Plástico

Notícias – Reciclagem energética é debatida no sul do país

Fernando C. de Castro
22 de novembro de 2011
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    O prefeito destacou que a implantação do sistema de processamento e reaproveitamento de resíduos e a unidade de recuperação de energia permitirão o tratamento de todo o resíduo gerado no município, recuperando os materiais recicláveis, tratando a fração orgânica e gerando energia por meio da incineração. Ele acrescentou que o local terá monitoramento on-line de controle de emissão de gases, com investimentos estimados entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões para a instalação da usina, que deverá estar em operação até 2015. A expectativa de geração de energia pela URE é de 30 MW, suficiente para a iluminação de todas as ruas e prédios públicos da cidade de mais de 800 mil habitantes.

    A engenheira Adriana Ziemer Garcia Ferreira, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), apresentou um panorama dos resíduos sólidos no Brasil em 2010, quando foram coletados 54 milhões de toneladas de lixo, 7,7% acima de 2009 (50 milhões), apesar de a população ter crescido apenas 1% no ano, com uma geração per capita de 378 kg por
    habitante/ano.

    Adriana lamentou que, da destinação final do lixo, 23 milhões de toneladas (42,4%) têm destino inadequado e 31 milhões são controladas (57,6%), com envio para aterros sanitários licenciados. Sobre a coleta seletiva, a engenheira mencionou: 3.207 municípios possuem (57,6%) e 2.358 não prestam o serviço (42,4%), enquanto muitas cidades que dizem oferecer a coleta seletiva prestam o serviço parcialmente ou de forma incipiente. A engenheira estima em R$ 9,95 por mês o valor gasto por habitante no país.

    O segmento todo gera 298 mil empregos diretamente e em 2010 teve um faturamento total de R$ 19 bilhões. Ela aponta como propostas para a melhoria do setor a redução dos resíduos gerados, o uso racional dos produtos e recursos, e a escolha de práticas de gestão minimizadoras dos riscos de poluição e danos à saúde pública.
    O presidente da Nova Energia e Desenvolvimento Energético S/A, Luciano Costa Coimbra, apresentou no fórum seu case do plástico transformado em petróleo sintético, desenvolvido por sua empresa, dedicada à pesquisa e exploração de tecnologias inovadoras para a produção de energia utilizando resíduos industriais e/ou domésticos. O projeto visa a construir 20 unidades industriais de plantas, extração, peletização e conversão térmica de resíduo plástico em derivados de petróleo ou a produção de combustíveis obtidos da fonte de energia alternativa e renovável, com reflexos positivos no meio ambiente.

    De acordo com Coimbra, a empresa pretende produzir principalmente diesel, nafta e óleo combustível. Para tanto, as fontes de matéria-prima utilizadas serão os resíduos sólidos urbanos dos aterros públicos e privados, componentes das indústrias de embalagens, de óleos e produtos automotivos, cosméticos, remédios, alimentos e bebidas, além de produtos provenientes da indústria automobilística e resíduos industriais de embalagens e peças, entre outros.

    O presidente da Nova Energia busca parceiros para implantar seus empreendimentos em diversos estados do país. Ele fechou negociações para implantar usina na Bahia e em Alagoas. Em Salvador será a primeira operação, numa associação com a Vega Engenharia Ambiental. As operações, prevê, devem se iniciar em dez meses. A outra usina, em Maceió, tem parceria com a Viva Ambiental, num negócio de R$ 43 milhões, com inauguração prevista para o final de 2012.

    A Nova Energia utilizará nas suas operações tecnologia da empresa norte-americana Agilyx Corporation, localizada no Estado de Oregon. Coimbra espera retorno do investimento em 30 meses. O empresário aponta como fundamental para a implantação do empreendimento a parceria feita com a Braskem, que já assinou contrato de compra de todos os combustíveis que serão produzidos pelas usinas.

