Notícias

Notícias – Rotomoldagem cresce no mercado agrícola

Fernando C. de Castro
13 de janeiro de 2007
    -(reset)+

    Há 25 anos o empresário Marcelo Baldessin, da Incomagri, da cidade de Itapira, em São Paulo, começou a substituir o metal pelo polietileno de alta densidade na produção de adubadeiras, pulverizadores, semeadeiras e tanques para depósito de leite proveniente de ordenhadeiras. Passou a produzir ainda reservatórios de água, misturadores de ração e ciclones para trituradores. Ele é um dos pioneiros em processo de rotomoldagem para componentes direcionados a implementos agrícolas no país.

    Baldessin aponta as vantagens do plástico em substituição ao metal na área de implementos agrícolas: “A montagem de peças com solda é eliminada, pois surge uma peça única. Você não precisa de esticadores e gabaritos para finalizar”, define. “Um molde resolve o problema”, complementa ele.
    Mas é no aspecto da durabilidade que a rotomoldagem é imbatível na agricultura. Tome-se como exemplo um armazenador de adubo. Produzido em metal, a vida útil do equipamento é de no máximo cinco anos pela ação corrosiva dos fertilizantes. Em rotomoldagem o tempo de uso é de vinte anos. “Abri a Incomagri com o objetivo de difundir a cultura do polietileno no agronegócio. Depois vieram outras empresas com produtos inovadores.” Para Baldessin, o principal beneficiado pela rotomoldagem no setor primário é o agricultor. como as peças plásticas têm custo mais baixo e duram muito mais, os preços dos equipamentos caem com as despesas relacionadas com substituição e manutenção.

    Do Paraná, outra empresa, a Montana, irradia ao mercado 18 itens entre pulverizadores de 400 litros a 2 mil litros em polietileno de média densidade. Tem ainda um equipamento ultra-sofisticado, o autopropelido com carroceria em fibra de vidro. Somente na Expointer, maior feira agropecuária do sul do País, realizada em Esteio-RS, em agosto último, venderam três autopropelidos e 60 pulverizadores. Os principais clientes da Montana são os plantadores de maçãs da região de São Joaquim e Vacaria na divisa de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Assim como a Incomagri, a Montana tem processadora de rotomoldagem própria para produzir seus implementos.

    No entanto, existem fabricantes de implementos agrícolas que preferem terceirizar as peças rotomoldadas. É o caso da Stara, de Não-me-Toque, no interior do Rio Grande do Sul, a qual encomenda os equipamentos com a Rotoplastyc de Carazinho. Atualmente a empresa oferece 60 itens entre peças e 100 em componentes como carretas graneleiras, distribuidores de fertilizantes, plataformas de milho, entre outros.

    A menina dos olhos da Stara é a carreta graneleira de 16 mil litros. Lançada em 2003, já teve 4.500 unidades vendidas. “Mantemos a mais completa linha de implementos do Brasil em rotomoldados para movimentação, armazenamento, colheita”, assinala o gerente de marketing Felipe Willers.
    Outro grupo focado em substituição de materiais no segmento de implementos agrícolas é a Sfil. A empresa oferece reservatórios de até 1.800 quilos para fertilizantes e até 4 mil quilos para sementes. Estão no mercado desde 1998 com os produtos rotomoldados e encomendam os componentes com a Rotoplastyc e a Xalingo de Santa Cruz do Sul, os dois principais processadores por rotomoldagem do Rio Grande do Sul. “A rotomoldagem na agricultura tomou um caminho sem volta e vai crescer ainda mais”, aposta o gerente de vendas da Sfil, Clóvis Wermeier.

    Novas resinas – Há uma onda hightech em plásticos de engenharia voltados à rotomoldagem. Quem afirma é Marcos Fortes, engenheiro de desenvolvimento e produção da Rotoplastyc, de Carazinho. A empresa é quem fabrica os tanques Cerenkov, empregados nas pesquisas do projeto Pierre Auger relacionadas com a conversão de chuva cósmica em energia (ver matéria sobre rotomoldagem em Plástico Moderno do mês de agosto).

    Plástico Moderno, Notícias - Rotomoldagem cresce no mercado agrícola

    Foram vendidas 4.500 unidades da carreta graneleira

    Segundo Fortes, por conta das peculiaridades desses tanques, o polietileno de média densidade, hoje o mais empregado em rotomoldagem, não oferece as propriedades necessárias. Para se ter uma idéia da reação provocada pela chuva cósmica, essa forma de energia é cem vezes maior do que a dissipação do átomo no interior de um reator termonuclear. Com isso, para atender às especificações necessárias, pesquisadores nos EUA desenvolveram um polietileno de média densidade com carga de titânio e reforços para barreiras ultravioleta na parte interna do equipamento, onde é colocada ainda uma bolsa em geomembrana para 12 mil litros de água ionizada, isto no caso dos tanques que estão em instalação na província de Mendoza na Argentina, uma região de temperaturas baixas mesmo no verão do hemisfério sul.

    De acordo com Fortes, como a temperatura média naquela região norte-americana no verão chega a 30ºC, a tendência é de que o material escolhido para a camada externa dos tanques seja um novo polipropileno ainda em desenvolvimento, com características de plástico de engenharia. Na camada interna, conforme o engenheiro, está em adiantada etapa de pesquisas uma forma de polietileno expansível, com características semelhantes ao poliestireno.

    Fortes explica que, diferentemente da rotomoldagem convencional, os tanques utilizados no projeto Pierre Auger são confeccionados em duas etapas. Na primeira, as paredes externa e interna são moldadas separadamente.

    Depois de retiradas da máquina e resfriadas voltam para a rotomoldagem, onde sob nova ação de calor são fundidas em uma só parede.


    Página 1 de 212

    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *