Periféricos: Novidades prometem aos usuários maior produtividade e menor consumo energético

Plástico Moderno, Periféricos: Novidades prometem aos usuários maior produtividade e menor consumo energético
Texto de Maria Aparecida de Sino Reto e Antonio Carlos Santomauro – Fotos divulgação

Com a indústria de transformação de plástico atravessando sérias dificuldades para competir com os seus concorrentes estrangeiros, tanto dentro como fora do país, seria uma boa estratégia investir em equipamentos periféricos, sinônimo de maior produtividade e redução de custos de matéria-prima, de energia elétrica e também de mão de obra. Mas, com a retração econômica, as rédeas andaram curtas e poucos fornecedores conseguiram obter crescimento significativo nos negócios, na primeira metade do ano.

Plástico Moderno, Santos aponta na alta precisão o ponto forte dos equipamentos
Santos aponta na alta precisão o ponto forte dos equipamentos

Renomada nacional e internacionalmente, a Piovan acusou bom desempenho em sistemas de dosagem e controladores de temperatura, tais como termocontroladores para moldes, que surpreenderam positivamente as vendas no primeiro semestre do ano. Mas, no geral, Ricardo Prado Santos, vice-presidente para a América do Sul, aguarda resultados entre um empate e crescimento de 5% em relação a 2012.

Sistemas de alimentação, desumidificação e refrigeração consistem nos principais equipamentos comercializados pela empresa, felicitada com a ampla aceitação das novidades introduzidas recentemente no mercado, como os termocontroladores desenhados com troca direta, da linha TMW. Como explica Prado, o equipamento foi projetado para atender às exigências das aplicações com altas vazões e elevadas pressões, além dos usos convencionais. Econômico, em termos de investimento, o equipamento é agraciado com uma alta precisão, de ± 0,4oC, e gera um mínimo de consumo de energia. O vice-presidente atribui a eficiência energética do termocontrolador ao motor e à bomba de alto rendimento, a ele incorporados.

Em dosagem, duas novidades cativaram o seu público-alvo. O pequeno dosador por rosca, com sistema gravimétrico por perda de peso, modelo Lybra G, confere ao seu usuário alta precisão e assegura economia de aditivos. Como explica Prado, o controle do consumo da matéria-prima do máster se efetua por células de carga e perda de peso.  “Permite trabalho bem próximo do limite inferior.”

Plástico Moderno, Termocontroladores da linha TMW operam com um mínimo de energia
Termocontroladores da linha TMW operam com um mínimo de energia

O outro é o novo dosador gravimétrico da série MDW, que chegou ao mercado como um modelo de capacidade intermediária, até 150 kg/h e seis componentes. Prado imputa ao equipamento alta precisão e custo mais atrativo, além de vários diferenciais. Segundo informa, todo o controle de nível do misturador é feito por célula de carga por perda de peso. Como maior vantagem, ele aponta o fato de dispensar regulagem e limpeza do sensor de nível. Ademais, toda a pesagem está montada sobre estrutura com amortecimento, sinônimo de estabilidade mesmo na presença de vibrações.  “O que garante alta precisão”, ressalta.

Outro lançamento fica por conta da família DPA de desumidificadores para resinas, por ar comprimido. Seu projeto, explica Prado, elimina diversos componentes, o que se traduz em uma operação com menor consumo energético. Também atraente em termos de investimento, o periférico está começando a ser montado em linha na Piovan e destina-se a aplicações de pequenas capacidades: desde 0,5 kg/h até 10 kg/h.

Além de agregar produtos novos, a Piovan aprimorou equipamentos, como a adoção do sistema multifunil de desumidificação, com layout mecânico e controles que promovem uma melhora no desempenho energético. Outra opção, denominada Módula, disponibiliza bomba de vazão variável:  “Consegue adequar as vazões de ar e consumo energético em cada funil”, pormenoriza Prado. No entender dele, trata-se de uma solução de altíssimo rendimento com tecnologia de última geração.

A fabricante também revisou duas linhas de chiller. O vice-presidente conta que aumentou o rendimento e a confiabilidade e diminuiu os custos da série de minichillers. A família CA, de equipamentos de grande porte, está na reta final da sua revisão, efetuada com o propósito de aprimorar os seus recursos e garantir melhor rendimento.

