Solvay investe no avanço dos polímeros especiais

A direção de vendas e marketing da unidade de negócios de polímeros especiais da Rhodia, empresa do grupo Solvay, na América do Sul passou em junho ao comando de Andreas Savvides.

Nascido na Itália e com experiência de 20 anos no grupo de origem belga, ele pretende ampliar os laços com clientes e potenciais usuários desses materiais nobres, principalmente no Brasil, o maior mercado regional.

O foco dos negócios na região recai nos investimentos do setor de óleo e gás natural, no qual são frequentes as aplicações em condições críticas de temperatura, pressão e solicitações mecânicas.

“Há um potencial muito grande para nossos negócios aqui no Brasil, podemos ampliar em quatro vezes as nossas vendas locais nessa área”, comentou Savvides.

Ele se apressa em corrigir um engano comum: a área de polímeros especiais da Solvay (Rhodia) não inclui as resinas da área de plásticos de engenharia do grupo, na qual as poliamidas tem ampla participação.

“O mercado em geral coloca todos esses materiais na mesma categoria de plásticos de engenharia, mas na Solvay temos uma unidade de negócios apenas para materiais mais avançados, capazes de suportar temperaturas entre -200ºC e +300ºC sob pressão elevada e condições adversas”, explicou.

A Solvay possui 18 unidades globais de negócios (GBUs), com focos muito bem definidos de atuação.

A GBU de polímeros especiais possui quatro áreas principais de atuação: óleo e gás, responsável por um terço das vendas globais da unidade; filmes para embalagem de carnes para exportação e para blísteres farmacêuticos; produtos automotivos; e revestimento de fios e cabos.

Os filmes de embalagem para essas aplicações são especiais.

A exportação de carnes, campo no qual o Brasil possui grande participação, exige plásticos que suportem as temperaturas de congelamento e o transporte sem sofrer danos.

Nos blisteres farmacêuticos, a ideia é substituir as folhas de alumínio que formam suas bases.

Plástico Moderno, Savvides: América do Sul tem oportunidades em vários setores
Savvides: América do Sul tem oportunidades em vários setores

“Um filme plástico facilita a reciclagem pós-consumo dos blisteres e ainda é mais econômico que o alumínio, um grande consumidor de energia para transformação”, considerou.

Na área automotiva, Savvides reconhece ser pequena a participação da GBU no mercado regional, embora a unidade de plásticos de engenharia da companhia tenha presença notável.

“Em dois anos, deveremos ter uma fatia bem maior desse mercado, porque podemos oferecer redução de peso e aumento de performance aos veículos”, afirmou. A GBU, nesse segmento, oferece poliamidas modificadas (TPA) e fluorelastômeros (indicados para juntas do cabeçote de motores, por exemplo).

Além dessas aplicações principais, a área de saúde humana (health care) também apresenta oportunidades para os polímeros especiais da Solvay.

“Temos boas propostas para confecção de implantes, pois os plásticos são mais leves, puros, compatíveis e mais baratos que os metais atualmente utilizados nesse segmento”, comparou o diretor.

A GBU conta com 35 produtos em linha para essas aplicações, incluindo resinas e seus compostos, capazes de oferecer incrementos em resistência mecânica, química, térmica e à permeação.

No entanto, o uso de novos materiais precisa de aprovação da Agência Nacional de Saúde (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), um processo muito demorado.

Outros usos possíveis para polímeros especiais estão no transporte de água gelada, revestimentos de papéis e metais, além da produção de eletrônicos, hoje concentrada na Ásia.

Cardápio variado – O portfólio da GBU de polímeros especiais abrange oito linhas de negócios, atendidas por 35 linhas de produtos que incluem mais de 1.500 itens (considerando os materiais e seus compostos).

“Temos um portfólio complexo e diversificado, com produtos na forma de pós, pellets e filmes, adequados para cada cliente e aplicação”, comentou Savvides.

A Solvay (Rhodia) não produz esses polímeros na América do Sul, tanto por uma questão de mercado quanto por estratégia.

“Temos capacidade para fazer esses produtos internamente e queremos ter certeza da qualidade final, sem abrir todos os segredos de produção”, explicou.

Ele citou o caso do PVDF (polivinilideno fluorado), muito usado em aplicações de óleo e gás.

“A Petrobras exige que o fornecedor assuma a responsabilidade sobre o desempenho do material, isso é muito sério”, ponderou. Por isso, no momento, não procura parcerias para a produção local de compostos.

Savvides também observou que esses polímeros têm preços de venda acima de € 100/kg.

