Taiwan promove feira para vender máquinas econômicas

Enfrentar 30 horas de voo para estar entre os dias 5 e 9 de março em Taipei, a capital de Taiwan, situada na Ilha de Formosa, ao sul da China, pode valer a pena para quem estiver realmente interessado em alternativas mais econômicas – sem prejuízo técnico muito grande – de máquinas para a indústria do plástico e da borracha.

É nesse período que ocorre a feira Taipei Plas 2010, em sua 12ª edição bianual, na qual estará reunida a nata dos fabricantes taiwaneses de extrusoras, injetoras e sopradoras, reconhecidos por eles mesmos como os melhores “copiadores” de máquinas de alto padrão do mundo.

“Em Taiwan nós costumamos brincar que as empresas daqui não têm um R&D [research and development], mas sim um ótimo R&C [research and copy]”, afirmou Eric Chang, assistente de diretoria da Jon Wai Machinery Works, durante uma das visitas de press-tour para promover a Taipei Plas, da qual a reportagem de Plástico Moderno participou com exclusividade em dezembro de 2009.

Uma das principais fabricantes de injetoras do país asiático, a Jon Wai, segundo Chang, que estará na Taipei Plas como expositora, além das máquinas de linha, tem como foco principal produzir injetoras sob encomenda, em soluções turn-key, com a tecnologia e a cor que o cliente quiser.

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Chang faz injetoras do jeito que o cliente quiser

“Fizemos uma injetora de duas placas em 2008 que a alemã Krauss Maffei disse ser igual à deles. Não é não, é só 99% igual, 1% é ideia nossa”, brincou.

Independentemente das diferenças culturais, porém, a Taipei Plas vai reunir cerca de 375 expositores (em um total de 2 mil estandes) nos 18 mil metros quadrados de área útil do Taipei World Trade Center Nangang Exhibition Hall.

Deve atrair também, segundo espera Moses Yen, o diretor-executivo da Taitra, organizadora do evento, cerca de 20 mil visitantes, sendo 17.500 domésticos e o restante de estrangeiros.

Apesar de notadamente ter sentido os efeitos da crise internacional, o que fez com que houvesse retração no número de expositores (foram 429 em 2008), a expectativa com a visitação é superior à da edição anterior, quando 17 mil pessoas (2.342 estrangeiros) foram a Taipei. Isso se deve, de acordo com Yen, a um reforço no trabalho de divulgação internacional (o que inclui, aliás, a press-tour para jornalistas de todo o mundo que foram convidados pela primeira vez para um evento desse tipo).

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O prédio Taipei 101 é o segundo mais alto do mundo

China preocupa – Na avaliação da Taitra, a Taipei Plas está entre as três principais feiras de plástico da Ásia, junto com a Chinaplas, em Xangai/Guangzhou, na China, e a feira japonesa International Plastics Fair (IPF).

Sua preocupação em ser mais reconhecida no mundo, segundo a informação de profissionais habituados ao mercado asiático, se deve principalmente à ascensão da feira chinesa, que além de ser anual (um ano em Xangai e outro em Guangzhou) tem crescido a cada edição, esvaziando as atenções globais sobre a Taipei Plas.

Não custa ressaltar que os expositores taiwaneses também marcam presença na exposição da China comunista, visto que normalmente esses grupos também contam com filiais naquele país, e que os visitantes de continentes distantes dificilmente se sentem atraídos a ir duas vezes por ano à Ásia.

A preocupação de Taiwan com a Chinaplas, que em sua última edição ultrapassou os 1.900 expositores e trouxe 70 mil visitantes a Guangzhou, sintetiza um sentimento comum dos taiwaneses, que temem ser comparados com os “chineses comunistas”, em virtude da fama que estes possuem de produzir máquinas de qualidade duvidosa.

É comum ouvir nas empresas taiwanesas comentários não muito amistosos sobre os equipamentos e a conduta dos vizinhos, que, aliás, fazem parte do mesmo povo, apenas separado politicamente desde que Chiang Kai-shek e sua tropa nacionalista foram expulsos por Mao Tsé-tung em 1949. Para os taiwaneses, em geral, os chineses “copiam” suas máquinas, fazendo versões mais baratas, aviltando o mercado.

