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Notícias – Reciclagem de PET no país supera previsões otimistas

Marcio Azevedo
2 de novembro de 2008
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    “Esse talvez seja o fator mais importante, de todos os que constatamos. Há uma demanda constante e crescente pelo poliéster reciclado, e se o volume produzido crescer, existe mercado”, afirmou Fraga. Esse ponto é crucial e diferencia o Brasil de outros países. Aqui, a cadeia de utilização do reciclado está desenvolvida e se estabeleceu por conta própria, fruto de um esforço empreendedor, e praticamente sem incentivos oficiais. “Essa cadeia só não cresce mais por falta de matéria-prima”, alertou o diretor da Noûs Consulting. Uma das evidências dessa realidade é o fato de que 56% dos entrevistados gostariam de aumentar o volume de matéria-prima reciclada processada, percentual mais alto percebido na série de estudos. O 4º Censo da Reciclagem de PET no Brasil pode ser baixado gratuitamente no site da Abipet, no enlace http://www.abipet.org.br/noticias/Quarto%20Censo%20ABIPET.pdf

    Reciclar versus reduzir – A importância da reutilização do PET ganha contornos mais intensos quando confrontada com os resultados de estudos de análise de ciclo de vida (ACV) das embalagens de PET, como os apresentados por Karel Wendl, gerente de embalagens da Coca-Cola. No mesmo evento em que a Abipet revelou os resultados de seu último censo, Wendl forneceu informações acerca de um amplo estudo concluído no ano passado sobre as embalagens que a gigante das bebidas utiliza ao redor do mundo.

    Nessa pesquisa, realizada em parceria com o Instituto de Energia e Pesquisa Ambiental de Heidelberg, na Alemanha (IFEU, na sigla em alemão), foram comparados diversos tipos de embalagens, tais como garrafas de vidro reutilizáveis, garrafas de PET reutilizáveis e descartáveis, garrafas de ácido poliláctico (PLA), latas de alumínio e de aço, embalagens cartonadas (mais conhecidas como Tetrapak), e pouches plásticos.

    As conclusões desses ACVs mostraram que o desempenho ambiental de embalagens reutilizáveis ou descartáveis é fortemente afetado pela etapa logística de transporte e pela demanda que cada tipo tem por matéria-prima. Segundo os dados expostos por Wendl, a garrafa de vidro reutilizável causa menos dano ao meio ambiente que a de PET descartável. Porém, se pelo menos 25% do volume de garrafas de PET descartáveis for reciclado, o impacto ambiental, comparado com a embalagem reutilizável de vidro, será o mesmo. O PLA, para ter a mesma pegada ambiental que o vidro reutilizável, precisa de 50% de reciclagem; o alumínio, no mínimo 80%.

    O gerente de embalagens da Coca-Cola também expôs comparações entre garrafas descartáveis de PET com diferentes massas versus garrafas de PET com conteúdos variáveis de matéria-prima reciclada. A conclusão é a seguinte: para recipientes feitos com o poliéster, aumentar o conteúdo de reciclado é melhor, ambientalmente, do que reduzir o peso. Como a intuição pode sugerir, as garrafas plásticas reutilizáveis de PET tendem a ter melhor desempenho que as descartáveis sem conteúdo reciclado, porém isso não é verdade se a etapa de distribuição do produto final ultrapassar certa distância crítica. Wendl ainda destacou que, no cenário em que não há reciclagem das embalagens, aquela que possui o menor impacto ambiental é a Tetrapak. Portanto, para ter um apelo positivo para o meio ambiente, em comparação a outros materiais, o PET deve necessariamente ser reciclado.

    Falta ação governamental – O grande entrave à reciclagem no Brasil continua sendo a falta de políticas públicas para o gerenciamento de resíduos sólidos. Particularmente no caso do PET, os volumes reciclados só não crescem mais, como fica claro no censo da Abipet, pela ausência da coleta seletiva de materiais.

    O Congresso Nacional brasileiro parece não se importar com esse fato, uma vez que a política nacional de gerenciamento de resíduos sólidos se arrasta em discussões nas duas casas parlamentares pelo período vergonhoso, indecente e escandaloso de mais de dezessete anos.

    De qualquer maneira, no ano passado, o Executivo da União enviou ao Congresso o projeto de lei 1.991/2007 (disponível em http://www.camara.gov.br/sileg/MostrarIntegra.asp?CodTeor=501911), que institui a política nacional de resíduos sólidos. Segundo José Valverde, assessor parlamentar do gabinete do deputado federal Arnaldo Jardim, em junho deste ano constituiu-se um grupo parlamentar para retomar a discussão sobre o lixo, com o objetivo de aprovar o projeto enviado ao Congresso. O pensamento do grupo, porém, é criar uma lei com diretrizes gerais e linhas de atuação governamental de longo prazo, que precisaria, posteriormente, ser aprofundada em regulamentações específicas. “O poder público pode ser um grande potencializador do mercado de reciclagem, por exemplo, adotando a preferência por produtos recicláveis e reciclados nas compras governamentais”, afirmou o assessor.



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