“Podemos produzir os materiais onde for necessário, pois preço não é o problema, ao contrário das commodities; além disso, nossos concorrentes também os importam”, explicou.

Caso a demanda apresente crescimento estável, especialmente nos projetos offshore de óleo e gás, a companhia poderá estudar a hipótese de instalar produção local.

Uma das possibilidades de crescimento no país está no revestimento interno (lining) de tubulações de óleo e gás.

Segundo o diretor, as instalações brasileiras nesse campo já estão chegando ao limite de vida útil, exigindo substituição ou aplicação de novas tecnologias para evitar vazamentos.

A aplicação de liners permite resolver essa questão. “Quando esses investimentos serão feitos?”, indagou.

Em relação aso concorrentes, Savvides defende que a Solvay (Rhodia) se diferencia deles por apresentar um portfólio mais extenso.

“Em geral, uma companhia é forte em fluorados, outra em PEEK, e uma terceira em polissulfonas; nós temos todas essas opções e ainda o PVDC, os compostos Excell e a linha de copolímeros Hallar para coatings, entre outras opções”, afirmou.

A venda de polímeros especiais para a América do Sul anda é incipiente, representando 5% do faturamento mundial da GBU.

Desse percentual, perto de 80% é comercializado no Brasil, onde tem sede em São Bernardo do Campo-SP, ao lado da unidade de plásticos de engenharia.

“Esse mercado está longe de estar maduro, podemos duplicar as vendas em três anos, isso é possível e viável”, afirmou. Na região, entre 80% e 90% das vendas são absorvidas por clientes globais da Solvay.

No momento, o maior investimento da GBU se direciona para a formação da equipe interna e no estudo e organização do mercado.

“Estamos apoiando esforços para melhorar a tecnologia de transformação de alguns clientes para que possam lidar com os nossos materiais”, explicou Savvides.

Ele iniciou a carreira na companhia exatamente na área de assistência técnica e vendas de polímeros, portanto tem ampla experiência no relacionamento com clientes.

“As extrusoras para os fluorpolímeros, por exemplo, precisam ter alta resistência, enquanto a transformação do PEEK é conduzida sob temperaturas mais elevadas, mas nem sempre os transformadores possuem máquinas para isso”, comentou, apontando alguns esforços de marketing a empreender.

Portfólio amplo de plásticos especiais
Portfólio amplo de plásticos especiais

Na área de fios e cabos a situação parece ser mais promissora no curto prazo.

Há muitos anos, o PVC desbancou o uso de tecidos impregnados para isolamento de linhas elétricas, com vantagens significativas de segurança.

Mesmo assim, os fios e cabos ainda são apontados como a principal causa de incêndios em todo o mundo. “Vários países já adotaram legislações que barram o uso de isolamentos com halogenados, tirando o mercado do PVC”, apontou Savvides.

A queima dos plásticos com halogênios produz uma fumaça escura e tóxica que dificulta a fuga das pessoas e o trabalho dos bombeiros. Como o mercado de fios e cabos segue especificações globais, essas restrições se alastram rapidamente.

Na avaliação da Solvay, o Brasil está na fase de crescimento das vendas dos produtos livres de halogênios, com forte favorecimento dos isolamentos feitos de poliolefinas.

“Há três meses, as plataformas de petróleo passaram a usar apenas fios e cabos isentos de halogênios, e as vendas desses materiais praticamente duplicaram nesse período”, comentou o diretor.

A Solvay oferece como substitutos os compostos de base poliolefínica com alta carga (até 50%) de origem natural, óxido de alumínio, por exemplo, como aditivo antichama. “Não atuamos nas instalações prediais, mas somos fortes em óleo e gás, especialmente nas aplicações submersas, além de indústrias”, comentou.

Savvides também foi gerente global de fios e cabos da GBU e, por isso, conhece bem esse mercado. Ele comentou que as ferrovias também baniram os halogênios, assim como a construção naval e aeronáutica. “Refinarias e indústrias químicas seguem normas rígidas e devem eliminar o uso de cabos com halogênios”, afirmou.

Entre as grandes tendências mundiais, os chamados megatrends, a América do Sul conta com várias opções. “O setor de óleo e gás vai crescer, com certeza, embora a Petrobras tenha problemas conjunturais, o Brasil é o maior mercado do mundo em exploração offshore e o pré-sal exige materiais especiais”, salientou.

A região também deve ampliar suas exportações de produtos processados, que exigem embalagens mais sofisticadas, para atender às exigências dos compradores.

Outro megatrend importante para a região está nos investimentos para tratamento de água e efluentes, usuários de membranas feitos de polímeros especiais, como as polissulfonas e o PEEK.

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