Polietileno de Etanol: Polietileno PE Verde retorna à Era do Álcool: Dow, Crystalsev, Braskem e Beta Analytic

A Dow e a Crystalsev, grupo nacional atuante no setor sucroalcooleiro, anunciaram com pompa e circunstância a assinatura de um acordo para a criação de uma joint venture

A Dow e a Crystalsev, grupo nacional atuante no setor sucroalcooleiro, anunciaram com pompa e circunstância a assinatura de um acordo para a criação de uma joint venture (sociedade compartilhada com 50% cada) que resultará no primeiro Pólo alcooquímico integrado do mundo com escala industrial, em evento que contou com a presença do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, do Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, do presidente e CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris e de diretores da Dow e da Crystalsev.

A Dow planeja iniciar, em 2011, a produção de 350 mil toneladas anuais de polietileno linear de baixa densidade com etileno obtido do etanol de cana-de-açúcar.

“O Brasil tem tecnologia de ponta, diminuiremos a dependência do petróleo e usaremos o bagaço da cana para sermos auto-suficientes em energia e ainda teremos excedentes para oferecer ao mercado”, declarou Andrew Liveris.

Não foram divulgados os valores envolvidos no projeto, nem o local onde será construído o pólo. “Ainda não temos condições de informar números precisos, pois estamos fazendo o levantamento de custos”, justificou o presidente da Dow para a América Latina, Pedro Suarez.

A definição do local envolve alguns estudos. “Como a produção é integrada, o aspecto produtividade agrícola, para ter custo competitivo, é fundamental para a escolha da localização”, comentou Rui Lacerda Ferraz, presidente do grupo Crystalsev.

A construção do pólo começa em 2008 e consiste na integração das duas empresas em todo o processo: do cultivo da cana até a fabricação e a comercialização do plástico. “O projeto é essencialmente para o mercado local, pois acreditamos no crescimento acentuado do polietileno linear de baixa densidade, com percentuais acima de 7%”, ressaltou Suarez.

A produção projetada de 350 mil toneladas/ano de resina demandará 700 milhões de litros de etanol/ano. Por processo de desidratação e envolvimento de catalisadores de última geração, o etanol gera etileno idêntico ao produzido pelo craqueamento do petróleo.

Na verdade, a técnica para produção de polietileno com base no etanol é antiga.

Até mesmo a Dow esteve envolvida em projetos nas décadas de 70 e 80.

A Union Carbide, adquirida pela Dow, também detinha a tecnologia.

O que a Dow ressalta no atual empreendimento é o aprimoramento da metodologia, com melhor aproveitamento do etanol.

Segundo a produtora de resinas, o etanol é obtido pelo conhecido processo bioquímico de fermentação do caldo, centrifugação e destilação.

A produção do etileno acontece por meio de um processo de desidratação e envolve a adição de catalisadores ao etanol aquecido, transformando-o em gás etileno.

Desse ponto em diante, o processo de fabricação segue as etapas já existentes para a obtenção do PE oriundo do etileno da nafta. “O polietileno fabricado com etileno obtido do etanol é quimicamente idêntico ao de origem petroquímica”, assegura Diego Donoso, diretor-comercial do negócio de plásticos básicos e de performance para a América Latina.

Segundo ele, o etileno gerado com base no etanol é idêntico ao oriundo da petroquímica. “A molécula é igual.”

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, do Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, do presidente e CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris e de diretores da Dow e da CrystalsevPlástico Moderno, Notícias - Polietileno retorna à Era do álcool
Jorge (esq.), Liveris, Suarez e Sobel durante assinatura do acordo

Levantamento da Dow e da Crystalsev aponta que uma tonelada de cana gera entre 85 e 90 litros de etanol, os quais produzem em torno de 40 quilos de etileno, equivalentes a pouco mais de 40 quilos de polietileno.

A usina construída pela joint venture produzirá em torno de 700 milhões de litros de etanol por ano, que serão revertidos em etileno e, depois, em polietileno.

O pólo alcoolquímico entra em operação alinhado com as leis ambientais, que preveem cultivo da cana-de-açúcar predominantemente mecanizado (dispensa a queima de resíduos, comum no corte manual).

Além disso, todos os resíduos gerados nas etapas de produção serão reutilizados.

O dióxido de carbono (CO2) gerado no processo é incorporado à cadeia molecular do polietileno e absorvido pela cana-de-açúcar.

Segundo as empresas envolvidas no negócio, anualmente 700 mil toneladas de CO2 serão convertidas em plástico: dois quilos de gás carbônico geram um quilo de polietileno.

