Novas solicitações exigem atualizar embalagens flexíveis

Nos últimos anos, as formas de produção, distribuição e comercialização de produtos têm provocado alterações no dia a dia do desenvolvimento das embalagens flexíveis.

Para as empresas do setor, torna-se imprescindível estar atento às novas tendências, desde a etapa do projeto à reciclagem, passando pela produção, distribuição e comercialização dos produtos nos pontos de venda e pela análise do comportamento do consumidor.

Esse foi o tema do 8º Fórum Latino-Americano de Embalagens Flexíveis, promovido no final de junho em São Paulo pela Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief).

Um exemplo de como um projeto elaborado com cuidado pode trazer retorno positivo foi mostrado da palestra dada por Karina Cerdeira, gerente de marketing do Danoninho, queijo do tipo petit suisse com sabor de frutas fabricado pela Danone e destinado ao público infantil.

Depois de um trabalho mundial realizado durante dois anos, que foi bem além do desenvolvimento tecnológico necessário para se chegar ao resultado desejado, foi lançada nova embalagem. No Brasil, ela chegou aos pontos de venda em janeiro e as vendas do produto de lá para cá cresceram 22%.

O Danoninho é destinado para crianças, mas adquirido pelo público adulto. Por meio de uma pesquisa, foram constatadas preocupações dos pais em relação ao comportamento e alimentação de seus filhos. Cada aspecto foi utilizado para desenvolver as características do projeto final.

Uma das constatações foi a de que os pais se preocupam com a alimentação dos seus filhos nos lanches da escola. Os lanches intermediários devem ser vistos como aliados do bom desenvolvimento na infância e precisam ser dotados com nutrientes como proteínas de boa qualidade, cereais, frutas e alguns minerais como o cálcio.

“O Danoninho é opção saudável para compor o lanche, pois atende 26% da necessidade diária de cálcio, além de conter vitamina D e outros minerais importantes”, informa Karina. Outra propriedade do produto, de acordo com a profissional, é a reduzida presença do açúcar, ingrediente consumido em excesso pelas crianças de acordo com estudos realizados por várias instituições de saúde.

“De 1999 para cá o índice de açúcar no Danoninho foi reduzido em mais de 40%”.

Apesar das qualidades informadas do produto, era difícil inserir o “queijinho” nas lancheiras das crianças pela falta de refrigeração. Para contornar esse problema, a embalagem passou a ter o que talvez seja sua principal característica. Com o formato de uma bolsa plástica que fica em pé (doypack) e com tampa, ela permite que o produto permaneça até cinco horas fora da geladeira.

Outra descoberta feita pela pesquisa foi a da crescente preocupação dos pais em relação a como, no futuro, seus filhos enfrentarão um mundo altamente competitivo. “Eles esperam que seus filhos ganhem autonomia, estejam prontos para lidar com problemas por conta própria”.

Isso explica outro detalhe importante da embalagem, o de permitir à criança se alimentar sozinha. Basta abrir a tampa e esmagar o saquinho. A aparência tenta ser atraente às crianças. O saquinho tem o formato do Dino, personagem ao qual a marca está associada. “Procuramos entregar o que se espera da marca”.

Gerenciar é preciso

As técnicas de gerenciamento e automação do processo de desenvolvimento da embalagem ajudam muito as empresas a ganhar agilidade e competitividade no mercado.

O recado foi dado durante a palestra de Marcos Cardinali, gerente de marketing da Esko, fornecedora de softwares e hardwares e prestadora de serviços de consultoria sobre o tema.

Para justificar sua tese, Cardinali se deteve em um caso fictício de uma pequena fabricante de bebidas isotônicas, a GET SET, que alcançou bons resultados com uma bebida com sabor de maçã.

A imaginada empresa decide complementar a linha com o lançamento de bebidas com outros sabores diferenciais. Definidas as características dos novos produtos, começam as etapas do processo de desenvolvimento da embalagem. E os problemas.

“O processo envolve muitas pessoas, departamentos e fornecedores externos. Começa uma troca de informações das quais participam o marketing, responsáveis pela qualidade do produto, departamento jurídico, agência de design e transformador.

Quando não é realizada de forma gerenciada, essa operação se torna tremendamente complexa e envolve a troca de 3247 e-mails entre os participantes”, conta.

Dessa forma, o projeto já chega com vinte dias de atraso no transformador, que irá trabalhar muito pressionado com o tempo.

Em um mercado competitivo, o transformador também é obrigado a trabalhar com margens de lucro muito pequenas. “Qualquer erro pode ser fatal”, salienta. O drama prossegue. Com a pressa, ocorre um erro de manuseio nos arquivos que compromete a impressão do primeiro lote de embalagens.

O processo se reinicia, o lucro do transformador fica comprometido. E por aí vai. O produto chega à prateleira com atraso e empresas concorrentes se anteciparam à GET SET, que terá maior dificuldade para alcançar o sucesso no empreendimento.

“Com a adoção do gerenciamento e automação do projeto, em todas as etapas se ganha tempo. Todos os envolvidos sabem o que precisam fazer”, garante.

Cardinale estima, em média, que um lançamento fica 50% mais rápido, com economia do tempo da equipe em 25% e redução de custos de até 60%, eliminando 80% dos erros, entre outras vantagens.

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