Aditivos e Masterbatches

Novas aplicações mantêm alta a demanda pela resina – PET

Antonio Carlos Santomauro
5 de dezembro de 2018
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    Mauricio Eraclide, coordenador comercial da KHS, observa que mercados como beleza e limpeza doméstica, nos quais as embalagens de PET até há pouco tempo se restringiam a produções em quantidades mais restritas, já demandam tecnologias próprias para grandes tiragens (como aquelas compostas por sistemas individualizados para pré-forma e sopro). “As grandes empresas desses setores estão unificando marcas, e produzindo embalagens PET em tiragens mais elevadas”, ressalta Eraclide.

    E Marchetto, da Aoki, aposta na geração de mais negócios a partir da atuação mais incisiva de sua empresa no mercado da transformação de PE, projetando também “boas perspectivas” nos mercados farmacêutico e de cosméticos. “Também estamos com muita demanda para produtos de alta produção em formatos normalmente não cobertos pelo processo de dois estágios, por exigirem gargalos e formatos especiais, como lácteos com formato até 200 ml e potes com peso reduzido para iogurtes e maioneses”, comenta. “Também há sinalização de aumento da demanda para bebidas alcoólicas destiladas de alto padrão, como vodkas”, acrescenta o profissional da Aoki.

    Considerando essa sua aplicação em diversos mercados, Irokawa, da Krones, vê no PET o material com maior potencial de crescimento como matéria-prima de embalagens. “Além de ter um uso extremamente flexível, ele tem um preço acessível, equivalente a 30% do custo do vidro”, justifica.

    Na indústria de embalagens para bebidas sensíveis, especificamente, esse crescimento deve ser rápido e exponencial. “O PET hoje provavelmente representa cerca de 5% das embalagens dessas bebidas, nas quais os cartões ainda são amplamente majoritários, mas em cinco anos esse índice deve subir para cerca de 50%”, projeta Irokawa.

    Reciclagem em alta – A crescente necessidade de considerar os fatores relacionados à sustentabilidade também impacta o mercado dos equipamentos de transformação de PET, gerando, destaca Marcelo Martini, da KHS, movimentos como a expansão da demanda por equipamentos para a produção de embalagens retornáveis feitas com essa resina (já utilizadas por empresas como a Coca-Cola). “Sopradoras para esse tipo de embalagem têm especificidades, como a necessidade de aquecer lateralmente o molde, e trabalham com pré-formas mais pesadas”, detalha.

    Plástico Moderno, Linha de produção conta com sopradora InnoPET Blomax, da KHS

    Linha de produção conta com sopradora InnoPET Blomax, da KHS

    Por sua vez, a Krones, segundo Irokawa, olha muito atentamente para a indústria da reciclagem, para a qual disponibiliza soluções para sistemas bottle-to-botlte (que permite usar a resina reciclada nas próprias embalagens de bebidas e alimentos). “Tem tudo para crescer ainda mais a reciclagem do PET: no Brasil, o índice dessa reciclagem está hoje próximo de 56%, mas na Alemanha ele já supera 90%”, enfatiza Irokawa.

    No atual contexto, a reciclagem pode inclusive ganhar impulso adicional com a valorização do preço internacional das resinas registrada nos últimos meses (mais acentuada que em anos anteriores); mas mesmo aqui o movimento de reaproveitamento do PET pós-consumo parece só não constituir atividade mais pujante por questões muito específicas, uma delas, a baixa oferta de sucata para os recicladores.

    É esse o principal motivo da inexistência de projetos de ampliação da estrutura produtiva do Grupo AG, que já recicla, para uso bottle-to-bottle, 800 toneladas mensais da resina. “Só não pensamos em uma nova máquina para aumentar essa capacidade por falta de sucata”, afirma Anderson Cardoso Guimarães, presidente do Grupo AG. “No Brasil, o PET reciclado tem hoje praticamente o mesmo preço do virgem, mas em países como a Alemanha pode custar até mais”, acrescenta.