Com investimentos recentes dispensados à ampliação da fábrica, expandida em 1.500 m2 no primeiro semestre deste ano, para atender ao aumento da demanda de chillers de grande porte e drycoolers, a empresa agora aposta em melhorias internas e de processo.

Pé no freio – Diversas razões impactaram os negócios da Wittmann, outra renomada produtora internacional de periféricos, bastante conhecida por sua linha robótica. O diretor da filial brasileira, Reinaldo Carmo Milito, se dá por satisfeito se conseguir empatar os resultados deste ano com os do ano passado. Além das dificuldades impostas pela economia nacional, a empresa sofreu os reflexos negativos do desempenho aquém da indústria automotiva, à qual tem seus negócios fortemente atrelados, e, como empresa europeia, foi afetada com as oscilações do euro.  “Se empatarmos no desempenho, soltamos rojão”, brinca Milito.

Os atropelos não impediram a fabricante de ofertar novos desenvolvimentos ao mercado, como a geração de robô W8Pró, uma versão avançada da série W8, apresentada na maior feira mundial do plástico, a K, realizada de 16 a 23 de outubro, em Düsseldorf, na Alemanha. O diretor informa tratar-se de projeto com eletrônica mais apurada e com interface de programação mais amigável; além disso, o novo projeto visou também a um menor consumo energético e à maior produtividade, em consonância com a nova ordem global de sustentabilidade e competitividade. Entre outros recursos, esses manipuladores embutem uma nova ferramenta, chamada quicknew, que permite criar uma programação completa em apenas sete passos. Ainda são mais ágeis e simples para efeito de manutenção.

O lançamento de uma nova geração de desumidificadores, igualmente com enfoque principal na eficiência energética, chega ao mercado como reforço aos interessados em uma produção sustentável. Segundo explica Milito, o equipamento propicia uma melhor transferência na troca da umidade com o zeolite, sendo mais eficaz na secagem com o benefício da melhor eficiência energética.

A Wittmann fabrica uma ampla gama de periféricos para a indústria do plástico, mas os robôs são os seus carros-chefes. No país, os principais produtos comercializados são os sistemas robóticos e também os sistemas de alimentação.

Plástico Moderno, Moretto produzirá sistemas de desumidificação de até 60 kg/h
Moretto produzirá sistemas de desumidificação de até 60 kg/h

Em construção – Em julho deste ano começaram as obras, em Valinhos-SP, da futura fábrica da Moretto, presente no país desde 1997 com uma filial, que atualmente importa e comercializa diretamente os seus equipamentos, sem representantes locais.  “O início das operações da fábrica está previsto para o começo de 2015”, estima o seu diretor comercial, Alexandre Basolin Nalini, que prefere manter em sigilo os valores investidos, mas antecipa quais tipos de equipamentos serão produzidos: sistemas de alimentação, de desumidificação e dosagem gravimétrica.  “Alguns modelos de cada família.”

A empresa planeja fabricar alimentadores individuais trifásicos, considerados mais vantajosos em termos de confiabilidade e durabilidade.  “Exigem menos manutenção e possuem uma longa vida útil”, assevera Nalini, informando que a linha oferecerá capacidades desde 30 kg/h até 1.000 kg/h.

Quanto aos sistemas de desumidificação, a linha nacionalizada deve abranger desde 10 kg/h até 60 kg/h, trazendo para o mercado nacional uma tecnologia patenteada que, como ressalta o diretor, torna os equipamentos fisicamente menores, porém mais eficientes em termos de secagem e, portanto, menos demandantes de energia elétrica.

Os dosadores gravimétricos completam o portfólio, com duas famílias de produtos: uma até 60 kg/h e outra até 220 kg/h.  “São equipamentos que podem ser montados sobre as máquinas graças à alta tecnologia embarcada em sistema de antivibração”, comenta Nalini, que ainda ressalta o controle em painel touch screen, interativo com o operador.

Os desumidificadores e centrais de alimentação lideram os negócios da Moretto no mercado brasileiro, que conseguiu faturar por aqui 40% mais neste ano, enquanto suas vendas mundiais se elevaram 10%. “Esses produtos estarão disponíveis com produção local”, diz satisfeito por observar maior interesse do brasileiro em investir em automação.

