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NPE 2009 – Demanda da sustentabilidade seduz os principais desenvolvimentos

Marcelo Furtado
30 de agosto de 2009
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    Fonte renovável – Outro expositor de resinas que conseguiu ter algum destaque na feira com slogan ambientalista foi a DuPont Plásticos de Engenharia. Seu estande era concentrado em soluções feitas com polímeros de engenharia de fontes renováveis. A exposição da multinacional americana se baseou na linha de elastômeros termoplásticos Hytrel RS, de resinas termoplásticas Sorona e nos náilons de cadeia longa Zytel. Para provar a real comercialização das novas resinas, a DuPont mostrou produtos finais de clientes que já as utilizam no mercado.

    De acordo com o gerente de desenvolvimento de mercado, Eric Beyeler, a estratégia da empresa é ofertar polímeros com no mínimo 20% de fontes renováveis e que tenham igual ou melhor desempenho que os materiais totalmente petroquímicos substituídos. “Não adianta fazer algo ambientalmente amigável que não funciona”, resumiu Beyeler.

    A fabricante francesa de artigos esportivos Salomon foi uma das clientes da DuPont a expor produto com resina com fonte renovável. Era um patim para esqui na neve cujo colarinho era feito com a Hytrel RS, que contém entre 20% e 60% de polímero derivado do milho. Segundo o gerente da DuPont, o produto foi escolhido não só por ter milho na formulação, mas por causa da sua resistência necessária a um equipamento esportivo de inverno e sua facilidade de processamento, por qualquer método de produção convencional.

    Outro produto com resina “verde” da DuPont era o radiador automotivo da Denso Corporation feito com a resina de náilon Zytel 610, que contém em sua formulação mais de 60% de derivados de óleo de mamona. A apresentação do produto, segundo Beyeler, foi de extrema importância por demandar alta resistência química e à temperatura. “É a prova de que a resina de fonte renovável pode brigar em pé de igualdade com a petroquímica”, afirmou. Bom ressaltar que há uma alternativa de poliamida totalmente renovável da linha Zytel, a 1010.

    Os exemplos não pararam por aí. A DuPont mostrou desenvolvimento feito com a Daimler Mercedes-Benz: um módulo de reservatório de óleo que utiliza o náilon reforçado com fibra de vidro Zytel, que além de usar fontes renováveis na formulação também tem o atributo de reduzir em até 1 kg o peso do carro, o que lhe garantiu um prêmio especial da Society of Plastics Engineers.

    PVC biodegradável – Na linha de materiais com sotaque sustentável, a exposição de uma empresa de pequeno porte, sobretudo em comparação com os gigantes da área de resinas e aditivos, teve boa repercussão na feira. Trata-se da norte-americana Biotech Products, que mostrava um aditivo de PVC chamado BIOchem, capaz de tornar essa resina biodegradável em aterros.

    Plástico, NPE 2009 - Demanda da sustentabilidade seduz os principais desenvolvimentos

    Sulano: aditivo torna o PVC biodegradável

    Segundo o representante da Biotech, John Sulano, o aditivo tem a capacidade de quebrar a cadeia de polímeros como o PVC, o PVAc e polímeros olefínicos (EPDM) em condições anaeróbicas que o tornam 100% biodegradável. “O produto, bom ressaltar, só funciona sob condições controladas no aterro, o que significa que não altera a shelf life (vida útil) dele na prateleira”, explicou Sulano. “Mas sob as condições ideais, o PVC se biodegrada a partir do 30º dia”, disse Sulano. O resultado da biodegradação é cloreto solúvel, um fertilizante.

    O BIOchem estava demonstrado no estande como aditivo de um revestimento (manta) flexível de PVC, denominado Bioflex, produzido com plastificante de base vegetal e dióxido de titânio, ou seja, com 80% de componentes renováveis e, ao contrário do PVC convencional, atóxico, mas com suas mesmas propriedades. O próprio BIOchem, por sinal, é uma fórmula patenteada não-petroquímica, atóxica e sem amido, metais pesados, pesticidas, agentes branqueadores, DOP ou outros plastificantes, além de corantes. O Bioflex passou por testes para ser certificado pela norma ASTM D5526, que confirma que o material é biodegradável em 35%. Os 35% remanescentes provêem da tela entrelaçada de poliéster da manta.

