Poliméricos e Compósitos para tornar os Veículos Mais Leves e Competitivos – A evolução dos Plásticos nos Automóveis

SAE: Simpósio SAE Brasil de Novos Materiais e Nanotecnologia realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)

Polímeros nos Automóveis: O desenvolvimento de projetos inovadores voltados para viabilizar o uso de materiais avançados e nobres é a solução para tornar os veículos nacionais mais leves e competitivos.

Foi essa a conclusão unânime dos palestrantes do 5º Simpósio SAE Brasil de Novos Materiais e Nanotecnologia, realizado no dia 3 de junho, no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em São Paulo.

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Debatedores apontaram entraves para a adoção mais rápida de inovações tecnológicas nos automóveis

“Abordamos as necessidades das montadoras em reduzir seus custos, aumentar a segurança e o desempenho dos veículos baseados nas regras do Inovar-Auto, que tem sido um grande desafio para a indústria nacional”, explica Marco Colosio, diretor do simpósio.

Para ele, o aparecimento das aplicações das nanoformas na indústria automobilística não deixa dúvidas de que o investimento em desenvolvimento tecnológico é primordial.

“O Brasil tem muitas necessidades de melhorias em seus veículos, como as de redução de massa e de consumo de combustível impostas pelo novo regime automotivo”.

Reduzir Peso dos Veículos: Poliméricos e Compósitos para tornar os Veículos Mais Leves

Na programação do evento, o painel dedicado aos materiais poliméricos e compósitos foi dos mais concorridos. No painel, estiveram presentes representantes de empresas de grande porte.

A Sabic, uma das principais fabricantes de petroquímicos do mundo, tem entre seus objetivos investir com consistência na pesquisa e desenvolvimento de materiais com elevada carga de tecnologia.

Cesar Marelli, engenheiro de desenvolvimento e aplicação da empresa, destacou a substituição de metais pelo plástico em peças estruturais, como tampas traseiras dos veículos e outras, como estratégia capaz de proporcionar aos automóveis designs mais avançados e redução de peso.

“Substituir uma estrutura metálica por polipropileno pode reduzir o peso da peça em 30%, com o mesmo custo e desempenho igual ou até melhor”, disse.

O representante da Sabic também defendeu a substituição dos vidros instalados nos carros por placas de policarbonato.

O engenheiro reconheceu que essas substituições não ocorrem com rapidez, em especial nos modelos de veículos já lançados no mercado.

O ideal, para ele, é que o uso dos materiais inovadores seja aprovado durante o lançamento de um novo modelo. Dessa forma, fica mais fácil criar um conceito do conjunto de peças a utilizar a matéria-prima.

Vedações – Nanotecnológicas

A Sabó, empresa de origem brasileira com mais de sete décadas de atuação, é nome bastante conhecido no desenvolvimento de soluções em vedações para a indústria brasileira.

Hoje atua em mais de quarenta países, com plantas no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Áustria, China e Hungria. Roberto Kenji Hayashi, gerente de desenvolvimento de produtos e novas tecnologias, falou sobre o desafio de inserir partículas nanotecnológicas na confecção de peças.

Entre as dificuldades, definir a demanda, a tecnologia adequada aos projetos, competências e recursos para o seu desenvolvimento, além do controle de processos e resultados.

Posição parecida apresentou Nelson Pacheco da Fonseca, diretor da Truck Bus, fabricante de artefatos de borracha desenvolvidos para peças usadas em vedações ou para combater a vibração presente em determinadas regiões dos veículos.

O dirigente destacou a nanotecnologia como fator essencial para estabelecer novo patamar tecnológico do setor. Entre os resultados compensadores obtidos com as nanopartículas, ele apontou a melhoria na adesão entre o metal e a borracha.

Polímeros de Engenharia para tornar os Veículos Mais Leves

A DSM Engineering Plastics é fornecedora global de soluções de termoplásticos de engenharia de alto desempenho.

Um ponto forte no seu campo de atuação é o de desenvolvimento de formulações de poliamidas de alta temperatura.

As matérias-primas obtidas são indicadas, por exemplo, para substituir metais em peças que necessitem de elevada resistência mecânica.

Paula Kruger, engenheira de aplicação e desenvolvimento, falou sobre peças possíveis de serem feitas com os produtos da empresa.

São os casos de peças para conjuntos de transmissão, engrenagens, buchas, suportes e outras.

Entre os materiais oferecidos, destacou o Stanyl, material desenvolvido pela empresa para peças que demandem alta rigidez, baixo coeficiente de atrito e resistência ao desgaste em temperaturas acima de 200ºC.

A engenheira reforçou a necessidade de esses materiais serem incluídos na etapa de projeto dos conjuntos que equiparão os novos modelos de automóveis.

Para as montadoras, é difícil validar o uso de polímeros especiais em conjuntos que já equipam os veículos existentes.

Anderson Maróstica, gerente técnico da Lanxess, gigante da indústria química que dispensa maiores apresentações, destacou a produção de peças híbridas, fabricadas a partir da junção do plástico com o metal, como tendência com significativo potencial de crescimento no mercado automotivo. Entre as vantagens da prática se encontram redução de peso e custo e ótimo desempenho. Um exemplo se encontra na produção de estruturas de tetos dos automóveis feitos de alumínio e materiais poliméricos. Outra peça bastante comentada pelo palestrante foi o pedal do freio, em alguns casos já fabricado com poliamida.

SAE: Temário diversificado – Outros temas foram também discutidos durante o encontro.

Luiz Depine, consultor do Centro Tecnológico do Exército, participou do painel de abertura, ao lado de representantes de universidades, institutos de pesquisa e governo.

Ele propôs a substituição do piche de alcatrão, uma das principais matérias-primas da fibra de carbono, pelo piche de petróleo. “A tecnologia oferece qualidade, baixo custo e está em processo de patenteamento”, destacou.

Daniel Zanetti de Florio, professor da Universidade Federal do ABC, defendeu os carros elétricos como solução de transporte “limpo” no Brasil. Para viabilizar a eficiência desses veículos, ele apontou o uso casado de baterias de lítio e células de combustível.

Hugo Resende, diretor do Laboratório de Estruturas Leves do IPT, falou sobre a infraestrutura do instituto, temas de pesquisa e o ciclo de desenvolvimento de estruturas leves.

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Os materiais metálicos mereceram painel exclusivo. No debate, vários representantes do setor de alumínio. A redução de peso dos veículos esteve no centro das discussões.

Marcelo Gonçalves, coordenador do grupo de trabalho carga seca da Associação Brasileira Alumínio (Abal), destacou a contribuição da matéria-prima para se atingir as metas de eficiência energética.

Matheus Guedes, líder de performance e desenvolvimento da Novellis, especializada em laminados de alumínio, também falou sobre as vantagens do material.

Jairo Cândido, gerente de Qualidade da Fundição Brasileira de Alumínio (FBA), fabricante de componentes, abordou a utilização de cavaco compactado de alumínio na fabricação de peças fundidas com melhoria no processo de fusão, que traz vantagens de redução de custo e favorece a reciclagem.

O engenheiro Jean Yamamoto, consultor para novos negócios da Alcoa, grande produtor mundial, mostrou tecnologias para a incorporação do alumínio na indústria automotiva via processos de soldagem.

Debate: O simpósio se encerrou com um debate, do qual participaram representantes das montadoras e da indústria de autopeças.

“Os representantes da indústria automobilística se mostraram preocupados com a situação atual das vendas. O pessoal das autopeças defendeu a inovação como imprescindível para vencer as dificuldades oferecidas pelo mercado brasileiro”, resume Colosio, do SAE Brasil.

Cláudio Bello, diretor de compras da GM Brasil, afirmou que toda inovação é diferencial competitivo desde que bem explorada.

“Inovação requer visão dinâmica, suas bases precisam ser expandidas, e ainda há um espaço imenso para sinergias entre os setores acadêmico e industrial”, disse.

André Wufhorst, gerente comercial da Mercedes-Benz Brasil, deu ênfase à necessidade de se buscar inovação em paralelo à redução de poluentes.

Para Jesse Paegle, gerente de pesquisa e desenvolvimento de produto da Gestamp, multinacional especializada em peças estampadas, defende que o mercado brasileiro carece de inovações.

“As regulamentações deixam lacunas para que as inovações não cheguem”, criticou.

Ressaltou a necessidade de integração da cadeia. “Ninguém vai ser competitivo sozinho”.

Leia Mais Sobre Polímeros para tornar os Veículos Mais Leves e outros sobre os Plásticos nos Automóveis:

Reportagem Especial da Revista Plástico Moderno: Poliméricos e Compósitos para tornar os Veículos Mais Leves e Seguros – SAE: Simpósio SAE Brasil de Novos Materiais e Nanotecnologia realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) – Onde equipe da revista fez cobertura completa.

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