Venda de máquinas se mantém em alta

Os fabricantes nacionais de máquinas para transformação de plástico têm bons motivos para estarem otimistas em relação ao desempenho no próximo ano.

A menos que ocorra alguma turbulência muito forte e inesperada, as vendas devem permanecer positivas. Números do ano passado fortalecem a expectativa otimista.

De janeiro a outubro de 2010, o segmento apresentou os melhores resultados entre os segmentos pesquisados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Ao todo, no período, a indústria de equipamentos para plásticos movimentou R$ 681 milhões, 52,9% a mais quando comparado com os dez primeiros meses de 2009 e 17,9% sobre os negócios realizados no mesmo período no excelente ano de 2008.

O setor de bens de capital mecânico, como um todo, apresentou resultados bem mais modestos. De janeiro a outubro do ano passado, as vendas do segmento atingiram a casa dos R$ 59,3 bilhões, valor 10,8% superior ao do mesmo período do exercício anterior.

Apesar da recuperação, os negócios ficaram 14,6% aquém dos obtidos nos dez primeiros meses de 2008, momento anterior ao do surgimento da crise econômica mundial.

“Ao equipararmos os números atuais com os de um ano atrás verificamos crescimento, pois em 2009 passamos por uma das piores crises dos últimos anos. Quando os comparamos a 2008 é possível perceber o quão longe estamos de retornar aos níveis pré-crise”, avalia Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq.

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Em relação ao excelente momento da indústria de máquinas para plásticos, Aubert credita o resultado ao programa lançado pelo Finame em meados do ano passado, durante a crise econômica mundial.

O programa incentivou as vendas de máquinas nacionais ao oferecer aos compradores financiamento a juros amigáveis.

A medida ajudou a indústria de equipamentos para plásticos a enfrentar o dólar desvalorizado, grande vilão do momento dos participantes da indústria de base. Isso ocorreu em especial no mercado das injetoras, onde os produtos asiáticos, por seus preços muito competitivos, incomodam a indústria nacional nos últimos anos. A luta é por manter esse programa perene.

A queda no faturamento em relação a 2008 não significou redução do ritmo da produção total da indústria de base. O índice de utilização da capacidade instalada do setor em outubro de 2010 ficou na casa dos 84,1%. Em outubro de 2009, era de 81,7% e em outubro de 2008 foi de 86,2%.

Outra prova do ritmo aquecido se encontra no número de funcionários. Em outubro de 2010 o setor gerou 250 mil empregos, o mesmo patamar de outubro de 2008 e índice máximo dos últimos três anos.

“As nossas empresas estão faturando menos, mas a produção não caiu. Houve redução dos preços, estamos recebendo menos pelas máquinas vendidas”, explica. Essa tem sido a arma usada para enfrentar os preços subvalorizados dos produtos da China e Coreia do Sul.

A produtividade por funcionário caiu de outubro de 2010 em relação a setembro de 2008 de R$ 34,8 mil para R$ 23,4 mil. Algo em torno dos 33%. “No nosso setor, ninguém vai investir se não tiver lucro”, adverte.

Sinal vermelho – Representantes da indústria de base estão assustados com o futuro do setor. Eles defendem a adoção de algumas medidas capazes de corrigir a estratégia da economia. Além do problema do dólar, são lembradas velhas pendengas responsáveis pelo chamado “custo Brasil”.

“O setor sofre forte ameaça de se desindustrializar. Além do real valorizado, a indústria de máquinas e equipamentos nacional apresenta um dos maiores preços do mundo, por conta da taxa de juros e excesso de tributação”, alerta.

Para ele, a concorrência desleal dos estrangeiros ameaça o setor produtivo como um todo. “Não há país desenvolvido sem uma indústria de base forte”, adverte.

Os juros praticados no Brasil são apontados como grande problema para o setor produtivo. “Na última década, o país pagou quase R$ 1 trilhão em juros, valor que poderia ser empregado em saúde, educação, segurança e na produção.”

Mais queixas são dirigidas à carga tributária, na faixa entre 35% e 40% dos negócios realizados. “Aqui se penaliza quem investe em produção e se premia o capital especulativo”, reclama. Também são disparadas críticas contra a falta de qualidade da política educacional, o que prejudica as empresas na hora de contratar funcionários.

As deficiências na infraestrutura, caso dos problemas enfrentados pelo setor de transportes, tampouco ajuda.

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De acordo com o presidente da Abimaq, qualquer previsão para o setor em 2011 é um exercício de adivinhação. Alguns fatores permitem otimismo.

O processo de exploração do petróleo nas camadas pré-sal está se iniciando, há forte perspectiva de crescimento da construção civil e vem por aí a organização de dois grandes eventos esportivos, a Copa do Mundo e a Olimpíada.

São motivos de impulso para a economia. Mas não há perspectiva de alteração das principais diretrizes econômicas. Pelo contrário. O recrudescimento da inflação nos últimos meses traz a ameaça de nova elevação das taxas de juros.

“Não temos inflação por demanda, não há fila para se comprar automóveis. Não há sentido em penalizar os brasileiros com um novo aumento de juros”, dispara. Levando-se em conta os prós e os contras, o dirigente arrisca um palpite, estima crescimento esse ano entre 4,5% e 5%.

“Para manter um crescimento na casa dos 5% ao ano por um período longo, no entanto, os investimentos feitos em produção precisam saltar do atual nível de 18% para 23%”, ressalta.

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Balança comercial – A valorização da moeda nacional, como não poderia deixar de ser, promove resultados negativos para a balança comercial dos bens de capital mecânico. O saldo do período de janeiro a outubro do ano passado foi negativo, da ordem de US$ 12,9 bilhões.

Em 2009, no mesmo período, havia sido negativo de US$ 9,1 bilhões. As exportações, nos dez primeiros meses de 2010, ficaram na casa dos US$ 7,4 bilhões, contra US$ 6,2 bilhões no mesmo período em 2009 e US$ 10,3 bilhões em 2008.

As importações, no mesmo período, saltaram para US$ 20,3 bilhões, contra US$ 15,6 bilhões em 2009, crescimento de 31,8%. Em 2008, as importações no período foram de US$ 18,7 bilhões. “Se não forem tomadas medidas urgentes e a economia crescer em torno de 5%, em 2011 podemos ter um déficit de US$ 19 bilhões”, calcula.

Para se ter a dimensão exata das dificuldades dos empresários brasileiros para colocar seus produtos em outros países, podemos lembrar que em 2005 as vendas externas respondiam por 34% do volume de negócios da indústria de base nacional e hoje respondem por 22%.

“O mercado não recupera de forma rápida o desempenho nos negócios internacionais, isso demora anos para acontecer”, lamenta Aubert. Os Estados Unidos são o principal importador de equipamentos nacionais, responsáveis por negócios de US$ 1,2 bilhão.

Em seguida aparecem Argentina (US$ 898 milhões), México (US$ 450 milhões), Holanda (US$ 417 milhões), Chile (US$ 344 milhões) e Peru (US$ 315 milhões).

“Estamos apresentando dependência cada vez maior dos nossos vizinhos da América do Sul. Há dois ou três anos exportávamos bem mais para Estados Unidos e Europa”, avalia o presidente da Abimaq.

O perfil das importações também vem se alterando. Em 2010, os Estados Unidos surgem como o principal fornecedor de bens de capital para as nossas indústrias, com vendas de US$ 5 bilhões.

Em segundo lugar aparece a China (US$ 2,5 bilhões), seguida pela Alemanha (US$ 2,4 bilhões), Japão (US$ 1,2 bilhão), Itália (US$1bilhão), Suíça (US$ 804 milhões) e Coreia do Sul (US$ 750 milhões).

“É importante notar a evolução da China, há dez anos era ela a décima colocada entre os exportadores de equipamentos para o Brasil”, ressalta. O avanço é claro. O país asiático, em 2004, respondia por 2,1% das importações, hoje é responsável por 12,5%, quase seis vezes mais.

Outro dado impressionante é o dos coreanos. Em 2004, eles detinham 1,1% das importações nacionais, hoje já alcançaram os 3,7%. A evolução da Índia também é marcante, passou de 0,25% em 2004 para 1,4% em 2010. O líder Estados Unidos viu sua participação reduzida de 32,4% para 24,6%. A Alemanha caiu de 16,5% para 11,8%.

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