Plástico Moderno, Desumidificador tem novo layout e ainda maior eficiência energética
Desumidificador tem novo layout e ainda maior eficiência energética

Bons auspícios – Com as suas vendas aquecidas, Daniel Ebel, diretor da Plast-Equip, marca com mais de 36 anos no mercado, está otimista com os resultados deste ano.  “O segundo semestre começou pessimista em razão da instabilidade política e econômica, porém já há sinais concretos de retomada”, avalia. Sua visão positiva se estende para os próximos anos, pois no seu entender o uso de periféricos tende a crescer em períodos de crise, por seus benefícios em redução de custos, de energia e por conta do aumento produtivo. Além desses fatores, ele aposta nas vantagens de ser uma empresa nacional: os preços em reais e o cadastro ativo nas linhas de financiamento do BNDES, entre as quais Finame e cartão BNDES.

Ebel ainda soma a seu favor a tecnologia própria, totalmente nacional.  “Ela é pensada para equipamentos desenhados para o mercado brasileiro, manuseados e mantidos por operadores brasileiros, em língua portuguesa e com componentes locais; e nossos técnicos têm larga experiência de campo e falam a linguagem dos operadores”, enfatiza.

A marca Plast-Equip abarca uma ampla gama de equipamentos: alimentação individual e central, dosagens volumétrica e gravimétrica, secagem individual e central, desumidificação individual e central, silos de armazenagem, carrinhos de abastecimento, suportes de big-bags, rasga-sacos e moinhos.

Para completar os atrativos, seu cardápio de produtos cresceu com novidades em desumidificadores e alimentadores. No primeiro caso, Ebel menciona o lançamento de uma linha de equipamentos totalmente redesenhada, com layout funcional e economia de energia. A outra se refere à nova geração de controle computadorizado, mais interativo, incorporado ao sistema de alimentação RaxNet.

O diretor também conta que desenvolveu em conjunto com a sua associada RXC uma linha de recipientes padronizados de armazenagem, abrangendo desde carrinhos de 100 litros até silos de 10 toneladas, contando ainda com rasga-sacos e manipuladores de big-bags. Os equipamentos estão disponíveis em aço inox, alumínio ou aço-carbono, com pintura a pó de alta resistência.

“Hoje o mercado procura por soluções de automação de alimentação de fábricas inteiras, ou células de produção, com transporte por vácuo central, que podem ter também sistemas de desumidificação e dosagem integrados. São centrais modulares, que garantem flexibilidade, economia e controle total das matérias-primas em processo”, ressalta Ebel.

O diretor destaca que os planos de investimentos iniciados há dois anos resultaram na inauguração de uma nova planta de componentes, com área de 2.000 m2, na utilização de softwares 3D de projeto e produção, e ainda na instalação de atendimento técnico nas principais regiões de produção nacional.  “Estamos sempre desenvolvendo novos produtos ou melhorando os equipamentos existentes, atendendo à demanda de nossos parceiros. Nós nos incluímos na vanguarda da tecnologia mundial.”

Plástico Moderno, Conjunto de facas de dois rotores desenvolvido pela Primotécnica
Conjunto de facas de dois rotores desenvolvido pela Primotécnica

Surpresa boa – As vendas em alta desde maio, com pico em agosto, empolgam a Primotécnica.  “Estamos surpresos, no bom sentido, que as empresas brasileiras estejam investindo em equipamentos em um ano de véspera de copa do mundo e de eleições”, comenta Dante Casarotti, diretor da empresa. Suas projeções são de que a demanda continue crescente ao menos até novembro, quando começa a queda normal relativa ao final de ano, e que só reverte depois do carnaval.

O que incomoda o diretor é a concorrência de equipamentos chineses na linha de moinhos de baixa rotação.  “Eles invadem o mercado com preços baixíssimos, mas não possuem a qualidade que o transformador de plástico espera, e a reposição de peças sobressalentes compromete”, desabafa Casarotti.

Especializada na fabricação de máquinas e equipamentos para reciclagem, a Primotécnica apresenta ao mercado os novos modelos de moinhos introduzidos em sua linha de equipamentos do tipo schreeders, para pneus. Lançada há seis anos, essa linha de trituradores deslanchou a ponto de alcançar o posto de carro-chefe da empresa.

