O embate das sacolas – Indústria do plástico acirra defesa contra pecha de vilã

O levantamento concluiu que para deslocar a ecoeficiência para as sacolas retornáveis de plástico o consumidor precisa se encaixar no perfil de comprar altas quantidades de produtos e descartar pouco lixo. “Apenas nessa condição as retornáveis apresentam melhor eficiência ecológica”, ressalta o presidente da Plastivida. Segundo ele, esse não é o comportamento do consumidor brasileiro, mais afeito a ir pouco ao supermercado, a descartar muito lixo orgânico e habituado a reutilizar a sacola plástica para forrar as lixeiras. A propósito, todos os estudos apontam para a necessidade de reutilizar qualquer que seja a variedade de sacola o maior número de vezes possível para atingir a ecoeficiência.

Mais empregos… no exterior– Ao optar pela importação das sacolas retornáveis, os supermercados pecam, no entender do presidente da Abief, no quesito social, um dos pilares da sustentabilidade, pois incentivam a produção e aumentam a oferta de trabalho em outros países, particularmente da Ásia. “Deixamos de produzir aqui para gerar emprego lá.” Ele se diz apreensivo com os reflexos da queda na produção das sacolas plásticas convencionais, já

Plástico, Wilson Carnevalli, diretor da Carnevalli, O embate das sacadas - Indústria do plástico acirra defesa contra pecha de vilã
Carnevalli: mercado de extrusão já sentiu choque nos negócios

constatados na forma de dispensa de funcionários, sobretudo no segmento da transformação.

Mas também a ala das máquinas sentiu o impacto, notadamente nas indústrias fabricantes de sacoleiras. “As vendas caíram 80% e não existe reaproveitamento para esses equipamentos”, testemunha o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (CSMAIP/Abimaq), Wilson Carnevalli, também diretor da Carnevalli, tradicional fabricante de extrusoras.

Este mercado igualmente sentiu o choque nos negócios: queda de 50%. Os números se referem à Carnevalli, mas “a média de 50% a 60% é proporcional aos fabricantes brasileiros”, confirma.

Bem estabelecido, o mercado de extrusão voltado ao segmento de sacolas crescia pouco nos últimos anos e se movimentava mais na base de reposição, na substituição por máquinas mais produtivas, de menor consumo energético e melhor custo/benefício. Para os fabricantes desses equipamentos, reforçar a atuação em outros segmentos de mercado é uma opção.

Já para a transformação, o redirecionamento de produção não é tão simples. “Para quem só fabrica sacolas, é complicado, envolve questões como impressão, uma estrutura já montada, equipes de vendas e outros aspectos”, pondera o diretor da Carnevalli, Wilson Carnevalli Filho.

No entanto, para as empresas que além das sacolas produziam sacos de lixo esse segmento é uma boa proposta de redirecionamento, face à franca expansão das vendas desses produtos, constatada pelo aumento de consultas de máquinas envolvendo a produção dessas embalagens. “Mas ainda não se sabe se chega a compensar as perdas”, avalia.

Reduzir, reutilizar, reciclar– As sacolas, embalagens para transporte, estão contempladas dentro da Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Só precisam de uma destinação adequada. A vigilância sanitária recomenda que o lixo

Plástico, Wilson Carnevalli Filho, diretor da Carnevalli, O embate das sacadas - Indústria do plástico acirra defesa contra pecha de vilã
Carnevalli Filho: para quem só faz sacolas a situação é crítica

seja disposto em embalagens plásticas, sacolas ou sacos de lixo”, defende Schmitt.

Ele e Bahiense frisam os incômodos adicionais resultantes do uso de alternativas como caixas de papelão e da falta das sacolas plásticas convencionais: problemas de saúde pública. As caixas de papelão e também as sacolas de pano levadas pelos consumidores de casa pecam pela elevada possibilidade de contaminação por coliformes (totais, fecais) e E.coli (Escherichia coli). As afirmações se baseiam em estudo elaborado pela Microbiotécnica, empresa especializada em higiene ambiental com 25 anos na atividade, disponível no site da Plastivida.

Na falta de sacolas, é imposto novo gasto ao consumidor para a compra de sacos plásticos destinados a acondicionar o lixo. Bahiense observa que em cidades como

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