    Sediado no município mineiro de Juiz de Fora, o Grupo AG inclui, além da unidade de reciclagem, uma fábrica de embalagens sopradas de PET e PE e uma operação logística para o transporte desses produtos. Recebeu no final do ano passado a certificação que permite o uso do PET que recicla nas embalagens de bebidas e alimentos, e utiliza 15% dessa resina reciclada nas embalagens que ele mesmo produz. “Mesmo embalagens retornáveis de PET já usam resina reciclada, agora presente também em embalagens de laticínios e de outros alimentos”, diz Guimarães.

    Reciclagem hi tech – A tecnologia de reciclagem de PET em grau alimentício utilizada pelo grupo AG foi fornecida pela Starlinger (empresa austríaca que além de sistemas de reciclagem para praticamente todas as resinas fornece também equipamentos para ráfia). Essa tecnologia, afirma com Tobias Jungblut, diretor da Starlinger Brasil, tem diferenciais em relação aos concorrentes. Um deles: não trabalha com agitação dos materiais e, assim, não os fricciona e, portanto, não gera poeira capaz de interferir na qualidade do reciclado.

    Plástico Moderno, Carina: separador diferencia PET de garrafas e de bandejas

    Carina: separador diferencia PET de garrafas e de bandejas

    Além disso, prossegue Jungblut, como a etapa de policondensação é feita em estado sólido, ela permite a rastreabilidade do material em todo o processo, do ingresso no sistema até a aplicação no produto final. “A rastreabilidade permite, entre outras coisas, garantir que o índice de viscosidade seja aquele exigido pelo cliente e que todo o material foi submetido ao mesmo grau de descontaminação”, enfatiza o diretor da Starlinger.

    A fabricante de separadores ópticos Tomra passou a disponibilizar este ano equipamentos dotados de uma tecnologia que, com uma nova configuração de lente e de sensor de infravermelho, permite distinguir e separar garrafas PET de bandejas monocamadas feitas com a mesma resina (além das separações mais tradicionais, que entre outros quesitos incluem cores diferentes de PET). “Já conseguíamos separar as garrafas das bandejas PET multicamadas, mas também essa separação ficou agora mais precisa”, destaca Carina Arita, gerente comercial da Tomra.

    Bandejas monocamadas de PET, ela ressalta, ganham espaço crescente em aplicações como caixas de ovos e embalagens de frutas e de confeitos. “E é importante separá-las, pois elas têm propriedades diferentes, viscosidade, por exemplo, que prejudicam a reciclagem das garrafas”, acrescenta.

    A Seibt oferece para recicladores sistemas para produção de flakes, qualificados pela empresa como próprios para os requisitos bottle-to-bottle, pois abrangem uma etapa denominada ‘superlavagem’, capaz de garantir índices de descontaminação suficientemente elevados. “Nossos sistemas são modulares, e a superlavagem pode ser colocada posteriormente, mas ela já aparece em 90% da demanda que nos é colocada”, destaca Adão Braga Pinto, gerente comercial da Seibt.

    Plástico Moderno, Linha de reciclagem da Seibt aplica a superlavagem

    Linha de reciclagem da Seibt aplica a superlavagem

    Atualmente, ressalta o gerente, elevam-se de maneira bastante significativa as capacidades das plantas de reciclagem de PET: “Há cerca de cinco anos ainda se falava em unidades para 500 kg/h, mas hoje qualquer projeto já considera pelo menos 1,5 t/hora, e há plantas para 3 ou 4 toneladas por hora”, compara.

    Percebe-se também um movimento de possível verticalização desse mercado, no qual tradicionalmente sempre houve quem produzia o flake, depois quem realizava as etapas de pós-condensação e a granulação, e finalmente as empresas que incluíam as resinas assim recicladas na produção de embalagens. “As consultas parecem indicar uma tendência, concretizável a médio prazo, de grandes empresas – tanto produtores de embalagens quanto fabricantes de bebidas e outros produtos – cuidarem elas próprias de receber o flake reciclado e a partir daí desenvolver todo o processo”, finaliza.



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