Aditivos e Masterbatches

Novas aplicações mantêm alta a demanda pela resina – PET

Antonio Carlos Santomauro
5 de dezembro de 2018
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    Plástico Moderno, Linha de envase asséptico de sucos em PET, fabricada pela Krones

    Linha de envase asséptico de sucos em PET, fabricada pela Krones

    Plástico Moderno, Marçon: redução de espessura das paredes contém demanda

    Marçon: redução de espessura das paredes contém demanda

    Os novos grupos controladores da produção da resina, recém-chegados para substituir os anteriores, podem significar alguma incerteza no mercado brasileiro de tereftalato de polietileno, mais conhecido como PET. Mas o próprio interesse desses players indica serem positivas as expectativas dessa indústria, hoje capaz de gerar negócios em um leque bem mais vasto de aplicações além das usuais embalagens de refrigerantes, água, e mais recentemente de óleos comestíveis. Nelas, o PET apresenta como diferenciais competitivos frente a opções como vidro e alumínio – e mesmo outras resinas – a elevada resistência química e a impactos, a barreira eficaz a gases e odores, a transparência, o peso menor e o custo final inferior.

    Os novos usos contribuirão para que, pelas estimativas de Auri Marçon, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), no Brasil a demanda por essa resina se expanda neste ano cerca de 2% (relativamente a 2017). Em alguma medida, a queda no consumo de refrigerantes e a redução nas espessuras de embalagens refreiam essa expansão. “Mas é notório o crescimento em mercados como água, leite longa vida e derivados de leite, chás e energéticos, entre outros”, detalha Marçon. “Mudam os hábitos do consumidor, mas o PET acompanha isso sem oscilação na demanda”, acrescenta.

    Também Maurício Jaroski, diretor de portfólio e conhecimento da consultoria W4Chem (spin-off da consultoria MaxiQuim), credita o impulso nessa demanda a novas aplicações em bebidas, por exemplo, em sucos, leite e águas aromatizadas. “E começa a aparecer mais PET em embalagens termoformadas de alimentos”, destaca.

    Plástico Moderno, Jaroski: mercado local é bom a ponto de atrair investidores

    Jaroski: mercado local é bom a ponto de atrair investidores

    Considerando apenas o que ele denomina de ‘PET garrafa’ – a porção destinada a embalagens, gênero de aplicação amplamente majoritária nesse mercado –, Jaroski estima para 2018 um incremento no consumo aparente da resina superior àquele projetado pelo diretor da Abipet: cerca de 5%. “A médio e longo prazos as perspectivas são boas, caso contrário não teríamos tão rapidamente players mundiais adquirindo plantas no Brasil”, complementa o consultor.

    Um desses players é o grupo tailandês Indorama, que em março último se tornou dono da operação de produção de PET mantida no Complexo de Suape-PE pelo grupo italiano M&G. O outro é a Alpek, empresa de capital mexicano que no final de 2016 adquiriu as operações, instaladas nesse mesmo complexo, da PQS (Petroquímica Suape) e da Citepe (Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco), anteriormente controladas pela Petrobras. Mantendo em diversos países mais de vinte unidades produtoras da cadeia do poliéster (da qual o PET faz parte), a Alpek já atuava no Brasil através da Styropek, que produz EPS em Guaratinguetá-SP.

    Entre os objetivos agora colocados para a PQS, Emilio Larrañaga, diretor comercial da Alpek na América do Sul, cita a ocupação plena da atual capacidade ali existente de produção de PTA (ácido tereftálico purificado, matéria-prima do PET e de fibras têxteis) hoje de 700 mil toneladas anuais (é a única produtora nacional de PTA). “Já estamos ampliando a produção de PTA, buscando atender a demanda nacional e substituindo as importações”, diz Larrañaga (entre janeiro e julho deste ano o Brasil importou em média 8 mil toneladas mensais de PTA).

    Pretende-se também ampliar a produção de PET da PQS para suprir o desenvolvimento do mercado interno e das exportações destinadas principalmente para outras nações da América do Sul (a empresa também produz na Argentina resina PET virgem e reciclada). “E começamos a aumentar a produção de filamentos têxteis, cujo consumo no Brasil é crescente e majoritariamente atendido pela importação”, acrescenta Larrañaga.

    O PET, ele reconhece, enfrenta desafios, como a queda nas vendas de refrigerantes e a redução nas espessuras de embalagens. Mas tem também muitas oportunidades: por exemplo, pelo aumento no consumo de produtos mais saudáveis e pela preocupação com as questões ambientais. “Devido a sua flexibilidade, transparência, características técnicas, e por ser 100% reciclável, ele vem ganhando mercado em diferentes aplicações, tornando-se a embalagem preferida para novos produtos”, afirma o profissional da Alpek.



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