O setor está bem, mas a situação ainda pede cautela: ABIEF

Periodicamente, a Abief lembra a seus associados que embora os resultados de 2021 tenham sido relativamente positivos, especialmente em comparação a outros setores industriais, os players da indústria de embalagens plásticas flexíveis devem continuar atentos aos movimentos do mercado, globalmente.

Seguimos acompanhando toda a volatilidade dos preços das matérias-primas e seus reflexos em nosso setor, especialmente nos últimos dois anos. Também monitoramos os impactos da guerra da Ucrânia e Rússia no cenário mundial.

A boa notícia é que, segundo pesquisa Maxiquim, feita com exclusividade para a Abief, o faturamento da indústria de embalagens plásticas flexíveis apresentou forte alta em 2021, devido, principalmente, ao aumento dos preços em toda a cadeia produtiva, desde as matérias-primas até os produtos transformados.

Mas precisamos levar em conta a alta inflação de 2021 que impactou nos preços médios das vendas internas.

Outro fator que se refletiu no aumento do faturamento foram as exportações, que cresceram não só em volume, mas também em valores, por conta dos preços mais altos no mercado internacional.

O aumento da participação das exportações de flexíveis no total de transformados plásticos foi de 18% em 2021, em relação a 2020, enquanto as importações cresceram 15% no mesmo período.

Além do faturamento, houve alta de 2,9% na produção de flexíveis em 2021 em comparação ao ano anterior, atingindo um recorde histórico de 2,1 milhões de toneladas.

Esta alta foi puxada principalmente pelas indústrias de alimentos e produtos para limpeza doméstica.

Vale lembrar que dentro do universo de flexíveis coberto por este estudo (sacos/sacolas, agro e embalagens), o segmento de embalagens corresponde a 80% do volume total produzido.

Assim, em 2021, o principal mercado para as embalagens plásticas flexíveis continuou sendo a indústria de alimentos que consumiu 896 mil t das 2,1 milhões de t produzidas, o equivalente a uma alta de 8,4% em comparação a 2020.

Embora a alta no consumo de embalagens plásticas flexíveis pela indústria de limpeza doméstica tenha sido ainda mais significativa: 9,6%, chegando a 110 mil t.

O market share, por aplicação, estabeleceu a liderança das embalagens multicamadas, com 730 mil t, alta de 2,2% em relação a 2020. Na sequência, vem as embalagens monocamada, com 651 mil t que representam uma alta de 7,1%.

As resinas PEBD (polietileno de baixa densidade) e PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) foram as mais usadas em 2021 pela indústria de flexíveis, totalizando 1.589 mil t, alta de 0,9% em comparação ao ano anterior.

O consumo de PP (polipropileno) registrou alta de 7,1%, chegando a 347 mil t.

Do total de resinas utilizadas pela indústria de embalagens plásticas flexíveis, 2,037 milhões t foram de matérias-primas virgens (alta de 0,5%) e 104 mil t foram de materiais reciclados (queda de 0,2%).

O setor está bem, mas a situação ainda pede cautela - ABIEF ©QD Foto: iStockPhoto
Rogério Mani, presidente da ABIEF

Mas ainda há muito trabalho a fazer e muitos mercados a prospectar até porque, apesar do crescimento da demanda nos últimos anos, o consumo per capita de embalagens plásticas flexíveis ainda é baixo no Brasil, 9,8 kg/habitante, quando comparado a outros países.

Ou seja, há um enorme potencial de crescimento do setor no país.

Para 2022, esperamos que haja uma recuperação da demanda, mesmo se o primeiro semestre do ano não demonstrar essa tendência. Também apostamos que a redução de IPI, imposta pelo Governo Federal em fevereiro, garanta um certo fôlego para a indústria em geral.

Mas há incertezas provenientes, principalmente, da guerra da Ucrânia que já resultou na elevação do preço do petróleo.

Acreditamos que essas altas acabem impactando nos custos da cadeia produtiva de plásticos transformados no Brasil.

A médio e longo prazos, outros reflexos também poderão ser sentidos pelo setor, como retração de demanda, restrição da oferta e dificuldade e alta nos custos logísticos. Mas o importante é nos mantermos alertas e agirmos com muita cautela nos próximos meses.

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