno da cuba com parede dupla garante níveis de ruído muito reduzidos, inferiores a 80 dB(A), para a maior parte dos polímeros utilizados e, sob encomenda, podemos incluir cabine acústica na câmara de moagem”, informou Farias.

Já os moinhos de alta rotação fabricados pela empresa, projetados para quaisquer tipos de materiais termoplásticos, operam a seco ou com água em regime contínuo. Construídos integralmente em aço carbono, operam com baixo nível de ruído graças ao revestimento acústico, sendo projetados com mancais providos de rolamentos isolados da câmara de moagem e corte do tipo tesoura para proporcionar maior durabilidade das facas e menor consumo de energia, conciliando alta produtividade e baixo consumo de energia e pouca manutenção.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios