Economia

O Plástico: de vilão, a escudeiro – Coluna SIMPLÁS

Plastico Moderno
18 de junho de 2020
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    Plástico Moderno -

     

    Nas primeiras décadas do século XX vivemos um período de enorme transformação da sociedade e da tecnologia. Nessa época da difusão da energia elétrica, do automóvel e novos bens de consumo viveu um homem que mudou a compreensão das leis que regem nosso universo, Albert Einstein.

    A teoria da relatividade tem várias facetas, das mais complexas utilizadas para compreender o universo, a algumas mais simples que nós cidadãos deste mundo podemos entender e usar frequentemente.

    Na mesma época outra ideia revolucionária e não menos importante ficou esquecida, “a primeira legislação da exigência do uso de produtos descartáveis nas linhas de trem de passageiros nos Estados Unidos em 1909” com o intuito de evitar a propagação de doenças.

    Outro fato marcante foi a primeira guerra mundial que devastou a Europa entre 1914 e 1918 e em conjunto houve uma epidemia, a gripe espanhola que matou entre 50 a 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Aliás esta gripe a H1N1 influenza não tem nada de espanhola, afinal ela surgiu nos Estados Unidos e foi levada para a Europa pelos soldados norte-americanos, mas como Einstein afirmou “tudo é relativo” depende do tempo e do ponto de vista do observador, principalmente para a história.

    Nas duas décadas seguintes surgiram materiais que iniciariam uma revolução silenciosa que ecoaria até os dias de hoje. Os plásticos que conhecemos como Poliestireno, PVC, Polietileno e Poliamida desenvolveram uma nova realidade de produtos em várias áreas.

    Passado um século continuamos em uma eterna batalha pela sobrevivência da raça humana. Combater ameaças como vírus e bactérias ou os devaneios de nossa própria natureza de criar conflitos e guerras.

    Vivemos novamente uma pandemia e como há um século com muitas semelhanças, mas também com grandes diferenças. O conhecimento humano nas ciências biológicas nos dá armas para o combate e os materiais plásticos nos dão armas de defesa.

    Nossas máscaras, roupas de proteção, equipamentos médicos e as embalagens dos produtos que amenizam as dores ou esterilizam os ambientes são confeccionados em um material que não existia na grande pandemia de 1918. Hoje, com estes recursos e conhecimento conseguimos reduzir a tragédia de milhões de óbitos para milhares. Pode ainda não ser o suficiente, mas é um feito notável da engenhosidade humana.

    Pensar que meses atrás o plástico que tinha a alcunha de “o grande vilão da natureza” se tornaria o escudeiro da medicina moderna para conter o ataque impiedoso da natureza contra seu principal algoz a humanidade. De novo me vem à mente o nosso velho conhecido Einstein…

    A humanidade conquistará mais uma vitória em sua luta pela sobrevivência, mas Einstein diz que qualquer fenômeno ocorrido na natureza depende de seu observador, se houver observadores diferentes em lugares diferentes, mesmo que seja ao mesmo tempo, a observação poderá ter resultados diferentes.

    Agora o plástico ajuda a salvar vidas com respiradores, embalagens de soros e remédios, protegendo médicos e enfermeiros, mas a situação vai passar e restará um legado de milhares senão milhões de toneladas de resíduos hospitalares que serão em grande maioria produzidos de materiais plásticos. Serão vistos por outros observadores? Dirão novamente “vejam todo este lixo, resíduos de plástico”.

    Plástico Moderno - Jaime Caneda, Diretor do Simplás

    Jaime Caneda, Diretor do Simplás

    Estaremos preparados para resolver este problema? Ou será mais fácil voltar a dizer que “plástico é o grande vilão da natureza”. O Einstein nos lembra somos 7 bilhões de observadores com pontos de vista singulares.

    Nós que trabalhamos e desenvolvemos a cadeia do plástico temos muito orgulho do que fazemos, ajudando a democratizar a energia, alimentos, água e saúde a todos em nosso país e no mundo, mas temos consciência de nossa nova responsabilidade, a tarefa de ajudar a estes observadores em todos os lugares e oferecer conhecimento e informação a ver com clareza que: “O plástico é um bem e não um mal”. Talvez assim possamos nos lembrar de outra mente brilhante:

    “Na natureza nada se perde, nada se cria tudo se transforma”, Antoine Laurent de Lavoisier

    Texto: Jaime Caneda



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