Isso não impede, porém, que os fabricantes de Taiwan tenham unidades produtivas na China. Pelo contrário, para vender àquele imenso mercado, eles precisam montar fábricas por lá. Afinal de contas, por ser muita pequena, Taiwan depende do mercado externo, para onde manda 80% das máquinas produzidas.

Um caso emblemático ocorre na Fu Chun Shin (FCS), de Tainan, no sul de Taiwan, que tem também duas sedes na China, em Dongguan e outra em Ningbo.

Apesar da ligação étnica, Taiwan – considerada pela China uma província rebelde – gosta de reiterar sua maior preocupação com a tecnologia, procurando seguir as tendências europeias e japonesas, em detrimento dos chineses, cuja ênfase declarada é no custo reduzido de suas máquinas.

Não por menos, a grande tônica atual das empresas é fabricar sistemas de alto desempenho com menor consumo de energia, a um custo inferior ao dos concorrentes europeus e japoneses. No caso da injeção, isso significa que os taiwaneses se empenham em criar modelos de máquinas elétricas e híbridas com preços mais competitivos.

Competitiva – Para conseguir competitividade e reduzir os custos de suas máquinas, Taiwan recentemente começou a produzir servomotores elétricos, por meio de pesquisa do Taiwan Industrial Technology Research Institute em conjunto com a empresa Teco Electro e que passou a ser utilizado por várias fabricantes.

O grande mérito da nacionalização foi reduzir em 20% o preço dos servomotores (de 3 e 7.5 kw) em comparação aos feitos pelo Japão, onde a maioria deles importava os motores para suas máquinas. A novidade faz com que as injetoras fiquem de 40% a 60% mais baratas do que as europeias e japonesas.

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Hsieh vendeu injetora de duas placas para a Fiat do Brasil

A Fu Chun Shin já utiliza o servomotor da Teco na sua injetora elétrica HE-50, de 50 toneladas, apresentada na edição de 2008 da Taipei Plas, e que conta com motores separados: um para plastificação e dois para injeção.

A máquina ainda conta com motor elétrico para movimentação de peças e sua velocidade de injeção é de 300 mm/segundo, operando com rosca de 22 mm de diâmetro.

De acordo com o coordenador de planejamento da FCS, John Hsieh, além das injetoras elétricas, a empresa tem se empenhado nas versões híbridas, que contam com acionamento de bombas por servomotores japoneses com capacidade de reduzir o consumo de energia em até 40%, em comparação com acionamentos convencionais de bombas, e em alguns casos até 80% mais econômico em comparação com máquinas hidráulicas.

Outra nova vertente da empresa são sistemas turn-key de IML (in-mold-labelling) para embalagens de água mineral e laticínios, tecnologia lançada há dois anos e que será mostrada em nova versão na Taipei Plas 2010. Trata-se de solução integrada, denominada A-Pack, que inclui a moldagem, selagem, alimentação e robotização, com ciclos de cinco segundos e capacidade perto das 2 milhões de peças por mês.

A nova versão inclui um novo sistema de alimentação de selagem com a capacidade de produzir copos com paredes finas. A máquina possui sistema híbrido de injeção de alta velocidade close loop e molde de câmara quente de quatro cavidades.

Para Hsieh, Taiwan, no caso de injetoras elétricas, já pode ser considerada a terceira melhor solução mundial, atrás das máquinas alemãs e das japonesas.

Segundo ele, a reputação da empresa a faz estar presente em plantas em todo o mundo, inclusive no Brasil, onde possui muitas máquinas vendidas. Recentemente, cita o coordenador, foram comercializadas injetoras de duas placas (série LM) para a montadora Fiat, para a produção de peças grandes, como para-choques.

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Pátio de fabricação da Jon Wai em Taipel está lotado

Em termos de volume de vendas, Taiwan é considerada a quinta maior produtora mundial de máquinas para plástico e borracha.

O faturamento total dessa indústria foi em 2008 de US$ 1,4 bilhão, o que significou um crescimento de 7% em comparação ao ano anterior. Para se ter uma ideia da importância do mercado exterior para esse país com 23 milhões de habitantes e apenas 32 mil quilômetros quadrados, a exportação nesse período foi de US$ 1 bilhão.

