O PIB, a indústria e as reformas – Indústria de Transformação de Plástico

Abiplast - Indústria pede reformas e redução do Custo

A queda de 4,1% do PIB em 2020 confirmou as previsões da maioria dos analistas e empresários e ficou dentro do esperado em um ano de crise global provocada pela pandemia.

O recuo de 3,5% da indústria somente reforça a perda de relevância do setor na economia e nas exportações, processo que se iniciou bem antes da crise atual do coronavírus.

A despeito de figurar entre os líderes no pagamento de impostos (28% de arrecadação tributária) e de ser um dos segmentos mais destacados na geração de empregos de mão-de-obra qualificada e produtiva, o setor passa por crise profunda.

Segundo a CNI, a participação da indústria de transformação no PIB foi de apenas 11,8% em 2019. Além disso, há também a perda de espaço da indústria com relação às exportações.

Em 2000, os manufaturados representavam quase 60% da pauta de exportação brasileira.

PIB – Indústria de Transformação

Atualmente, está em singelos 28%.

O Brasil tem apenas 1,2% da produção mundial da indústria de transformação, com fatia de 0,82% das exportações de produtos industrializados.

Mudar este cenário deve ser prioridade absoluta, com vistas ao crescimento sustentado e regular do país.

De início, é preciso traçar uma agenda de reformas estruturais, sobretudo a tributária e administrativa, que causariam impacto na redução do pesado Custo Brasil.

Hoje, a alta carga e a complexidade tributária se colocam como entraves de enorme custo para a economia – entre R$ 240 bilhões e R$ 280 bilhões.

Já a reforma administrativa significaria mais eficiência na gestão do poder público, com reflexos positivos imediatos.

Os projetos de reformulação estão colocados, basta celeridade na aprovação e na implementação.

Plástico Moderno - Uma reforma ampla e corajosa para o Brasil - Abiplast ©QD Foto: iStockPhoto
José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do SINDIPLAST – Sindicato Indústria Material Plástico Estado São Paulo, e vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Outro ponto essencial é o acesso da indústria às matérias-primas.

Ao longo dos últimos meses, precisamente a partir de julho/agosto de 2020, se iniciou um quadro de desabastecimento de insumos em muitas atividades produtivas.

A solução da questão passa pela melhoria do ambiente competitivo e concorrencial para produção e fornecimento dos materiais, em especial no momento de retomada e crescimento.

Acesso mais fácil ao capital também deve entrar no radar, com utilização de fintechs e startups para agilizar os processos de avaliação e concessão de crédito, por exemplo.

Em outra frente, há espaço para uma agenda de micro reformas, em temas como os marcos do gás e do saneamento, a flexibilização da cabotagem, a desburocratização e digitalização do estado, entre outros.

Sem esquecer do incentivo para a adoção de tecnologias habilitadoras à indústria 4.0 (manufatura aditiva, virtualização, sensorização, analitics e big data, computação na nuvem, robôs autônomos, inteligência artificial).

O caminho do desenvolvimento do Brasil passa pelo fortalecimento pleno da indústria, setor que possui mais de 20% de participação nos empregos formais, quase 70% nas exportações de bens e serviços e 33% na participação na arrecadação total de tributos federais, segundo a CNI.

É fundamental reverter situação apontada por estudo recente publicado pelo IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

Na análise de 30 economias que representam 90% da indústria de transformação no mundo, em um período de 48 anos (1970-2017), o Brasil se destacou como o país que mais se desindustrializou no globo.

Reformas estruturais, micro agenda de reformas menores, diminuição de Custo Brasil, facilidade no acesso às matérias-primas e ao capital.

Esses são caminhos viáveis e essenciais para recolocar a indústria no lugar de onde nunca deveria ter saído: o de motor da economia.

Leia Mais:

Plástico Moderno - Joinville é palco de projeto piloto de logística reversa de isopor® para a Abiplast ©QD Foto: Divulgação

Abiplast- Associação Brasileira da Indústria do Plástico

O setor nacional de transformados plásticos e reciclagem encontra representação e apoio, há mais de cinco décadas, na Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST).

O trabalho iniciado em 1967 responde atualmente a um total de 12 mil empresas e 325 mil profissionais.

Para manter forte essa representação, a entidade conta com o trabalho conjunto e colaborativo de 23 sindicatos estaduais.

Para o Brasil, o progresso dessa atividade industrial causa um efeito multiplicador e mostra-se importante por trazer inúmeros benefícios econômicos e socioambientais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios