Plástico

PAN Termoplástica – Poliacrilonitrila – Um novo material de grande potencial tecnológico obtido com glicerina de biodiesel

Plastico Moderno
22 de fevereiro de 2009
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    Na produção da Thermpan, no entanto, não é necessária glicerina de alta pureza, em geral, destilada. A Quimlab desenvolveu um processo de purificação com a finalidade de usar a glicerina bruta de biodiesel para a produção de fibras acrílicas. O processo permite a obtenção de um produto com teor de pureza de 97% e apto à excelente plastificação com PAN, dispensando a etapa de destilação. Amostras de glicerina bruta em estado pastoso produzida pela usina de biodiesel Bioverde, de Taubaté-SP, foram purificadas por este método e usadas com sucesso na produção de fibras acrílicas de Thermpan, que apresentaram as mesmas características daquelas obtidas com glicerina 100% e bidestilada. Com base nesses fatos, podemos prever um potencial mercado para a utilização do excedente de glicerina produzida na cadeia de biodiesel: a produção de fibras acrílicas com base em Thermpan. Podemos destacar que, além de ser empregada como plastificante da PAN na produção da Thermpan, a própria poliacrilonitrila pode ser obtida da glicerina, resultando em um polímero totalmente “verde”, cuja fonte seria a biomassa.

    Há mais de cem anos se sabe que a desidratação da glicerina com bissulfato de potássio origina a acroleína, que reage com a amônia gerando acrilonitrila, o monômero da PAN. Atualmente, 90% da produção mundial de acrilonitrila é obtida pela amoxidação catalítica do propileno (obtido do craqueamento do petróleo) pelo processo desenvolvido pela Standard Oil of Ohio, e por isso batizado de Sohio. Alguns pesquisadores estão desenvolvendo processos e catalisadores baseados em óxidos de vanádio, nióbio e alumínio que permitem a conversão direta da glicerina em acrilonitrila, com as etapas de desidratação e amoxidação ocorrendo no próprio leito do catalisador (ver quadro).

    Plástico Moderno, PAN Termoplástica - Poliacrilonitrila - Um novo material de grande potencial tecnológico obtido com glicerina de biodiesel

     

    O preço da acrilonitrila de glicerina poderá ser competitivo com o daquela obtida de propileno enquanto a produção de biodiesel estiver em alta e outras aplicações não surgirem. De qualquer forma, aí está uma nova alternativa para a produção de acrilonitrila que, além de ter seu preço atrelado ao petróleo, hoje, também sofre grande concorrência com a crescente produção de polipropileno, derivado da mesma matéria-prima, o propileno.

    Perspectivas – O aproveitamento da glicerina de biodiesel como plastificante barato e de baixa toxicidade para a produção da Thermpan abre mercados potenciais para a utilização da poliacrilonitrila. Entre eles, podemos citar os já existentes, como a produção de fibras acrílicas têxteis, substituindo a DMF nos complexos processos de fiação seca e úmida, e também novos mercados, ainda inexistentes, como a extrusão e a injeção de corpos rígidos e a produção de fibra de carbono e de fibra PANOX de baixo custo.

    Desde a descoberta do PVC até a sua introdução ao mercado, se passaram dezenas de anos de estudos e pesquisas, gastos no conhecimento de suas propriedades, no desenvolvimento de plastificantes, como os ésteres do ácido ftálico, e de processos de conformação termoplástica que considerassem a sua instabilidade térmica.

    A tecnologia da PAN termoplástica não será diferente. Acreditamos que o aproveitamento do atual conhecimento dos processos empregados na indústria de PVC poderá reduzir este tempo e esperamos ter um novo material disponível para o mercado em breve, produzido, se não totalmente, ao menos em parte com recursos renováveis e oriundos da cadeia de produção do biodiesel.

    Os Autores

    Plástico Moderno, PAN Termoplástica - Poliacrilonitrila - Um novo material de grande potencial tecnológico obtido com glicerina de biodiesel

    Nilton Pereira Alves, Carlos Alberto Brito e Elson Garcia (da esquerda para a direita), responsáveis pelo presente artigo técnico, são colaboradores da Quimlab Química, de Jacareí-SP, empresa especialista na realização de medições químicas. Alves, químico e mestre em Química Orgânica pela Universidade de São Paulo (USP), é o pesquisador responsável pelo laboratório de tecnologia da poliacrilonitrila da Quimlab, com experiência de dez anos em processos de polimerização e fiação da PAN. Brito, engenheiro mecânico, mestre e doutorando pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos, desenvolve equipamentos e processos de conformação termoplástica da PAN na Quimlab. Com experiências de trabalho na Rhodia, Celbrás e Radicifibras, como engenheiro de processo na produção de fibras acrílicas, Garcia é engenheiro químico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador da Quimlab Química e possui experiência de 27 anos no trato com a PAN.



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    Um Comentário


    1. Matheus koboldt

      Muito bom, obrigado.



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