Reciclagem de PET no país supera previsões otimistas

A Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) apresentou as conclusões da 4ª edição do Censo da Reciclagem de PET no Brasil.

Os resultados superaram as expectativas mais otimistas: o país revalorizou mais da metade do poliéster tereftalato consumido nacionalmente em 2007, posicionando-se como o segundo maior reciclador de PET do planeta, à frente da média européia, de 40%, e dos Estados Unidos, com 23,5%, sendo superado apenas pelo Japão, que reaproveita 66,3% da resina que consome.

Para a obtenção do último censo, foram realizadas 478 entrevistas com empresas consumidoras do produto revalorizado e empresas recicladoras – aquelas que utilizam o PET pós-consumo como matéria-prima para a produção de resina reciclada.

Com o intuito de garantir maior adesão ao estudo, a Abipet não tem acesso aos dados individuais obtidos nesses questionários, mas apenas às informações consolidadas pela Noûs Consulting, a responsável pelo levantamento.

Com base nessas informações, a consultoria constatou que, em 2007, houve um expressivo aumento do volume de PET reciclado no Brasil, passando de 194 mil t, em 2006, para 231 mil t, no ano passado, alta de 19%.

Plástico Moderno, Leandro Fraga, diretor da Noûs Consulting, Notícias - Reciclagem de PET no país supera previsões otimistas
Fraga: nem o mercado previu a alta vista na reciclagem de PET

“Quando realizamos o censo, no ano passado, nenhum dos entrevistados imaginava que o mercado pudesse crescer tanto”, disse Leandro Fraga, diretor da Noûs Consulting, durante a apresentação dos resultados do 4º censo.

Esse crescimento imprevisto levou o Brasil a atingir uma taxa de reciclagem de PET de 53,5%, posicionando-se entre um dos principais recicladores mundiais da resina.

Mais importante ainda que a expressiva taxa, na opinião de Fraga, no entanto, é a maneira razoavelmente consolidada que a cadeia de reciclagem da resina apresenta no país, do seu início ao fim.

A capacidade instalada nacional de reciclagem de PET, que havia exibido um pequeno crescimento no último censo, cresceu um pouco mais em 2007, embora a ocupação dessa capacidade tenha crescido em taxa menor. Isso permite prever que, apesar da expansão do mercado, há espaço para novas expansões em curto período de tempo.

Outro ponto citado como alentador é o fato de as empresas de reciclagem de PET estarem mais maduras, tendência que vem se solidificando a cada novo estudo.

Esse dado vai contra a idéia comum de que as empresas de reciclagem são pequenas e recentemente estabelecidas.

Obviamente há empreendimentos com esse perfil, mas sua quantidade é decrescente. O estrato de empresas estabelecidas há mais de cinco anos é o maior.

Em relação ao número de funcionários, a fatia de empresas de tamanho médio também é a maior.

No tocante aos volumes revalorizados, igualmente predominam as empresas intermediárias, que processam entre 100 t e 500 t por mês.

Do lado dos usuários do PET reciclado (desconsideradas as respostas de empresas que desenvolveram a atividade de maneira experimental ou descontinuada), notou-se um aumento paulatino na compra de matéria-prima granulada (de 2%, em 2005, para 9% do total das compras, em 2007).

Trata-se de outra demonstração da evolução da cadeia, na medida em que o PET regranulado apresenta uma etapa adicional de agregação de valor ao floco.

O censo também revela uma manutenção do otimismo detectado na edição anterior do estudo pelas perguntas sobre expectativas.

O preço do flake reciclado, na avaliação da maioria dos entrevistados, permaneceu estável e, a esse respeito, o dado que Fraga apresentou como o mais relevante foi a maior prevalência da resposta afirmativa ante a pergunta sobre a intenção de investimento nos próximos meses.

“Nunca havíamos captado uma taxa tão elevada de respostas positivas”, realçou.

Essa constatação também sugere que o preço dos flocos talvez não esteja tão estagnado, como outras respostas do censo poderiam indicar.

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