    Também participaram do seminário como palestrantes, o vice-presidente da Sil Soluções Ambientais, o engenheiro Fernando Hartmann, que abordou o case do metano do lixo transformado em energia elétrica, que ocorre no aterro sanitário de Minas do Leão, cuja operação se iniciou em 2001 e tem capacidade de recebimento de 90 mil toneladas/mês, e o responsável pela área técnica da Usina Verde (localizada no Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro), Jorge Pesce, que falou sobre o desenvolvimento da tecnologia da empresa e seu modelo de negócio.

    Pesquisa mostra perfil da indústria gaúcha de reciclagem mecânica de plásticos

    Em paralelo ao Energiplast 2011, foi apresentada uma análise do perfil da indústria de reciclagem mecânica de plásticos no RS, com o objetivo de demonstrar o atual estágio da cadeia produtiva do setor, a fim de subsidiar futuras ações das entidades e empresas envolvidas no fomento e desenvolvimento de todos os elos desta cadeia de valor.

    Na pesquisa, elaborada pela empresa de consultoria Maxiquim, as empresas recicladoras foram divididas em quatro grupos: recicladoras verticalizadas em triagem (além do produto plástico reciclado, também vendem o resíduo plástico triado); recicladoras (comercializam apenas o produto plástico reciclado); recicladoras verticalizadas em transformação (transformam o produto plástico triado em produto final e o comercializam); e recicladoras verticalizadas em triagem e transformação (comercializam tanto o resíduo plástico triado quanto o produto final produzido com o reciclado).

    Conforme Solange Stumpf, da Maxiquim, das 110 empresas em operação no Rio Grande do Sul, 52% são recicladoras, 27% são recicladoras verticalizadas em transformação, 17% são recicladoras verticalizadas em triagem e 4% recicladoras verticalizadas em transformação. Essas empresas se concentram na região metropolitana de Porto Alegre, Vale dos Sinos e Serra Gaúcha.

    Quanto ao faturamento do setor, os dados de 2010 indicam que as indústrias recicladoras faturaram R$ 275,2 milhões, empregando 2,5 mil trabalhadores, com uma capacidade instalada de 154,4 mil toneladas e uma produção de 106,1 mil toneladas, atuando com um nível operacional de 69%.

    O levantamento da Maxiquim mostra, ainda, o volume total de resíduo consumido no Rio Grande do Sul no ano passado: 122 mil toneladas, a maior parte industrial (68,9 mil toneladas ou 56%). O pós-consumo atingiu 53,2 mil toneladas, cerca de 44%. Em relação às resinas mais recicladas pela indústria de reciclagem mecânica de plásticos no RS (IRmP-RS), destacam-se os polietilenos (PEBD/PEBDL e PEAD), que somaram 43% da produção total do plástico reciclado. Também aparecem com relevância o PET (35,9%) e o PP (15,5%).

    De acordo com Solange, a principal forma de produção do material reciclado é o flake, com 63,7 mil toneladas, enquanto na forma pellet (granulado) foram 40,2 mil toneladas em 2010.

    A pesquisa também fez um comparativo da IRmP-RS com o Brasil. Segundo o levantamento, o estado do Rio Grande do Sul, que representa aproximadamente 3% em área do Brasil, possui uma indústria de reciclagem de plásticos equivalente a cerca de 14% do faturamento total do setor no país. O RS, apesar de representar apenas 6% do Brasil em população, produz 11% do total de material plástico reciclado do país, com o índice de reciclagem mecânica de material plástico pós-consumo da IRmP-RS tendo sido de 24% em 2010, acima do observado no Brasil.

    Em relação à Região Sul, a IRmP apontou 275 empresas na atividade, sendo 110 gaúchas (40%), 105 catarinenses (38%) e 60 paranaenses (22%). Em termos de faturamento, a IRmP-RS corresponde a 39% do total do setor na Região Sul. Quanto ao tipo de empresa, as recicladoras especializadas na atividade são, em sua maioria, do estado do Rio Grande do Sul, representando 52% sobre o total. Também o RS registrou a menor quantidade de empresas verticalizadas em triagem proporcionalmente.

    O estudo da consultoria elaborado para os três sindicatos da indústria plástica gaúcha (Sinplast-RS, Simplás e Simplavi) revela que os principais resíduos reciclados são os mesmos nos três estados do Sul: polietilenos, polipropileno e PET.

     

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