Notícias – Projeto busca desenvolver sucessores nas indústrias

Como parte da programação das comemorações dos seus 30 anos de criação, o Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast) está promovendo a 1ª edição do Projeto Herdar. O evento objetiva contribuir para o desenvolvimento de sucessores das indústrias da terceira geração do segmento plástico no estado, além de incentivar a criação de uma rede de relacionamento entre sucessores de diferentes organizações, bem como promover o conhecimento sobre temas voltados à sociedade, família e empresa.

O Projeto Herdar é uma iniciativa conjunta do Sinplast, Instituto Sucessor, Centro Sinplast de Inovação e Governança (CSIG) e Comitê Sinplast de Gestão Empresarial. Desenvolvido em cinco módulos, iniciado no final de maio e com encerramento em 27 de setembro, o curso pretende trabalhar as particularidades das empresas familiares, compreender os seus desafios no mercado competitivo, entender como cada integrante familiar pode contribuir para o

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Gustavo Eggers, coordenador do projeto e do CSIG

negócio e promover o conhecimento.

De acordo com Gustavo Eggers, coordenador do projeto e do CSIG, a ideia de realização do evento surgiu dos encontros trimestrais que o grupo de jovens empresários da entidade promove. “Nosso sindicato é formado por empresas 80% familiares. A grande maioria está na 1ª passando para a 2ª geração, por isso são fundamentais temas dessa importância”, afirma o empresário.

Eggers ressalta que o segmento plástico no Rio Grande do Sul é relativamente novo, com cerca de 50 anos de atuação, necessitando de um maior preparo para que os jovens possam assumir o comando das empresas. Ele destaca que essa renovação também permitirá que o sindicato tenha novos dirigentes para as próximas gestões, com preparo para enfrentar os novos desafios que surgem no mundo dos negócios.

O industrial acrescenta que já no dia do lançamento do curso metade das 15 vagas oferecidas foram preenchidas. “A ideia é executar o projeto de maneira flexível, para permitir que todos participem dos encontros e possam conhecer novas experiências e adquirir conhecimentos nesta área”, disse Eggers.

Os módulos do Projeto Herdar abordarão temas como a empresa familiar, governança familiar, acordo de acionistas, governança corporativa e profissionalização da empresa familiar. Na sua metodologia, serão usadas vivências com integração, filmes, jogos de empresa, grupos de discussão, simulações, análise de casos e leituras de artigos e livros.

Palestrante de três módulos, Magda Geyer Ehlers, consultora de empresa familiar e sócia-fundadora da Geyer Ehlers (empresa especializada em reorganização societária e planejamento de sucessão) e do Instituto Sucessor (centro de capacitação, especializado no desenvolvimento da família empresária), destaca que o tema da sucessão é difícil de ser tratado pelas organizações e pessoas, pois trata da finitude, demandando muita emoção e energia para ser enfrentado, pois os sucessores se sentem invadindo o espaço dos pais, construído com muito esforço, trabalho e sucesso.

Magda diz que é preciso capacitar as pessoas para a discussão desse tema, já que a herança material é um privilégio, mas tem ônus. Segundo ela, a administração de uma herança é muito maior do que trabalhar numa empresa, com o herdeiro tendo que superar alguns estereótipos como o de bon-vivant, o de viver cercado de regalias, não precisar se preocupar em ganhar dinheiro e de ter tudo “de mão beijada”.

A consultora observa que ser filho de empresário é um peso, uma responsabilidade, pois todos têm uma altíssima expectativa em relação ao herdeiro. Muitas vezes o fracasso da perpetuação das empresas familiares é atribuído a ele, quando em muitos casos eles pegaram uma organização já com dificuldades anteriores.

Plástico, Magda Geyer Ehlers, consultora de empresa familiar e sócia-fundadora da Geyer Ehlers e
Magda Geyer Ehlers: na sucessão das empresas, apenas 5% chega à terceira geração

Citando dados divulgados pela Family Business Network Brazil (FBN), Magda informa que apenas 30% das empresas chegam à segunda geração e um percentual muito menor (5%) atinge a 3ª geração. “Casos como o do grupo Gerdau, que está na 6ª geração, são uma grande exceção”, observa.

Entre os desafios que os herdeiros vão enfrentar, a fundadora do Instituto Sucessor aponta a dificuldade de fundadores e sucessores de compreender a complexidade do sistema em que estão envolvidos, a falta de um planejamento sucessório, o medo de abrir mão do poder e a rivalidade entre irmãos. Cita também as divergências, indiferenças entre primos, atrair talentos de fora da família para a empresa e os desafios do negócio.

A complexidade da empresa familiar, segundo Magda, é baseada em três aspectos fundamentais: sociedade, empresa e família. A sociedade é um valor maior, englobando não só a organização, mas a sua cultura, os ativos como um todo.

Já a empresa é o negócio em si mesmo. Quanto à família, a consultora aponta que se trata de uma instituição muito severa nos seus julgamentos, pois rotula as pessoas, tem preconceitos, envolvendo nos tempos atuais novos integrantes como agregados, cônjuges, estando em mudanças constantes, pois as pessoas se casam, separam e voltam a se casar.

Ela lembra que a herança não vem com manual de instruções, a administração de bens e do legado que os acompanha exige habilidades que precisam ser aprendidas, e para administrar uma empresa é necessário ter competência, que deve ser desenvolvida com o herdeiro. Nesse contexto, é preciso se preparar para agregar valor ao patrimônio familiar, fazer um bom planejamento sucessório, impedir que problemas familiares afetem o desempenho da empresa e aliar seu projeto de vida pessoal às obrigações inerentes ao papel de herdeiro.

Entre os temas que serão abordados no item família, Magda aponta assuntos como poder, dinheiro, status, imagem, governança familiar, regulamento familiar e gerenciamento de conflitos. Já na parte da sociedade, serão vistos assuntos específicos, incluindo acordo de acionistas, holding, estrutura societária e plano sucessório. Quanto à empresa, serão abordadas a profissionalização, modelo de gestão e os novos papéis.

O Projeto Herdar terá ainda como palestrante o engenheiro de produção Richard Doern, conselheiro do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), que falará sobre governança corporativa. Já o mestre em gestão empresarial e especialista em finanças, Ricardo Maltz, abordará a profissionalização da empresa familiar.

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