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Notícias – Polietileno retorna à Era do álcool

Maria Aparecida de Sino Reto
31 de agosto de 2007
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    A Dow e a Crystalsev, grupo nacional atuante no setor sucroalcooleiro, anunciaram com pompa e circunstância a assinatura de um acordo para a criação de uma joint venture (sociedade compartilhada com 50% cada) que resultará no primeiro pólo alcooquímico integrado do mundo com escala industrial, em evento que contou com a presença do Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, do Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, do presidente e CEO da Dow Chemical, Andrew Liveris e de diretores da Dow e da Crystalsev.

    A Dow planeja iniciar, em 2011, a produção de 350 mil toneladas anuais de polietileno linear de baixa densidade com etileno obtido do etanol de cana-de-açúcar. “O Brasil tem tecnologia de ponta, diminuiremos a dependência do petróleo e usaremos o bagaço da cana para sermos auto-suficientes em energia e ainda teremos excedentes para oferecer ao mercado”, declarou Andrew Liveris.

    Não foram divulgados os valores envolvidos no projeto, nem o local onde será construído o pólo. “Ainda não temos condições de informar números precisos, pois estamos fazendo o levantamento de custos”, justificou o presidente da Dow para a América Latina, Pedro Suarez. A definição
    do local envolve alguns estudos. “Como a produção é integrada, o aspecto produtividade agrícola, para ter custo competitivo, é fundamental para a escolha da localização”, comentou Rui Lacerda Ferraz, presidente do grupo Crystalsev.

    A construção do pólo começa em 2008 e consiste na integração das duas empresas em todo o processo: do cultivo da cana até a fabricação e a comercialização do plástico. “O projeto é essencialmente para o mercado local, pois acreditamos no crescimento acentuado do polietileno linear de baixa densidade, com percentuais acima de 7%”, ressaltou Suarez.
    A produção projetada de 350 mil toneladas/ano de resina demandará 700 milhões de litros de etanol/ano. Por processo de desidratação e envolvimento de catalisadores de última geração, o etanol gera etileno idêntico ao produzido pelo craqueamento do petróleo.

    Na verdade, a técnica para produção de polietileno com base no etanol é antiga. Até mesmo a Dow esteve envolvida em projetos nas décadas de 70 e 80. A Union Carbide, adquirida pela Dow, também detinha a tecnologia. O que a Dow ressalta no atual empreendimento é o aprimoramento da metodologia, com melhor aproveitamento do etanol.

    Segundo a produtora de resinas, o etanol é obtido pelo conhecido processo bioquímico de fermentação do caldo, centrifugação e destilação. A produção do etileno acontece por meio de um processo de desidratação e envolve a adição de catalisadores ao etanol aquecido, transformando-o em gás etileno. Desse ponto em diante, o processo de fabricação segue as etapas já existentes para a obtenção do PE oriundo do etileno da nafta. “O polietileno fabricado com etileno obtido do etanol é quimicamente idêntico ao de origem petroquímica”, assegura Diego Donoso, diretor-comercial do negócio de plásticos básicos e de performance para a América Latina. Segundo ele, o etileno gerado com base no etanol é idêntico ao oriundo da petroquímica. “A molécula é igual.”

    Plástico Moderno, Notícias - Polietileno retorna à Era do álcool

    Jorge (esq.), Liveris, Suarez e Sobel durante assinatura do acordo

    Levantamento da Dow e da Crystalsev aponta que uma tonelada de cana gera entre 85 e 90 litros de etanol, os quais produzem em torno de 40 quilos de etileno, equivalentes a pouco mais de 40 quilos de polietileno.

    A usina construída pela joint venture produzirá em torno de 700 milhões de litros de etanol por ano, que serão revertidos em etileno e, depois, em polietileno.

    O pólo alcooquímico entra em operação alinhado com as leis ambientais, que prevêem cultivo da cana-de-açúcar predominantemente mecanizado (dispensa a queima de resíduos, comum no corte manual). Além disso, todos os resíduos gerados nas etapas de produção serão reutilizados.
    O dióxido de carbono (CO2) gerado no processo é incorporado à cadeia molecular do polietileno e absorvido pela cana-de-açúcar. Segundo as empresas envolvidas no negócio, anualmente 700 mil toneladas de CO2 serão convertidas em plástico: dois quilos de gás carbônico geram um quilo de polietileno. A água liberada no processo de transformação do etanol em etileno será utilizada no sistema de produção, como a geração de vapor.

    O bagaço da cana será reaproveitado como fonte energética para operação de todo o complexo e ainda será possível comercializar entre 25% e 35% de energia excedente, a qual seria suficiente para suprir uma cidade com mais de 500 mil habitantes, nos cálculos das parceiras. Outro subproduto, a vinhaça, retornará ao ciclo produtivo como fertilizante no cultivo da própria cana-de-açúcar.

    Fundado há dez anos e sediado em Ribeirão Preto-SP, o grupo Crystalsev é o terceiro maior do setor sucroalcooleiro do País. Centraliza a comercialização, no mercado interno e no externo, de 13 usinas do interior de São Paulo e Minas Gerais. Outras dez estão em fase de construção.

    Braskem tem projeto de PEAD – A Braskem obteve o primeiro certificado internacional para a fabricação de polietileno de alta densidade produzido exclusivamente com matéria-prima renovável, no caso o etanol de cana. A resina foi obtida em reator de bancada e poderá ocupar uma unidade industrial para suprir clientes interessados, que até podem ajudar a financiar o projeto.


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