Nanociência impulsiona a indústria do plástico

É muito bom o potencial de mercado oferecido pela nanociência à indústria do plástico.

Compostos formados pela associação de resinas com nanopartículas de materiais como argilas, prata ou nanotubos de carbono apresentam características especiais, capazes de permitir o uso do plástico em aplicações impensáveis.

Esses compostos podem ter várias propriedades, como grande resistência mecânica, barreira à transposição de odores e gases, resistência térmica, maior estabilidade dimensional, propriedades bactericidas e antimicrobianas e/ou a possibilidade de obtenção de peças plásticas com condutividade elétrica.

Outra vantagem: enquanto os compósitos tradicionais utilizam, em média, 30% de cargas em sua formulação – em alguns casos chega próximo dos 50% –, os nanoparticulados necessitam de apenas 5% ou 6%. Por isso, são mais leves e fáceis de moldar.

A menor presença de cargas também possibilita maior facilidade de reciclagem, propiciando à indústria se adaptar com maior facilidade às legislações voltadas para a proteção do meio ambiente, que prometem se tornar mais rigorosas a cada dia.

As muitas possibilidades do uso de nanocompostos foram temas de várias palestras apresentadas durante a quarta edição da Nanotec, congresso e exposição de nanotecnologia, realizado entre os dias 12 e 14 de novembro, em São Paulo.

O evento foi organizado pela Promove Eventos e contou com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, da Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo, do Finep, Inmetro, ABNT e das entidades patronais Fiesp, Abiquim (indústria química), Abiplast (plásticos), Abit (indústria têxtil), Abinee (elétrica e eletrônica), Abimaq (máquinas) e Sindipeças (autopeças).

Academia e indústria – Nos debates, alguns temas mereceram destaque. Um deles ficou por conta da falta de uma constatação positiva para as empresas brasileiras.

Ao contrário do que ocorre nos países desenvolvidos, a área acadêmica no Brasil se encontra muito distante do setor produtivo.

Para se ter uma idéia dessa distância, por aqui 80% dos cientistas fazem carreira no mundo acadêmico. No exterior, esse índice é o oposto, 80% estão empregados na iniciativa privada.

A nanotecnologia espelha bem essa realidade. No Brasil, calcula-se que houve investimento em pesquisa e desenvolvimento de nanotecnologia de R$ 200 milhões nos últimos quatro anos.

A cifra é bastante modesta perante os vultosos investimentos feitos por outros países, até mesmo pelos demais participantes do BRIC – Rússia, Índia e China.

Em torno de 75% dessa cifra foi disponibilizada pelo governo federal, que conta com programa nacional para desenvolver o tema.

No exterior, as empresas investem somas muito mais expressivas do que as governamentais. Em termos acadêmicos, muitos estudos de qualidade estão sendo desenvolvidos por aqui.

Esses estudos são, na maioria das vezes, ignorados. O número de produtos brasileiros com tecnologia “nano” disponíveis no mercado ainda é pífio.

O tema resultou em debates acalorados. Por um lado, defensores da aproximação entre academia e indústria fizeram ardorosa defesa da necessidade de maior investimento por parte das empresas.

Por outro, representantes empresariais dos mais variados segmentos da economia jogaram a culpa do cenário para a falta de financiamento para a realização de pesquisas, excesso de carga tributária e outras mazelas que há anos geram queixas da indústria.

Os promotores do evento encontraram uma forma para que as discussões não morressem sem qualquer avanço: pela primeira vez, durante a realização da Nanotec, representantes das instituições de ensino e pesquisa tiveram a oportunidade de apresentar projetos desenvolvidos no campo da ciência diretamente para representantes da indústria.

“Quem sabe, dessa aproximação, surjam novos produtos brasileiros”, resumiu Ronaldo Marchese, presidente da Promove.

Projetos em andamento – Não existem números oficiais que dimensionem com exatidão o mercado mundial de nanocompósitos. Estima-se que hoje ele deva superar a casa das 100 mil toneladas em todo o mundo, movimentando uma cifra de US$ 180 milhões. Vários produtos já se encontram no mercado.

Entre as empresas brasileiras, a Quattor (ex-Suzano Petroquímica) é a pioneira no país no lançamento de um composto do gênero.

Graças a uma parceria com a Suggar, há cerca de três anos a fabricante de matérias-primas passou a investir no desenvolvimento de um composto antimicrobiano e bactericida enriquecido com nanopartículas de prata.

Outros projetos da empresa estão em curso e envolvem o lançamento de compostos resistentes às chamas, com maior resistência mecânica e aos riscos, entre outros.

Representante da empresa no congresso, o tecnologista Adair Rangel demonstrou a grande vantagem do desempenho dos nanomateriais em relação aos compostos hoje utilizados.

Palestra promovida pelo chefe de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa, Luiz Henrique Caparelli Mattoso, mostrou os estudos diferenciados patrocinados pelo órgão estatal no campo do plástico.

Um deles é o desenvolvimento de compósitos enriquecidos com nanopartículas de fibras vegetais, como cascas de arroz e de sisal, entre outras.

Uma experiência feita com nanopartículas de sisal pôde ser conferida na última Feira do Automóvel, realizada em São Paulo no início de novembro.

Em parceria com a transformadora Mueller, a Embrapa apresentou a tampa de um capô de automóvel desenvolvido com a matéria-prima. A peça é mais leve e apresenta várias vantagens em relação a outros materiais.

Um outro projeto interessante apresentado pela Embrapa foi o desenvolvimento de filmes biodegradáveis e comestíveis voltados para envolver alimentos.

Ao embalar uma maçã, por exemplo, esses filmes aumentam sua vida útil em 20 dias.

Esses filmes têm em sua composição substâncias como amido, glúten e extrato de legumes e frutas.

“Eles preservam água e diminuem a perda de CO2”, justificou Mattoso.

A Bayer MaterialScience planeja a construção de uma nova fábrica de TDI (diisocianato tolueno) em seu sítio de produção integrada de Xangai, na China.

As obras da planta do estado-da-arte em escala mundial, com capacidade de 250 mil t/ano, devem se iniciar ainda em 2008.

As autoridades chinesas já emitiram a permissão para o projeto, que deverá ser comissionado em 2010.

O investimento resultará em um aumento da força produtiva de TDI da companhia alemã para mais de 700 mil t/ano, e já há planos para expandir a nova capacidade chinesa para 300 mil t/ano.

O entusiasmo tem explicação: segundo Patrick Thomas, presidente do comitê de administração da companhia, o projeto reafirma o comprometimento com um mercado que tem o maior crescimento no planeta.

O aumento na taxa de consumo global de TDI previsto para o médio prazo é de 4%, mas as previsões de aumento de consumo na China chegam ao dobro desse valor (8%).

O apetite mundial por TDI é conseqüência da demanda por espumas de PU flexíveis, utilizadas amplamente em mobiliário decorativo, colchões e assentos automobilísticos.

Polióis e isocianatos são os principais insumos para a produção de PU.

O processo de fosgenação em fase gasosa, criado pela própria Bayer, será empregado pela primeira vez, em escala mundial, na futura fábrica.

O mérito da tecnologia, considerada inovadora, é reduzir em cerca de 80% o consumo de solvente e, em decorrência, cortar até 60% do consumo energético (em plantas de larga escala).

O investimento inicial também cai, sendo 20% menor.

Além da significativa diminuição dos custos operacionais, ainda há um ganho para a proteção do clima: fábricas convencionais com o mesmo tamanho emitem 60 mil t/ano adicionais de dióxido de carbono.

A expansão da capacidade de produção de TDI integra um plano de inversões mais amplo, que atinge outras áreas do sítio de Xangai, cujo investimento total planejado até 2012 soma € 2,1 bilhões, dos quais € 700 milhões serão gastos entre 2009 e 2012.

Borracha butílica avança e exige novas expansões

A produtora de especialidades químicas Lanxess construirá uma fábrica de borracha butílica com capacidade de 100 mil t/ano em Cingapura.

A planta deverá ser comissionada em 2011, e será levantada na ilha artificial Jurong com investimento de 400 milhões de euros, o maior já realizado pela companhia em sua breve história.

A nova unidade asiática é uma resposta à demanda crescente pela borracha butílica.

Desde 2004, as vendas da Lanxess cresceram cerca de 45% na região. A escolha pela localidade no sudoeste de Cingapura foi influenciada principalmente pela excelente disponibilidade de matérias-primas.

A empresa já assinou contrato de longo prazo com a Shell Eastern Petroleum para o fornecimento do principal insumo, o refinado 1 (raffinate 1), nome dado ao produto do processamento de correntes C4 após a extração do butadieno, composto majoritariamente de isobutileno, além de pequenas quantidades de butano e outros compostos.

A Lanxess extrairá o isobutileno, necessário à produção de borracha, e revenderá o subproduto dessa operação, conhecido como refinado 2.

A produtora ainda pretende assinar contratos de longo prazo com fornecedores asiáticos de isopreno, a outra matéria-prima essencial da nova fábrica, mas cujos volumes demandados são bem menores que os de refinado 1.

O investimento deve gerar mais de 200 empregos diretos. Nos últimos dois anos, a empresa expandiu sua capacidade de produção de borracha butílica nas plantas de Zwijndrecht (Bélgica) e Sarnia (Canadá), e quando a última fase da ampliação canadense se concretizar, a capacidade total da Lanxess chegará a 280 mil t/ano.

A previsão é de que o mercado mundial cresça a taxas de 3% nos próximos quinze anos. Na China, Taiwan e Hong Kong, o consumo será mais acelerado, com taxas de 6% ao ano, e, na Índia, o ritmo será ainda mais forte, próximo de 8%.

Além das aplicações tradicionais da borracha butílica, cresce o interesse por seus derivados halogenados, em especial pela borracha butílica bromada, utilizada em camadas intermediárias impermeáveis de pneus.

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