Apostando na linha, a Primotécnica investiu no desenvolvimento de novos tamanhos e capacidades, como um moinho dotado de dois eixos com 20 facas intercaladas e contendo dois motores de 200 CV cada um, com capacidade para moer da ordem de 12 toneladas por hora; e outro com quatro eixos e 56 facas intercaladas. O diretor explica que os trituradores também podem ser utilizados para destroçar outros materiais, dentre os quais metal, fios e cabos elétricos e até sucata eletrônica.

Ainda entre as novidades, Casarotti menciona a linha PGSR de granuladores de  “espaguete”, dotada de rotor com 30 facas rotativas e capacitada a processar até 1.800 kg/h. Com design moderno e equipados com pistões de pressão constante sobre o rolo puxador, esses granuladores possuem abertura manual, para facilitar a limpeza.

Além de desenhar novos modelos, a fabricante brasileira dedicou seu tempo também às questões de segurança e adicionou, em acordo com a NR 12, aparatos destinados a tornar os equipamentos mais seguros e conferir maior proteção aos operadores durante o processo. A preocupação de Casarotti resultou na inserção de microssensores, capazes de acusar qualquer movimento de partes do moinho, e promover a interrupção imediata do processo. Além disso, o fabricante adicionou um botão de emergência com rearme, ao lado do funil de alimentação.

Plástico Moderno, Família de moinhos da linha PTR suporta até 300 kg/hora
Família de moinhos da linha PTR suporta até 300 kg/hora

Os moinhos de médio porte, destinados à reciclagem de peças injetadas, sopradas ou termoformadas de tamanho médio, são os mais demandados pelo mercado. Esses equipamentos, como informa Casarotti, dispõem de facas e contrafacas de aço indeformável, temperadas e retificadas, além de reguladas micrometricamente. Ademais, as dimensões do funil de alimentação permitem a moagem de qualquer peça defeituosa sem necessidade de corte prévio. Ele ainda considera relevante o fácil acesso à câmara de moagem para a troca de facas, peneira ou para limpeza. As máquinas podem ser fornecidas com transporte pneumático, para remoção do material moído; e ser adaptadas em câmaras acústicas, de fácil instalação e manutenção, que reduzem o nível de ruído.

O diretor considera de especial destaque a sua linha de moinhos PTR, específica para moagem de borras, borrachas e fios elétricos, motivo pelo qual foi projetada com bocal de alimentação de 400 mm. Dotados de motor de 20 HP, esses equipamentos suportam produção de até 300 kg/h.

Apropriada para a recuperação imediata de sobras de processo, portanto para uso junto às máquinas de moldagem do plástico, a série de moinhos de baixa rotação fabricada pela empresa cumpre seu papel com baixo consumo de energia e operação silenciosa. Casarotti explica que esses equipamentos são dotados de sistema de rotor com baixa velocidade e multifacas em corte angular, sinônimo de um corte sem atritos, isenção de pó e redução no nível de ruídos, em atendimento às normas de segurança. Também pesa a favor dessa linha o baixo consumo energético.

Outra série fabricada pela Primotécnica engloba moinhos de pequeno porte, destinados à reciclagem de rebarbas de injeção, sopro e também extrusão. Esses equipamentos, como destaca Casarotti, também possuem facas e contrafacas feitas de aço indeformável, temperadas e retificadas. O diretor atribui à disposição das facas, inclinadas como tesouras, vantagens de operação, com menos ruídos, geração de pó e maior eficiência energética, além de aumentar a durabilidade do corte. O usuário ainda pode remover e substituir rapidamente a peneira dos equipamentos, permitindo mudar a granulometria do material moído, bem como efetuar a limpeza da máquina.

O cardápio da Primotécnica ainda inclui linha especial de moinhos para borrachas, borras plásticas e cobres, capacitados a produções de até 1.800 kg/h. O diretor informa que o projeto diferenciado do rotor inserido nesses equipamentos impede o aquecimento do material em rotação.  “As lâminas inclinadas efetuam o corte em tesoura e as peneiras são facilmente intercambiáveis para a regulagem do material moído”, explica, adicionando que a peneira possui ampla superfície de saída e é acondicionada em um suporte de aço, além disso, é de fácil troca, dispensando a abertura do funil da máquina para tanto.

