Periféricos para sopro – Vendas disparam e animam os fabricantes nacionais a fazer projeções otimistas

A indústria do sopro de peças plásticas no Brasil é bastante competitiva. Num cenário em que a concorrência é dura, investir em automação a cada dia se transforma em iniciativa essencial. Uma linha industrial dotada com equipamentos voltados para as mais distintas operações ajuda a empresa a se diferenciar e pode significar a sobrevivência. Some-se a essa necessidade o bom momento vivido pela economia, em especial pela indústria de bens não duráveis, impulsionada nos últimos anos pelo aumento do poder aquisitivo do brasileiro. Esse nicho consome grandes quantidades de peças sopradas, muito usadas, por exemplo, para embalar alimentos ou produtos de higiene e limpeza, entre outras aplicações.

Plástico, Periféricos para sopro - Vendas disparam e animam os fabricantes nacionais a fazer projeções otimistas
Esteira interliga as diversas etapas do processo de sopro

O cenário explica o bom momento vivido pela indústria de periféricos. Entre os fornecedores, não há queixas por falta de encomendas e as perspectivas para 2012 são otimistas. Estão inclusos nessa atividade os fabricantes de equipamentos específicos para o sopro, como as degoladoras de frascos e testadores de microfuros. São os casos da Blufer Tecnoplast e da Precision Blow. O quadro também ajuda os fornecedores de máquinas úteis para os transformadores de injeção ou extrusão, entre as quais secadoras, alimentadoras, moinhos e chillers. Nesse segmento, podemos citar importantes nomes do mercado, como Piovan, Seibt e Rone.

Outro aspecto colabora com a fase favorável do setor. Os periféricos made in Brasil sofrem bem menos com a concorrência dos importados que outros representantes da indústria de base. Um bom motivo para isso se encontra no fato de muitas vezes o cliente pedir modelo feito por encomenda de acordo com suas necessidades, fora das linhas standard oferecidas. Além disso, de acordo com os fabricantes nacionais, os produtos asiáticos, em especial os chineses, não têm qualidade suficiente para agradar aos compradores.

 

Plástico, Douglas da Rocha, diretor comercial, Periféricos para sopro - Vendas disparam e animam os fabricantes nacionais a fazer projeções otimistas
Douglas da Rocha apresenta ao mercado linha de degoladoras

Carteira recheada – A Precision Blow é nacional e tem sede em Guarulhos-SP. Nasceu em 1990, como fabricante de moldes de sopro e, a partir de 1995, especializou-se na área de automação. O momento atual não podia ser melhor. “Estamos com a carteira de pedidos cheia, nossas vendas estão maiores do que nossa capacidade de produção”, diz o diretor comercial Douglas da Rocha. Os clientes estão esperando em torno de sessenta dias para receber as encomendas.

Rocha cita alguns fatores para explicar a façanha. Ele aponta, sem qualquer falsa modéstia, a boa imagem da marca como fator essencial. Outro diferencial: a empresa procura sempre desenvolver o que o mercado necessita. “Nós não estamos limitados a oferecer os equipamentos que temos na nossa linha; quando necessário, projetamos as máquinas de acordo com a necessidade do cliente”, explica. Por último, o diretor afirma que os importados não atrapalham os negócios. “Máquinas com qualidade similar chegam ao Brasil com preços bem maiores do que as nacionais”, diz. Para ele, na categoria “de qualidade similar”, não se incluem os modelos chineses, de preços baixos e desempenho duvidoso.

A linha de produtos para sopro da Precision Blow é formada por testadores de microfuros, degoladores, esteiras e paletizadores. “O nosso testador de microfuros confere 100% dos frascos soprados. Se qualquer peça apresentar algum defeito, ela é retirada da linha de produção de forma automática”, informa Rocha. O equipamento é bastante procurado nos casos de peças usadas em aplicações nas quais se exige rigor, como as embalagens de óleo ou iogurte, entre inúmeras outras. “Nessas aplicações, se houver vazamento, o prejuízo é grande tanto para o transformador quanto para o envasador”, ressalta.

O testador funciona junto à esteira por onde são conduzidos os frascos soprados. A verificação é feita por meio de cabeçote acoplado, que fornece pressão positiva ou negativa nas peças. Um sensor detecta a presença de algum problema. “Cada cabeçote verifica até 1,8 mil unidades por hora. Podemos usar quatro cabeçotes de forma simultânea e testar até quatro mil unidades por hora”, explica. O sistema detecta orifícios de até 0,1 mm e as peças verificadas podem ter volume até 200 litros.

Instalar degoladores requer uma série de cuidados. Um deles ocorre durante a construção do molde, cujo design das cavidades deve prever o uso do equipamento. A Precision Blow oferece quatro diferentes linhas de degoladores. Uma delas é a série DRF ou de faca reta, voltada para operar com frascos pequenos, com diâmetro de boca até 40 mm. São aqueles usados, por exemplo, nas garrafas menores de água mineral. “A máquina é de alta produção, até 12,8 mil peças por hora”, diz Rocha.

A linha Speed foi projetada para potes de boca larga, com diâmetros de boca até 190 mm. “Os degoladores são usados em embalagens de maionese, geleias ou achocolatados”, exemplifica. A produção chega a duas mil peças por hora. A série Double Disk também atende os transformadores de potes com frascos de diâmetros até 190 mm e linhas com volumes de produção maiores, até quatro mil frascos por hora.

A série de degoladores Double Trimmer pode ser usada nas operações de produção de frascos pelo sistema neck to neck – em português, pescoço com pescoço. Nesse sistema, as peças são produzidas duas a duas, unidas pelas bocas. “A máquina divide os frascos e depois de cortá-los os coloca em esteiras”, conta. A série possui dois modelos, para diâmetros até 40 mm ou maiores. “A produção chega a 24 mil conjuntos por hora, conforme o caso.”

Rocha divulga a linha de esteiras da empresa. “Elas permitem a interligação das diversas etapas do processo e podem ser instaladas em sopradoras de mesa dupla”, diz. O diretor comercial também destaca as paletizadoras oferecidas. “Nós temos desde as para baixa até as de alta produção”, informa. As máquinas agrupam as peças em ensacadores, bandejas ou em pallets de madeira. Quando necessário, os pallets são empilhados e cobertos com filmes. “Frascos de um litro podem ser empilhados em até nove camadas.”

Automação completa– A Blufer Tecnoplast, de Blumenau-SC, empresa com capital 100% nacional, concorre de maneira direta com a Precision Blow. Há quinze anos no mercado, a empresa oferece testadores de furo, degoladores, ensacadeiras e enfardadeiras de frascos e esteiras planas ou inclinadas. “Nós automatizamos todas as operações pós-

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Enfardadeira modelo EC 1100 é um dos produtos mais vendidos

sopro, da manipulação até a embalagem”, revela o gerente comercial André Pintarelli.

As enfardadeiras são o carro-chefe da empresa. “Nossas máquinas têm tecnologia de ponta, contam com velocidade superior à das concorrentes do mercado”, orgulha-se o dirigente. Elas são oferecidas em três modelos. A EA 1100 é automática e funciona com bobinas tubulares de plásticos. “A máquina envolve os frascos com o plástico e solda a boca e o fundo do pacote”, explica. A ES 1100 é semiautomática, opera com sacos prontos. “Ela enfarda as peças e solda a boca.” A EC 1100, também semiautomática, necessita de operador. Os equipamentos, de acordo com o modelo e tamanho das peças, podem produzir até 70 fardos por hora, e são indicados para peças com volumes até vinte litros.

Os testadores de vazamento da Blufer podem ser instalados após a sopradora em qualquer linha automatizada ou operados por meio de alimentação manual. Possuem esteira transportadora com 1,2 m de comprimento, dotada de guias laterais ajustáveis para frascos com até 150 mm de diâmetro, sensores para detecção da posição dos frascos e expulsor automático das peças rejeitadas. “Elas detectam furos com até 0,3 mm de diâmetro, acima disso é um buraco. Atendem

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Esteira transportadora integra linha de testador de vazamento

linhas de elevada produtividade”, esclarece Pintarelli.

