Mercado Brasileiro de Resinas Termoplásticas Caminha para um Desfecho Positivo em 2008, mesmo com o favorecimento às importações

Revista Plástico Moderno

O mercado brasileiro de resinas caminha para um desfecho positivo em 2008, mesmo com o favorecimento às importações pelo real valorizado.

Hoje, a indústria nacional se beneficia da depreciação da moeda brasileira. Os dados preliminares da Comissão Setorial de Resinas Termoplásticas (Coplast), da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), apontam acréscimo de 14,7% no consumo aparente das commodities – considerados os polietilenos, o polipropileno, o poliestireno, o policloreto de vinila e o acetato de vinila etileno.

De janeiro a outubro deste ano, a demanda totaliza 4,1 mil toneladas, contra 3,6 mil t, em igual período de 2007. Enquanto as exportações recuaram 35,48%, as importações avançaram quase 60%; e, por conta de paradas programadas para manutenção preventiva das petroquímicas, a produção das commodities encolheu 3,97% no período estudado.

A grande vedete do ano foi o PVC, com expansão de 33,55% no consumo aparente, favorecido pelo excelente desempenho da indústria de construção civil, até o estouro da crise financeira, que enxugou o crédito e desestruturou a economia global.

Plástico Moderno, Vitor Mallmann, presidente do Siresp, Notícias - Resinas apontam crescimento
Mallmann evidencia viés positivo da alta da moeda americana

A esse respeito, Vitor Mallmann, presidente do Siresp, comentou, em nota divulgada recentemente na grande imprensa, que o crescimento da demanda por resinas termoplásticas deve cair em 2009, por conta das interrupções produtivas da indústria automobilística, do desaquecimento da construção civil e da menor demanda por embalagens.

Mas ele acredita que os maiores produtores brasileiros de resinas (entenda-se Braskem e Quattor) tendem a sentir menos os efeitos da crise, pois ganham competitividade com o câmbio e podem avançar na fatia do mercado hoje detida pelas importações.

Demanda de Resinas Termoplásticas

 

Cadeia Produtiva do PVC (Policloreto de Vinila)

Bastante atrelado ao setor de construção civil (essa indústria responde por algo em torno de 65% da demanda brasileira da resina, a maior parte dela destinada à produção de tubos e conexões), o policloreto de vinila acompanhou o forte crescimento desse mercado, culminando o seu consumo aparente em 879.624 t, avaliado entre janeiro e outubro deste ano, sobre idêntico período de 2007 (658.667 t), de acordo com os dados preliminares da Coplast.

Mesmo com a exportação irrisória da resina (as vendas externas recuaram 52,37% neste ano, caindo de 40.437 t, registradas no período de 2007, para 19.260 t), o mercado precisou se abastecer ainda com 319.324 toneladas de produto importado, montante 144,19% acima do trazido para o país no ano passado.

Na avaliação da Braskem, uma das maiores produtoras da resina, a cadeia produtiva do PVC terminou o ano de 2007 praticamente sem estoques e aproveitou a oferta de importados provenientes dos Estados Unidos, onde a demanda enfraqueceu em razão da crise na construção civil, para efetuar essa recomposição. A empresa informa ter operado suas plantas a 105%, com 96% de destinação para o mercado interno.

A versatilidade, evolução tecnológica e avanço em aplicações contribuem para o crescimento contínuo experimentado pelo polipropileno, utilizado desde embalagens até autopeças técnicas.

De janeiro até outubro deste ano, seu consumo aparente inflou 11,24% sobre o mesmo período de 2007 e atingiu 1,1 mil t. As vendas externas encolheram 37,20% nos meses avaliados, enquanto as importações avançaram 15,55% – ritmo menos acentuado que o de outros polímeros.

Desempenho dos Polietilenos foi Positivo

O consumo da resina avançou 11,58% no período analisado.

De janeiro a outubro deste ano, o mercado transformador brasileiro absorveu 1,7 mil toneladas desses polímeros, contra 1,6 mil t em igual época de 2007.

Considera-se nessa soma os tipos: baixa densidade, baixa densidade linear e alta densidade.

O linear sobressaiu, com demanda 18,51% maior; seguido dos grades de alta densidade, ampliados em 16,17%. Apenas o PEBD registrou retração no consumo, de 1,40%.

As exportações de polietilenos declinaram 35,01%, contra alta de 42,66% das importações. Todas as variedades apresentaram retração nas vendas externas e expressivo avanço das provenientes do exterior, com destaque para o PEBD, cuja alta na importação ultrapassou 170%.

Poliestireno (PS) e o Acetato de Vinila Etileno (EVA)

O poliestireno e o acetato de vinila etileno apresentaram desempenho negativo.

O consumo aparente do PS retraiu 3,72% e o do EVA 1,06%. A produção de ambas as resinas minguaram: 7,10% e 6,28%, nessa ordem.

As exportações de poliestireno encolheram 28,63% e as de EVA 14,74%, enquanto as importações da primeira recuaram 16,49% e as da outra 1,81%.

Uma das razões para a queda no segmento de poliestireno atrela-se à falta da matéria-prima.

A Basf sofreu restrições produtivas por conta dessa baixa e registrou queda em setembro, informou o diretor da divisão de estirênicos para a América do Sul, Andréas Fleishhauer.

