Periféricos – Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007

Plástico Moderno, Periféricos - Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007

Plástico Moderno, Daniel Ebel, diretor da Rax, Periféricos - Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007
Ebel: convertedor aprendeu a usar o financiamento

O ano de 2006 não deixou boas recordações para os fabricantes de periféricos, pois muitos investimentos não saíram do papel. Mas o desempenho do primeiro trimestre de 2007 deu um novo fôlego ao setor, agora animado com previsões positivas. Os fabricantes foram unânimes ao estimar crescimento a taxas superiores a 10%. As projeções não são à toa. Os equipamentos auxiliares ganharam mercado ao prometer e, sobretudo, cumprir produções controladas ao menor custo, aumento da qualidade da peça fabricada e ainda eliminação do refugo. Sim, a possibilidade de otimização dos processos, com produções limpas, sem necessariamente pagar muito mais por isso, tem funcionado como um grande apelo mercadológico e já é consenso entre os profissionais da transformação do plástico. “Ninguém discute a necessidade do periférico, como antes”, aponta o diretor da Rax, Daniel Ebel.

A boa-nova é que o periférico perdeu o estigma de peça cara ou supérflua e ampliou sua penetração no parque industrial brasileiro. O fabricante diversificou suas linhas e disponibilizou ao convertedor, de pequeno a grande porte, acessórios para automatizar todos os tipos de processos. Dessa forma, o comprador de periféricos mudou de perfil e não se restringe mais à categoria premium.

Plástico Moderno, Ricardo Prado Santos, vice-presidente da Piovan do Brasil, Periféricos - Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007
Santos: negócios estão aquecidos antes da feira

O BNDES/Finame também tem sua cota de contribuição no bom momento do setor. “O pessoal aprendeu a usar esse recurso”, observa Ebel.

Apesar de não projetar o tamanho desse avanço, em relação à edição anterior da Brasilplast, ele aposta em incremento significativo dos financiamentos.

Segundo estimativa, cerca de 20% do faturamento do setor de periféricos se dá em virtude dos financiamentos.  “Está tudo andando, mesmo antes da Brasilplast”, anuncia o vice-presidente da Piovan do Brasil, Ricardo Prado Santos.

Esse cenário prova que feiras desse porte atraem um grande número de visitantes (leia-se: compradores em potencial), mas, em época de mundo globalizado, em que as informações ultrapassam qualquer tipo de barreira, poucos convertedores parecem aguardar o evento para decidir a compra.

Essa postura se reflete no crescente número de consultas registrado desde o início do ano. Do outro lado, o pensamento é similar.

Plástico Moderno, Ronaldo Cerri, diretor da Rone, Periféricos - Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007
Cerri: aumentou preocupação com a segurança do periférico

Também são raros os fabricantes que poupam os lançamentos para o evento. “O que acontece é um destaque maior para as principais novidades”, diz Santos. Ao longo das dez edições anteriores, é bem verdade, a feira se aprimorou. Na avaliação de especialistas do ramo, a Brasilplast incorporou um conceito técnico, atraindo sobretudo visitantes profissionais. Porém, mesmo assim, os negócios concretizados no evento não têm a importância que um dia tiveram, quando as exposições representavam uma das únicas alternativas de divulgação. “Não é mais aquela festa do passado”, comenta o diretor da Rone, Ronaldo Cerri.

Esse amadurecimento do mercado de periféricos se deve a alguns segmentos. O ramo de água gelada é um deles. Projeções do diretor-comercial da Corema Sul América, Marcelo Zimmaro, dão conta de que a cada dez transformadores, pelo menos sete utilizam água à temperatura controlada.

Os equipamentos melhoraram seu desempenho e engordam os faturamentos dos fabricantes ano a ano. As unidades de água gelada representaram um dos maiores crescimentos percentuais em vendas de 2006 da Piovan do Brasil. Em evidência na feira, o sistema foi aperfeiçoado e passou a contar com versões maiores de até 90 mil kcal/h. Outro incremento responde pela redução do consumo de energia. Haverá mais novidades no segmento. O principal produto da Mecalor, de São Paulo, por exemplo, será a unidade de água gelada. A empresa apresentará uma nova linha, com modelos de tamanho reduzido, de mil, 3 mil e 5 mil kcal/h, e incrementos na série de equipamentos de grande porte.

Outra aposta de alguns fabricantes são os equipamentos econômicos. Por isso, acessórios compactos, como uma linha de secador/desumidificador de fabricação própria, serão os destaques da Automaq, de Diadema-SP, na Brasilplast. “Procuramos um custo competitivo, simplificando ao máximo o projeto”, comenta um dos sócios da empresa, Caio Prado. Com a mesma proposta de economia, a empresa irá apresentar um controlador de temperatura de sua representada Sterling. “É um desenvolvimento que reduziu em cerca de 20% os componentes mecânicos e eletrônicos”, exemplifica Prado.

Mais novidades – Talvez seja ousado pronunciar a reciclagem como o mote central da participação dos periféricos nessa Brasilplast. No entanto, cada vez mais profissional, essa atividade tem exigido lançamentos dos fabricantes de equipamentos. As linhas para reciclagem do polietileno tereftalato (PET) estão em alta e não é de hoje. Há algum tempo, os sistemas de cristalização Pet-Flake representam um dos equipamentos mais vendidos de alguns fabricantes, como é o caso da Ineal Automação Industrial, de Santo André-SP. Na tentativa de maximizar os lucros, há muito interesse nesse tipo de produto. Para o vice-presidente da Piovan do Brasil, no entanto, o transformador tem de prestar atenção na qualidade do equipamento. O sistema deve garantir a perda mínima da viscosidade intrínseca no processo de cristalização e secagem. Para tanto, a entrada do material na máquina precisa ser homogênea e a fluidez do processo, constante, sem gerar pó (caso haja a produção de pó, o equipamento deve eliminá-lo).

Em evidência, as linhas para reciclagem de termoplásticos também poderão ser vistas no estande da Automaq, que irá apresentar equipamentos de sua representada Zerma, como moinhos e trituradores. De acordo com o fabricante, os acessórios mais solicitados, no momento, são os de alto torque e baixa rotação. “A reciclagem é uma necessidade por causa de custo e pela questão ecológica”, afirma Santos, da Piovan. Para ele, os equipamentos voltados para esse ramo sempre terão destaque.

Os moinhos para recuperação de PET já viveram seus momentos de glória. De acordo com Cerri, no entanto, há cerca de dois anos, as vendas desse tipo de equipamento estão estabilizadas. Hoje, o foco da Rone é a reciclagem pré-consumo, com destaque para a linha C. Assim como ocorreu com as injetoras, no passado, a fabricação de moinhos passou a ser regida pelas normas de segurança da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mesmo sem ter sido inserida na convenção coletiva, a Rone, de Osasco-SP, se adiantou e utilizou as novas regras como referência no seu projeto da linha C. “As empresas pensam muito na segurança atualmente”, explica Cerri. A novidade nos equipamentos ficou por conta das melhorias no material de absorção acústico da peça, o que permitiu redução do nível dos ruídos em 5%, em relação aos modelos apresentados na edição anterior da Brasilplast. Esse lançamento traduz uma tendência do setor: o aumento da demanda de equipamentos silenciosos, capazes de gerar níveis de ruídos de até 80 decibéis, como determina a ABNT. O mercado também tem acompanhado a maior procura por moinhos de baixa rotação. “Essa é uma linha que vendemos bastante”, anuncia Cerri.

O alto grau de exigência dos convertedores também abriu caminho para os equipamentos periféricos de ponta. Por isso, esse avanço do setor se reflete ainda no segmento de manipuladores. Segundo estimativa do diretor-geral da austríaca Wittmann, Reinaldo Milito, nos últimos dez anos, a empresa quase triplicou a fabricação dos robôs. Um dos fatores responsáveis por esse avanço é o acesso facilitado do transformador a esse tipo de recurso. Nesse mesmo período, o preço desses equipamentos foi reduzido quase à metade.

