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Notícias – Mercado reage e aquece os negócios no sul do país

Fernando C. de Castro
16 de agosto de 2010
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    Finalizado o primeiro semestre de 2010, o quadro operacional da transformação de termoplásticos nos três estados do sul do Brasil – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná – é de franca recuperação. A indústria ocupou mais de 80% da capacidade instalada produtiva em maio deste ano. Os números refletem uma média realizada entre quatro sindicatos de empresários do setor da região e que projetam ainda ao final do ano um crescimento de vendas na ordem de 10% na comparação com o ano passado.

    Na opinião do presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Nordeste Gaúcho (Simplás), Orlando Marin, é uma evidência clara de recuperação do setor. No mesmo período do ano passado, a atividade era de 68,5%. Somente na serra gaúcha, os empresários contrataram oito mil e quinhentos empregados para atividades operacionais, significando a reposição dos postos de trabalho, existentes antes da crise.

    Segundo Marin, nos municípios situados num raio de 50 quilômetros de Caxias do Sul, as empresas processam 400 mil toneladas de resinas virgens e outras 50 mil de material reciclado, em especial os plásticos de engenharia. Como efeito negativo da forte demanda, em certos momentos faltaram alguns materiais, principalmente ABS, que diante da forte procura registrou aumento de preços. Ainda conforme Marin, as vendas de máquinas e equipamentos para a região cresceram 99,8% na comparação com o mesmo período do ano passado.

    Da mesma forma, a forte encomenda de máquinas e equipamentos exige paciência. Os fornecedores de bens de capital para o segmento plástico estão levando até quatro meses para entregar as encomendas, prosseguiu Marin. Existe uma oferta reduzida de polietileno de baixa densidade, que teve seus preços descolados dos demais polietilenos. “As razões apresentadas pelo fornecedor é que aconteceu um aumento da demanda desta resina e ao mesmo tempo algumas plantas ficaram paradas”, justificou Marin.

    Em Santa Catarina, o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico (Simpesc), Albano Schmidt, informa, via sua assessoria executiva, que a entidade registra 81% de taxa de ocupação da capacidade instalada nos primeiros seis meses. “Bastante abaixo dos 87% do final de 2009, mas muito acima dos 65% do primeiro trimestre do ano passado.” De acordo com Schmidt, a crise passou e o horizonte agora é de crescimento. “Imaginamos crescer perto de 10% no ano”, antecipa o presidente do Simpesc.

    Se no nordeste gaúcho o problema foi o fornecimento de ABS, o polietileno esteve difícil de ser encontrado em Santa Catarina, principalmente de abril a junho, tanto para as encomendas via Braskem quanto por conta das importações. A leitura é que a petroquímica brasileira exportou em função do câmbio favorável.

    Em maio a tonelada caiu US$ 400,00 no mercado internacional, passando de US$ 1.800,00 para US$ 1.400,00, mas ao mesmo tempo ocorreu uma pressão de baixa no mercado interno, uma vez que as importadoras voltaram a entregar a resina importada no mercado interno, cumprindo o ciclo de 45 dias entre encomenda, embarque, desembaraço aduaneiro e questões de logística.

    No Paraná, a atividade também bateu os 81% no primeiro semestre. As contratações cresceram 5% em média, porém no momento há migração de trabalhadores para outros setores que estão com o crescimento real acima do PIB Nacional. Apesar da queda das exportações, o Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Paraná (Simpep) acusa aumento de 13% a 17%, dependendo do setor e do produto.

    Uma alternativa para o setor seria a importação, mas, segundo o sindicato paranaense, a pouca oferta de algumas resinas no mercado internacional, o preço elevado e, principalmente, o imposto de importação estabelecido em 14% acabam com as esperanças dos empresários de se manterem competitivos no mercado.

    Em nota divulgada à imprensa, a entidade avisa que esses índices ainda podem aumentar, pois estão surgindo ameaças de novos reajustes nas resinas para os próximos meses, dependendo dos preços das commodities olefínicas, notadamente da família de polietilenos, polipropileno e do butadieno no mercado internacional, agravadas pelo quadro de monopólio da cadeia petroquímica nacional.

    A diretoria do Simpep condena o imposto de importação porque, na opinião de seus diretores, o tributo fazia sentido no período em que havia competição interna. Com o advento do monopólio, a maneira de equalizar a lei da oferta e da procura é facilitar as importações. “O Brasil tem as resinas mais caras do mundo e o cenário está cada vez pior”, critica a nota.

    Região empreendedora – A Região Sul respondia no ano passado por aproximadamente 1 milhão e 730 mil toneladas de resinas. É o segundo polo industrial do país e exibe competitividade e diversificação. Juntos, os três estados promoveram um faturamento de quase R$ 13 bilhões no ano passado. Santa Catarina lidera em todos os quesitos. São 950 mil toneladas/ano de consumo aparente de resinas. No ano passado, apareceram apenas 830 mil por conta das empresas de PVC que usaram resinas estocadas e não compraram maiores volumes da
    petroquímica.

    O segundo estado é o Rio Grande do Sul com aproximadamente 480 mil toneladas e R$ 4 bilhões de valor de produção. Em 2009, os gaúchos atingiram 800 empresas na base do Sinplast, 600 na base do Simplás, Caxias do Sul, e aproximadamente 60 na base do Sinplavi, de Bento Gonçalves, perfazendo 1.460 razões sociais. Elas geram perto de 30 mil empregos.



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