A empresa não informa dados relativos ao seu desempenho, nem sobre projetos e metas.

O diretor é da opinião de que a crise financeira mundial poderá afetar os negócios, mas acredita que o país está, hoje, mais preparado para superar a situação. “Todos nós devemos estar atentos, porém, otimistas em relação ao futuro”, ponderou.

A empresa lançou neste ano o grade 158K Q690 – um poliestireno com índice de fluidez baixo e resistência térmica alta –, com o objetivo de atender às exigências do mercado de embalagens de espumados.

Copolímeros de Estireno Butadieno (SBS)

Além disso, a Basf ampliou o leque da família de copolímeros de estireno butadieno (SBS), à qual adicionou produtos como o HS70, com elevada capacidade de encolhimento (acima de 80%), baixo teor de géis, fácil impressão, boa rigidez, excelente controle de encolhimento e densidade menor em relação a outros produtos.

Graças a tais características, o fabricante assegura economia de até 30% no consumo de resina.

A grande compatibilidade entre o SBS e o poliestireno possibilita a mistura entre os produtos para a obtenção da resistência desejada e, ao mesmo tempo, redução no custo de matéria-prima.

Em 2009, o mercado de refrigeração deverá contar com um poliestireno de alto impacto com maior resistência química e mecânica.

A intenção da Basf é proporcionar aos clientes uma redução na espessura de chapas, sinônimo de economia de matéria-prima.

Consolidação da Braskem

Em evento programado para a divulgação de seu balanço, a Braskem retratou o seu desempenho até o terceiro trimestre de 2008.

Considerados os primeiros nove meses do ano, a unidade vinílicos produziu 16% mais PVC, em relação ao mesmo período de 2007, e atingiu 399.457 t.

Também evoluiu no mercado doméstico: internou 382.019 t de resina, volume 16% superior. As exportações, porém, caíram 54%, para 16.324 t.

A Braskem analisa projeto de construção de uma nova fábrica de PVC em Alagoas, de 200 mil t/ano, com início de operação previsto para 2011.

Com alta de 4%, a produção de polipropileno na Braskem chegou em 549.995 t. As vendas domésticas do polímero subiram 11%, totalizando 502.833 t até setembro, enquanto as vendas externas retraíram 22%.

A empresa concluiu nesse mês os testes de operação da nova unidade produtiva de 300 mil toneladas de PP, em Paulínia-SP, onde investiu R$ 135 milhões.

Menor 7%, a produção da Braskem de polietilenos somou, nos três trimestres, 1,1 mil t. O comércio interno registrou expansão de 4%, com 781.022 t de resinas absorvidas pela transformação brasileira, mas as exportações caíram 38%.

Na avaliação do diretor-presidente da Braskem, Bernardo Gradin, os clientes estocaram polietileno e polipropileno no segundo trimestre do ano, o que provocou vendas mais baixas em julho.

“Ampliamos as vendas ao exterior nesse período, enquanto o mercado internacional estava aberto”, declarou. Com o início da crise, por precaução, a indústria de transformação não assumiu estoques.

Mercado Brasileiro de Resinas Termoplásticas

ANÁLISE COMPARATIVA 2008 X 2007

Tabela com todas as resinas plásticas, vendas, produção, consumo e muito mais

Plástico Moderno, Notícias - Resinas apontam crescimento

Reflexos da Crise

Ainda que em menores proporções, é indiscutível o fato de que a desestruturação do sistema financeiro global e a conseqüente contração no crédito contaminaram o mercado brasileiro.

Prova disso, o diretor-presidente da Braskem anunciou que a empresa reduziu a carga das centrais petroquímicas, em outubro, em 3%, em razão da menor demanda do mercado internacional. O nível inferior deve ser mantido em novembro.

Por cautela, a empresa postergou para 2013 os planos de instalar uma nova unidade de polipropileno em Camaçari, na Bahia.

Também os dois projetos na Venezuela (450 mil t de PP e 1,1 mil t de PE) devem atrasar. As expectativas são de concluir o pacote de financiamentos no segundo semestre de 2009, informou Gradin. Em suma, as ampliações produtivas e o crescimento da empresa dependerão das expectativas do mercado.

O diretor-presidente da Braskem ressaltou que os polietilenos “verdes” são prioridade e não devem sofrer atrasos de projeto, previsto para entrar em operação no início de 2011.

Com capacidade para 200 mil t anuais de PE polimerizado com etileno obtido do etanol da cana-de-açúcar, a fábrica que será construída em Triunfo-RS consumirá investimentos da ordem de R$ 500 milhões.

O enxugamento na demanda global, que fatalmente afetará o consumo mundial de resinas termoplásticas, remonta a uma nova análise da entrada premente das mega plantas de poliolefinas, em final de construção no Oriente Médio.

Na avaliação de Gradin, o parque industrial brasileiro é mais moderno que o europeu, mas o consumo nessa região é maior.

“Então, algumas dessas plantas devem sofrer mais competitivamente; o mercado brasileiro deve continuar crescendo, mas a China também continua crescendo e a resina produzida no Oriente Médio deve suprir esse mercado.”

 

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