Prova desse cenário favorável aos robôs será vista no próprio estande da Wittmann. Serão diversos os lançamentos, mas o destaque ficará por conta dos implementos realizados no robô W 721 CS3. Indicado para injetoras de até 400 toneladas de força de fechamento, o modelo custa 20% menos, se comparado às versões anteriores de robôs. A Dal Maschio – DM Robótica do Brasil, de Diadema-SP, também fez questão de apresentar novidades, como a nova série PL, uma linha que possui como uma de suas principais características a flexibilidade de montagem mecânica.

Plástico Moderno, Periféricos - Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007
Dosador MXP será destaque para linhas de extrusoras

Extrusão – Abastecido com novos desenvolvimentos de produtos e estratégias específicas por parte das empresas, o mercado de extrusão tem contribuído cada vez mais com as vendas dos fabricantes dos equipamentos auxiliares. A Piovan do Brasil é um exemplo dessa tendência, pois no ano passado decidiu intensificar sua atuação nesse ramo e transformou a extrusão em um negócio da companhia, com a contratação de profissionais específicos para essa área. Entre os lançamentos da marca, está o dosador MXP, um novo sistema para linhas de extrusão, projetado para garantir segurança no processo de mistura e dosagem gravimétrica. Hoje, a participação da extrusão no faturamento da companhia é de 20%.

Projetos que contemplam o segmento não faltam. Alguns deles serão apresentados na Brasilplast, como é o caso do sistema de dosagem (gravimétrico e volumétrico) com controle de espessura do filme da Rax. Essa novidade resulta de parceria do fabricante nacional com a empresa italiana Doteco.

Outro lançamento vem da filial sul-americana da também italiana Corema, que destacará o Modulair, um sistema de refrigeração para os processos de extrusão de filme do tipo balão.

O equipamento tem a finalidade de controlar a temperatura do ar que vai para o filme, de forma direta. Em geral, se utiliza água gelada com o trocador de calor. Segundo Zimmaro, o usuário atinge produtividade até 20% maior em relação a outros similares e consegue elevar a qualidade do filme, com mais brilho, transparência e uniformidade.

Ainda no ramo das extrusoras, outra tendência tem despontado com força no País: é cada vez mais freqüente a venda direta de periféricos ao fabricante da máquina. A fim de potencializar o desempenho, as linhas de extrusoras já saem da fábrica com alto nível de automação. De acordo com Santos, essa postura não constitui uma novidade, sobretudo no cenário internacional, no qual são encomendados modelos dotados de um pacote mínimo de equipamentos auxiliares, tanto aos produtores de extrusoras como de injetoras.

No Brasil, no entanto, esse tipo de venda é pouco usual a processos de injeção e se restringe a aplicações técnicas, como a extrusão para filmes. Santos tem uma explicação para o fenômeno. Para ele, na extrusão, o periférico adquire uma função mais importante do que na injeção, pois é parte integrante de toda a operação.

Importação – O aumento da demanda de equipamentos de alta tecnologia auxilia empresas como a By Engenharia, que atua no ramo da representação, distribuição e instalação de periféricos para extrusão e injeção, a se sustentar no mercado brasileiro. Porém, seu crescimento esbarra nos tributos de importação. “Muitos acabam preferindo equipamentos de fabricação local ou mesmo de origem asiática, com preços em alguns casos até quatro vezes mais baratos”, afirma Marco Antonio Gianesi, da By Engenharia. A Automaq também se sente penalizada com os impostos. Mesmo com o respaldo da tradição de suas representadas – a Sterling, por exemplo, tem oitenta anos no mercado –, as vendas não decolaram, o que obrigou a empresa a investir em linhas próprias.

Plástico Moderno, Caio Prado, Periféricos - Credibilidade do setor favorece as vendas dos fabricantes, agora mais otimistas na elevação do faturamento de 2007
Prado: encargos comprometem as vendas do importado

Os planos iniciais da Automaq eram: facilitar a instalação de fábricas das suas representadas no País e, com o tempo, se tornar responsável pelas vendas desses equipamentos no Brasil. Mas o produto importado não conseguiu ser competitivo e, em 2001, a Automaq decidiu abrir fábrica em Diadema-SP, onde a maior parte da produção é terceirizada. “Fazemos o projeto, a montagem, a venda e a assistência técnica”, comenta Prado. De acordo com os cálculos desse fabricante, os custos de importação elevam o preço do equipamento em 40%. Gianesi vai além, segundo sua estimativa, se não fossem os encargos, as vendas de periféricos importados seriam 30% superiores às atuais.

Por conta desse cenário, para serem mais competitivas, as empresas estrangeiras com fabricação local têm como um dos focos de sua atuação no País a nacionalização de seus produtos. Um exemplo fica por conta da Piovan do Brasil. Até 2000, ano da inauguração da fábrica em Osasco, os equipamentos eram todos importados e vendidos sob licença, pela Pugliese. Hoje a empresa ampliou sua estrutura e se esmera para garantir e expandir a nacionalização de seus produtos. O mesmo ocorre com a Rax. Fundada como Plast-Equip, em 1977, a empresa representa equipamentos estrangeiros para segmentos diversos, mas cerca de 80% de seu faturamento advém da produção nacional. Entre os lançamentos reservados para a feira, figuram novos desumidificadores para resinas de engenharia e dosador volumétrico para até quatro componentes.

No entanto, um dos principais destaques serão os moinhos da sueca Rapid, em virtude do seu alto índice de nacionalização. “O sucesso da linha dependia da sua fabricação local”, diz Ebel.

As dificuldades não se limitam às importações. Assim como em outros setores, a desvalorização do dólar não tem favorecido a penetração do equipamento nacional no exterior. Em 2006, as vendas ao mercado internacional corresponderam a 3% do faturamento do tradicional fabricante de moinhos Rone. Para se ter uma idéia da baixa sofrida pela valorização da moeda nacional, em média, esse índice é de cerca de 15%.
Mas, no caso dos fabricantes de periféricos, existe um mercado cativo: o sul-americano. “A região é tradicionalmente compradora do equipamento brasileiro e isso independe do câmbio”, atesta Ebel. A proximidade dos países conta a favor. A concorrência estrangeira tem o câmbio como vantagem, mas perde no quesito pós-venda. Dois dos pilares desse mercado, o treinamento e a assistência técnica, são prejudicados se o equipamento for importado. Por isso, Ebel ousa dizer que o europeu, por exemplo, só é considerado concorrente se tiver filial no Brasil.

O mercado doméstico, por sua vez, está aquecido. À exceção dos prestadores de serviço (empresas que injetam para terceiros, por exemplo), os transformadores têm investido cada vez mais e garantido os saldos positivos do mercado de periféricos, conforme observa Alexandre Nalini, da área comercial da Rax. O segmento de embalagens, sobretudo para os produtos de limpeza, higiene pessoal e cosméticos, é um dos mais significativos. Na opinião de Nalini, a indústria cosmética é um dos setores que mais têm sustentado expectativas otimistas. Muitos frascos e tampas injetados substituem, cada vez mais, o vidro. “Um dos destaques da nossa marca é um dosador volumétrico para tampas coloridas, ou seja, um produto de luxo”, acrescenta Nalini.

O crescimento das vendas só esbarra na importação do produto acabado. Brinquedos e eletroeletrônicos são duas aplicações que têm sido prejudicadas pela concorrência dos importados. Ebel cita um exemplo: um transformador de Manaus, do ramo de eletroeletrônicos de baixo custo, depois de apenas seis meses da compra de um grupo de injetoras, decidiu substituir a fabricação pela venda do produto acabado. Segundo Ebel, esse fato embute um problema maior. Ele antevê o que chama de “desindustrialização”. Na sua avaliação, em um futuro próximo, se o transformador vai comprar do fabricante brasileiro ou estrangeiro deixará de ser prioridade, pois a questão principal será saber se haverá produção local ou não.

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