O que é preciso para avançarmos na reciclagem do EPS

Plastivida

Se colocarmos no Google a palavra Isopor, que é a marca registrada pela qual o poliestireno expandido (EPS) é mais conhecido, vamos encontrar uma série de notícias sobre resíduos jogados em locais onde não deveriam estar; outras tantas sobre projetos de lei de banimento do produto; outras ainda indicando ao consumidor que ele deve evitar os produtos feitos desse material, a todo custo, se quiser se tornar um “cidadão sustentável”; mais outras sobre cientistas que buscam as tais “superbactérias comedoras de EPS” como solução mágica para nos livrar desse mal.

É estarrecedor como ainda os modismos ligados à sustentabilidade, a desinformação e, por que não dizer a falta de comprometimento de importantes personagens sociais com as ações efetivas voltadas à educação ambiental e com ações realmente responsáveis, podem alterar a imagem de um produto tão necessário, útil, benéfico e reciclável, para a de um grande vilão do mundo atual.

O EPS é um material 100% reciclável.

E é reciclado.

Eu atuo há mais de 10 anos diretamente nos processos de reciclagem, desde a disseminação das informações técnicas, até a viabilidade logística de coleta, transporte e preparação de material para ser reciclado.

Nesse caminho, cada vez mais percebo que a compreensão da sociedade sobre o viés sustentável do EPS só será efetiva com a participação cada vez mais presente de todos os personagens sociais: a população, o varejo, a indústria, a academia e o poder público.

Desenvolvemos produtos recicláveis para que sejam reciclados – parece óbvio.

Só que há um caminho para que isso aconteça. Identificar o EPS é a primeira delas (no caso das embalagens, o símbolo da reciclagem com o número 6 pode ajudar).

O passo seguinte é a limpeza e higienização desse material, ou seja, remover possíveis etiquetas, açúcares, gordura, papéis, cola, gesso, terra, tinta, resto de alimentos e excesso de água, que inviabilizam a reciclagem.

No caso do consumidor, esse material a ser reciclado deve ser separado na coleta seletiva ou entregue em pontos de coleta ou, até mesmo, diretamente em cooperativas.

Já no caso de indústrias, empresas ou cooperativas, que descartam maiores volumes, é importante armazenar em bags ou em fardos e separar o material colorido do branco e o material de maior densidade (calços de embalagens de eletrônicos e eletrodomésticos, etc) daqueles de menor densidade (bandeja, copo e outros).

O que é preciso para avançarmos na reciclagem do EPS - Plastivida ©QD Foto: iStockPhoto

Esse material vai para outra triagem de qualificação e passa pelo processo de retirada do ar em máquina específica, que deixa a parte plástica densa.

Nesse ponto, a logística entra em questão porque mais de 90% da estrutura do EPS é ar, ou seja, carregar um caminhão com EPS é praticamente carregar ar. Nesse ponto, captamos parceiros em pontos estratégicos que atendam os municípios e arredores para disponibilizarmos máquinas que prensam o material e retiram esse ar previamente ao transporte.

Então, o EPS finalmente chega ao reciclador e é transformado mecanicamente em produtos para a construção civil e decoração (rodapés, rodatetos, molduras, por exemplo).

Nossos desafios para o crescimento em escala da reciclagem do EPS são grandes. Nossa busca é por fornecedores e parceiros atentos ao compromisso social, preocupados em atender às normas ambientais e visando ações responsáveis como parte de sua política empresarial e cotidiana.

O que é preciso para avançarmos na reciclagem do EPS - Plastivida ©QD Foto: iStockPhoto
Vanessa Villalta é conselheira do Comitê de EPS da Plastivida. Graduada em Engenharia Ambiental e Sanitária, Mestra em Saneamento Civil e Ambiental, conta com especialização em Engenharia e Segurança do Trabalho, MBA em Perícia e Auditoria Ambiental. Atua como gerente nacional de Captação de Matéria-Prima Reciclada da Indústria Santa Luzia.

Mais do que isso. Buscamos cotidianamente a parceria da sociedade para compreender que não existe formula mágica para a sustentabilidade e sim a necessidade de se espalhar o conhecimento e de se adotar as boas práticas de consumo e descarte para avançarmos.

Que não é possível importar leis de outros países e esperar que façam efeito no Brasil, um país de dimensões continentais e realidades socioeconômicas extremamente diferentes.

Que as soluções para a preservação do Planeta e do bem estar socioeconômico existem, mas dependem do engajamento de todos, inclusive do poder público, fazendo a sua parte e apoiando categorias como de catadores e cooperados, que cumprem uma função socioambiental importantíssima nas capitais e que precisam de apoio.

A imprensa também tem papel importante nessa jornada. Não é cabível esperar que a questão da reciclagem do EPS esteja escalonada e consolidada como um todo no País para, só então, noticiarmos sobre ela. É preciso informar e formar as pessoas para que obtenhamos o resultado favorável a todos.

Vanessa Villalta é conselheira do Comitê de EPS da Plastivida. Graduada em Engenharia Ambiental e Sanitária, Mestra em Saneamento Civil e Ambiental, conta com especialização em Engenharia e Segurança do Trabalho, MBA em Perícia e Auditoria Ambiental. Atua como gerente nacional de Captação de Matéria-Prima Reciclada da Indústria Santa Luzia.

Por Vanessa Villalta

O EPS e a sustentabilidade - Plastivida ©QD Foto: Divulgação

PLASTIVIDA

Plastivida – Desde a sua invenção, os plásticos são um avanço para a sociedade. Mas além das suas funções e vantagens inquestionáveis, estamos aqui para iniciar uma nova fase da relação dos plásticos com a sociedade. Uma relação mais racional no consumo e mais responsável no descarte; para o nosso bem e o bem do planeta.
Mais informações: http://www.plastivida.org.br/

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