Novas aplicações mantêm alta a demanda pela resina – PET

Plástico Moderno, Linha de envase asséptico de sucos em PET, fabricada pela Krones
Linha de envase asséptico de sucos em PET, fabricada pela Krones
Plástico Moderno, Marçon: redução de espessura das paredes contém demanda
Marçon: redução de espessura das paredes contém demanda

Os novos grupos controladores da produção da resina, recém-chegados para substituir os anteriores, podem significar alguma incerteza no mercado brasileiro de tereftalato de polietileno, mais conhecido como PET. Mas o próprio interesse desses players indica serem positivas as expectativas dessa indústria, hoje capaz de gerar negócios em um leque bem mais vasto de aplicações além das usuais embalagens de refrigerantes, água, e mais recentemente de óleos comestíveis. Nelas, o PET apresenta como diferenciais competitivos frente a opções como vidro e alumínio – e mesmo outras resinas – a elevada resistência química e a impactos, a barreira eficaz a gases e odores, a transparência, o peso menor e o custo final inferior.

Os novos usos contribuirão para que, pelas estimativas de Auri Marçon, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), no Brasil a demanda por essa resina se expanda neste ano cerca de 2% (relativamente a 2017). Em alguma medida, a queda no consumo de refrigerantes e a redução nas espessuras de embalagens refreiam essa expansão. “Mas é notório o crescimento em mercados como água, leite longa vida e derivados de leite, chás e energéticos, entre outros”, detalha Marçon. “Mudam os hábitos do consumidor, mas o PET acompanha isso sem oscilação na demanda”, acrescenta.

Também Maurício Jaroski, diretor de portfólio e conhecimento da consultoria W4Chem (spin-off da consultoria MaxiQuim), credita o impulso nessa demanda a novas aplicações em bebidas, por exemplo, em sucos, leite e águas aromatizadas. “E começa a aparecer mais PET em embalagens termoformadas de alimentos”, destaca.

Plástico Moderno, Jaroski: mercado local é bom a ponto de atrair investidores
Jaroski: mercado local é bom a ponto de atrair investidores

Considerando apenas o que ele denomina de ‘PET garrafa’ – a porção destinada a embalagens, gênero de aplicação amplamente majoritária nesse mercado –, Jaroski estima para 2018 um incremento no consumo aparente da resina superior àquele projetado pelo diretor da Abipet: cerca de 5%. “A médio e longo prazos as perspectivas são boas, caso contrário não teríamos tão rapidamente players mundiais adquirindo plantas no Brasil”, complementa o consultor.

Um desses players é o grupo tailandês Indorama, que em março último se tornou dono da operação de produção de PET mantida no Complexo de Suape-PE pelo grupo italiano M&G. O outro é a Alpek, empresa de capital mexicano que no final de 2016 adquiriu as operações, instaladas nesse mesmo complexo, da PQS (Petroquímica Suape) e da Citepe (Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco), anteriormente controladas pela Petrobras. Mantendo em diversos países mais de vinte unidades produtoras da cadeia do poliéster (da qual o PET faz parte), a Alpek já atuava no Brasil através da Styropek, que produz EPS em Guaratinguetá-SP.

Entre os objetivos agora colocados para a PQS, Emilio Larrañaga, diretor comercial da Alpek na América do Sul, cita a ocupação plena da atual capacidade ali existente de produção de PTA (ácido tereftálico purificado, matéria-prima do PET e de fibras têxteis) hoje de 700 mil toneladas anuais (é a única produtora nacional de PTA). “Já estamos ampliando a produção de PTA, buscando atender a demanda nacional e substituindo as importações”, diz Larrañaga (entre janeiro e julho deste ano o Brasil importou em média 8 mil toneladas mensais de PTA).

Pretende-se também ampliar a produção de PET da PQS para suprir o desenvolvimento do mercado interno e das exportações destinadas principalmente para outras nações da América do Sul (a empresa também produz na Argentina resina PET virgem e reciclada). “E começamos a aumentar a produção de filamentos têxteis, cujo consumo no Brasil é crescente e majoritariamente atendido pela importação”, acrescenta Larrañaga.

