Notícias – Reciclagem energética é debatida no sul do país

O prefeito destacou que a implantação do sistema de processamento e reaproveitamento de resíduos e a unidade de recuperação de energia permitirão o tratamento de todo o resíduo gerado no município, recuperando os materiais recicláveis, tratando a fração orgânica e gerando energia por meio da incineração. Ele acrescentou que o local terá monitoramento on-line de controle de emissão de gases, com investimentos estimados entre R$ 450 milhões e R$ 600 milhões para a instalação da usina, que deverá estar em operação até 2015. A expectativa de geração de energia pela URE é de 30 MW, suficiente para a iluminação de todas as ruas e prédios públicos da cidade de mais de 800 mil habitantes.

A engenheira Adriana Ziemer Garcia Ferreira, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), apresentou um panorama dos resíduos sólidos no Brasil em 2010, quando foram coletados 54 milhões de toneladas de lixo, 7,7% acima de 2009 (50 milhões), apesar de a população ter crescido apenas 1% no ano, com uma geração per capita de 378 kg por
habitante/ano.

Adriana lamentou que, da destinação final do lixo, 23 milhões de toneladas (42,4%) têm destino inadequado e 31 milhões são controladas (57,6%), com envio para aterros sanitários licenciados. Sobre a coleta seletiva, a engenheira mencionou: 3.207 municípios possuem (57,6%) e 2.358 não prestam o serviço (42,4%), enquanto muitas cidades que dizem oferecer a coleta seletiva prestam o serviço parcialmente ou de forma incipiente. A engenheira estima em R$ 9,95 por mês o valor gasto por habitante no país.

O segmento todo gera 298 mil empregos diretamente e em 2010 teve um faturamento total de R$ 19 bilhões. Ela aponta como propostas para a melhoria do setor a redução dos resíduos gerados, o uso racional dos produtos e recursos, e a escolha de práticas de gestão minimizadoras dos riscos de poluição e danos à saúde pública.
O presidente da Nova Energia e Desenvolvimento Energético S/A, Luciano Costa Coimbra, apresentou no fórum seu case do plástico transformado em petróleo sintético, desenvolvido por sua empresa, dedicada à pesquisa e exploração de tecnologias inovadoras para a produção de energia utilizando resíduos industriais e/ou domésticos. O projeto visa a construir 20 unidades industriais de plantas, extração, peletização e conversão térmica de resíduo plástico em derivados de petróleo ou a produção de combustíveis obtidos da fonte de energia alternativa e renovável, com reflexos positivos no meio ambiente.

De acordo com Coimbra, a empresa pretende produzir principalmente diesel, nafta e óleo combustível. Para tanto, as fontes de matéria-prima utilizadas serão os resíduos sólidos urbanos dos aterros públicos e privados, componentes das indústrias de embalagens, de óleos e produtos automotivos, cosméticos, remédios, alimentos e bebidas, além de produtos provenientes da indústria automobilística e resíduos industriais de embalagens e peças, entre outros.

O presidente da Nova Energia busca parceiros para implantar seus empreendimentos em diversos estados do país. Ele fechou negociações para implantar usina na Bahia e em Alagoas. Em Salvador será a primeira operação, numa associação com a Vega Engenharia Ambiental. As operações, prevê, devem se iniciar em dez meses. A outra usina, em Maceió, tem parceria com a Viva Ambiental, num negócio de R$ 43 milhões, com inauguração prevista para o final de 2012.

A Nova Energia utilizará nas suas operações tecnologia da empresa norte-americana Agilyx Corporation, localizada no Estado de Oregon. Coimbra espera retorno do investimento em 30 meses. O empresário aponta como fundamental para a implantação do empreendimento a parceria feita com a Braskem, que já assinou contrato de compra de todos os combustíveis que serão produzidos pelas usinas.

Também participaram do seminário como palestrantes, o vice-presidente da Sil Soluções Ambientais, o engenheiro Fernando Hartmann, que abordou o case do metano do lixo transformado em energia elétrica, que ocorre no aterro sanitário de Minas do Leão, cuja operação se iniciou em 2001 e tem capacidade de recebimento de 90 mil toneladas/mês, e o responsável pela área técnica da Usina Verde (localizada no Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro), Jorge Pesce, que falou sobre o desenvolvimento da tecnologia da empresa e seu modelo de negócio.

[toggle_simple title=”Pesquisa mostra perfil da indústria gaúcha de reciclagem mecânica de plásticos” width=”Width of toggle box”]

Em paralelo ao Energiplast 2011, foi apresentada uma análise do perfil da indústria de reciclagem mecânica de plásticos no RS, com o objetivo de demonstrar o atual estágio da cadeia produtiva do setor, a fim de subsidiar futuras ações das entidades e empresas envolvidas no fomento e desenvolvimento de todos os elos desta cadeia de valor.

Na pesquisa, elaborada pela empresa de consultoria Maxiquim, as empresas recicladoras foram divididas em quatro grupos: recicladoras verticalizadas em triagem (além do produto plástico reciclado, também vendem o resíduo plástico triado); recicladoras (comercializam apenas o produto plástico reciclado); recicladoras verticalizadas em transformação (transformam o produto plástico triado em produto final e o comercializam); e recicladoras verticalizadas em triagem e transformação (comercializam tanto o resíduo plástico triado quanto o produto final produzido com o reciclado).

Conforme Solange Stumpf, da Maxiquim, das 110 empresas em operação no Rio Grande do Sul, 52% são recicladoras, 27% são recicladoras verticalizadas em transformação, 17% são recicladoras verticalizadas em triagem e 4% recicladoras verticalizadas em transformação. Essas empresas se concentram na região metropolitana de Porto Alegre, Vale dos Sinos e Serra Gaúcha.

Quanto ao faturamento do setor, os dados de 2010 indicam que as indústrias recicladoras faturaram R$ 275,2 milhões, empregando 2,5 mil trabalhadores, com uma capacidade instalada de 154,4 mil toneladas e uma produção de 106,1 mil toneladas, atuando com um nível operacional de 69%.

O levantamento da Maxiquim mostra, ainda, o volume total de resíduo consumido no Rio Grande do Sul no ano passado: 122 mil toneladas, a maior parte industrial (68,9 mil toneladas ou 56%). O pós-consumo atingiu 53,2 mil toneladas, cerca de 44%. Em relação às resinas mais recicladas pela indústria de reciclagem mecânica de plásticos no RS (IRmP-RS), destacam-se os polietilenos (PEBD/PEBDL e PEAD), que somaram 43% da produção total do plástico reciclado. Também aparecem com relevância o PET (35,9%) e o PP (15,5%).

De acordo com Solange, a principal forma de produção do material reciclado é o flake, com 63,7 mil toneladas, enquanto na forma pellet (granulado) foram 40,2 mil toneladas em 2010.

A pesquisa também fez um comparativo da IRmP-RS com o Brasil. Segundo o levantamento, o estado do Rio Grande do Sul, que representa aproximadamente 3% em área do Brasil, possui uma indústria de reciclagem de plásticos equivalente a cerca de 14% do faturamento total do setor no país. O RS, apesar de representar apenas 6% do Brasil em população, produz 11% do total de material plástico reciclado do país, com o índice de reciclagem mecânica de material plástico pós-consumo da IRmP-RS tendo sido de 24% em 2010, acima do observado no Brasil.

Em relação à Região Sul, a IRmP apontou 275 empresas na atividade, sendo 110 gaúchas (40%), 105 catarinenses (38%) e 60 paranaenses (22%). Em termos de faturamento, a IRmP-RS corresponde a 39% do total do setor na Região Sul. Quanto ao tipo de empresa, as recicladoras especializadas na atividade são, em sua maioria, do estado do Rio Grande do Sul, representando 52% sobre o total. Também o RS registrou a menor quantidade de empresas verticalizadas em triagem proporcionalmente.

O estudo da consultoria elaborado para os três sindicatos da indústria plástica gaúcha (Sinplast-RS, Simplás e Simplavi) revela que os principais resíduos reciclados são os mesmos nos três estados do Sul: polietilenos, polipropileno e PET.

[/toggle_simple]

 

Leia a reportagem principal:[box_light]Notícias – Velho continente expande debates sobre biopolímeros[/box_light]

Saiba mais:

[box_light]Notícias – Reciclagem energética é debatida no sul do país[/box_light]

Página anterior 1 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios