Operação segura e controle de ruídos devem seguir as normas

Um dos maiores desafios dos fabricantes de moinhos é a segurança. Para Graziela Dalsochio, gerente de vendas da Mecanofar, os transformadores de material precisam entender que o moinho é uma máquina que necessita de segurança e que demanda investimento em equipamentos adequados e no treinamento dos operadores. “Quando comparamos o que se gasta em máquinas com as ações trabalhistas e todos os problemas que um acidente de trabalho pode causar, o custo das primeiras é muito baixo”, lembra. Para José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Plástica (Abiplast), a normatização a respeito já existe e deve ser seguida. Ele enfatiza a reformulação da Norma Regulamentadora NR 12, que trata da segurança no trabalho de máquinas e equipamentos e que foi baseada em normas internacionais. “Essa normatização criou níveis de segurança bem superiores aos aplicados até então no país”, argumenta. “Os moinhos devem ser adaptados para que os requisitos de segurança atendam a essa nova norma.”

Plástico, José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Plástica (Abiplast), Operação segura e controle de ruídos devem seguir as normas
José Ricardo Roriz Coelho: NR 12 elevou os níveis de segurança para trabalhadores

De acordo com ele, no estado de São Paulo, a preocupação com o assunto antecedeu a edição da NR 12. Desde 1992, uma comissão tripartite, formada pelo Sindiplast, entidades representantes dos trabalhadores e o Ministério do Trabalho, já se reunia para avaliar a segurança na operação de máquinas para transformação do material plástico. “Os moinhos contam com convenções coletivas de segurança criadas em 2009”, explica. Esse tipo de convenção é baseado no conceito do “tripé da segurança”, formado por proteções físicas, informação e treinamento, resultando na redução dos acidentes envolvendo os trabalhadores em moinhos.

Entre as ações indicadas pela comissão para segurança de operação de moinhos estão o levantamento das áreas de risco e dos perigos relacionados às maquinas e à sua operação. Coelho lembra que cada perigo potencial é tratado pontualmente, até mesmo com indicações das proteções e ações necessárias para extinguir ou minimizá-lo. É o caso de comandos e sensores que impedem a partida inesperada da máquina, botões de parada de emergência ou ainda medidas que impedem a ejeção de peças da máquina ou do material processado. Outros recursos envolvem a utilização de sensores quando são adotados alimentadores automáticos para o processamento de fios, filmes e fibras. Com esse tipo de ação, a parada emergencial do moinho pode ser feita, para se evitar possíveis acidentes. As proteções que impedem o acesso de membros superiores na câmara de moagem completam a lista, assim como as instruções adequadas para limpeza e manutenção.

Arnaldo Ferreira Pinto Nunes, gerente de aplicação da Plast-Equip, avalia que a indústria brasileira pode evoluir mais em termos de segurança e acredita que uma normatização ainda mais específica faça efeito. “No caso da Rapid, usamos sistemas de segurança que são adotados na Europa”, explica. De acordo com ele, em todos os dispositivos há uma proteção da casa de corte, com um sensor interligado ao controle da rotação do motor. Um indicador de LED verde completa os mecanismos de sinalização. Já a abertura do funil do moinho é feita de forma automática, o processo de controle tem que ser realizado obrigatoriamente pelas duas mãos do operador, evitando que ele as prenda na máquina. “No Brasil, alguns mecanismos só são agregados se o cliente solicitar. Nos equipamentos produzidos na China, geralmente não há a presença deles.”

Marcel Brito, gerente de vendas da Ineal, lembra que a empresa adota a NR 12 como padrão, que estabelece que os moinhos não podem oferecer risco ao operador. Com isso, as distâncias de alcance à faca do equipamento precisam ser suficientemente seguras, além da presença de dispositivos que desliguem a máquina caso seja aberta inadvertidamente. As correias protegidas e fabricadas na cor laranja – para destaque – são outras iniciativas que indicam ao operador que ele está numa zona passível de acidente.

Outro cuidado na área de segurança, de acordo com a Abiplast, é o perigo de formação de uma atmosfera explosiva ou tóxica, em razão da liberação de poeiras durante o processamento do material. A contaminação do ambiente de trabalho e a inalação da poeira ou do pó gerado no processo são outras ameaças. Além dos EPIs e das proteções coletivas, a associação recomenda que a indústria plástica adote as normas EN 50014, EN 50020, NR9, NR12 e NR15 como parâmetros.

Supressão de ruídos – Para Graziela, da Mecanofar, o ruído faz parte da lista de preocupações constantes de todos os fabricantes de moinho. “É uma variável impossível de ser eliminada e muito difícil de ser manipulada”, detalha. No caso da empresa gaúcha, ela explica que o problema precisa ser resolvido com a participação direta do cliente para identificar a melhor forma de utilização do moinho com o menor nível de ruído possível. “Geralmente, aplicam-se cabines antirruído, enclausuramento da máquina e identificação dos equipamentos individuais de segurança (EPIs) obrigatórios para o trabalho com o moinho”, completa. Como também faz parte dos requerimentos de segurança, a fabricante tem como parâmetro a NR 12 e suas associadas, cujo foco é o operador.

Brito, da Ineal, confirma a personalização e destaca o enclausuramento dos moinhos como uma das opções, lembrando que a medida pode variar de acordo com a demanda do usuário final. Muller, da Seibt, argumenta que cada equipamento tem suas particularidades de funcionamento. “O material a ser triturado pode provocar maior ou menor ruído, dependendo do volume e dureza”, diz. Os moinhos Seibt têm paredes duplas, com enchimento com material antirruído, como padrão. Além disso, o fabricante pode fornecer os dispositivos com cabines de proteção acústica.

Nunes, da Plast-Equip, destaca que a tecnologia da Rapid, sua representada, também usa o sistema de parede dupla, tanto no funil como na máquina de corte, e que esse recurso tem sido bem-sucedido. “Os especialistas indicam que os níveis de ruído são de 80 dB a 82 dB, mas o barulho depende do tipo de material que esteja sendo moído”, avalia. Se os níveis forem maiores, ele acredita que projetos especiais devem ser considerados, assim como o uso de máquinas mais sofisticadas.

Em termos de normatização, a Abiplast destaca a NR15. A norma trata de atividades e operações insalubres e seu anexo I contém limites de tolerância e medidas a serem tomadas para minimizar os impactos causados pelo contato do trabalhador com o ruído. A prioridade é dada às medidas de controle coletivo. Já a NR-9, que institui o programa de prevenção de riscos ambientais, também trata do assunto. A associação recomenda ainda medidas de controle na fonte, no meio de propagação e no receptor e propõe a redução do tempo de exposição ao ruído. As EPIs também precisam ser seriamente consideradas pelos trabalhadores para minimizar os impactos causados pelas máquinas.

Se na área de moinhos não há uma normatização específica para a supressão de ruídos, no caso da produção de pó o problema é mais sensível. Segundo a Abiplast, não existe uma regulamentação para o assunto. O que se recomenda, no caso desses equipamentos, é seguir as recomendações da NR 9 e elaborar um plano de prevenção de riscos ambientais bem estruturado e que garanta a saúde do trabalhador envolvido na operação.

 

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