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Notícias – Náilon ganha reforço de óxidos de sílica

Rose de Moraes
22 de abril de 2010
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    Nos demais ensaios, como de resistência à tração, à flexão e ao impacto por pêndulo, os novos compostos apresentaram desempenho equivalente.

    Com a utilização de microssílicas obtidas das cascas de arroz, as formulações de compostos tornaram-se mais simples e propiciaram distribuir melhor a umidade por toda a peça, fazendo com que os náilons adquirissem maior flexibilidade.

    “A estabilização dos náilons reforçados com cargas formadas por microssílicas obtidas das cascas do arroz também é bem mais rápida, e possibilita montar uma tampa de correia no motor em 24 horas, enquanto peças fabricadas com cargas convencionais exigiriam entre quatro a cinco dias para que se pudesse efetuar as montagens, período necessário à estabilização dos náilons”, explicou Araújo.

    A tampa de correia do motor, no caso, por se tratar de peça com nove insertos metálicos para a colocação de parafusos e pinos, também não poderia ser submetida a processo de hidratação forçada perante o risco de ocorrer a oxidação dos insertos.

    A única desvantagem, por enquanto, relacionada com as peças que irão contar com carga composta pelas cinzas das cascas de arroz, segundo Araújo, está na cor do artefato, que só pode ser preta. Entretanto, segundo ele, o que se poderia denominar como desvantagem, também representa outra vantagem, pois a cor preta permite formular compostos igualmente pretos, sem a necessidade de incorporação às massas de negros-de-fumo, e também dispensar cargas minerais, que podem submeter os compostos a riscos de afloramento.

    “Estamos oferecendo uma opção para a produção mais amigável ao meio ambiente, aproveitando um subproduto que seria descartado na natureza para dar-lhe nova utilização”, afirmou o diretor-geral da empresa, Andrea Serturini.

    A nova tecnologia para a fabricação de compostos também privilegia o acabamento superficial das peças, oferecendo-lhes melhor aparência. Depois do benefício ecológico, entretanto, o que mais atraiu as montadoras para a possível utilização do novo composto foi a qualidade do acabamento superficial propiciado às peças. Graças a essa soma de benefícios, várias montadoras testam no momento o novo composto em tampas de correias de motores. O próximo passo, segundo avaliam os técnicos da Radici Plastics, será testar o material também na fabricação de tampas para os bocais de combustíveis, incluindo tampas para os próprios motores.

    A empresa já conta, contudo, com um leque de novas possibilidades que estão sendo abertas para a introdução dos novos compostos fabricados com microssílicas das cascas de arroz. Um deles estaria direcionado à fabricação de conectores de chicote para a colocação das fiações para acionamento de vidros elétricos, travas elétricas, entre outros conjuntos.

    Novos projetos para o Brasil – Instalada desde setembro de 1998 no Brasil, em Itaquaquecetuba, no interior paulista, a fábrica de compostos de engenharia da Radici Plastics já desenvolveu dezenas de projetos para a fabricação de peças plásticas, respondendo por cem novas aplicações ao ano e pela nacionalização de várias aplicações consolidadas na Europa.

    Tais aplicações envolvem principalmente compostos de PA 6, que alimentam os mercados de ferramentas elétricas, na fabricação de furadeiras, serras, lixadeiras etc. e as indústrias automobilísticas, na produção de calotas, tampas para motores etc. e compostos de PA 6.6, destinados aos setores de maior exigência quanto à temperatura de utilização (entre 180ºC e 190ºC), até mesmo para uso contínuo (até 150ºC), como carcaças de secadores para cabelos, pedais de aceleradores de veículos, entre outras aplicações, fabricadas com vários tipos de reforços e que, a partir de agora, poderão contar com óxidos de sílica obtidos das cinzas das cascas de arroz, como suas mais novas beneficiárias.

    “Estamos participando de um momento muito bom para os plásticos de engenharia, pois muitas peças antes confeccionadas em metais migraram para as poliamidas, como ventoinhas, filtros, atuadores, comandos de válvulas, pedais, entre outras. As aplicações automotivas das poliamidas e dos compostos cresceram muito nos últimos anos. Na Europa, já se estendem a defletores de faróis, difusores de ar, caixas para airbags, peças para porta-luvas e para painéis, entre muitas outras. Apesar de nosso foco atual estar voltado para as poliamidas, também já iniciamos processo de busca de novos parceiros nas áreas de aplicação dos polipropilenos”, antecipou o diretor Serturini.

    Com duas fábricas de plásticos de engenharia na Itália e uma unidade em cinco diferentes países – Alemanha, Estados Unidos, China, Índia e Brasil –, além de centros de distribuição na França, Espanha e Inglaterra, a Radici Plastics tem o propósito de oferecer ao mercado brasileiro, segundo reiterou o diretor Serturini, produtos tecnologicamente mais avançados e de menor impacto ambiental. Nessa linha de atuação, além do novo desenvolvimento em carga, a empresa também acaba de trazer ao país, atendendo ao pedido de montadoras, compostos aditivados com antichama à base de fósforo, como alternativa menos agressiva aos compostos à base de bromo e de cloro, para aplicação em peças automotivas.

    Outro grande feito recente foi a compra da Michel Day, ocorrida em 5 de janeiro de 2010. A fábrica é considerada uma das maiores produtoras de compostos dos Estados Unidos, e vinha atuando há vários anos nas áreas de poliacetal, PET, PBT, PBTE, PC e ABS, respondendo por cerca de 180 homologações implementadas somente no setor automotivo.

    “A importância da aquisição da Michel Day é muito grande para o grupo Radici, pois ampliará nosso portfólio de produtos e de negócios. A Michel Day até 2009 respondia por faturamento anual superior a US$ 45 milhões, sendo 72% desse montante gerado pelos negócios firmados com as indústrias automobilísticas”, revelou Serturini.

     

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