Os negócios da Blufer estão em ótimo momento, seu faturamento tem crescido de forma constante nos últimos oito anos. “As vendas estão estourando no primeiro semestre, o mercado está muito bom.” Um dos motivos dos bons resultados, na opinião do gerente comercial, é a fidelização dos clientes. O outro é o desenvolvimento de projetos por encomenda. “Criamos linhas dedicadas caso a caso, procuramos oferecer equipamentos de forma que aumentem a produtividade para tipos diferentes de produção de frascos”, resume.

Custo/benefício– “Ninguém está indiferente, todo mundo está ligado na necessidade de automatização”, diz Ricardo Prado, vice-presidente para a América do Sul da Piovan. Para o executivo, os transformadores brasileiros estão conscientes da elevada competitividade do mercado e passaram a investir na compra de periféricos. Nada por acaso. Uma fábrica bem equipada apresenta maior eficiência e sobrevive

Plástico, Ricardo Prado, vice-presidente para a América do Sul da Piovan, Periféricos para sopro - Vendas disparam e animam os fabricantes nacionais a fazer projeções otimistas
Segundo Prado, transformador passou a investir em periférios

com maior tranquilidade às mudanças de humor da economia.

A empresa, criada em 1934, na Itália, conta desde 2000 com fábrica no Brasil, localizada em Osasco-SP. Para a indústria do sopro, fornece vários tipos de máquinas, entre as quais as mais procuradas são as voltadas para sistemas de alimentação, dosagem, mistura, secagem e refrigeração. Conforme o tipo de equipamento e o grau de automação requerido, os periféricos podem ser instalados em uma central ou diretamente na sopradora.

Uma das características da Piovan, de acordo com Prado, é oferecer projetos completos e adequados às necessidades dos transformadores. Esses projetos podem ser de modernização de plantas industriais já estabelecidas ou de fábricas interessadas em ampliar sua capacidade com a aquisição de novos equipamentos. “O transformador não precisa perder tempo, nós assumimos o trabalho de engenharia e informamos o melhor projeto para cada caso”, resume.

Outra preocupação da empresa é oferecer serviços eficientes de pós-venda. “Temos completo estoque de peças de reposição e rede de assistência bastante importante, com técnicos em vários estados do país”, afirma. O perfil do mercado e a estratégia da empresa têm rendido bons frutos. “O desempenho das vendas no ano passado foi muito bom, dentro das nossas expectativas”, informa. Para 2012, o cenário continua promissor. “Por enquanto estamos indo bem”, diz.

Prado ressalta algumas características dos equipamentos. No caso dos sistemas de dosagem, ele destaca a precisão elevada e o controle amigável. “Nossos equipamentos de refrigeração e alimentação proporcionam economia de energia, nossos chillers são de 10% a 15% mais econômicos do que os disponíveis no mercado”, acrescenta. Por falar em chillers, a empresa acaba de lançar uma linha com capacidade de 400 mil kcal/hora. Antes, oferecia unidades até 200 mil kcal/hora.

Versatilidade – No primeiro semestre de 2011, as vendas estavam superaquecidas. Nos últimos seis meses do ano houve período de calmaria. “O crescimento de nosso faturamento no ano passado foi de 12%, resultado aquém do esperado, mas que nos deixou em posição confortável”, revela Ronaldo Cerri, sócio-diretor da Rone, empresa com capital nacional localizada em Carapicuíba-SP cuja especialidade é a fabricação de moinhos e trituradores.

Para 2012, a esperança de bons negócios ganhou força depois dos três dias da folia de Momo. “O ano começou com vendas pouco aquecidas, mas depois do carnaval o mercado parece estar se aquecendo”, explica. Para o dirigente, um fator positivo verificado no último mês foi a retomada de projetos engavetados. “A economia estava um tanto conturbada e os clientes estavam segurando seus investimentos. Tenho a impressão de que eles perceberam que a situação não era tão ruim e estão com urgência de aumentar suas produções”, diz.

No nicho de moinhos, a importação de equipamentos também não tem atrapalhado a vida dos produtores nacionais. Alguma coisa chega ao Brasil, mas os equipamentos da China, apesar dos preços convidativos, não seguem as normas de segurança exigidas pela legislação. “A qualidade das máquinas deles também não anima”, dispara. A indústria brasileira apresenta preços competitivos quando a concorrência vem dos países não asiáticos.

A versatilidade dos brasileiros também ajuda. Um exemplo se encontra na própria Rone. A empresa tem mais de

Plástico, Ronaldo Cerri, sócio-diretor da Rone, Periféricos para sopro - Vendas disparam e animam os fabricantes nacionais a fazer projeções otimistas
Para Cerri, projetos engavetados foram retomados após o Carnaval

duzentos modelos de moinhos. Mesmo assim é comum criar parceria com os clientes para desenvolver projetos com características diferenciadas. “Somos o único fabricante que para um mesmo porte de máquina oferece grande quantidade de tipos de facas ou ângulos de corte. Sempre procuramos a melhor maneira de melhorar o rendimento da operação de acordo com o tipo de peça”, afirma.

De acordo com o dirigente, a companhia tem outro diferencial. Ela conta com duas linhas desenvolvidas especialmente para a operação do sopro. Uma dessas famílias é a série S. As máquinas atendem a uma necessidade específica do setor, a moagem de peças volumosas, como garrafas de água mineral ou bombonas com até duzentos litros de volume. “O pessoal quer reprocessar esse material sem precisar usar serra para cortar as peças antes de alimentar os moinhos. Na nossa máquina eles podem colocar peças de grande porte diretamente”, diz. Uma vantagem extra: “O tamanho do equipamento é pequeno, os concorrentes com a mesma capacidade têm o dobro do tamanho.”

A outra série voltada para a indústria do sopro é a W, cuja característica principal é facilitar a automação. O equipamento fica ao lado da sopradora e mói rebarbas de plástico de pequeno porte, como gargalos e outras. “As rebarbas vão direto para o moinho e voltam para o funil sem problemas de contaminação ou umidade. O processo deixa a fábrica limpa”, explica.

Segmento lucrativo – O mercado do sopro é considerado muito importante para a Seibt, fabricante nacional de equipamentos com sede em Nova Petrópolis-RS. Para o segmento, o forte da empresa é o fornecimento de moinhos, além de máquinas para sistemas de reciclagem para PET, PE e PP e outros materiais plásticos. A empresa também produz equipamentos para injeção, extrusão e termoformados. “O sopro representa aproximadamente 27% do volume de negócios da empresa”, informa Gilson Müller, analista de exportação.

As turbulências da economia mundial, que no ano passado foram motivo de dificuldades para a indústria de base nacional, não afetaram os negócios da empresa. “Atingimos as projeções e expectativas de vendas, encerrando o ano com bons resultados”, afirma. Para 2012, a estimativa é otimista. “Apesar do início do ano lento, as expectativas são de crescimento e aumento na participação do mercado em nível nacional e internacional.”

Para o segmento do sopro, a Seibt oferece os moinhos das linhas LR e LRX, as duas para materiais com volumes até 20 litros. As duas séries são aplicadas em operações de recuperação em circuito fechado de aparas e sobras do processo. São oferecidas em vários tamanhos e rotores com facas rotativas inteiras, com opções de descarga e alimentação manual, automatizada ou robotizada. “Dentro da linha LR, acabamos de lançar o modelo MGHS 420, que se junta aos MGHS 200, 250 e 320”, informa. A empresa também fabrica os modelos MGHS 1000, 1200, 1000B e triturador de pastilhas, todos para peças de grande volume.

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