    A Biotech é sediada em New Jersey e busca o licenciamento do BIOchem como composto já preparado de PVC biodegradável ou como aditivo separado. De acordo com Sulano, há muitas empresas já interessadas no produto e também aterros municipais nos Estados Unidos. “Uma grande vantagem é que os produtos com o aditivo, nas condições normais de escuridão, alta temperatura, mistura e falta de oxigênio, atraem micróbios que degradam o PVC a partir de 90 dias em um prazo de três a cinco anos”, disse. É bom acrescentar que o produto libera metano no ar, que segundo o executivo pode ser reaproveitado como combustível. Faz parte dos  planos da empresa aditivar o BIOchem também no polietileno e no polipropileno, o que já contempla testes em estágio avançado.

    Dow – Uma participação nesta NPE também bem diferenciada das edições anteriores foi a da tradicional Dow Chemical. Em vez de montar um estande convencional em algum lugar bem visível, como sempre fez, o grande grupo norte-americano preferiu participar da feira em uma área reservada fora do pavilhão de materiais, na qual apenas era permitido o acesso de clientes convidados para almoços e lanches executivos. A discrição fazia até os incautos pensarem na não-participação da empresa, daí a necessidade da Dow montar imensos banners com os dizeres “Dow: Right Here Right Now Right for You” (Dow Aqui e Agora Para Você).

    Mas se havia essa cautela da empresa em se expor, não era por falta de novidades. A Dow fez várias demonstrações de novas resinas, utilizando-se da participação de dez fabricantes de máquinas, que rodavam em seus equipamentos, ao vivo ou em apresentações via vídeo, os materiais em fase de pré-comercialização.

    Participaram dessa ação conjunta da Dow empresas importantes de todos os lugares do planeta, inclusive o Brasil, caso da Pavan Zanetti, que rodou no dia 24 de junho a resina experimental PEAD XDMA 6630 da família Continuum EP para sopro por extrusão de garrafas, polietileno bimodal com alta resistência ao stress sob tensão (strack) e que também foi demonstrado em vídeo pela Bekum.

    Já a Hosokawa Alpine mostrava via vídeo ao vivo (direto do centro de desenvolvimento de filmes plásticos da Dow em Freeport, no Texas) a extrusão de filme sete camadas com o Dowlex PELBD XUS 61530.04 e o PEBD XUS 60019.90. Os novos polietilenos lineares de baixa densidade são fruto da pesquisa da Dow com seus catalisadores Ziegler-Natta, aprimorados para se obter resinas superoctenos, com propriedades mecânicas e ópticas aumentadas e com condições de dar maior estabilidade ao balão do filme. Já o PEBD foi concebido para trabalhar em sinergia com o novo grade PELBD e melhorar ainda mais as propriedades do filme e a estabilidade do balão.

    A italiana Sacmi mostrava na sua nova máquina de sopro por compressão o polietileno de alta densidade Continnum DMDA 6620 da linha Health+, que segue padrões rígidos de controle para aplicações médicas e farmacêuticas e inclui uma família agora agrupada (a Dow já produz há anos esses grades, mas não tinha uma divisão específica) e renovada de resinas para injeção, sopro ou extrusão. Nessa área ainda, a Big 3 Precision Products injetava garrafas com o PEAD DMDA Health+ em seu estande. Também no ramo da injeção, a Husky injetava tampas com o PEAD experimental XDMC-1210. Vale acrescentar ainda a demonstração do polipropileno especial Inspire, na Thermoforming Systems LLC, que demonstrava em vídeo a termoformagem de copos de alta transparência, produto que pode substituir o PET com a vantagem de ser mais leve e de demandar menos energia para a produção.

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