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Notícias – Produtor asiático instala fábrica de DVDs na Bahia

Jose Valverde
4 de junho de 2007
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    O propalado e até denunciado baixo custo de produção na China não exclui a viabilidade de empresas chinesas se instalarem no Brasil, como está provando a Infosmart, de Hong Kong, que acaba de pôr em produção, em Camaçari-BA, sua fábrica de DVD e CD – investimento de 25 milhões de dólares e capacidade de produção de 6 milhões de unidades/mês nos três turnos, volume que será progressivamente alcançado até o fim deste ano.

    Plástico Moderno, Sebastian Tseng, Notícias - Produtor asiático instala fábrica de DVDs na Bahia

    Tseng: incentivos do governo influenciaram a decisão

    “Chegamos dispostos a cobrir 50% da demanda interna”, anuncia o diretor geral Cheng Yutseng. A intenção é destinar 60% da produção ao mercado nordestino e 40% para o restante do país. No Brasil, o mercado de CD e DVD cresce a 20% ao ano, revela.

    Dona de três fábricas de CD e DVD na China, a Infosmart encontrou no Brasil apenas uma concorrente: a Videolar, instalada em Manaus. A empresa decidiu reiniciar no Brasil a expansão além-China depois de vender a fábrica que tinha na Indonésia, onde produzia apenas CDs. A Discobras é apenas o primeiro de uma série de empreendimentos que o grupo chinês pretende levar para a Bahia, onde deverá investir mais de150 milhões de dólares, até o fim de 2008.

    Outro executivo, Sebastian Tseng, ressalta que a vantagem logística de produzir no próprio mercado local, e os incentivos do governo baiano, foram decisivos para a Infosmat interessar-se pelo Brasil. A empresa constatou que entre a produção do DVD ou CD na China e a chegada nas mãos do consumidor brasileiro transcorrem aproximadamente seis meses, vantagem logística que mesmo confrontada com o menor custo de mão-de-obra da China, segundo ele correspondente a dois terços da brasileira, soma favoravelmente. A empresa considerou principalmente o melhor posicionamento em relação à produção contrabandeada da Ásia, avaliada como “muito alta”.

    Os 6 milhões de unidades/mês, correspondentes à capacidade de produção das 20 injetoras importadas da Alemanha, demandam a importação de 150 toneladas de policarbonato (PC) grau ótico, neste começo, de Taiwan e da Alemanha. Tseng explica que não são só os DVDs e CDs que demoram a chegar. Na fase pré-operacional, a fábrica parou cinco vezes, por causa de atraso na chegada do policarbonato, situação que é inversa à da China. “Lá produzimos cinco anos continuamente, sem parar uma só vez.” Ele aguarda que a Policarbonato do Brasil (grupo Unigel) inicie a produção do grau ótico, prevista para a segunda fábrica da resina, a ser construída em Camaçari.

    As extrusoras são acopladas a unidades de acabamento, onde DVDs e CDs são revestidos duas vezes – galvanizados com tinta reflexiva de prata e na seqüência submetidos a uma camada protetora de verniz laca. “Os DVDs são compostos por duas camadas superpostas de PC, ambas de 0,60 mm e o CD de uma única camada, de 1,2 mm”, explica Tseng. Ele ressalta que o controle de qualidade, feito por raio laser, também é integrado à produção. Com Sebastian Tseng vieram da China nove empregados, e mais 90 foram contratados na Bahia.

    A Discobras precisou superar uma controvérsia com as autoridades fazendárias para assegurar plenamente o benefício da isenção de ICMS, pois o projeto foi enquadrado no ramo da transformação de plástico, e não da informática, como ficou acertado com o governo passado. Como conseqüência, chegou a pagar R$ 1,27 de ICMS por quilo de PC que importa da Alemanha e ficou sem ter como compensar o crédito – pagou R$ 5,26 FOB (2,70 dólares) e recebeu CIF a R$ 8,20, incluindo o ICMS. Sem o incentivo fiscal, inicialmente não haveria lucro, o custo de produção e a receita ficariam empatados, relata Tseng.

    Plástico Moderno, Notícias - Produtor asiático instala fábrica de DVDs na Bahia

    Vinte Injetoras alemãs produzem 6 milhões de unidades mensais

    Outros Investimentos – Até o fim deste ano, o Infosmart espera inaugurar outros empreendimentos na Grande Salvador: uma fábrica de divisórias, uma de cartões de memória (para armazenamento de conteúdos em câmeras digitais e computadores de bolso), e uma de discos regraváveis (CDRs e DVDRs).

    Em 2008, o grupo chinês pretende implantar mais duas indústrias, no ramo da informática. “Só depende de encontrarmos um terreno de cerca de cem mil metros quadrados, que abrigue todas as unidades, inclusive a Discobras, para iniciarmos as obras”, garante Cheng Yutseng.

    Recentemente, a empresa foi visitada pelo embaixador Chinês, Chen Duqing: “O sucesso da Discobras atrairá mais investimentos, encorajará a vinda de mais empresas da China”, previu.

    Nova produção dá ao País auto-suficiência para o PET

    Entrou em operação recentemente, no Complexo Portuário e Industrial de Suape, em Pernambuco, a fábrica de 450 mil t/ano de resina PET grau embalagem, construída pela italiana Mossi & Ghisolfi (M&G) e apresentada como a maior do mundo, juntamente com a irmã gêmea também da M&G, essa inaugurada em 2003, em Altamira, México.
    Pela ordem cronológica, a segunda fábrica do novo pólo petroquímico será a Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco (Citepe), que produzirá 215 mil t/ano de filamentos de poliéster – polyester oriented yarn (POY) – matéria-prima –, intermediária para tecidos sintéticos. A construção, na fase de terraplenagem, foi dividida em três etapas, correspondentes às três unidades que compõem o projeto: polimerização, fiação e texturização.

    A texturização, que na seqüência fabril da produção é a terceira etapa, será a primeira a ficar pronta, em data prevista para o primeiro trimestre do próximo ano. O descompasso obrigará a Citepe a importar a matéria-prima intermediária, o filamento polimerizado, pelo tempo que transcorrer até a conclusão das outras duas etapas, prevista para o começo de 2009. A polimerização dependerá também do suprimento de ácido tereftálico purificado (PTA), que será produzido em outra planta.

    A terceira inauguração será justamente a da fábrica de PTA, com capacidade para 640 mil t/ano – investimento de 542 milhões de dólares. O início da construção está na dependência do licenciamento ambiental. A produção, além de suprir a Citepe, deverá suprir a própria M&G, que neste começo está importando PTA do México e trazendo da Bahia a outra matéria-prima, o mono-etileno-glicol (MEG).
    A produção de PTA dependerá inicialmente de paraxileno importado, provavelmente da prevista Unidade de Petroquímicos Básicos (UPB), a refinaria que a Petroquisa planeja construir em Itaboraí-RJ para suprir de olefinas e aromáticos a indústria petroquímica. Tal importação ocorreria até a Refinaria Abreu e Lima, que também será construída no Complexo Portuário e Industrial de Suape, produzir este aromático.

    Petroquímica Suape – A Citepe e a fábrica de PTA, com investimentos de 320 milhões de dólares e 542 milhões de dólares respectivamente, são empreendimentos formados no âmbito da Petroquímica Suape, parceria meio a meio da Petroquisa com a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste (Citene), esta formada há menos de dois anos por três empresas do setor têxtil – Vicunha (40%), Polienka (30%) e FIT (30%). Pelo cronograma previsto, a Refinaria Abreu e Lima, empreendimento de 4 bilhões de dólares em parceria com a estatal venezuelana PDVSA, processará 200 mil barris/dia de óleos pesados, procedentes de campos do Brasil e da Venezuela, a partir de 2011 – tempo que Lula quer que seja encurtado em um ano, suficiente para que ele e o governador aliado Eduardo Campos possam inaugurá-la. Presidente e governador assinaram um termo de compromisso, estabelecendo as obrigações de ambos os governos nos investimentos em infra-estrutura, avaliados em R$ 140 milhões. O terreno já foi desapropriado. A fase atual é de engenharia básica.

    A refinaria suprirá a Petroquímica Suape de paraxileno, completando assim, de forma invertida, de jusante para montante, o Pólo de Poliéster, núcleo do 2° Pólo Petroquímico do Nordeste, como anuncia a Presidência da República. O Pólo de Poliéster impôs pesada desilusão nos planos do anterior governo da Bahia, que há pelo menos sete anos imaginava que um pólo igual seria a solução para acabar com a paralisia e assegurar importante desdobramento no 2o Pólo Petroquímico, há anos carente de grandes projetos que possibilitariam o aumento da densidade industrial e novos desdobramentos, como considerava.

    O governo ressaltava que a localização mais acertada para o Pólo de Poliéster seria o próprio 2o Pólo Petroquímico, onde já há a produção das duas matérias-primas requeridas – o paraxileno, produzido na Braskem, que é transformado no PTA mediante oxidação; e o monoetileno glicol (MEG), produzido na Oxiteno, requerido na polimerização do PTA e conseqüente produção da resina PET. Para os baianos, particularmente para a Braskem, que estava em entendimento com o grupo turco Sabanci para investir, juntamente com a Petroquisa, em uma fábrica de PTA, sobrou apenas a promessa do presidente da Petrobrás, o baiano José Sérgio Gabrielli, de que em 2009 uma segunda fábrica de PTA começará a ser construída, esta na Bahia.

    No informativo que circulou na cerimônia de inauguração da M&G, a Presidência da República ressalta que, desde 2004, o próprio presidente esteve empenhado em garantir a construção dessa fábrica no Brasil – e que a união de esforços dos governos federal, estadual e municipal possibilitou as condições econômicas e de infra-estrutura para o êxito do investimento, “base de um pólo de poliéster”. O texto arremata: “Investimentos ainda maiores já estão programados para o local e consolidarão o Pólo Petroquímico de Suape.”
    A mesma nota ressalta que o Pólo Petroquímico de Suape faz parte do planejamento estratégico da Petrobrás, que investirá 3,2 bilhões de dólares em projetos petroquímicos até 2011, “conforme previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”.                             José Valverde

     

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