Simpósio difunde programa das sacolas pela segurança

A exemplo do Programa de Qualidade e Consumo Responsável das Sacolas Plásticas, recentemente lançado em São Paulo, o Instituto Plastivida, o Instituto Nacional do Plástico (INP) e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Flexíveis (Abief) querem reforçar o uso racional das embalagens de supermercados em pelo menos mais oito estados.

As bases da campanha foram apresentadas em 27 de junho último, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, por ocasião do 8º Simpósio do Plastivida sobre “Sacolas Plásticas e Meio Ambiente: Importância Estratégica de sua Correta Destinação”.

O objetivo principal do programa é promover a diminuição da duplicidade e melhorar a resistência das sacolas por meio do aumento da espessura dos filmes, das 17 micra atuais, em média, para 27 micra.

Com isso, é possível reduzir o consumo em 30% em termos de unidades de sacolas, sem prejudicar o consumo aparente de resinas. Em 1998, uma sacola plástica era processada em um filme de 30 micra.

O vice-presidente do Sinplast, Júlio Roedel, destacou que Porto Alegre deposita 240 toneladas de lixo todos os dias em aterros sanitários, e apenas uma pequena parcela é reaproveitada.

Ele adiantou que o projeto do Plastivida será colocado em prática no mês de agosto, quando acontece o congresso da AGAS (Associação Gaúcha dos Supermercados).

Com efeito, o ponto alto do simpósio promovido pelo Plastivida ficou por conta da exposição técnica protagonizada pelo engenheiro mecânico com pós-doutorado em engenharia química, Joseph Greene, dos Estados Unidos.

Plástico moderno, Joseph Greene, engenheiro mecânico com pós-doutorado em engenharia química, Notícias - Simpósio difunde programa das sacolas pela segurança
Greene comandou um estudo encomendado pela Califórnia

Preocupado com a polêmica sobre a caracterização e diferenciação dos plásticos verdadeiramente biodegradáveis (ou compostáveis) e dos chamados quimicamente degradáveis, ou oxidegradáveis, o governo da Califórnia, até por pressão da população e de entidades não-governamentais, encomendou uma pesquisa de caráter científico pilotada por Greene para apontar o impacto desses novos produtos no ambiente.

Por ocasião do oitavo simpósio Plastivida em Porto Alegre, pela primeira vez no Brasil, Greene apresentou a metodologia da pesquisa e os resultados de seus estudos encomendados pelo ga­binete do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.

Foram analisados itens como desempenho pro­­jetado e a compatibilidade dos produtos comercialmente disponíveis e suas embalagens, por meio de comparação entre os plásticos compostáveis e os oxidegradáveis.

Os pesquisadores sob o comando de Greene testaram os polímeros em seis diferentes ambientes: de compostagem real, em laboratório de simulação marinha, aterro de lixo tradicional ou lixo sólido municipal, compostagem com esterco de vaca e palha, resíduos de alimentos, e uma instalação in-vessel (sistemas fechados ou reatores biológicos) na ausência de oxigênio.

Os resultados das pesquisas apresentaram as seguintes conclusões: todos os produtos testados, exceto os degradáveis pela ação do sol ou do oxigênio (oxidegradáveis ou degradáveis por raios ultravioleta), se desintegraram satisfatoriamente em operações de compostagem comercial dentro de um período de 180 dias.

Um mínimo de 60% do carbono orgânico foi convertido em dióxido de carbono ao final do período de testes. Para todos os produtos, os volumes de cádmio e chumbo em composto final foram inferiores a 1% dos níveis máximos permitidos.

Os canudos obtidos por plástico derivado de ácido polilático (PLA), os sacos de polihidroxialcanoato (PHA), produzidos com a sacarose, os sacos Ecoflex (marca da resina biodegradável da Basf), os pratos obtidos de polímero proveniente igualmente de sacarose de cana-de-açúcar, ou os sacos de lixo à base de amido de milho, não liberaram materiais tóxicos para o ambiente de compostagem e se revelaram um excelente material fertilizante para o crescimento de tomateiros após dez dias.

Todos esses plásticos, assim como outros similares, degradaram-se completamente na instalação de compostagem in-vessel.

Entretanto, na simulação de ambiente marinho, nenhum dos produtos apresentou decomposição tecnicamente aceitável.

Já os sacos oxidegradáveis e uv-degradáveis, os de polietileno convencional linear de baixa densidade, e as blendas de sacos de cana-de-açúcar com papel kraft não se degradaram adequadamente em qualquer uma das metodologias de simulação aplicadas.

Institucionalmente, duas entidades estiveram envolvidas na pesquisa: o California Integrated Waste Management Board (CIWMB), em parceria com a Universidade Estadual da Califórnia (CSU).

Diante do documento apresentado por Joseph Greene, o Instituto Plastivida também divulgou um documento oficial.

“Fazemos questão de destacar e alertar que os estudos realizados nos Estados Unidos e no Canadá demonstraram que os plásticos oxidegradáveis não se degradaram em ambiente de compostagem e que a presença de plásticos com aditivos para torná-los degradáveis causa sérios impactos, inviabilizando a reciclagem mecânica de qualquer tipo de plástico”, adverte o documento.

O Plastivida reafirma ainda sua posição de que os chamados oxidegradáveis embora desapareçam dos aterros de resíduo sólido a olho nu, não se constituem um material verdadeiramente degradável ou biodegradável, pois apenas se modificam quimicamente sem se decompor na natureza.

Além disso, a possibilidade do subproduto desses materiais se mesclar a outros materiais pode produzir a migração das substâncias químicas dos aditivos para a cadeia alimentar das mais diversas maneiras, principalmente quando os resíduos são aproveitados como alimentos por aves, roedores, insetos e peixes de mananciais localizados próximos aos aterros.

Da mesma forma, o Plastivida condena o uso de sacolas obtidas pela blenda de aditivos oxidegradáveis e resina virgem nas embalagens empregadas para acondicionamento de alimentos.

Mesmo os produtos biodegradáveis, conforme a posição do Plastivida, devem ser encaminhados às usinas de compostagem.

O Plastivida responsabiliza a tentativa por meios políticos de introduzir os oxidegradáveis no Brasil como um dos fatores responsáveis pelas campanhas contra as sacolas flexíveis patrocinadas por alguns setores da mídia em período recente.

“Alguns fatos impulsionaram a campanha contra as sacolas plásticas. Justamente a tentativa de empurrar por meio de esquemas políticos estranhos ao debate técnico das sacolas oxibiodegradáveis”, observa o documento.

Por conta dos estudos, o Plastivida, por meio de seu presidente, Francisco Esmeraldo de Assis, reforçou, durante o simpósio, sua convicção na reciclagem mecânica como melhor forma de descartar as sacolas plásticas.

“Diante do exposto, a Plastivida continua a defender os processos de reciclagem como a alternativa mais interessante para a destinação dos termoplásticos pós-uso, a qual cresce a uma média de 50 mil toneladas por ano”, diz a nota.

A outra saída para o plástico é a reciclagem energética. Em sua palestra, em Porto Alegre, Assis mencionou que o Japão já conta com 190 usinas termelétricas movidas por resíduos sólidos combustíveis. Na França, são 130; nos EUA, 89; na Alemanha, 58; e na Itália, 44.

Plástico moderno, Francisco Esmeraldo de Assis, presidente da Plastivida, Notícias - Simpósio difunde programa das sacolas pela segurança
Esmeraldo de Assis defende reciclagem mecânica

“Cada saco de supermercado de polietileno de um litro pode virar o mesmo volume de óleo combustível. Alguém joga óleo combustível fora?”, questionou Assis.

Ao comentar a campanha sobre o uso racional das sacolas plásticas, Assis alertou que o sucesso da iniciativa depende diretamente da adesão dos supermercados.

“Se o supermercado continuar  comprando a sacola mais barata, de nada adiantará o nosso esforço”, advertiu o presidente do Plastivida.Francisco de Assis destacou ainda os propósitos conjuntos do INP, da Plastivida e da Abief.

Para ele, as entidades têm a missão de divulgar a importância dos plásticos na vida moderna. No caso do Plastivida, sua função é promover a utilização ambientalmente correta do plástico.

Já o INP tem como missão estimular o desenvolvimento tecnológico dos plásticos, elaborar normas técnicas para garantir a qualidade e desenvolver programas de auto-regulamentação, como no caso das cadeiras, copos e sacolas plásticas.

Por sua vez, a Abief está voltada à difusão da indústria brasileira de embalagens plásticas flexíveis em favor da disseminação das práticas corretas na fabricação de seus produtos.

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