Multinacional alemã prioriza os plásticos de engenharia

Todos os anos, a Lanxess escolhe um tema para demonstrar sua preocupação com o desenvolvimento dos negócios.

Para 2011 foi estipulado “o ano do plástico de alta tecnologia”.

Para o mercado brasileiro, está prevista a realização de um evento no final do ano, destinado a usuários da matéria-prima e clientes.

A escolha do tema não foi por acaso. Está por trás de um ambicioso plano de crescimento previsto para os próximos cinco anos.

A multinacional obteve ebitda de 900 milhões de euros, no ano passado. Para 2015, espera elevar esse valor para 1,4 bilhão de euros.

Dentro dessa expectativa, o mercado dos plásticos de engenharia é fundamental.

O segmento movimentou em 2010 cerca de sete bilhões de euros e apresenta forte potencial de evolução nos próximos anos. Vale lembrar: a Lanxess conta com três divisões: polímeros, intermediários avançados e produtos químicos especiais.

A de polímeros responde por mais de 50% do faturamento da empresa. Para o segmento, as linhas mais conhecidas são a Durethan, formada por poliamidas 6, poliamidas 6.6 e copoliamidas; e Pocan, de polibutilenos tereftalatos.

Em visita ao Brasil, Werner Breuers, membro do board da Lanxess, enumera alguns fatores para o otimismo do desempenho da empresa nos próximos anos.

Um dos motivos é o setor automotivo, principal cliente nesse nicho, que tem usado cada vez mais a matéria-prima. Em termos mundiais, o setor automotivo representa 51% dos negócios da empresa.

“Com os plásticos, o carro fica mais leve e consome menos combustível”, justifica o dirigente. Atualmente, são utilizados 14 kg de plásticos de alta tecnologia, em média, por veículo.

Esse número tem estimativa de aumento de 7% ao ano. Em paralelo, há uma perspectiva de crescimento anual da produção de automóveis na casa de 3,3%.

Espera-se um aumento de 30% na produção global de veículos leves nos próximos cinco anos. Outro mercado muito importante para a empresa em termos mundiais é o eletroeletrônico, responsável por 22% das vendas.

Seguem-se os setores de embalagens (10%), esporte/lazer (5%) e construção civil (4%). Também nesses casos, as perspectivas são muito boas. Para o segmento eletroeletrônico, por exemplo, espera-se crescimento de 6% ao ano até 2020.

Para se adequar ao aumento da demanda por plásticos de engenharia, a empresa programa investimentos para os próximos anos.

Um terço das verbas a serem aplicadas terá como destino a pesquisa e o desenvolvimento de produtos.

Os dois terços restantes visam a aumentar a capacidade de produção. Os países em desenvolvimento conhecidos pela sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) serão contemplados com ações distintas.

Entre os projetos em andamento, encontra-se a ampliação da planta localizada em Wuxi, na China. Com perspectiva de ter as obras concluídas até meados do ano, a fábrica passará a ter 50% a mais de capacidade, chegando a 60 mil toneladas por ano.

Também está prevista a expansão da unidade instalada em Jhagadia, na Índia, que no início de 2012 poderá produzir 20 mil toneladas por ano.

Para o Brasil, por enquanto, não está prevista a instalação de uma fábrica. Mas o fato de o país ter se transformado em um dos maiores fabricantes mundiais de automóveis e o bom momento da economia são fatores que podem facilitar futuras iniciativas nesse sentido.

O desenvolvimento de produtos amigáveis à natureza também tem sido alvo de investimentos. A multinacional adquiriu a empresa norte-americana Gevo, especializada em pesquisar matérias-primas obtidas de fontes renováveis.

Um alvo de pesquisas é o isobuteno, substância usada para a fabricação de plásticos, borrachas, fibras e outros produtos convencionalmente produzidos com derivados de petróleo.

A Gevo está desenvolvendo um processo de fermentação para produzir o composto orgânico isobutanol por meio de açúcares fermentáveis em biomassa, em especial o milho.

Desse composto, por meio de um processo de desidratação, seria obtido o isobuteno. O processo já foi aprovado com sucesso em laboratório.

Sob encomenda – Por motivos estratégicos, a Lanxess não divulga números das vendas feitas no mercado nacional.

Por aqui, a divisão do mercado da empresa é diferente da apresentada no desempenho mundial.

Plástico Moderno, Marcelo Corrêa, Especialista de vendas técnicas da Lanxess, Notícias - Multinacional alemã prioriza os plásticos de engenharia
Corrêa: setor automobilístico detém até 65% do faturamento da companhia

“O setor automobilístico detém de 60% a 65% do nosso faturamento”, revela Marcelo Corrêa, especialista de vendas técnicas da filial brasileira.

O restante é dividido entre os mercados de eletroeletrônicos e de ferramentas elétricas, entre outros com menor participação.

As linhas Durethan e Pocan são oferecidas em diversos grades. Por isso, a assessoria aos clientes é um ponto fundamental da empresa para conquistar mercado.

“Conforme as características da aplicação, nós recomendamos a fórmula mais adequada. Caso for preciso, podemos contar com nossos laboratórios especializados no exterior para descobrir a melhor alternativa”, informa o especialista.

Em alguns casos, a solução é reforçar os componentes de plástico em pontos essenciais com chapas de metal. Uma evolução recente, lançada durante a realização da feira K, em 2010, foi uma fórmula em que as chapas de metal podem ser substituídas por outros tipos de reforços.

O material já vem sendo utilizado em uma peça componente do modelo de automóvel Audi A8.

Outros produtos de destaque, na família das poliamidas, são o Durethan EF- Easy Flow e o Durethan XF – Xtreme Flow, que contam com menor viscosidade e permitem a incorporação de grandes quantidades de fibra de vidro na formação de compostos.

Eles permitem a obtenção de peças com alta rigidez, possibilidade de redução da espessura das paredes, menor empenamento, menor expansão térmica e excelente acabamento superficial.

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