Produção de moldes é favorecida por novos projetos

Novos projetos automotivos favorecem a produção local de moldes e ferramentas

Mercado formado com a participação de grande número de empresas de pequeno e médio porte, o setor de ferramentaria não conta com dados oficiais sobre seu desempenho. Existe, no entanto, um termômetro que mede com boa precisão como andam os negócios. Trata-se das vendas das fabricantes de porta-moldes, câmaras quentes, componentes padronizados e reguladores de temperaturas, itens utilizados em elevado percentual dos moldes produzidos no Brasil.

Entre essas empresas se encontram Polimold e Tecnoserv, duas marcas nacionais bastante conhecidas. Ambas comemoram os resultados alcançados no início do ano.

“O mercado está bom, a procura está bastante intensa”, informa Wilson Teixeira, diretor técnico da Tecnoserv. Os números da empresa resumem o bom momento. “No primeiro trimestre do ano as vendas de porta-moldes cresceram 69,2% e as de câmaras quentes 83,6% em relação ao mesmo período do ano passado”, apontou.

Para o diretor, alguns fatos ajudam a compreender o otimismo:

  • O dólar nos últimos anos se valorizou bastante, o que contribuiu para tornar os produtos brasileiros mais competitivos.
  • As rígidas decisões de isolamento adotadas pelo governo chinês durante o período mais crítico da pandemia dificultaram a compra dos moldes asiáticos, fortíssimos concorrentes dos produtos nacionais.
  • Por fim, Teixeira aponta a recuperação do mercado interno. Ele credita essa melhora em grande parte ao segmento automotivo.
Novos projetos automotivos favorecem a produção local de moldes e ferramentas ©QD Foto: Divulgação
Teixeira: custos ficaram muito altos depois da pandemia

“Fiat, Jeep, Volkswagen e General Motors estão preparando o lançamento de novos modelos de automóveis. Cada novo modelo gera a venda de cerca de 20 mil moldes, número que engloba as ferramentas voltadas para a indústria do plástico e de outros materiais”.

Outro setor indicado como aquecido é o da linha branca.

Teixeira lamenta que o resultado se dá após o forte aumento nos preços durante a pandemia dos insumos utilizados para fabricar seus produtos, em especial o aço.

“Também houve forte aumento nos transportes, combustíveis e em outros preços que impactam nossa rentabilidade”. Para os próximos meses a expectativa continua positiva. “Tomara que os juros caiam, eles atrapalham a indústria”, observa.

Os ventos também sopram favoráveis na Polimold, pioneira e maior fabricante nacional de componentes padronizados para ferramentarias.

Novos projetos automotivos favorecem a produção local de moldes e ferramentas ©QD Foto: Divulgação
Porta-moldes Plus, fabricado pela Polimold

A empresa informa que os negócios já estavam aquecidos desde o início do ano e vêm crescendo após a realização da feira Plástico Brasil, no último mês de março em São Paulo. Um número exemplifica o desempenho. As vendas de porta-moldes no primeiro quadrimestre foram positivas e se encontram acima da meta estabelecida, cerca de 10% maiores do que as verificadas no mesmo período do ano passado. E as perspectivas para os próximos meses são positivas, na avaliação da direção da empresa.

O bom momento das fornecedoras de componentes para moldes não significa que o desempenho das ferramentarias seja compatível. Existem as que vivem situação positiva, existem as que passam por dificuldades. Tudo depende muito do tipo de molde que produzem e de qual segmento da economia atendem.

Um exemplo ajuda a entender esse cenário. A Herten Engenharia de Moldes, de Joinville-SC, trabalha com a produção de moldes para injeção de peças técnicas de plástico e alumínio para vários setores do mercado, com destaque para as indústrias de construção civil, automotiva, linha branca, embalagens e descartáveis, produtos de higiene.

“Para cada setor existem tecnologias especificas”, explica Edson Hertenstein, diretor comercial da Herten. Ele conta que o ano passado para a empresa “foi atípico, um dos melhores de nossa história”.

A explicação para o resultado foi a boa procura dos clientes ligados à construção civil. “Esse ano começou diferente, com menor procura. Já estamos em maio e o movimento ainda está abaixo do normal”. O diretor credita o momento à troca de governo, que gerou retração no entusiasmo dos clientes em novos investimentos.

Produção de moldes – Novidades

Algumas novidades movimentam o mercado de moldes.

A Polimold anuncia que vai investir esse ano US$ 4,5 milhões na compra de equipamentos para ampliar e modernizar seu parque fabril. Entre as aquisições, duas centrais de usinagem de cinco eixos e um torno.

  • As centrais de usinagem serão acrescentadas às duas outras unidades que a empresa já conta, dobrando a capacidade de produção de peças que exigem operações complexas, como a obtenção de ângulos diferenciados ou buracos com profundidade fora das especificações normais.
  • O torno será utilizado para fazer usinagem de bicos quentes, entre outras operações. Os novos equipamentos têm previsão de entrar em operação até março do próximo ano.

A Tecnoserv lança um sistema valvulado para câmaras quentes acionado por válvula única.

“Ele elimina o delay nos movimentos, presente nos sistemas que utilizam várias válvulas, diminui o espaço necessário para a implantação das válvulas e permite a redução da distância entre os bicos de injeção”, revela Teixeira.

Outro lançamento foi um porta-molde com placas que apresentam dureza em torno de 50 HRC, voltado para ferramentas que trabalham em regime de elevada pressão.

Novos projetos automotivos favorecem a produção local de moldes e ferramentas ©QD Foto: Divulgação
Molde fabricado pela Tecnoserv

“É um produto único no mercado brasileiro. Com ele os moldes resistem a maiores pressões”.

A empresa também oferece novo serviço, que tem como finalidade ajudar as empresas brasileiras interessadas em adquirir moldes chineses. Quem adquirir uma ferramenta no país asiático passa a ter maior facilidade para instalar câmara quente com a marca Tecnoserv.

“Agora temos dois representantes na China, nas cidades de Suzhou e Dongyuan. Nós fabricamos a câmara quente aqui e as enviamos para eles, que cuidam da montagem no molde e da operação de tryout”.

Câmaras quentes

Notícias também agitam os fornecedores de câmaras quentes.

A HRS Flow foi incorporada à sueca Oerlikon e ampliou seu campo de atuação. Antes bastante focada na indústria automobilística, a empresa agora conta em seu portfólio com soluções para as indústrias eletrônica, de bebidas, utilidades domésticas e embalagens medicinais. Um de seus destaques é a série Flex Flow, câmaras quentes dotadas com acionamento de agulhas feito por motor elétrico.

A Yudo, de origem sul-coreana e com fábrica no Brasil, apresenta o sistema de câmara quente PS, desenvolvido para o mercado de embalagens e cosméticos, e o sistema valvulado com servomotor Yudrive ECO.

Também foi lançado o Yudata, equipamento que durante a realização do ciclo permite verificar a temperatura do molde e da câmara, consumo de energia e contar ciclos, entre outras possibilidades.

Leia Mais:

Acesse o guia eletrônico de fornecedores www.GuiaQD.com.br, a maior plataforma de compra e vendas do setor com 300 mil consultas mensais e 400 anunciantes ativos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios