NPE 2009 – Demanda da sustentabilidade seduz os principais desenvolvimentos

A área da NPE mais visivelmente afetada pela crise sem dúvida foi a de materiais, ou seja, a de resinas, compostos, aditivos e transformados. Bastava ao visitante chegar aos pavilhões reservados a esses segmentos para perceber espaços vazios, estandes de grandes grupos de tamanhos desproporcionalmente pequenos ou até mesmo

Plástico, NPE 2009 - Demanda da sustentabilidade seduz os principais desenvolvimentos
Akido: novos grades Ultem, resistentes a chamas e fumaças, permitem uso em fibras e compostos

a ausência de expositores tradicionais, que costumam fazer bastante barulho em feiras internacionais.

Mas houve exceções nesse cenário um pouco desolador, dentre os quais os mais merecedores de atenção foram aqueles em que o tema “sustentabilidade dos materiais” se fez presente. A maior delas foi a exposição do grupo Sabic, a Saudi Basic Industries Corporation, a quinta maior petroquímica do mundo (faturamento de US$ 33,7 bilhões), especializada na produção de polietileno, polipropileno e plásticos de engenharia, além de glicóis, metanol e fertilizante. Seu grande estande logo na entrada do pavilhão oeste do McCormick Place chamava a atenção pela quantidade de pôsteres e objetos feitos com novos grades (ou nem tão novos assim) de sua extensa linha de termoplásticos.

Plástico Moderno, NPE 2009 - Demanda da sustentabilidade seduz os principais desenvolvimentos

Para a empresa, entre os vários materiais apresentados, o destaque era um telefone celular da Motorola, o Moto W233, considerado o primeiro modelo certificado com o selo carbon-neutral (neutro em emissões de carbono). O celular é o resultado de uma parceria entre a Sabic e a fabricante japonesa de eletroeletrônicos, que utiliza um grade customizado da resina de policarbonato Lexan EXL 8414 feita com até 25% de plástico reciclado pós-consumo (PCR), principalmente proveniente de garrafas de água. Além disso, a resina demanda 20% menos energia para processar, ao mesmo tempo em que confere alta resistência ao impacto, a altas temperaturas e às intempéries. “Este é o primeiro celular do mundo a usar resina com plástico de pós-consumo reciclado”, afirmou a gerente de comunicação de marketing, Akiko Nishimoto.

O novo celular é 100% reciclável. Segundo estimativa da Sabic, um milhão de celulares produzidos com a Lexan EXL 8414 vão evitar que milhões de garrafas de água (equivalentes a oito vezes a altura do Empire State de Nova York) sejam descartadas em aterros. Apesar de a resina ser customizada para a Motorola, segundo a Sabic nada impede que outros codesenvolvimentos similares sejam feitos para outras aplicações em bens de consumo eletrônicos. A expectativa é de que equipamentos como notebooks, câmeras digitais e jogos eletrônicos sejam as próximas “bolas da vez”.

Aliás, codesenvolvimentos de cunho ambientalista, em outras áreas, foram temas de mais apresentações da Sabic. Para a fabricante de carpetes Interface Americas, por exemplo, a Sabic criou uma solução para a linha de carpetes com fibras recicladas: a resina de PBT Valox iQ 2205HV, que possui até 65% de PET reciclado de garrafas. O uso do plástico reciclado, segundo cálculo ambiental da Sabic, reduz de 55% a 75% das emissões de dióxido de carbono empregado para se chegar a uma resina de PBT.

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Beyeler: DuPont mostrou produtos finais com suas resinas de fontes renováveis

Além de ser ambientalmente correta, a nova resina também permite dispersão muito eficiente dos pigmentos para colorir o polímero, diminuindo o uso de corantes ao mesmo tempo em que gera boa qualidade de cor. “A nova resina cria ainda grande resistência ao rasgo e prolonga a vida útil do carpete”, afirmou Akiko.

A Sabic ainda mostrou grades de PEAD bimodal para aplicação em tubos. São as resinas Sabic PE 100 e Sabic PE HD que, depois de muito aplicadas na Europa, tiveram seu lançamento no mercado americano na NPE. Os materiais, segundo Akiko, são apropriados para tubos de alta pressão em água potável, gás, petróleo, mineração e sistemas de esgoto de larga escala.

Foi ainda um destaque do grande grupo saudita a nova família da resina de polieteramida Ultem, de alta resistência à chama, fumaça e toxicidade, que agora pode ser aplicada em várias alternativas na produção de compostos, fibras e espumas. As novas possibilidades da tecnologia incluem a fabricação de peças retardantes à chama, interiores ultraleves de aeronaves, equipamentos de comunicação e vários outros produtos finais de alto desempenho, como vestimentas de bombeiros expostas no estande.

Fonte renovável – Outro expositor de resinas que conseguiu ter algum destaque na feira com slogan ambientalista foi a DuPont Plásticos de Engenharia. Seu estande era concentrado em soluções feitas com polímeros de engenharia de fontes renováveis. A exposição da multinacional americana se baseou na linha de elastômeros termoplásticos Hytrel RS, de resinas termoplásticas Sorona e nos náilons de cadeia longa Zytel. Para provar a real comercialização das novas resinas, a DuPont mostrou produtos finais de clientes que já as utilizam no mercado.

De acordo com o gerente de desenvolvimento de mercado, Eric Beyeler, a estratégia da empresa é ofertar polímeros com no mínimo 20% de fontes renováveis e que tenham igual ou melhor desempenho que os materiais totalmente petroquímicos substituídos. “Não adianta fazer algo ambientalmente amigável que não funciona”, resumiu Beyeler.

A fabricante francesa de artigos esportivos Salomon foi uma das clientes da DuPont a expor produto com resina com fonte renovável. Era um patim para esqui na neve cujo colarinho era feito com a Hytrel RS, que contém entre 20% e 60% de polímero derivado do milho. Segundo o gerente da DuPont, o produto foi escolhido não só por ter milho na formulação, mas por causa da sua resistência necessária a um equipamento esportivo de inverno e sua facilidade de processamento, por qualquer método de produção convencional.

Outro produto com resina “verde” da DuPont era o radiador automotivo da Denso Corporation feito com a resina de náilon Zytel 610, que contém em sua formulação mais de 60% de derivados de óleo de mamona. A apresentação do produto, segundo Beyeler, foi de extrema importância por demandar alta resistência química e à temperatura. “É a prova de que a resina de fonte renovável pode brigar em pé de igualdade com a petroquímica”, afirmou. Bom ressaltar que há uma alternativa de poliamida totalmente renovável da linha Zytel, a 1010.

Os exemplos não pararam por aí. A DuPont mostrou desenvolvimento feito com a Daimler Mercedes-Benz: um módulo de reservatório de óleo que utiliza o náilon reforçado com fibra de vidro Zytel, que além de usar fontes renováveis na formulação também tem o atributo de reduzir em até 1 kg o peso do carro, o que lhe garantiu um prêmio especial da Society of Plastics Engineers.

PVC biodegradável – Na linha de materiais com sotaque sustentável, a exposição de uma empresa de pequeno porte, sobretudo em comparação com os gigantes da área de resinas e aditivos, teve boa repercussão na feira. Trata-se da norte-americana Biotech Products, que mostrava um aditivo de PVC chamado BIOchem, capaz de tornar essa resina biodegradável em aterros.

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Sulano: aditivo torna o PVC biodegradável

Segundo o representante da Biotech, John Sulano, o aditivo tem a capacidade de quebrar a cadeia de polímeros como o PVC, o PVAc e polímeros olefínicos (EPDM) em condições anaeróbicas que o tornam 100% biodegradável. “O produto, bom ressaltar, só funciona sob condições controladas no aterro, o que significa que não altera a shelf life (vida útil) dele na prateleira”, explicou Sulano. “Mas sob as condições ideais, o PVC se biodegrada a partir do 30º dia”, disse Sulano. O resultado da biodegradação é cloreto solúvel, um fertilizante.

O BIOchem estava demonstrado no estande como aditivo de um revestimento (manta) flexível de PVC, denominado Bioflex, produzido com plastificante de base vegetal e dióxido de titânio, ou seja, com 80% de componentes renováveis e, ao contrário do PVC convencional, atóxico, mas com suas mesmas propriedades. O próprio BIOchem, por sinal, é uma fórmula patenteada não-petroquímica, atóxica e sem amido, metais pesados, pesticidas, agentes branqueadores, DOP ou outros plastificantes, além de corantes. O Bioflex passou por testes para ser certificado pela norma ASTM D5526, que confirma que o material é biodegradável em 35%. Os 35% remanescentes provêem da tela entrelaçada de poliéster da manta.

A Biotech é sediada em New Jersey e busca o licenciamento do BIOchem como composto já preparado de PVC biodegradável ou como aditivo separado. De acordo com Sulano, há muitas empresas já interessadas no produto e também aterros municipais nos Estados Unidos. “Uma grande vantagem é que os produtos com o aditivo, nas condições normais de escuridão, alta temperatura, mistura e falta de oxigênio, atraem micróbios que degradam o PVC a partir de 90 dias em um prazo de três a cinco anos”, disse. É bom acrescentar que o produto libera metano no ar, que segundo o executivo pode ser reaproveitado como combustível. Faz parte dos  planos da empresa aditivar o BIOchem também no polietileno e no polipropileno, o que já contempla testes em estágio avançado.

Dow – Uma participação nesta NPE também bem diferenciada das edições anteriores foi a da tradicional Dow Chemical. Em vez de montar um estande convencional em algum lugar bem visível, como sempre fez, o grande grupo norte-americano preferiu participar da feira em uma área reservada fora do pavilhão de materiais, na qual apenas era permitido o acesso de clientes convidados para almoços e lanches executivos. A discrição fazia até os incautos pensarem na não-participação da empresa, daí a necessidade da Dow montar imensos banners com os dizeres “Dow: Right Here Right Now Right for You” (Dow Aqui e Agora Para Você).

Mas se havia essa cautela da empresa em se expor, não era por falta de novidades. A Dow fez várias demonstrações de novas resinas, utilizando-se da participação de dez fabricantes de máquinas, que rodavam em seus equipamentos, ao vivo ou em apresentações via vídeo, os materiais em fase de pré-comercialização.

Participaram dessa ação conjunta da Dow empresas importantes de todos os lugares do planeta, inclusive o Brasil, caso da Pavan Zanetti, que rodou no dia 24 de junho a resina experimental PEAD XDMA 6630 da família Continuum EP para sopro por extrusão de garrafas, polietileno bimodal com alta resistência ao stress sob tensão (strack) e que também foi demonstrado em vídeo pela Bekum.

Já a Hosokawa Alpine mostrava via vídeo ao vivo (direto do centro de desenvolvimento de filmes plásticos da Dow em Freeport, no Texas) a extrusão de filme sete camadas com o Dowlex PELBD XUS 61530.04 e o PEBD XUS 60019.90. Os novos polietilenos lineares de baixa densidade são fruto da pesquisa da Dow com seus catalisadores Ziegler-Natta, aprimorados para se obter resinas superoctenos, com propriedades mecânicas e ópticas aumentadas e com condições de dar maior estabilidade ao balão do filme. Já o PEBD foi concebido para trabalhar em sinergia com o novo grade PELBD e melhorar ainda mais as propriedades do filme e a estabilidade do balão.

A italiana Sacmi mostrava na sua nova máquina de sopro por compressão o polietileno de alta densidade Continnum DMDA 6620 da linha Health+, que segue padrões rígidos de controle para aplicações médicas e farmacêuticas e inclui uma família agora agrupada (a Dow já produz há anos esses grades, mas não tinha uma divisão específica) e renovada de resinas para injeção, sopro ou extrusão. Nessa área ainda, a Big 3 Precision Products injetava garrafas com o PEAD DMDA Health+ em seu estande. Também no ramo da injeção, a Husky injetava tampas com o PEAD experimental XDMC-1210. Vale acrescentar ainda a demonstração do polipropileno especial Inspire, na Thermoforming Systems LLC, que demonstrava em vídeo a termoformagem de copos de alta transparência, produto que pode substituir o PET com a vantagem de ser mais leve e de demandar menos energia para a produção.

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