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Notícias – Reciclagem de PET é analisada em fórum

Marcio Azevedo
12 de fevereiro de 2007
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    Esse tipo de fábrica possui um aspecto legal importante. À parte dos tradicionais, relativos a códigos e normas, são necessárias aprovações do produto e do processo por parte de órgãos como o Food and Drug Administration (FDA) norte-americano. Além desse tipo de burocracia governamental, particular em cada país, fabricantes de bebidas e alimentos impõem exigências semelhantes para homologar o fornecedor. Também há necessidade de cuidado com a infração de patentes no local de produção dos pellets e no de consumo, no caso de exportação, pois várias já foram inscritas e detalhadas. “A Bühler está bem posicionada nessa questão, e possui patentes para a granulação em tempo de residência curto e para processo integrado de extrusão, cristalização e condensação em fase sólida”, disse Ferreira.

    Para despertar em possíveis clientes o desejo pela sofisticada tecnologia que apresentava, ele relembrou que o preço do PET virgem pode variar. O custo de financiamento de fábricas mais simples é menor, mas a rentabilidade do negócio também. Quando o preço da resina virgem cai, essa vantagem inicial da fábrica mais modesta desaparece, e instalações de alto desempenho podem conseguir preço maior, mais próximo ao do plástico virgem. Uma mãozinha: a empresa da Suíça pode ajudar clientes com financiamentos para a execução de projetos garrafa a garrafa.

    Plástico Moderno, Daniel Gneuss, engenheiro, Reciclagem de PET é analisada em fórum

    Gneuss é um especialista em sistemas rotativos de filtração

    Como processar – Um dos objetivos explícitos do Fórum foi incutir nos participantes a oportunidade que o investimento em alta tecnologia propicia perante o novo cenário mundial estabelecido ao longo da última década: aumento mundial do consumo de poliéster reciclado e demanda por artigos manufaturados reciclados de melhor qualidade.

    Essa tendência se estende a elos da cadeia, e tanto recicladores de PET quanto seus clientes, os transformadores, foram encorajados a investir em equipamentos de última geração.

    Do lado da transformação, a filtração dos flocos fundidos após a passagem pela rosca de extrusão exerce papel destacado na qualidade do produto final. Para comentar essa pauta obrigatória, a Gneuss enviou ao Brasil um membro da família que comanda a empresa especializada na produção de sistemas rotativos de filtração, o engenheiro Daniel Gneuss.

    Esses sistemas são mais caros que os convencionais, com troca de telas, mas possuem custo operacional menor e permitem mais estabilidade e qualidade da produção. A troca de telas pode induzir diversas perturbações no processamento dos flocos: redução da área de filtração ativa durante a substituição, degradação de polímero em áreas inacessíveis e contaminação do fundido, bem como maior contaminação por impurezas moles, devido ao aumento de pressão durante a substituição. A gravidade dessas oscilações pode resultar em interrupções e fabricação de produtos fora de especificação (off specs).

    Filtros rotativos permitem processos mais próximos do ideal – a operação com parâmetros constantes –, pois são equipados com um disco de filtros rotatório, que gira menos de um grau a cada aumento incremental de pressão. Esse conceito implica em área ativa de filtração e grau de sujidade constantes. A habilidade para operação sem picos e depressões permite que sejam adotadas tolerâncias nas especificações do produto mais estreitas, com economia de matéria-prima. Gneuss apresentou um modelo equipado com pistão de retorno para retrolavagem automática das telas, que ocasiona menos de 1% de perda da massa fundida na purga e favorece a reutilização dos filtros, ampliando os ganhos com custos.

    O capítulo “como processar” continuou sendo desfiado por Peter Rieg, colaborador da alemã Battenfeld, que abordou a produção de chapas de APET utilizando garrafas recicladas. Esses intermediários são em quase sua totalidade transformados por termoformagem, em aplicações de embalagens para alimentos frescos, como saladas, sanduíches ou alimentos prontos para aquecimento em fornos microondas. É um mercado do PVC que está sendo atacado pelo PET reciclado.
    A construção padrão utilizada nas chapas é a co-extrusão de três camadas (10/80/10), com reciclado no centro e material virgem em ambas as faces, para aprovação em uso alimentício. São comuns também camadas de silicone, para driblar a eletricidade estática alta, e a laminação com camadas funcionais (PEBD, filmes com barreira, impressos ou metalizados).

    A matéria-prima para essa aplicação precisa ter densidade no seio do material de 400 kg/m3, e cristalização acima de 40%, quando processada em extrusora monorrosca. Esse tipo de extrusora é o mais obsoleto nesse negócio, com resultados ruins devido à alta degradação do polímero, mas que podem ser melhorados em um estágio de pré-secagem com infravermelho ou com uma bomba de vácuo instalada antes da extrusora. A qualidade do produto, nesse caso, é aceitável, no entanto, oscilante. A apresentação de Rieg mostrou que o emprego de extrusora dupla-rosca, sem pré-aquecimento, mas com bomba de vácuo, leva aos melhores resultados, em particular para produções acima de 1.500 kg/h com base em matéria-prima com umidade menor que 0,4%.

    Esse processo também permite maiores capacidades, até cerca de 4.000 kg/h. A qualidade dos flocos processados nessa configuração se manifesta principalmente na transparência e na uniformidade de cor.

    Frank Lechner, um engenheiro que engrossa as fileiras da Coperion, aprofundou o tema dos equipamentos de processo. O representante da produtora de extrusoras dupla-rosca co-rotantes enfatizou a importância das etapas de desumidificação do PET. Por ser um polímero policondensado, o poliéster é higroscópico e rapidamente atinge o equilíbrio com o ambiente úmido no patamar de 0,1% a 0,33%. Na plastificação, entre 270º C e 280º C, a degradação hidrolítica ocorre imediatamente em material úmido, antes da degradação térmica, 10 mil vezes mais lenta, e a termo-oxidativa, 5 mil vezes.



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