A água liberada no processo de transformação do etanol em etileno será utilizada no sistema de produção, como a geração de vapor.

O bagaço da cana será reaproveitado como fonte energética para operação de todo o complexo e ainda será possível comercializar entre 25% e 35% de energia excedente, a qual seria suficiente para suprir uma cidade com mais de 500 mil habitantes, nos cálculos das parceiras. Outro subproduto, a vinhaça, retornará ao ciclo produtivo como fertilizante no cultivo da própria cana-de-açúcar.

Fundado há dez anos e sediado em Ribeirão Preto-SP, o grupo Crystalsev é o terceiro maior do setor sucroalcooleiro do País. Centraliza a comercialização, no mercado interno e no externo, de 13 usinas do interior de São Paulo e Minas Gerais. Outras dez estão em fase de construção.

Braskem tem projeto de PEAD Renovável (Polietileno de Alta Densidade Verde)

A Braskem obteve o primeiro certificado internacional para a fabricação de polietileno de alta densidade produzido exclusivamente com matéria-prima renovável, no caso o etanol de cana.

A resina foi obtida em reator de bancada e poderá ocupar uma unidade industrial para suprir clientes interessados, que até podem ajudar a financiar o projeto.

A produção de etileno e derivados utilizando o álcool etílico não é novidade no Brasil.

Até a inauguração das centrais petroquímicas, na década de 70, essa era uma das alternativas usadas para a obtenção de resinas.

Union Carbide, Salgema e Cia. Alcoolquímica Nacional, por exemplo, operavam unidades desse tipo. A Solvay possuía instalações para fazer a olefina com o acetileno obtido do carbureto de cálcio. “Em relação às unidades antigas, nosso processo avançou na catálise e na conservação de energia, alcançando melhores índices de conversão e escalabilidade”, explicou Manoel Carnaúba Cortez, diretor-industrial da unidade de petroquímicos básicos da Braskem, responsável pelo projeto.

Segundo Carnaúba, dados obtidos no laboratório revelaram 99% de conversão do etanol, com seletividade de 97% em etileno.

As impurezas que devem ser separadas antes da polimerização são compostas de água e gás carbônico.

O processo consiste na vetusta desidratação catalítica do álcool hidratado.

A Braskem aproveitou parte do conhecimento técnico oriundo da antiga instalação de etileno da Salgema, somando a ele os avanços conseguidos pelo laboratório próprio de catálise.

Dessa forma, um reator de baixa pressão recebe o álcool hidratado, aquecendo-o na presença de um catalisador suportado em alumina.

A natureza do catalisador não foi informada pelo diretor.

A unidade de etileno de Alagoas era muito antiga e já foi desmontada, exigindo a construção de novas instalações.“Entramos na fase de detalhamento técnico e econômico com o objetivo de iniciar a produção comercial da resina por volta de 2009”, afirmou José Carlos Grubisich, presidente da Braskem.

Dados preliminares indicam que a produção de PEAD deve ficar na faixa de 100 mil a 200 mil t/ano.

Por ser um produto convencional, poderá servir a diversos segmentos consumidores, sem a necessidade de adaptação do equipamento de transformação. Será mais caro que os derivados de petróleo. “Verificamos que os clientes potenciais aceitam pagar um diferencial de 15% a 20% pelo plástico de origem renovável”, justificou. Em meados de junho, a tonelada de etileno obtida com base na pirólise de nafta era avaliada em US$ 1.200.

A certificação do PEAD de etanol foi feita pelo Beta Analytic, um laboratório internacional renomado na atividade.

Até o momento, o projeto já consumiu investimentos de US$ 5 milhões.

Os recursos necessários à instalação da desidratadora e da fábrica de PEAD poderão ser obtidos por meio de rateio entre alguns clientes mundiais e estão avaliados entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões. A localização do empreendimento não foi ainda decidida, mas deve levar em consideração o suprimento de etanol e os custos logísticos, de modo que seja bastante competitivo.

No futuro, outros polímeros poderão ser produzidos com o mesmo etileno.

A Braskem mantém outros projetos para uso mais intenso do álcool em seus produtos. “Estamos convertendo toda a nossa produção de MTBE, que usa metanol, para o ETBE, com etanol, tanto na Copesul quanto na Bahia, com início em 2008”, afirmou Grubisich.

No total, serão 300 mil t/ano de ETBE.

Esses éteres tercio-butílicos, usados como aditivos oxigenados para gasolina automotiva, são exportados para os Estados Unidos e para a Ásia.

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