Outra fabricante de injetoras, a Jon Wai, embora também foque sua ação no mercado externo e em soluções turn-key, por enquanto não tem muita pretensão de entrar no mercado de máquinas elétricas. “Preferimos concentrar nossas forças nas hidráulicas, porque é difícil competir com o Japão nessa área”, afirmou o assistente de diretoria Eric Chang.

Nesse sentido, continua, a empresa consegue ser muito competitiva porque também utiliza um servomotor hidráulico taiwanês muito eficiente, que reduz até 50% o consumo de energia em comparação com os convencionais.

A competitividade da Jon Wai é inegável quando se vê seu pátio de fabricação em Taipei totalmente lotado em pleno dezembro de 2009.

“Estamos com a carteira de pedidos lotada e 99% da produção é para o exterior”, afirmou Chang.

Fabricante de máquinas com força de fechamento de 60 t a 4 mil toneladas, para qualquer tipo de aplicação, desde as mais simples até as assistidas a gás ou com IML, a Jon Wai produz cerca de 700 máquinas por ano e fatura em média US$ 20 milhões.

Os países clientes mais comuns são: Turquia, Síria, Israel, Líbano, Egito, África do Sul e também América Latina. Neste último caso, o Brasil também faz parte. Há pouco tempo, aliás, Chang afirma ter vendido injetora para cliente brasileiro em Curitiba-PR, cuja esposa pediu para que a máquina fosse pintada de rosa, o que foi atendido prontamente pela Jon Wai.

Braskem leva Quattor e põe fim à consolidaçãoda petroquímica

A consolidação da indústria petroquímica brasileira, iniciada com o leilão da antiga Copene, a central de matérias-primas petroquímicas de Camaçari-BA, em 2001, chegou a seu ato final. Por cerca de R$ 700 milhões, a Braskem concluiu a negociação para a aquisição da rival Quattor, tornando-se a única produtora nacional de commodities petroquímicas, com ativos avaliados em R$ 33,5 bilhões e uma capacidade de processamento de 5,5 milhões de toneladas anuais de resinas termoplásticas.

O movimento, reputado como importante na consolidação da indústria petroquímica no Brasil por Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, reafirma a estratégia da estatal de reunir suas participações no setor em uma única empresa.

Esse negócio, segundo o presidente, buscou a criação de uma empresa global, com porte adequado a tal, e com escala suficiente para brigar no mercado internacional com maior capacidade de investimento. Ao final da operação, a Petrobras deterá cerca de 40% do capital votante da Braskem.

O temor inevitável com a concentração e um possível monopólio, no entanto, foi rechaçado pelo presidente da Braskem, Bernardo Gradin, pois ele crê que o mercado petroquímico é globalizado, e os consumidores de resinas locais teriam a opção de importar suas matérias-primas caso desejassem.

Gradin lembrou que uma das grandes produtoras mundiais, a Dow, produz resinas em Bahía Blanca, Argentina, que entram no mercado brasileiro sem impostos adicionais, por conta do Mercosul, e mesmo no caso de importações de outras áreas, a alíquota efetiva de importação seria menor que a nominal (uma diferença de cerca de 14% para 6,5%).

Gradin também afirmou que a nova empresa criada pela aquisição, apesar da dívida alta, terá elevada liquidez.

O negócio ainda engloba a aquisição da Polibutenos e da Unipar Comercial. As obrigações da Unipar com o BNDESPar também serão assumidas pela Braskem.

O acordo prevê o direito preferencial da nova empresa de participar como sócia nos projetos do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e do Complexo Petroquímico de Suape, em Pernambuco. A negociação deve ser sacramentada em 120 dias.

Apesar do esforço intenso para concluí-la, o presidente da Braskem confirmou que a empresa não encerrou seu ciclo de aquisições, e ainda mantém interesse em adquirir ativos no exterior, em particular nos EUA, que teriam se tornado um país interessante em virtude da crise financeira no último ano.

O preço da nafta petroquímica fornecida pela Petrobras, um ponto bastante sensível na relação entre as empresas, porém, não foi discutido no acordo de compra da Quattor.

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