Moldadora de compósitos investe em novo processo

Uma das maiores fabricantes de peças de plástico reforçado com fibra de vidro da América Latina para os setores automobilístico, de máquinas agrícolas e de construção, a Tecnofibra, sediada em Joinville-SC, irá produzir o midroof (teto) do caminhão modelo 9800 da International do Brasil.

A peça será fabricada pelo processo RTM/AT (resin transfer moulding de alta tecnologia), considerado um dos mais modernos na produção de peças moldadas em compósitos.

O teto mede 2.400mm x 2.300mm x 1.000mm, equivalente a 13,70 m² e representa um marco na fabricação de peças de grande porte no país.

Na opinião do gerente-comercial da empresa, Alberto de Maio, o produto assegura altíssima qualidade e elevada tecnologia.

Segundo ele, o projeto exigiu de suas equipes técnica e de engenharia a utilização de todo seu know-how de trinta anos de experiência no desenvolvimento e fabricação de peças para o mercado de caminhões.

Foi preciso adequar o processo produtivo, desde a moldagem, com uma moderna estação para molde e contramolde; acabamento, envolvendo os meios de movimentação e cabines de pintura; bem como as áreas de expedição e transporte (racks).

O produto fará parte do conjunto de peças que equipará os caminhões destinados ao mercado externo em 2009, dentre os quais África do Sul e Rússia.

A empresa também anuncia sua adesão ao 1º Programa Nacional para Reciclagem de Compósitos como um dos patrocinadores.

O programa, empreendido pela Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e participação do BNDES, tem o propósito de buscar soluções ambientalmente corretas para a reutilização de resíduos.

A ideia é desenvolver tecnologia de reaproveitamento dos rejeitos gerados pela indústria brasileira de compósitos, estimados em 13 mil toneladas por ano.

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Produção do teto do caminhão requisita alta tecnologia

Além do processo RTM/AT, a Tecnofibra dispõe em seu parque produtivo das tecnologias RTM convencional e SMC (sheet moulding compound), além de moldar peças termoplásticas pelo processo vacuum forming.

Associação da Europa se posiciona sobre ACV

A European Bioplastics, associação do Velho Mundo representante dos fabricantes, transformadores e usuários de bioplásticos e seus derivados, lançou recentemente uma publicação esclarecendo sua posição sobre as oportunidades e necessidades ligadas às análises de ciclo de vida (ACVs) de bioplásticos.

Recebem essa denominação as resinas obtidas de fontes de matérias-primas renováveis, como as poliolefinas derivadas de etanol e as poliamidas derivadas de óleo de mamona, ou ainda os plásticos biodegradáveis e compostáveis segundo a norma europeia EN13432.

Dessa feita, bioplásticos podem ser: baseados em matérias-primas renováveis e biodegradáveis; renováveis e não-biodegradáveis; ou baseados em fontes fósseis, mas biodegradáveis.

Por conta da atenção que o mundo tem dado ao tema da sustentabilidade, os bioplásticos despertam interesse crescente da indústria e dos consumidores.

Na busca por ferramentas que comprovem suas vantagens, surge a figura das ACVs, pelas quais é possível contabilizar todos os impactos ambientais associados a um produto ou serviço em todas as fases de sua vida – desde o “nascimento” (a extração das matérias-primas) até a “morte” (a disposição final).

Como os resultados das ACVs têm sido cada vez mais utilizados em tomadas de decisão, a European Bioplastics aproveitou o ensejo para divulgar sua posição oficial sobre a ferramenta de análise.

Apoio cuidadoso – No documento recentemente divulgado, a associação europeia declara seu apoio às ACVs como meio de promoção, quantificação e substantificação da sustentabilidade de produtos.

Porém, ressalta que o uso da ACV na tomada de decisões requer o reconhecimento de suas limitações e de seu caráter em parte subjetivo, relacionado aos pesos estimados para as categorias de impacto ambiental e à interpretação dos resultados finais.

Por esse motivo, a European Bioplastics se refere ao estudo de ciclo de vida como “a ferramenta mais compreensível e confiável disponível para a análise do desempenho ambiental de produtos e serviços”, mas que não pode, sozinho, definir a tomada de decisão.

Além do resultado da ACV, a decisão final deve levar em consideração aspectos como a segurança, o uso pelo consumidor e a higiene.

Também é preciso atentar para o fato de que uma análise de ciclo de vida é específica para o produto ou serviço a que se destinou, pois seus resultados são fortemente afetados pelo tipo de produto ou serviço, as matérias-primas necessárias, as tecnologias de produção e transformação, o meio de transporte e as distâncias envolvidas na distribuição, além da forma de disposição final.

Portanto, a European Bioplastics admite que não são possíveis generalizações do tipo bioplásticos são melhores ou piores que outros materiais.

Outra posição importante assumida pela associação diz respeito à contabilização do teor de carbono renovável nos estudos de ciclo de vida.

Os bioplásticos contendo matérias-primas renováveis oferecem, de fato, uma pegada de carbono reduzida e dependente da quantidade de carbono renovável encerrada.

No entanto, o termo carbono-neutro, utilizado para designar produtos que não geram emissões líquidas de carbono para a atmosfera, refere-se apenas ao carbono biogênico, isto é, o carbono sequestrado do ar pelas plantas e que compõe o biopolímero.

A consideração automática de bioplásticos como sendo carbono-neutros e a omissão dos balanços de carbono biogênico dos inventários das ACVs, portanto, não são recomendadas pela European Bioplastics.

A recomendação é de que o carbono biogênico seja considerado, no estudo, como qualquer outra variável, sendo necessário expressar as quantidades envolvidas no ciclo de vida do produto.

O documento completo contendo todas as tomadas de posição da European Bioplastics, em inglês, pode ser baixado no site www.european-bioplastics.org .

M. Azevedo

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