O PET, ele reconhece, enfrenta desafios, como a queda nas vendas de refrigerantes e a redução nas espessuras de embalagens. Mas tem também muitas oportunidades: por exemplo, pelo aumento no consumo de produtos mais saudáveis e pela preocupação com as questões ambientais. “Devido a sua flexibilidade, transparência, características técnicas, e por ser 100% reciclável, ele vem ganhando mercado em diferentes aplicações, tornando-se a embalagem preferida para novos produtos”, afirma o profissional da Alpek.

Plástico Moderno, Irokawa: soluções integradas têm altíssima produtividade
Irokawa: soluções integradas têm altíssima produtividade

Produtividade e menos consumo – A expansão dos usos do PET acompanha a evolução das tecnologias dedicadas a sua transformação, que nas aplicações mais consagradas, muito associadas a grandes volumes de produção, a exemplo das embalagens para refrigerantes e água, orienta-se por diretrizes como incremento da produtividade e redução do consumo energético.

As primeiras sopradoras da marca Krones, por exemplo, quando chegaram ao mercado, em 1998, podiam produzir mil garrafas/cavidade/hora. Atualmente, consegue chegar a 2.500 garrafas/cavidade/hora. Além disso, lembra Ayrton Irokawa, gerente comercial da Krones do Brasil, se já houve época na qual o sopro acontecia em local diferente do envase, atualmente cresce a demanda por soluções que integram sopradora, rotuladora e enchedora em uma única linha (sem sequer haver espaços intermediários para armazenamento das embalagens, como também aconteceu durante algum tempo).

Na Krones, essas soluções integradas têm a marca Ergobloc, e capacidade para envasar até 81 mil garrafas por hora. “Elas têm sido o grande diferencial da empresa nesta última década”, afirma Irokawa. “Também crescem as tecnologias de envase asséptico, em PET, de bebidas sensíveis, um de nossos focos para os próximos anos”, acrescenta Irokawa (entre as ‘bebidas sensíveis’ ele inclui sucos, leite, águas aromatizadas e bebidas protéicas, entre outros itens).

Também as sopradoras Blomax, da KHS, podem hoje produzir 2,5 mil garrafas por cavidade por hora. E há melhorias, relata Marcelo Martini, gerente comercial dessa empresa, também no consumo de energia. “Nossa Série 4 de sopradoras, lançada em 2009, já havia reduzido esse consumo em média em 30% (relativamente às máquinas anteriores). Na Série 5, que lançaremos mundialmente neste mês de setembro, ele diminuirá ainda mais”, diz Martini.

Ele ressalta a evolução da tecnologia dos fornos da sopradoras, hoje capazes de direcionar melhor o calor para as partes das pré-formas que necessitam de aquecimento, minimizando assim a pressão necessária ao sopro (e consequentemente reduzindo a quantidade de energia consumida pelos compressores de ar).

E no início do próximo ano, prossegue Martini, a KHS começará a testar em uma planta de envase de água o protótipo de um equipamento que realiza o sopro não com ar, e sim com a própria água que será acondicionada na embalagem (ao menos por enquanto esse equipamento servirá apenas para envase de água, não trabalhará com bebidas carbonatadas). “Até o final do próximo ano essa tecnologia deve entrar em operação efetiva”, ele projeta.

A substituição das tecnologias hidráulicas pela eletrônica também aparece nos relatos do processo de desenvolvimento das sopradoras: “Quando de seu lançamento, os equipamentos de nossa linha Petmatic, de sopradoras de PET, eram quase integralmente pneumáticos. Agora, vários de seus movimentos, como o estiramento das pré-formas, têm controles elétricos e por servomotores”, relata Leandro Pavan, gerente de marketing da Pavan Zanetti. “Também desenvolvemos um sistema de recuperação de ar de sopro, que promove economia de ar comprimido, e consequentemente de energia”, acrescenta.

Este ano, a linha de sopradoras Petmatic, da Pavan Zanetti, recebeu um novo integrante (o quinto): o modelo Petmatic 6000, para embalagens de PET de 5 ou 6 litros, concebida com foco em mercados como água e limpeza doméstica. “Existem hoje até mesmo embalagens de água de 20 litros feitas com PET”, observa Pavan. “Percebemos a demanda por máquinas para embalagens maiores e, desde o lançamento, já vendemos um numero significativo da Petmatic 6000”, diz.

Plástico Moderno, A Petmatic 6000 é indicada para frascos de PET de 5 ou 6 litros
A Petmatic 6000 é indicada para frascos de PET de 5 ou 6 litros
Plástico Moderno, Marchetto: tecnologia Aoki reduz etapas, riscos e custos
Marchetto: tecnologia Aoki reduz etapas, riscos e custos

Personalização e leveza – Equipamentos cada dia mais produtivos e simultaneamente menos demandantes de energia, constituem objetivos também dos fabricantes das soluções que realizam em uma única etapa o processo de injeção, estiramento e sopro do PET. É o caso da Aoki, há mais de quatro décadas dedicada a essa alternativa de transformação. “Nossa tecnologia obtém embalagens sopradas em PET com menos etapas, menos riscos, menor custo operacional e maior eficiência”, afirma Guilherme Marchetto, gerente geral da Aoki no Brasil.

Essas soluções integradas, reconhece Marchetto, são mais competitivas no universo das tiragens menores, até 5 mil unidades por hora, cabendo aos sistemas nos quais a produção de pré-formas é separada do estiramento e do sopro a primazia na produção de quantidades muito grandes. “Temos máquinas para tiragens maiores, até 9 mil frascos por hora, mas, a não ser em clientes com necessidades muito específicas, nesse segmento somos menos competitivos”, ressalta. “Nossas máquinas possibilitam, porém, desenhos mais específicos de embalagens, por exemplo, ovais, ou com gargalos descentralizados. E produzimos também os moldes”, acrescenta Marchetto.

O foco nas tiragens mais curtas confere à Aoki presença mais incisiva em mercados como produtos lácteos, medicamentos e farmacêuticos. Essa presença deve agora se fortalecer com a possibilidade de uso dos equipamentos da marca também na transformação de polietileno (PE).

Os equipamentos Aoki, lembra Marchetto, sempre aceitaram processar PE, porém até recentemente não tinham ciclos suficiente competitivos para concorrer com as tecnologias predominantes na transformação dessa resina, como extrusão/sopro e injeção/sopro. “Com inovações recentes, como aumento da capacidade de injeção e novo desenho de pré-formas, estamos conseguindo ciclos cada vez menores, e já estamos ingressando no mercado de PE, começando pela indústria farmacêutica”, explica.

No mercado das pré-formas, ganham espaço as injetoras capazes de fabricar peças com multicamadas, que a fabricante de injetoras Husky produz com a marca HyPET HPP5 Multilayer. A linha de injetoras para pré-formas monocamadas dessa empresa leva a marca HyPET HPP5, e é composta por máquinas com força entre 225 a 500 toneladas, para moldes de até 160 cavidades.

Plástico Moderno, Injetora Husky HyPET HPP5 gera pré-formas com barreira interna
Injetora Husky HyPET HPP5 gera pré-formas com barreira interna
Plástico Moderno, Carmo: multicamadas protegem produtos sensíveis, como leite
Carmo: multicamadas protegem produtos sensíveis, como leite

Paulo Carmo, gerente de negócios da Husky, cita embalagens de leite e de sucos como aplicações de PET potencialmente demandantes de pré-formas multicamadas. As primeiras, para proteger o leite da ação da luz, podem conter três camadas da resina, das quis a intermediária é preta. Já as pré-formas para embalagens de sucos podem incluir uma camada interna com aditivos destinados a atuar como barreira adicional ao oxigênio (solução já utilizada também nas embalagens de produtos como ketchup). “Lançamos as máquinas HPP5 Multilayer há cerca de três anos e, desde então, já vendemos quase quarenta delas em todo o mundo: uma delas, no Brasil”, relata Carmo. “Esse é um mercado ainda praticamente virgem, que deve crescer bastante”, acredita.

O profissional da Husky aponta a existência de uma contínua busca por embalagens mais finas, para as quais são necessárias pré-formas mais leves. No Brasil, embalagens de água atualmente utilizam pré-formas com peso entre 8 a 15 gramas (mais comumente, entre 10 e 13 gramas). “Em outros países, já temos pré-formas para embalagens de água com 5 gramas”, salienta.

Novos horizontes – Embora impactada pela conjuntura econômica pouco favorável, a demanda do mercado brasileiro de equipamentos para a transformação de PET também se beneficia do contínuo processo de desenvolvimento de suas tecnologias e da expansão do uso dessa resina para mercados com aplicações tradicionalmente fundamentadas em outras matérias-primas.

Pode-se visualizar esse processo de consolidação do PET em posições antes ocupadas por outros materiais na atual configuração da linha de produção da Pavan Zanetti, que tradicionalmente direcionava para o PE e o PP cerca de 80% das sopradoras que produzia. “Mas cresceu muito a demanda por sopradoras de PET, e elas agora respondem por 50% de nossa produção”, conta Leandro Pavan.

A indústria de bebidas, diz Pavan, segue sendo o setor que mais demanda sopradoras de PET; mas ela já não destina esses equipamentos apenas para as embalagens de água e refrigerantes: aproveita-os também em outros produtos, como os sucos. Ao mesmo tempo, cresce a presença do PET soprado no mercado da limpeza doméstica. “Nesse ramo, o PET já predomina nas embalagens de detergentes e ganha espaço crescente em segmentos como desinfetantes, águas sanitárias e alvejantes, que tradicionalmente usavam embalagens de PEAD”, destaca.

Mauricio Eraclide, coordenador comercial da KHS, observa que mercados como beleza e limpeza doméstica, nos quais as embalagens de PET até há pouco tempo se restringiam a produções em quantidades mais restritas, já demandam tecnologias próprias para grandes tiragens (como aquelas compostas por sistemas individualizados para pré-forma e sopro). “As grandes empresas desses setores estão unificando marcas, e produzindo embalagens PET em tiragens mais elevadas”, ressalta Eraclide.

E Marchetto, da Aoki, aposta na geração de mais negócios a partir da atuação mais incisiva de sua empresa no mercado da transformação de PE, projetando também “boas perspectivas” nos mercados farmacêutico e de cosméticos. “Também estamos com muita demanda para produtos de alta produção em formatos normalmente não cobertos pelo processo de dois estágios, por exigirem gargalos e formatos especiais, como lácteos com formato até 200 ml e potes com peso reduzido para iogurtes e maioneses”, comenta. “Também há sinalização de aumento da demanda para bebidas alcoólicas destiladas de alto padrão, como vodkas”, acrescenta o profissional da Aoki.

Considerando essa sua aplicação em diversos mercados, Irokawa, da Krones, vê no PET o material com maior potencial de crescimento como matéria-prima de embalagens. “Além de ter um uso extremamente flexível, ele tem um preço acessível, equivalente a 30% do custo do vidro”, justifica.

Na indústria de embalagens para bebidas sensíveis, especificamente, esse crescimento deve ser rápido e exponencial. “O PET hoje provavelmente representa cerca de 5% das embalagens dessas bebidas, nas quais os cartões ainda são amplamente majoritários, mas em cinco anos esse índice deve subir para cerca de 50%”, projeta Irokawa.

Reciclagem em alta – A crescente necessidade de considerar os fatores relacionados à sustentabilidade também impacta o mercado dos equipamentos de transformação de PET, gerando, destaca Marcelo Martini, da KHS, movimentos como a expansão da demanda por equipamentos para a produção de embalagens retornáveis feitas com essa resina (já utilizadas por empresas como a Coca-Cola). “Sopradoras para esse tipo de embalagem têm especificidades, como a necessidade de aquecer lateralmente o molde, e trabalham com pré-formas mais pesadas”, detalha.

Plástico Moderno, Linha de produção conta com sopradora InnoPET Blomax, da KHS
Linha de produção conta com sopradora InnoPET Blomax, da KHS

Por sua vez, a Krones, segundo Irokawa, olha muito atentamente para a indústria da reciclagem, para a qual disponibiliza soluções para sistemas bottle-to-botlte (que permite usar a resina reciclada nas próprias embalagens de bebidas e alimentos). “Tem tudo para crescer ainda mais a reciclagem do PET: no Brasil, o índice dessa reciclagem está hoje próximo de 56%, mas na Alemanha ele já supera 90%”, enfatiza Irokawa.

No atual contexto, a reciclagem pode inclusive ganhar impulso adicional com a valorização do preço internacional das resinas registrada nos últimos meses (mais acentuada que em anos anteriores); mas mesmo aqui o movimento de reaproveitamento do PET pós-consumo parece só não constituir atividade mais pujante por questões muito específicas, uma delas, a baixa oferta de sucata para os recicladores.

É esse o principal motivo da inexistência de projetos de ampliação da estrutura produtiva do Grupo AG, que já recicla, para uso bottle-to-bottle, 800 toneladas mensais da resina. “Só não pensamos em uma nova máquina para aumentar essa capacidade por falta de sucata”, afirma Anderson Cardoso Guimarães, presidente do Grupo AG. “No Brasil, o PET reciclado tem hoje praticamente o mesmo preço do virgem, mas em países como a Alemanha pode custar até mais”, acrescenta.

Sediado no município mineiro de Juiz de Fora, o Grupo AG inclui, além da unidade de reciclagem, uma fábrica de embalagens sopradas de PET e PE e uma operação logística para o transporte desses produtos. Recebeu no final do ano passado a certificação que permite o uso do PET que recicla nas embalagens de bebidas e alimentos, e utiliza 15% dessa resina reciclada nas embalagens que ele mesmo produz. “Mesmo embalagens retornáveis de PET já usam resina reciclada, agora presente também em embalagens de laticínios e de outros alimentos”, diz Guimarães.

Reciclagem hi tech – A tecnologia de reciclagem de PET em grau alimentício utilizada pelo grupo AG foi fornecida pela Starlinger (empresa austríaca que além de sistemas de reciclagem para praticamente todas as resinas fornece também equipamentos para ráfia). Essa tecnologia, afirma com Tobias Jungblut, diretor da Starlinger Brasil, tem diferenciais em relação aos concorrentes. Um deles: não trabalha com agitação dos materiais e, assim, não os fricciona e, portanto, não gera poeira capaz de interferir na qualidade do reciclado.

Plástico Moderno, Carina: separador diferencia PET de garrafas e de bandejas
Carina: separador diferencia PET de garrafas e de bandejas

Além disso, prossegue Jungblut, como a etapa de policondensação é feita em estado sólido, ela permite a rastreabilidade do material em todo o processo, do ingresso no sistema até a aplicação no produto final. “A rastreabilidade permite, entre outras coisas, garantir que o índice de viscosidade seja aquele exigido pelo cliente e que todo o material foi submetido ao mesmo grau de descontaminação”, enfatiza o diretor da Starlinger.

A fabricante de separadores ópticos Tomra passou a disponibilizar este ano equipamentos dotados de uma tecnologia que, com uma nova configuração de lente e de sensor de infravermelho, permite distinguir e separar garrafas PET de bandejas monocamadas feitas com a mesma resina (além das separações mais tradicionais, que entre outros quesitos incluem cores diferentes de PET). “Já conseguíamos separar as garrafas das bandejas PET multicamadas, mas também essa separação ficou agora mais precisa”, destaca Carina Arita, gerente comercial da Tomra.

Bandejas monocamadas de PET, ela ressalta, ganham espaço crescente em aplicações como caixas de ovos e embalagens de frutas e de confeitos. “E é importante separá-las, pois elas têm propriedades diferentes, viscosidade, por exemplo, que prejudicam a reciclagem das garrafas”, acrescenta.

A Seibt oferece para recicladores sistemas para produção de flakes, qualificados pela empresa como próprios para os requisitos bottle-to-bottle, pois abrangem uma etapa denominada ‘superlavagem’, capaz de garantir índices de descontaminação suficientemente elevados. “Nossos sistemas são modulares, e a superlavagem pode ser colocada posteriormente, mas ela já aparece em 90% da demanda que nos é colocada”, destaca Adão Braga Pinto, gerente comercial da Seibt.

Plástico Moderno, Linha de reciclagem da Seibt aplica a superlavagem
Linha de reciclagem da Seibt aplica a superlavagem

Atualmente, ressalta o gerente, elevam-se de maneira bastante significativa as capacidades das plantas de reciclagem de PET: “Há cerca de cinco anos ainda se falava em unidades para 500 kg/h, mas hoje qualquer projeto já considera pelo menos 1,5 t/hora, e há plantas para 3 ou 4 toneladas por hora”, compara.

Percebe-se também um movimento de possível verticalização desse mercado, no qual tradicionalmente sempre houve quem produzia o flake, depois quem realizava as etapas de pós-condensação e a granulação, e finalmente as empresas que incluíam as resinas assim recicladas na produção de embalagens. “As consultas parecem indicar uma tendência, concretizável a médio prazo, de grandes empresas – tanto produtores de embalagens quanto fabricantes de bebidas e outros produtos – cuidarem elas próprias de receber o flake reciclado e a partir daí desenvolver todo o processo”, finaliza.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios