Atuação Responsável – Química Melhora Desempenho Ambiental

Com expressiva participação de diretores e profissionais da indústria química, a Abiquim realizou seu 15º Congresso de Atuação Responsável, nos dias 12 e 13 de agosto, em São Paulo.

Ponto alto do encontro foi a assinatura do termo de adesão da Abiquim, representada pelo presidente do conselho diretor da entidade e CEO da Braskem Carlos Fadigas, ao Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre responsabilidade corporativa.

O Pacto Global é a maior iniciativa voluntária do mundo, pela qual a comunidade empresarial se compromete a adotar em suas práticas comerciais dez princípios universalmente aceitos nas áreas de direitos humanos e do trabalho, respeito ao meio ambiente e de combate à corrupção.

Entre os princípios norteadores do pacto constam posturas preventivas e proativas para enfrentar desafios ambientais e o apoio a iniciativas e práticas para desenvolver a responsabilidade socioambiental. Vários dos aspectos previstos no pacto já constam das diretrizes do programa de Atuação Responsável, facilitando a sua implementação por parte da indústria química nacional.

Nos termos do pacto, a Abiquim se compromete a incentivar seus 176 associados a aprofundar as ações ligadas aos direitos humanos e do trabalho, além de combater a corrupção.

Ao mesmo tempo, a entidade espera contar com o apoio da ONU para fortalecer parcerias com organizações multilaterais.

“Não se avalia o crescimento de um país apenas pelo avanço do seu PIB”, afirmou Jorge Chediek, representante-residente da ONU no Brasil. O melhor indicador de desenvolvimento é a capacidade de ajudar a população a melhorar de vida, com respeito ao meio ambiente.

Chediek lembrou que o Brasil já foi um dos líderes mundiais nesse sentido, em especial na época da Rio 92, um marco global em sustentabilidade. “A indústria química foi a primeira a pensar nisso e a Abiquim acompanha esse movimento desde a sua fundação”, afirmou Chediek. Na sua avaliação, é o setor privado que gera qualidade de vida, mediante o pagamento de salários adequados para seus trabalhadores, também favorecidos pela observância de requisitos de qualidade e segurança no ambiente laboral.

Durante a cerimônia de abertura do congresso, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Gaetani, salientou o papel do setor químico como peça chave para a sustentabilidade sistêmica do país, por causa de seu papel integrador no aproveitamento de recursos naturais para a resolução dos problemas atuais.

“O governo precisa construir com o setor privado as soluções para o futuro”, afirmou secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Francisco Gaetani.

Nesse diapasão, Gaetani mencionou a proposta do governo para estabelecer o novo Marco Regulatório do Patrimônio Genético e Repartição de Benefícios.

“A legislação atual é repressora, criminaliza a pesquisa biotecnológica com base na flora e fauna nativas”, criticou.

Ele convidou todos os interessados a dialogar para que o projeto de lei receba os ajustes necessários e possa apoiar o desenvolvimento nacional mediante o aproveitamento das oportunidades abertas para todas as cadeias produtivas.

Indicadores – Atuação Responsável – Química

Vice-presidente do conselho diretor da Abiquim e presidente da Elekeiroz, Marcos De Marchi apresentou os indicadores atualizados de sustentabilidade da indústria química nacional.

Notável foi a redução em 39% do número de acidentes com afastamento por milhão de horas trabalhadas, entre 2006 e 2013.

E esses acidentes se tornaram menos graves, fato evidenciado pela redução em 78% do número de dias de afastamento por ocorrência.

Também a frequência de acidentes caiu pela metade, atestando a eficácia dos sistemas de treinamento e controle das instalações químicas.

Marcos De Marchi - Presidente da Elekeiroz e Vice-presidente do conselho diretor da Abiquim Plástico Moderno, De Marchi: operações do setor estão mais seguras e eficientes Atuação Responsável
Marcos De Marchi – Presidente da Elekeiroz e Vice-presidente do conselho diretor da Abiquim

“Em 2013, não ocorreu nenhuma fatalidade nas operações do setor, felizmente”.

Os indicadores de segurança de processo revelaram avanços com a diminuição de casos de acidentes com fogo ou explosão.

Ao mesmo tempo, aumentou o indicador de vazamentos com volume inferior a 2.300 kg.

“Isso se deve à ocorrência de apagões em 2013, especialmente na região Nordeste, desencadeando essas ocorrências em paradas não programadas”, afirmou.

As atividades químicas geraram 22% menos resíduos (perigosos e não perigosos) em 2013, em comparação com 2006.

Além disso, a geração de resíduos recicláveis cresceu 129% no período, embora seja ainda considerada pequena, correspondendo a 15,8% do volume total.

As emissões de gases geradores de efeito estufa caíram 53% no período.

Os estudos da Abiquim indicaram que o consumo específico (por tonelada produzida) de combustíveis caiu 30% no caso do gás natural e 38% no óleo e carvão.

O uso específico de eletricidade foi reduzido em 19% entre 2006 e 2013. Outros indicadores ambientais também evidenciaram os avanços do setor.

A captação de água por tonelada produzida ficou 35% menor, enquanto o consumo específico de água teve corte de 38%.

“É preciso notar que a diferença entre o volume captado e o efetivamente consumido foi muito reduzida, comprovando o aumento da eficiência dos processos”, avaliou o vice-presidente.

Como reflexo, o lançamento de efluentes foi cortado pela metade.

No campo dos transportes, o indicador de acidentes por 10 km de viagens rodoviárias alcançou uma redução de 61%, considerando todos os tipos.

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Esse indicador é particularmente importante porque o setor utiliza o modal rodoviário com muito maior frequência do que as demais alternativas. Considerando a má qualidade das rodovias, alcançar a redução do número de acidentes é um feito admirável.

“Para o futuro, devemos adotar práticas mais sustentáveis, aumentar a competitividade, e agregar mais valor aos insumos e recursos consumidos pela indústria, colocando o foco das atenções nas pessoas”, recomendou De Marchi.

No seu entender, o Brasil precisa de uma indústria química forte. “Nenhum país se tornou desenvolvido sem ter uma indústria química importante”, afirmou. Por dispor de grandes reservas de óleo e gás, o país deveria se preocupar em construir uma cadeia de agregação de valor a essas matérias primas, mediante o desenvolvimento da petroquímica local.

Experiências – Entre o vasto leque de palestras e debates, o congresso promovido pela Abiquim também deu espaço para que empresas pudessem comentar suas experiências com o programa de Atuação Responsável.

Alexandre Castanho, presidente da MWV Química, subsidiária brasileira do grupo Mead Westvaco (especializado em papel e embalagens), tendo especialidades químicas obtidas de árvores de pinus e resíduos florestais como atividade principal, explicou como a empresa se adequou para implantar o sistema de gestão de AR.

“O sistema opera com base no sistema PDCA de melhoria contínua e isso nos incentiva a aprimorar nossos processos, produtos, instalações e serviços”, afirmou Castanho. A empresa possui fábricas em Duque de Caxias-RJ e Palmeira-SC.

Outra experiência empresarial apresentada no congresso foi a da transportadora especializada Tquim, que se candidatou ao sistema de gestão de Atuação Responsável na categoria de parceira.

“Atuamos junto à Abiquim há vários anos, fomos laureados repetidas vezes com o prêmio Mirtes Suda de qualidade nos transportes e atuamos com o Sassmaq”, comentou Walter Almeida, presidente da Tquim.

“Aliás, em setembro passaremos por nova auditoria do Sassmaq já com as regras da terceira revisão, apresentada recentemente pela Abiquim.”

A Tquim iniciou neste ano os preparativos para as avaliações do AR, com auditoria final esperada para maio de 2015, contemplando a matriz, em Diadema-SP.

O armazém geral recentemente inaugurado pela empresa será auditado em agosto de 2015, enquanto as filiais de Camaçari-BA, Esteio-RS e São José dos Pinhais-PR devem se qualificar até novembro do próximo ano.

Segundo Almeida, a empresa está fazendo a “lição de casa” sozinha, sem a contratação de uma consultoria especializada. “O sistema de gestão é simples no papel, mas tem grande complexidade, especialmente na avaliação de riscos”, considerou.

A própria Abiquim entende que essa etapa do processo é mais fácil de ser realizada em sítios industriais do que nas operações logísticas, sujeitas a um grande número de variáveis e situações imprevistas nas estradas.

“Mas quem não tem segurança, não tem disciplina operacional, certamente está perdendo dinheiro”, comentou Francisco Ruiz, coordenador executivo da comissão consultiva do Sassmaq (Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde e Meio Ambiente, da Abiquim).

A associação está formando a primeira turma de auditores especializados em AR, uma carência identificada pelo setor. Como o programa exige verificação e auditoria por terceira parte, essa formação é essencial.

 

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