Plástico Moderno, Linha C, da Rone, agrega modelos de alta rotação com baixo nível de ruído
Linha C, da Rone, agrega modelos de alta rotação com baixo nível de ruído

Usuário protegido – Há alguns anos a Rone concentra seus esforços no quesito segurança nos projetos de seus equipamentos, e desde 2012 esse assunto tomou ainda maior vulto dentro da empresa.  “Nossa força de trabalho está focada na melhoria da segurança dos moinhos, a NR 12 está aí com tudo, e sem retorno”, comenta o diretor Ronaldo Cerri, ressaltando que o aprimoramento em recursos do gênero foi seguido também de melhoria na produtividade.

Só para mencionar um exemplo, a empresa criou para seus moinhos um exclusivo sistema de trava de rotor para uso durante a manutenção do equipamento, o que evita acidentes nas operações de limpeza e troca de lâminas.

Não à toa, Cerri reconhece que a maior demanda recai exatamente nos modelos que receberam os itens adicionais de segurança, em acordo com a normatização brasileira.  “Muitas empresas estão precisando efetuar a troca de seus moinhos por modelos mais modernos e adequados à NR 12, já que o custo para a adequação da maioria dos moinhos antigos não compensa este investimento”, justifica.

Além das ferramentas de proteção, os usuários dos moinhos da Rone usufruem do seu sistema patenteado de caixa de moagem bipartida e apenas uma lâmina fixa. Como consequência positiva desse diferencial, em relação ao sistema de facas múltiplas, Cerri menciona a maior produtividade, pelo fato de não ter perda de rotação, situação que pode provocar travamentos e retardos de produção. O sistema de fixação da peneira no moinho também é outro diferencial da Rone.  “É feita por encaixe, não precisa de nenhum parafuso, o que diminui muito o setup de limpeza, troca de cores etc.”, diz Cerri.

O cardápio da Rone conta com quatro linhas de equipamentos, todas com opcional de transporte pneumático, para automação do processo de moagem, seu transporte e armazenamento. A série W engloba moinhos de baixa rotação e baixos índices de pó e de nível de ruído. Sua indicação é para uso acoplado a sopradoras ou injetoras, no reprocessamento automático das rebarbas. Para moer peças pesadas, Cerri indica a linha C, que agrega modelos de alta rotação, porém com os mesmos níveis de ruídos dos modelos W, graças aos incrementos acústicos que os envolvem, mas com maior produtividade. Os moinhos tradicionais, para moagem de materiais de qualquer natureza, peso e tamanho, se encaixam na linha F, e estão disponíveis em uma ampla diversidade de tamanhos e modelos. A linha T engloba equipamentos especiais para tubos, perfis rígidos e semirrígidos, e qualquer tipo de peça de formato alongado, efetuando a moagem sem a necessidade de corte prévio das peças.

O diretor da Rone conseguiu fechar o balanço de janeiro a junho deste ano com um desempenho um pouco superior em relação ao mesmo período de 2012.  “O primeiro semestre se mostrou estável, com nível de negociações levemente acima do ano anterior, cerca de 8% a 10%.” Cerri comenta que a maior dificuldade do mercado é a pouca capacidade de investimento das empresas de recuperação de plástico, que continuam sofrendo com os altos impostos, custos de fretes etc. “O que diminui muito a sua lucratividade, e, consequentemente, a sua capacidade de investimento em equipamentos novos e mais produtivos.”

Plástico Moderno, Cavallieri vê crescimento no uso de periféricos para a extrusão
Cavallieri vê crescimento no uso de periféricos para a extrusão

Extrusão – Injeção e sopro continuam sendo os segmentos da indústria da transformação de plástico em que há mais demanda pelos chamados periféricos. Mas esse gênero de equipamentos ganha espaço crescente também na extrusão, à qual eles podem agregar características de produtividade, contribuir para a economia de matéria-prima e de insumos, e ajudar ainda a garantir a qualidade dos produtos provenientes desse processo (ou mesmo melhorá-la).

Essa expansão do uso dos periféricos na extrusão é percebida por profissionais como Walner Ricardo Cavallieri, diretor da BGM, empresa por enquanto dedicada apenas a periféricos para extrusoras: mais especificamente no segmento dos compostos e masterbatches. Segundo ele, também nesse segmento se manifesta atualmente o investimento – já consolidado no mercado da injeção – em tecnologia associada aos quesitos de produtividade. “Apesar de os mercados de compostos e de masterbatches estarem com margens muito apertadas, as baixas taxas de juros e o crédito fácil estão fazendo os empresários melhorarem seus processos mecânicos”, relata Cavallieri.

Ele conta que, para satisfazer ao atual anseio por operações de extrusão mais produtivas, a BGM já desenvolveu, entre outros itens, um sistema de refrigeração interna para o rotor de corte, concebido para acompanhar a evolução da capacidade de produção dos peletizadores. Com a aceleração do ritmo de produção dessas máquinas, explica Cavallieri, o atrito no processo de corte se tornou tão intenso que o aço do equipamento passou a dilatar-se, levando o rotor de corte a atingir a chamada ‘faca de espera’, e assim danificá-la. Com a adição do sistema de refrigeração desenvolvido pela BGM, é possível prolongar tanto a vida útil dessa faca quanto a do próprio rotor.

Plástico Moderno, Elementos de rosca da BGM servem para qualquer marca de extrusora
Elementos de rosca da BGM servem para qualquer marca de extrusora

Também as banheiras de resfriamento precisaram ser modificadas para conseguir acompanhar processos produtivos mais velozes. “Tivemos que colocar trocador de calor e bomba de água”, especifica Cavallieri. Segundo ele, cresceu também a procura por ensacadeiras dotadas de balanças automáticas, que eliminam a necessidade de um funcionário para cuidar da pesagem, e, ao mesmo tempo, evitam perdas decorrentes do possível acondicionamento de quantidades maiores de produtos nas embalagens. “Além disso, quando não está embalando, esse equipamento funciona como homogeneizador, regularizando as cores em todos os lotes”, ressalta o diretor da BGM.

No segmento de produção de filmes, chapas e perfis, os controles gravimétricos seguem compondo uma categoria de periféricos considerada com muita atenção. Também denominados sistemas de controle de peso por metro do produto final, esses equipamentos, ressalta Ricardo Prado, vice-presidente para a América do Sul da Piovan, têm “papel importantíssimo” na estabilidade dos processos de produção desses gêneros de artigos.

Segundo ele, o controle de peso por metro de filme pode propiciar uma economia de matéria-prima situada na faixa entre 3% e 4%, e simultaneamente ajuda a reduzir também o consumo de energia. “Isso é possível com os controles gravimétricos de peso por metro de alta precisão de nossas linhas Piovan TXP e MXP”, especifica Prado. Além de implementar o controle por metro – algo feito também pela linha TXP –, a segunda dessas linhas citadas realiza a pesagem individual de cada componente da mistura.

Plástico Moderno, Linha de extrusão da Rulli: periféricos embutidos aumentam a produtividade
Linha de extrusão da Rulli: periféricos embutidos aumentam a produtividade

Controladores em alta – Controladores gravimétricos são atualmente associados a quase todas as extrusoras entregues pela Rulli, revela Paulo Leal, diretor de vendas técnicas dessa empresa presente principalmente nos segmentos de extrusão tipo balão, e nas máquinas de produção de chapas. “Por não ter custo tão elevado, o sistema de controle do filme por gravimetria é aquele que mais utilizamos, e mais aconselhamos aos nossos clientes”, destaca Leal.

Mas, no portfólio da Rulli, segundo ele, existem também outras opções de periféricos, que são hoje percebidos como importantes ferramentas de produtividade. É o caso, por exemplo, de um mecanismo de resfriamento por sistema de IBC, com o qual é implementado um sistema de troca térmica no interior do balão de filmes gerado pelas extrusoras dedicadas a esse gênero de produtos.

Esse equipamento, afirma Leal, além de melhorar a qualidade do filme, também aumenta em aproximadamente 10% a produtividade da extrusora. “Nos processos de extrusão de blow film, principalmente naqueles que produzem filmes técnicos pelo método de coextrusão, esse é um artifício importante para se obter mais qualidade, transparência e aumento de produtividade”, ele detalha. “Muitas vezes não se consegue tirar todo o proveito das extrusoras justamente por causa da instabilidade do balão, decorrente de sua temperatura elevada.”

A oferta de periféricos da Rulli inclui ainda itens como o sistema fast gap, com o qual é possível ajustar o lábio de saída da máquina para a obtenção de novos parâmetros de espessura sem a necessidade de interrupção da linha de produção. Essa tecnologia, diz Leal, é aplicável principalmente em casos mais específicos, como máquinas que exigem set ups constantes.

E, mesmo ressaltando que sua empresa não atua nesse segmento, Antonio Alves, sócio-diretor da BY Engenharia – representante de marcas internacionais de periféricos –, também coloca os sistemas de controle de espessura entre aqueles atualmente mais demandados pelo mercado de extrusão. “Outro segmento com resultados melhores de negócios no decorrer deste ano está sendo a compostagem de PVC, beneficiada pelo aumento na demanda por materiais para construção”, ele acrescenta.

Para esse segmento da compostagem, a BY disponibiliza, entre outros itens, sistema de granulação da Gala, e equipamentos de acabamento da italiana Sica. “Essas duas marcas apresentaram novidades na última edição da Feira K, e logo elas chegarão aqui”, conta Alves, referindo-se ao principal evento internacional da indústria de plásticos, cuja última edição ocorre neste mês de outubro, na Alemanha. Alves cita, entre os equipamentos mais recentemente integrados ao portfólio da BY Engenharia, os sistemas frontais para extrusão da Sica, e os misturadores da também italiana Plasmec, muito aplicados em compostagem.

Novidades e projetos – Além dos dosadores e controladores gravimétricos, também os chamados dry coolers estão hoje incluídos no rol dos periféricos para extrusão mais comercializados pela Piovan. Esses periféricos, explica Prado, trabalham com refrigeração de água em circuitos fechados, e podem substituir, com vantagens, as torres de refrigeração utilizadas em muitas aplicações. “Dry coolers reduzem o consumo de água, e começam agora a ser mais usados”, ele destaca.

A Piovan, como informa Prado, este ano começou a oferecer a linha de sistemas gravimétricos por perda de peso da alemã FD, e os sistemas de transporte e dosagem de pós dessa mesma marca. Agora, está lançando novos dosadores gravimétricos (alguns deles apresentados na Feira K). Esses lançamentos atendem algumas faixas de aplicação nas quais a empresa não atuava, e incorporam algumas evoluções: por exemplo, um controle de filtragem de vibrações mais eficiente. “Um deles serve para dosar carbonato de cálcio em pó, que é utilizado quando se trabalha com compostos de PVC, e geralmente é de difícil fluidez”, ele especifica.

Já a BGM, conta Cavallieri, este ano já lançou uma ensacadeira para micronizados, e um peletizador com capacidade de até 1.500 kg por hora, de náilon com fibra, com o rotor de corte refrigerado a água. Segundo Cavallieri, “esses equipamentos abrem novos mercados”. A BGM, ele conta, está cada vez mais se especializando em dupla rosca, e logo lançará sua própria extrusora: “Já estamos começando a montar alguns equipamentos, mas a atuação mais estruturada nesse mercado virá no próximo ano.”

Além de apostar em sua própria extrusora, a BGM também investe no fortalecimento de seu serviço de manutenção, hoje responsável por cerca de 40% da receita da empresa, e que em épocas de demanda pouco aquecida pode constituir um diferencial altamente relevante. Entre os serviços oferecidos nessa área, Cavallieri destaca a produção de elementos de rosca – também conhecidos como seguimentos –, que precisam de trocas periódicas. “Hoje conseguimos fazer seguimentos para qualquer marca de extrusora, nacional ou importada”, ele afirma.

E, tanto nas atividades de manutenção quanto na fabricação de equipamentos, realça Cavallieri, hoje é necessário considerar linhas cuja capacidade de produção se expande de forma acelerada e acentuada, e nas quais a exigência dos equipamentos é levada a extremos. “Quem há quatro ou cinco anos trabalhava processando 150 ou 200 kg de material por hora, hoje processa 600 ou 700 kg nesse mesmo intervalo de tempo”, exemplifica Cavallieri. “Há hoje quem trabalhe com 5 mil kg de material por hora, e foi preciso desenvolver itens como ensacadeiras e banheiras especificamente para essas máquinas.”

Opcional ou obrigatório? – Embora sua denominação possa sugerir algo menos importante – e eles sejam muitas vezes qualificados como itens opcionais nos processos –, periféricos parecem ser equipamentos praticamente indispensáveis na atual realidade mercadológica da atividade de extrusão. “Eles hoje constituem uma necessidade, e são importantes para aumentar – ou ao menos manter – a competitividade de um transformador”, observa Prado, da Piovan. “A partir de um porte médio, praticamente nenhuma empresa deixa atualmente de usar periféricos.”

De acordo com Prado, até mesmo por ter havido nos últimos meses um acentuado movimento de entrega de equipamentos para extrusão, houve simultaneamente um incremento na demanda por periféricos. “Temos boa expectativa de fechar o ano com ligeiro aumento em nossa área de periféricos para extrusão”, ele projeta.

Cavallieri, da BGM, fala em “ano positivo” para sua empresa. “Temos muitos clientes multinacionais – e muitos nacionais hoje com investimentos em novos produtos –, então há demanda por equipamentos novos, e muitas vezes especiais. Nós conseguimos ter flexibilidade, adequando nossas máquinas de linha a esses novos projetos”, ele justifica.

Atualmente, diz Cavallieri, em relação àquela existente há cerca de dois anos, parece menos intensa a concorrência, nesse mercado, de produtos oriundos da China. “Clientes nossos que compraram esses produtos estão abortando essa prática, pois tiveram muitos problemas técnicos, e muitas vezes o prejuízo pela paralisação da linha não compensou o baixo custo inicial”, ele relata.

Para Alves, da BY Engenharia, “a concorrência chinesa hoje se concentra especialmente nas próprias extrusoras, e menos nos periféricos, que exigem mais tecnologia”. Segundo ele, em termos de geração de negócios, 2013 está sendo um ano bastante instável, com alguns meses bons e outros ruins. “Acho que no total do ano teremos um desempenho inferior ao de 2012”, ele prevê. “E 2014 será um ano atípico, com eventos como a copa do mundo e as eleições. Ninguém sabe exatamente o que poderá acontecer nesse período”, observa Alves.

Qualidade local – Embora cresça a demanda por periféricos para extrusão, os transformadores inseridos nesse mercado ainda não escolhem os equipamentos mais adequados para suas máquinas e seus processos, pondera Prado, da Piovan. “Talvez por informação insuficiente, alguns transformadores ainda tendem a escolher periféricos pelo preço, ou consideram tais equipamentos ‘opcionais’, e assim perdem competitividade por desconhecer as diferenças de performance e retorno sobre o investimento”, ele argumenta.

Os próprios fabricantes de extrusoras, recomenda Prado, deveriam avaliar com mais atenção as opções existentes no mercado de periféricos, pois, escolhidos de maneira criteriosa, tais equipamentos podem incrementar acentuadamente o rendimento de um processo. “Assim, teriam mais possibilidades de vender suas máquinas, e de manter seus clientes satisfeitos”, ele diz.

E o vice-presidente da Piovan discorda de quem considera a oferta nacional de periféricos para extrusão ainda insatisfatória e composta por produtos geralmente de baixa qualidade. “O mercado brasileiro oferece diversas opções, desde equipamentos básicos até sistemas sofisticados de alto rendimento: a Piovan, por exemplo, fabrica localmente equipamentos ‘estado da arte’, pares com a mais atual tecnologia europeia”, ele afirma.

Alguns gêneros de periféricos, ressalta Prado, ainda geram pouca demanda no Brasil, e assim não justificam a produção local. Nesses casos, a própria Piovan oferece equipamentos importados, provenientes de outras empresas integrantes do mesmo grupo do qual ela própria faz parte: por exemplo, a alemã FDM – especializada em controle gravimétrico por perda de peso e em sistemas de dosagem de pós – e a norte-americana Una Dyn, focada em extrusão de chapas.

Mas Leal, da Rulli, crê ainda existir no Brasil alguma defasagem tecnológica, percebida por quem visita feiras internacionais do setor. Há, ele observa, uma evolução gradativa da indústria nacional, e as novidades lançadas no exterior chegam aqui rapidamente. Porém, hoje, “ainda estamos aquém dos equipamentos europeus e americanos”, compara Leal.

Ele conta que sua empresa lançou este ano uma extrusora de balão que, com a utilização de um novo anel, teve sua capacidade de produção aumentada de 500 kg para 700 kg por hora. “Esse anel é, porém, importado”, ressalta o diretor da Rulli.

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